TOP 15 Filmes de 2004

sexta-feira, dezembro 31st, 2004

#01. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembraças é um trabalho completo de direção, roteiro, atuação, edição, arte e trilha sonora. Existe perfeição em cada quadro, diálogo e interpretação. Michel Gondry (diretor) retrata o tratamento de esquecer pessoas, do qual a personagem de Jim Carrey se submete após descobrir que a ex-namorada (Kate Winslet, com tudo para ser indicada ao Oscar) fez o mesmo, como uma corrida pelos caminhos misteriosos da mente humana – e ninguém mais visionário do que Gondry, ao lado do roteirista mais criativo e maluco de Hollywood (Charlie Kaufman), para fazer isso.

#02. Antes do Pôr-do-Sol

Nove anos se passaram. Jesse e Celine se reencontram para passar mais um dia juntos, relembrarem de como se conheceram e saber o rumo que a vida de cada um tomou. Ele (Ethan Hawke) agora é um conhecido escritor, enquanto ela (Julie Delpy, simplesmente cativante, deveria ganhar uma indicação ao Oscar – que provavelmente não terá) trabalha para uma organização de proteção ao meio-ambiente. Mesmo sendo uma longa caminhada entre as ruas de Paris, a fita não se torna chata devido aos seus diálogos práticos e espontâneos – identificações acontecerão. Para quem gostou do primeiro, irá se apaixonar pela sequência.

#03. Encontros e Desencontros

Sofia Coppola retrata solidão, destino e amizade. Solidão das personagens estarem num lugar que não se identificam, destino no encontro delas no bar do hotel em que estão hospedadas e amizade ao buscarem conforto um no outro. A diretora/roteirista não conta uma história de amor convencional, e sim uma experiência única de suas personagens. Enquanto Bob (Bill Murray) encontra-se no país para atuar em um comercial de uísque, Charlotte (Scarlett Johansson) acompanha seu marido, um fotógrafo workaholic que a deixa sozinha no hotel. Ambos sofrem com o fuso horário, não conseguem dormir e juntos descobrem uma cidade que não conheciam até então. Encontros e Desencontros conta com uma belíssima trilha sonora, no mínimo obrigatória.

#04. Elefante

Em Elefante, o diretor Gus Van Sant toca em uma das feridas dos Estados Unidos: o massacre ocorrido na Columbine High School – em abril de 1999, quando dois alunos munidos de armas e bombas caseiras mataram treze pessoas e deixaram mais de vinte feridos, entre alunos e professores. É o olhar cuidadoso de Van Sant que apresenta um pouco de cada um daqueles adolescentes e a estrutura da escola (com sua câmera que passeia pelos corredores, pátios, refeitórios, salas de aula e banheiros de forma arquitetônica), fazendo de Elefante uma obra-prima.

#05. Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas

Tim Burton é um cineasta extravagante, porém Peixe Grande é um trabalho delicado, repleto de fantasia e sensível. Ed Bloom (Albert Finney) é um contador de histórias que encanta as pessoas com as suas aventuras – com excessão de seu filho Will (Billy Crudup). Mas, as coisas tomam outro rumo quando Sandra (Jessica Lange), mãe de Will, tenta aproximar os dois ao saber que o marido encontra-se doente. Há uma inocência adulta em Peixe Grande que me fez chegar em casa e escutar “Man of the Hour” aos prantos – mas aí, depende como o filme afeta cada espectador.

#06. Kill Bill

Se a vingança é um prato que se serve frio, Quentin Tarantino (ao lado de Uma Thurman) agradece por ter sido um dos nomes mais quentes do ano com o seu projeto Kill Bill. Não é para menos. A história da “Noiva”, que após cinco anos em estado de coma procura dar o troco aos seus mal feitores, é regada de kung-fu, trilha sonora excepcional, referências da cultura pop e ainda apresenta uma Uma Thurman magnífica – dando vida à personagem de sua vida. Apesar de estar dividido em duas partes, um volume acaba complementando o outro, por isso os coloco aqui como uma unidade.

#07. Os Incríveis

Se a moda é fazer filmes sobre super-heróis e seus poderes, a Pixar que não é boba entrou na onda: lançar uma fita sobre eles. Mas, aqui são seres que levam uma vida pacata como a de qualquer ser humano. Eles trabalham, têm filhos, deveres de casa,…. O Sr. Incrível era um dos maiores heróis do planeta (com direito a fã-clube), mas após salvar um executivo que tentava o suícidio, é processado e condenado a uma série de procedimentos que resultaram em uma espécie de condenação aos super-heróis. Agora, Robert (a.k.a Sr. Incrível) trabalha em uma seguradora e leva a vida de casado – ao lado de Helen (a.k.a. Mulher Elástica). Porém, uma misteriosa missão dá início a uma série de peripécias que fará a família voltar à ativa. Vale destacar uma das personagens mais “carismáticas” de Os Incríveis, a adorável Edna Mode!

#08. Na Captura dos Friedmans

O que à princípio parecia ser apenas um documentário sobre o palhaço Silly Billy, um dos mais famosos animadores de festas infatis em Manhattan, acaba se tornando em uma fita (realista e) dramática. Na realidade o palhaço é David Friedman. Quinze anos antes, os Friedmans eram uma família típica – o pai, um professor premiado, que morava com sua esposa e seus três filhos. Mas, a máscara dos Friedmans cai quando a polícia entra na casa para uma busca após denúncias. Resultado: o pai (Arnold) e seu filho de dezoito anos (Jess) são acusados de pedofilia após terem sua correspondência interceptada contendo pornografia infantil – poucas semanas depois, recebem 91 acusações por abuso sexual de oito crianças que tinham aulas de computação na casa. A riqueza do documentário está na sua narrativa e veracidade do material de cenas exclusivas (filmadas por David, na época) do clã dos Friedmans e a desestruturação da família diante dos fatos.

#09. As Bicicletas de Belleville

Apesar do exagero e o leve humor negro é impossível não ficar torcendo pela Madame Souza. Uma vovô que atravessa o oceano de pedalinho acompanhada de seu fiel cão Bruno (que rouba a atenção do espectador com seus sonhos em preto-e-branco) para salvar o seu neto – um famoso corredor de bicicleta que foi seqüestrado. O jovem está sendo levado para Belleville, onde será usado por um mafioso num sistema de apostas. É chegando em Belleville (uma cidade fictícia que serve de crítica a um lugar que você vai reconhecer) que a velhinha, sem um tostão no bolso, encontra um trio veterano e divertido de canto e dança – as irmãs Belleville. Neste momento, a fita ganha um ritmo tão gostoso que se sustenta até o final com a deliciosa trilha sonora de Ben Charest.

#10. 21 Gramas

Paul Rivers (Sean Penn) sofre de uma doença terminal e sua mulher planeja engravidar através de inseminação artificial. Cristina Peck (Naomi Watts) é casada e tem duas filhas, mas um trágico acidente envolvendo a sua família faz com que ela perca todos os sentidos pelos quais vive. Já o ex-presidiário Jack Jordan (Benicio Del Toro) e sua mulher criam dois filhos com dificuldades, ao mesmo tempo em que ele busca recuperação na palavra de Deus. Porém, um acidente envolvendo a família de Christina e Jack, faz com que a vida dessas pessoas tomem rumos diferentes e inesperados até se encontrarem. O que mais incomoda no filme de Iñarritu (e, particularmente, é o que mais chama minha atenção) é a sua edição nada linear, que vai se explicando na medida em que o longa vai chegando ao seu fim.

#11. O Outro Lado da Rua

Pode parecer primeiro uma versão tupiniquim para o clássico de Hitchcock, Janela Indiscreta. Pode, mas não é. Regina (Montenegro) é uma senhora sem muitas preocupações e tem todo o tempo do mundo para si. Para não ficar vivendo na solidão, participa de um serviço de denúncia onde aposentados se encarregam de delatar pequenos crimes – isso para ela é uma distração perfeita. Mas, em uma noite no seu apartamento, acredita ter presenciado um homem matando a esposa com uma injeção letal – a polícia diz que a morte foi natural e deixa o caso de lado. Agora resta à ela provar o contrário, nem que para isso tenha que se envolver com o suposto assassino. O longa poderia sustentar-se facilmente na premissa de Hitchcock, mas vai além disso com seu roteiro autêntico – principalmente no que diz respeito aos diálogos sobre velhice (entre “Branca de Neve e Patolina”). Fernanda Montenegro e Raul Cortez trabalham em sintonia perfeita.

#12. Adeus, Lênin!

Antes da queda do muro de Berlim, uma senhora entra em coma e fica desacordada durante os dias que deram início a uma mudança radical no país. Porém, quando desperta (em meados dos anos 90), o seu filho Alexander (Daniel Brühl, ótimo ator que tem tudo para fazer uma carreira fora da Alemanha) teme a excitação da mãe e decide esconder todos os acontecimentos – nem que para isso ele precise omitir a queda do muro e a invasão capitalista do lado alemão que vivem.

#13. O Agente da Estação

Três personalidades, vidas e características diferentes. Um anão, uma artista que sofre com a perda do filho e o dono de um trailer (espécie de lanchonete móvel). O segredo de O Agente da Estação está na forma em que as distintas personagens cativam o espectador. O projeto desenvolve uma narrativa onde a amizade entre pessoas diferentes fica em primeiro plano – e isso que torna a fita em agradável e grandioso.

#14. Monster

Monster é uma história real sobre amor e violência. O destino colocou a prostituição e o abuso na vida de Aileen Wuornos / Lee (Theron) muito cedo, transformando-a em um mulher transtornada. Perto de cometer suícidio, conhece a adolescente Selby (Christina Ricci) que mora com os tios, em um lugar onde seus pais acreditam que terão a filha lésbica “curada”. Ricci está em uma ótima atuação, apresentando uma personagem fundamental para o desenvolvimento e criação do papel dado à Theron – ganhadora do Oscar de Atriz.

#15. Diários de Motocicleta

Em Diários de Motocicleta temos Ernesto (“Che”) Guevara de la Serna (Gael Garcia,…). Estudante do último ano de Medicina que abandona a faculdade para conhecer os países da América Latina ao lado de seu amigo, Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). Os dois saem da Argentina, rumo ao norte, em uma motocicleta que quebra após oito meses de viagem. Continuam a trajetória com caronas, caminhadas, ajuda de desconhecidos (afinal o dinheiro é escasso) até serem enviados à uma colônia de leprosos, no Perú – Lá, Guevara inicia uma série de questionamentos sócio-econômicos dos lugares que conheceram após presenciar um nível de extrema desiguldade entre os povos. A trilha sonora de Gustavo Santaolalla, uma mistura de ritmos latinos com guitarras calmas (experimente a faixa “Apertura”), contribue muito ao projeto.

TOP 50 de discos de 2004 – # 01-10

sexta-feira, dezembro 24th, 2004

# 01. Elliott Smith
(From a Basement on the Hill)

Com este lançamento póstumo, Elliott Smith prova que foi um dos melhores letristas da geração atual. From a Basement on the Hill é tão expressivo quanto seus discos anteriores – um encontro da música dos álbuns XO e a delicadeza de Either/Or.
Começa com um silêncio, interrompido por riffs de guitarras e bateria pesada, logo encontrando consolo na voz do cantor. Do belo piano que dá início a “King´s Crossing” ao violão dedilhado de “Memory Lane”, cria-se uma obra de adeus fundamentada em letras melancólicas proporcionando um conceito de que o (aparente) suicídio de Smith é resultado de uma vida infeliz. Frases como “This is not my life it’s just a fond farewell to a friend / it’s not what I’m like…” vêm a ser fantasmas que perseguem o seu ouvinte.
É provável de que agora em diante, seu nome seja alvo de vários exploradores do mercado fonográfico com “fetiche” ($$$) em lançar trabalhos póstumos.

Dica de download: “Fond Farewell”, “King´s Crossing” e “Pretty (Ugly Before)”

# 02. Joanna Newsom
(The Milk Eyed-Mender)

Na primeira audição o disco de Joanna Newsom soa estranho pela sua voz – imagine uma criança tentando bancar a Cerys Matthews e a Kate Bush. Por outro lado, sem o vocal de Newsom este poderia ser um álbum comum, mas não é. A garota de 21 anos, antes de ingressar na carreira artística, tocava harpa em festas de casamentos e aqui traz o instrumento como destaque. Impossível não admirar faixas como “Bridges and Balloons” ou “Sprout and the Bean” com os belíssimos arranjos. E se “This Side of the Blue” mixa uma guitarra deslizante junto a um orgão, o que dizer da sublime “Peach, Plum, Pear” na qual a voz rasgada de Newsom procura sintonia no cravo e nas crianças que a acompanham na canção?
Há uma beleza peculiar em The Milk-Eyed Mender que poucos reconhecerão.

Dica de download: “Sprout and the Bean”, “Sadie” e “Peach, Plum, Pear”

# 03. Juana Molina
(Tres Cosas)

Juana Molina é uma argentina que obteve prestígio internacional em 2003, com o seu segundo álbum (Segundo), e agora retorna com o seu delicado Tres Cosas. Tudo indicava que seu disco seria produzido para ser cantado em língua inglesa, porém a jovem optou em manter o espanhol. A voz suave de Molina não se perde em seu sotaque (pouco carregado comparado a outros artistas hispânicos) proporcionando uma atmosfera de fascinação. Musicalmente, trata-se de um pop sofisticado agregado a melodias eletrônicas eficientes (sem ser artificial) acompanhadas de violão e teclados.

Dica de download: “Tres Cosas”, “No Es Tan Cierto” e “Sálvase Quién Pueda”

# 04. Regina Spektor
(Soviet Kitsch)

De desconhecida à talentosa cantora – assim é Regina Spektor. A menina que saiu da Rússia aos dez anos de idade, para morar nos EUA com a família, pode ser considerada uma garota de sorte. Isso pelo fato de ter aberto alguns shows dos Strokes e ainda dividir a faixa “Modern Girls & Old Fashioned Men” (um b-side do single “Reptilia” do grupo) com Julian Casablanca. O estilo de Spektor é mutável como seu piano – algumas vezes audaciosa (Poor Little Rich Boy ou o interlúdio “Whisper”), sarcástica (“Ghost of Corporate Future” / “Ode to Divorce”) ou simplesmente energética (“Us”). É seu vigor e espírito criativo que fazem de Soviet Kitsch impecável. Agora é esperar e ver o que 2005 reserva à ela.

Dica de download: “Carbon Monoxide”, “Poor Little Rich Boy” e “The Ghost Of Corporate Future”

# 05. Björk
(Medúlla)

Björk poderia muito bem lançar um disco na linha de Post, Homogenic ou Vespertine, mas não. Inicialmente o trabalho soa difícil, mas após ter o ouvido acostumado, Medúlla é uma peça rara e reflexiva na carreira da cantora – concluindo que sonoridades originais e inovadoras perseguem o seu estilo. Os instrumentos praticamente saem de cena para que as vozes – da própria Björk, seus convidados ou do coral que a acompanha dêem estabilidade ao álbum. “Ancestors” apresenta um piano minucioso impondo-se a variações vocais, supiros e respirações. Do solo vocal de “Show me Forgiveness à participação de Mike Patton em “Where Is the Line”, “visionária” continua sendo o segundo nome da cantora.

Dica de download: “Ancestors”, “Where Is The Line?” e “Oceania”

# 06. Juliana Hatfield
(In Exile Deo)

Este é o melhor disco da carreira de Juliana Hatfield – que não lançava nada desde 2000. “Get in Line” é rápida, pesada, virtuosa e com um fantástico solo de guitarra. As baladas “Forever” e “Tomorrow Never Comes” seguram bem o disco – a primeira no estilo da cantora, enquanto a outra trata-se de um cover (de Dot Allison) melhor do que a versão original. Se a carreira de Juliana estava estagnada, In Exile Deo é uma reviravolta em sua vida artística.

Dica de download: “Tomorrow Never Comes”, “Get in Line” e “Tourist”

# 07. Nellie McKay
(Get Away From Me)

Get Away From Me (título irônico em relação ao multiplatinado disco de Norah Jones) é composto de jazz, soul, blues, dance pop, hip-hop e sim, muitos palavrões – visualize um Eminem clássico de saias. “David” trata do amor platônico de uma adolescente obcecada pelo professor (“David don’t you hear me at all / David won’t you give me a call / Waitin’ here not making a sound / David come around”), “Manhattan Avenue” passeia pelo jazz, “Sari” é um hip-hop regado de questões pessoais e políticas (como a fraude das eleições nos EUA em 2000, “at our own supposed sabotage of the elections at home”) e “Waiter” remete Pet Shop Boys (!!). McKay, com certeza, é uma das revelações mais importantes do ano.

Dica de download: “Sari”, “Toto Dies” e “Waiter”

# 08. I Heart Huckabees
(Trilha Sonora)

Jon Brion é um artista completo. Dedica-se à carreira solo, produz outros artistas (como Aimee Mann – aqui a faixa “Revolving Door” lembra a cantora) e se não bastasse ainda arranja tempo para fazer trilhas sonoras magníficas (algumas de seu currículo são: Magnólia, Embriagado de Amor e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças). Existe uma genialidade que cerca as composições de Brion – sempre únicas e excepcionais, harmonizando sons inocentes em tramas complexas.

Dica de download: “Knock Yourself Out”, “Didn´t Think It Would Turn Out Bad” e “Monday”

# 09. Loretta Lynn
(Van Lear Rose)

Nos anos anos 60/70, Loretta foi uma das cantoras mais famosas da country music e suas canções lideravam as paradas. Nos anos 90, aposentou-se da indústria para cuidar do marido doente e, conseqüentemente, foi caindo no esquecimento. Tentou voltar em 2000 com um disco de pouquíssima divulgação, mas 2004 lhe reservou algo especial. Juntou forças a Jack White (do White Stripes e admirador do trabalho da cantora) – responsável pela produção do álbum – e lançou o aclamado Van Lear Rose. O encontro de gerações resulta no estilo clássico de Lynn em parceria à agilidade de White. Não apenas sustentado de country, o álbum permite Loretta a aventurar-se no rock (“Mrs. Leroy Brown”). É de admirar a coragem desta senhora de setenta anos.

Dica de download: “Portland Oregon”, “High on the Mountain Top” e “Miss Being Mrs”

# 10. The Killers
(Hot Fuss)

Direto de Las Vegas, o grupo tem a sua estréia com este Hot Fuss – acabaram não tendo a sorte do Franz Ferdinand de serem a mais nova banda queridinha de todos. Embarcam em influências dos anos 70/80, tendo como diferencial ritmos mais dançantes. O som do The Killers é um encontro de Duran Duran, The Cure, New Order e Smiths jogados dentro do mesmo estúdio. A combinação apesar de extravagante, não poderia ser mais perfeita. São guitarras tocadas ao lado de sintetizadores remetendo a era new wave. Experimente ouvir “Smile Like You Mean It” e “Somebody Told Me, caso não gostar… desista.

Dica de download: “Smile Like You Mean It”, “Somebody Told Me e “Andy, You’re a Star”

TOP 50 de discos de 2004 – # 11-20

terça-feira, dezembro 21st, 2004

#11. Arcade Fire
(Funeral)

Funeral é o álbum de estréia dos canadenses do Arcade Fire. Encabeçado por Win Butler e Régine Chassagne (marido e mulher), o disco começou a obter processo criativo diante da morte de familiares dos membros da banda. Então pode sentar para escutar canções tristes que tratam do tema, sendo arremessadas diante de melodias frágeis e que são salvas por belos arranjos (geralmente melancólicos) de cordas, influenciadas por um estilo folk e um pop engajado de primeira.

Dica de download: “Crown of Love”

#12. PJ Harvey
(Uh Huh Her)

O novo trabalho de Polly Jean em relação ao anterior (Stories from the City Stories from the Sea) tem cara de independente. Agora você deve estar se perguntando se isso é ruim, certo? A resposta é um não. Uh Huh Her é o abandono do pop criado em Stories… e um retorno ao rock seco dos materiais anteriores. Harvey não apenas se responsabiliza pelos vocais, mas pelos instrumentos e produção das canções. PJ é diva do rock alternativo, sem necessidade de julgamento quando canta de forma curta e grossa “who the fuck do you think you are, comin’ round here” e ainda assim soa super bacana.

Dica de download: “Who the Fuck?”

#13. Carina Round
(The Disconnection)

Carina Round emprestou sua voz no primeiro disco solo de Ryan Adams na singela “Come Pick Me Up”. Depois disso, continuou com apresentações, mas é com este The Disconnection que solidifica sua carreira. Apostando num som que remete uma atitude da melhor fase de PJ Harvey (“Into My Blood”) com a sensualidade de Fiona Apple, o álbum acaba se tornando repleto de momentos intensos num rock sujo e sexy.

Dica de download: “Lacuna”

#14. Brian Wilson
(Smile)

Smile teve que esperar quase quarenta anos para ser lançado – este seria o sucessor do clássico Pet Sounds do Beach Boys. Brian Wilson decidiu abandonar o projeto em 1967, pois acreditava que o trabalho estava muito a frente de seu tempo e seu público não preparado. Os sérios problemas com drogas na época, também ajudaram o disco a ser engavetado.
Smile abre com harmonias vocais (“Our Prayer”) como se fossem uma oração e logo desembarca em “Heroes & Villains” – uma parceria entre Wilson e Van Dike Parks, fechando com um dos seus últimos hits, “Good Vibrations” – que termina aqui com aplausos. Smile ainda é contemporâneo.

Dica de download: “Heroes and Villains”

#15. Lisa Loeb
(Way It Really Is)

Lisa Loeb está mais madura, continua escrevendo letras fantásticas (como é o caso da belíssima “Try” ao piano, capaz de levar o ser mais durão às lágrimas) e apresenta composições tão certeiras que formam uma fórmula perfeita. Se os arranjos de “Window Shopping” e “I Control the Sun” são animados, o mesmo já não pode ser dito de “Hand Me Down”, na qual a sua voz é suave como os instrumentos que a acompanham. “Fools Like Me” concentra uma energia musical (principalmente no refrão) que resulta em desgate quando canta pela última vez “Love was surely made for fools like me”.

Dica de download: “Would You Wander”

#16. Jolie Holland
(Escondida)

Escondida é recheado de folk (“Sascha” e “Old Fashion Morphine”), jazz (“Mad Tom of Bedlam”) e belas composições ao piano (“Amen”, “Damn Shame” e “Tiny idyll” que começa com um piano de brinquedo) na voz da jovem. Apesar da pouca idade, canta como se fosse uma diva dos anos 40/50, da altura de Billie Holiday. E não espere nada na linha clássica atual, já que Holland é muito fiel ao estilo.

Dica de download: “Old Fashion Morphine”

#17. Kanye West
(College Dropout)

O que o Outkast foi ano passado e neste, Kanye West será para o que está por vir – ele está prestes a entrar na lista dos grandes artistas do hip hop. Antes disso, era mais conhecido como produtor, trabalhando com artistas como Jay-Z, Ludacris e Alicia Keys. O fato de ser produtor faz com que exista um clima de perfeição entre samples, hip hop e soul em The College Dropout. Há bons momentos como “All Falls Down”, “Jesus Walk”s (um dos melhores singles do ano), “Two Words” e “Through the Wire” (com o sampe de “Through the Fire”, de Chaka Khan). Em suas letras temas como sexo, Deus, drogas e vida pessoal são debatidos. West é um dos grandes nomes do futuro.

Dica de download: “Jesus Walks”

#18. Air
(Talkie Walkie)

Um piano bem marcado (“Venus”), sons hipnóticos (“Run”) ou faixas exclusivamente eletrônicas (“Mike Mills” e “Alone in Kyoto”) faz deste trabalho do Air, o mais fácil de cair no gosto popular. Talkie Walkie é um encontro inevitável de Moon Safari e 10.000 Hz Legend. Os franceses Jean-Benoit Dunckel e Nicolas Godin pela primeira soltam a voz em algumas das canções e deixam a preocupação com as letras e invenções melódicas em segundo plano.

Dica de download: “Run”

#19. Sondre Lerche
(Two Way Monologue)

O segundo disco de Sondre Lerche é um prato cheio de pop e arranjos cuidadosos. O norueguês, de vinte e um anos, traz na sua bagagem um pouco de Elvis Costello, Brian Wilson, Burt Bacharach, Badly Drawn Boy e Jeff Buckley. Expressa sensibilidade (“It´s Too Late”), apresenta folk/country (“Stupid Memory”) e deixa-se levar pelo agradável pop (na faixa título). Two Way Monologue é uma conversa musical sobre vivências pessoais e experiências amorosas. Trata-se de um monólogo de 48 minutos que poderia ser chato, mas é convincente e acolhedor.

Dica de download: “Track You Down”

#20. Adriana Partimpim
(Adriana Partimpim)

Sob o heterônimo de Adriana Partimpim, Adriana Calcanhoto grava seu sétimo álbum para um público distinto… não se trata de um trabalho para crianças, e sim um disco de “Classificação Livre”, como define. Resgatando uma brasilidade em composições lúdicas e graciosas, o projeto apresenta curiosidades. “Oito Anos” de Paula Toller é cheia de “porquês” na letra, a marchinha de carnaval “Lig-Lig-Lig-Lê” (1937) é resgatada do baú e “Fico Assim Sem Você” traz nada mais que um game boy entre os vários instrumentos. Música para todas as idades.

Dica de download: “Canção da Falsa Tartaruga”

TOP 50 de discos de 2004 – # 21-30

segunda-feira, dezembro 20th, 2004

#21. Auf Der Maur
(Auf Der Maur)

O álbum de Melissa (Auf Der Maur) se sobressae em relação ao da ex-amiga Courtney Love. O primeiro single “Followed the Waves” traz vários elementos e influências num mesmo conjunto. São guitarras, percussão afiada, uma batida pesada que se funde ao pop e um vocal de início no mínimo interessante. A canção começa com um grito prolongado que se incorpora perfeitamente à melodia. “Real a Lie”, o segundo single, tem um dos melhores vídeos do ano e, mais uma vez, uma composição de presença e atitude. As músicas são bem trabalhadas, sem que seus riffs soem chatos ou exagerados. Delimita-se muito bem no quão pop, metal e rock, o álbum pode ser para que não seja apenas linear.

Dica de download: “Skin Receiver”

#24. The Streets
(A Grand Don´t Come for Free)

Dica de download: “Fit But You Know It”

#23. Allison Moorer
(The Duel)

A bela voz de Allison Moorer remete a da irmã, a também cantora Shelby Lynne.
“Believe You Me” e “I Ain´t Giving Up on You” transmitem tamanha expressão da artista que passam a ser as melhores do álbum. Outra que chama à atenção é “Melancholy Polly”, por ser um folk-rock de primeira. A faixa título é uma balada levada ao piano, enquanto “Once Upon a Time She Said” é conduzida por um violão junto a voz frágil da artista.

Dica de download: “I Ain´t Giving Up on You”

#24. The Libertines
(Libertines)

Dica de download: “Can´t Stand Me Now”

# 25. Scissor Sisters
(Scissor Sisters)

Os caras são influenciados por David Bowie, Bee Gees, Elton John, entre outros da mesma fase. Em seu repertório reúnem elementos da era disco, glam rock, funky e criam o seu próprio som de forma “brilhantemente pop”.
O cover de “Comfortably Numb” (do Pink Floyd) recebe uma cara de Bee Gees da fase disco, com vários efeitinhos de laser, palmas sincronizadas e vozes agudas ao longo da melodia. “Take Your Mama Out” começa com um violão similar ao de “Faith” de George Michael, enquanto a baladinha “Mary” só pode ter sido inspirada em Elton John.

Dica de download: “Laura”

#26. Rufus Wainwright
(Want Two)

Dica de download: “The Art Teacher”

#27. Morrissey
(You are the Quarry)

Depois de uma ausência de sete anos, You Are the Quarry traz o ex-Smith de volta à ativa. Este pode ser considerado um dos seus melhores trabalhos na carreira solo, já que superar a qualidade das canções do Smiths seja praticamente impossível. Neste álbum, resgata tempos de sua infância (“The World is Full of Crashing Bores” e “Irish Blood, English Heart”), além de fazer críticas à América – a terra dos sonhos para alguns em “America is not the World” (como quando diz: “In America, the land of the free, they said / and of opportunity, in a just and a truthful way / but where the president, is never black, female or gay, and until that day / you’ve got nothing to say to me, to help me believe”)

Dica de download: “I Have Forgiven Jesus”

#28. Junior Boys
(Last Exit )

Dica de download: “Bellona”

#29. Norah Jones
(Feels Like Home)

Ela vendeu mais de 18 milhões do seu disco de estréia (Come Away With Me), recebeu um total de oito prêmios Grammy e agora surpreende com seu segundo trabalho. A responsabilidade de lançar um álbum tão bom quanto o primeiro era grande, mas Norah Jones apresenta o seu melhor até então.
Feels Like Home é preenchido por uma “levada” mais folk, como percebe-se no primeiro single “Sunrise”, “The Long Way Home” e “Carnival Town”. E claro, sem desmerecer a participação de Dolly Parton na country “Creepin´ In”.

Dica de download: “Creepin´ In”

#30. Prince
(Musicology)

Dica de download: “Cinnamon Girl”

TOP 50 de discos de 2004 – # 31-40

domingo, dezembro 19th, 2004

#31. Franz Ferdinand
(Franz Ferdinand)

Mais uma vez a hístória se repete. Os críticos dizem que o quarteto escocês veio para salvar o rock. Não é apenas deste gênero que a banda se sustenta, prova disso são as faixas “Tell Her Tonight” (acompanhe-a nas palminhas) e “Take Me Out” que possue uma influência disco na bateria e no baixo. O “sucesso” é devido a fórmula pop que o seu álbum apresenta, mesmo que os indies de plantão neguem. E isso não é ruim, a partir do momento em que várias das músicas fazem com que você se deixe levar pelo trabalho.

Dica de download: “Darts of Pleasure”

#32. Bebel Gilberto
(Bebel Gilberto)

Dica de download: “Simplesmente”

#33. Miss Kittin
(I Com)

Para quem esperava a mesma fórmula, no novo disco de Miss Kittin (aquela do hit saturado “Frank Sinatra”), pode ir esquecendo. “Dub About Me” e “Happy Violentine” aventuram-se no trip hop, enquanto os fãs do eletroclash podem se deleciar com as excelentes “Meet Sue Be She” e “Professional Distortion”. “Requiem for a Hit” tem chances de animar muita festinha por aí, mesmo com uma refrão no estilo baladinha R&B.

Dica de download: “Meet Sue Be She”

#34. Snow Patrol
(Final Straw)

Dica de download: “Run”

#35. Jem
(Finally Woken)

Uma mistura de Beth Orton com Dido, Jem alcança altos e baixos com sua voz (“24”), seja nas melodias eletrônicas (como é o caso do primeiro single “They” e “Come on Closer”) ou quando se arrisca em composições mais simples como a bela “Flying High”.

Dica de download: “24”

#36. Rogue Wave
(Out of Shadow)

Dica de download: “Nourishment Nation”

#37. Lali Puna
(Faking the Books)

O quarteto alemão tem como “frente” a vocalista Valérie Trebeljahr e o multi-instrumentista Markus Archer (também do The Notwist). Em Faking the Books, variam as instrumentações em relação aos trabalhos anteriores, fugindo da base exclusivamente eletrônica e trabalhando com pianos, guitarras, baixos e bateria. Os elementros eletrônicos e samples continuam fazendo parte do processo do Lali Puna, porém conseguindo obter uma qualidade superior aqui.

Dica de download: “Faking the Books”

#38. Jesse Malin
(The Heat )

Dica de download: “Swinging Man”

#39. Zero 7
(When It Falls)

Depois do excelente Simple Things, aclamado pela crítica, o grupo está de volta. As comparações aos franceses do Air não faltam, apesar do Zero 7 ter suas próprias características. When It Falls apresenta beats lentos e bem produzidos, como no primeiro disco, e as participações não ficam por menos – as cantoras que participam garatem as melhores faixas. Porém, apesar das boas melodias, pode trazer mais surpresas para quem não os conhecem do que àqueles que já tiveram contato com a fase de Simple Things.

Dica de download: “Somersault”

#40. Interpol
(Antics)

Dica de download: “C’mere”

TOP 50 de discos de 2004 – # 41-50

sexta-feira, dezembro 17th, 2004

#41. As Bicicletas de Belleville
(Trilha Sonora)

Ben Charest criou de forma magistral as composições de uma das melhores animações vista nos cinemas este ano. A Belleville do compositor traz jazz do início dos anos 30, com direito a compositores clássicos (“Bach à la Jazz”) a terem suas obras inseridas no contexto como se fossem músicas para serem executadas em Cabaret. Um disco criativo e contemporâneo, assim como a faixa “Cabaret Aspirateur” que funciona perfeitamente na tela grande. Só assistindo e ouvindo para entender.

Dica de download: “Belleville Rendez-Vous” (French Version)

#42. Badly Drawn Boy
(One Plus One is One)

Dica de download: “Easy love”

#43. Múm
(Summer Make Good )

Múm é uma banda da Islândia, tipo exportação, que lembra um pouco o Sigur Rós. A beleza deste trabalho está nas orquestrações, no talento vocal de Kristín Anna Valtýsdóttir (algo entre Kate Bush e Björk) e suas melodias eletrônicas inseridas nas canções. Esta última qualidade pode ser apreciada também em faixas instrumentais como “Stir” e “Away”. De início, um disco difícil, mas que possivelmente tenha o mesmo mérito de várias bandas que já sairam do país de origem desta.

Dica de download: “Weeping Rock, Rock”

#44. Modest Mouse
(Good News for People Who Love Bad News)

Dica de download: “Float on”

#45. Gwen Stefani
(Love Angel Music Baby)

Enquanto Britney Spears preocupa-se com a sua vida de casada e Madonna com as crises religiosas, Gwen Stefani (líder do No Doubt) foi esperta. Chamou nomes de peso: The Neptunes (“Hollaback Girl”), Andre 3000 (“Bubble Pop Electric”), Dr. Dre, Eve (“Rich Girl”), Linda Perry, entre outros, para lançar seu primeiro disco solo. Um trabalho excessivamente pop… e muito anos 80, diga-se de passagem. O primeiro single (“What You Wainting For?”) é uma delícia e um dos melhores do ano. Mas, o que dizer de “Real Thing” que parece ser algo que o Depeche Mode deixou estacionado na década de 80? Um disco tão pop (Rock Steady foi apenas uma prévia) que seu ouvido precisará se acostumar para que Love Angel Music Baby torne-se interessante e divertido.

Dica de download: “Hollaback Girl”

#46. Kings of Convenience
(Riot on an Empty Street)

Dica de download: “Misread”

#47. Jane Birkin
(Rendez-Vouz)

Lembra da canção “Je T’Aime…Moi Non Plus”? Com certeza, pode não lembrar de nome, mas a melodia é conhecida por vários amantes. Jane Birkin agora lança Rendez-Vouz, um disco que com atrativo em seus convidados. O álbum conta com Caetano Veloso (“O Leaozinho”, na qual Birkin arrisca o português), Brian Molko, do Placebo (“Smile”), Manu Chao (na latina-francesa “Te Souviens Tu”), entre outros. Mas, é Beth Gibbons (do Portishead) e sua voz fantasmagórica, que garantem a melhor faixa – a sombria “Strange Melody”.

Dica de download: “Strange Melody”

#48. Angela McCluskey
(Things We Do)

Dica de download: “Somebody Got Lucky”

#49. Jesse Sykes & the Sweet Hereafter
(Oh My Girl)

Jesse Sykes & the Sweet Hereafter criam um clima obscuro em suas composições para uma banda que se enquadra no gênero de alternative country, como pode ser percebido em “Troubled Soul”. Diante de belas melodias e guitarras elétricas, é a voz de Sykes que rouba a cena – expressando sentimentos como solidão, tristeza e relacionamentos problemáticos de forma poderosa.

Dica de download: “You Are Not Gotten Here”

#50. Ben Kweller
(On My Way)

Dica de download: “Different But The Same”