TOP 15 – Filmes de 2007

segunda-feira, dezembro 31st, 2007

#01. Ratatouille

A receita de Ratatouille está no humor refinado da animação. O diretor Brad Bird (de Os Incríveis) tem em mãos uma boa trama com um roteiro charmoso, auxiliado de um visual parisiense praticamente real. A história do ratinho Remy, que sonha em ser um chef de cozinha, com o toque de Midas da Pixar transforma Ratatouille num clássico instantâneo.

#02. Maria Antonieta

A direção de Sofia Coppola e a atuação de Kirsten Dunst imprimem em celulóide a vida de Maria Antonieta com um lirismo pop original e naturalidade capaz de humanizar a figura da Rainha francesa sem a atmosfera de documentário perfeito do History Channel. A capacidade de transportar os temas e atualizar as figuras históricas caracteriza esse projeto único – vaiado em Cannes – que seduz principalmente o seu público jovem. É isso que Maria Antonieta é, uma jovem como qualquer menina comum. Destaque para a trilha sonora espetacular que vai de Bow Wow Wow a New Order.

#03. Grindhouse

Conclusão: À Prova de Morte e Planeta Terror não funcionam separadamente. A unicidade quebrada pelos intere$$es com o lançamento no Brasil, descaracteriza o projeto de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. A homenagem dos cineastas aos filmes de horror dos anos 70, traz uma Rose McGowan excepecional em Planeta Terror, enquanto que Rosario Dawson e Kurt Russell brilham no filme mais “menininha” do ano, À Prova de Morte.

#04. Pecados Íntimos

O diretor Todd Field revela a (im)perfeição do subúrbio neste filme baseado no romance de Tom Perrotta. Com atuações precisas e um narrador em off de efeito literário, este conto de auto-destruição e paixão desenha-se na intensidade de Kate Winslet e no falso moralismo dos moradores da cidade. É cutucar mais uma vez no american way of life, mas sem a tragicomédia de Beleza Americana.

#05. Viagem a Darjeeling

Wes Anderson volta às telas com a trama de três irmãos – interpretados por Owen Wilson, Adrien Brody e Jason Schwartzman – e uma viagem à Índia na tentativa de reaproximação após um ano da morte do patriarca. O filme encontra perfeição nas atuações de seus atores, mas um dos grandes momentos é de Brody numa das cenas mais impactantes do ano. É comédia bem sucedida, no melhor estilo refinado, de Anderson.

#06. O Hospedeiro

O Hospedeiro é um filme de monstro e pode lembrar momentos trash de Godzilla. Mas, é um bom filme de monstro que se sustenta de forma equilibrada na fórmula da comédia, da política e do drama familiar. A seqüência inicial, com o surgimento da criatura, é uma das coisas mais bem arquitetadas, no quesito de prender a atenção, e vale destacar os efeitos visuais aqui. Grude-se no sofá e sinta uma ar de novidade, mesmo quando tudo sobre filmes de monstro já foi feito.

#07. O Ultimato Bourne

Com uma edição aprimorada e um direção cuidadosa – com o domínio de Paul Greengrass – a terceira parte da série Bourne se torna um dos filmes de espionagem mais surpreendentes dos últimos tempos. É como fosse ligado na tomada no ínicio e desplugado apenas no final dos créditos. A tensão (na Estação de Waterloo) e as cenas de perseguições (como a do Marrocos) são um dos grandes atrativos desse filme de Ação com “A” maiúsculo. E Matt Damon parece o cara certo para o papel, não?

#08. Superbad – É Hoje

A diferença de Superbad – É Hoje entre várias fitas direcionadas ao público teen está no equilíbrio entre a naturalidade e humor escrachado. Sim, é sobre adolescentes que querem encher a cara e perder a virgindade o mais rápido possível. Mas além de tudo, é a despedida de uma fase de inocência.

#09. A Vida dos Outros

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, A Vida dos Outros toma partida antes da queda do Muro de Berlim. A Stasi, polícia secreta a serviço dos comunistas, não deixa oportunidades para que exista espaço para a resistência. Mas, antes de qualquer relação histórica, a qualidade desse projeto é trabalhar as relações humanas e, a partir disso, desenvolvê-las em seus personagens.

#10. Garçonete

Conhecida pelo seu papel na TV como Felicity, Keri Russel exorciza os fantasmas do mundo televisivo e acerta em cheio em sua carreira cinematográfica com este delicioso Garçonete. Jenna é garçonete num restaurante local e descobre que está grávida. Mas, a sua felicidade é inexistente, pois não ama o marido controlador (e futuro pai da criança) com quem convive. Bacana é que cada tragédia pessoal na vida da protagonista acaba virando nome de uma torta, como a “Torta Não Quero o Bebê de Earl”.

#11. Paris, Te Amo

Paris, Te Amo é um filme coletivo sobre a cidade do amor e suas facetas. Com diretores e atores de prestígio, o grande desafio é apresentar em cinco minutos um encontro romântico, seja ele na comunicação ou na falta dela, com a Cidade Luz. Destaque para o curta de Alexander Payne com a competente Margo Martindale.

#12. Império dos Sonhos

Império dos Sonhos é pura bizarrice da cabeça maluca de David Lynch. Não importa se você entende ou não, se as peças não são mastigadas do início ao fim como no cinema convencional. Aqui, a perturbação toma forma na atuação fodástica de Laura Dern e na trilha sonora – com um desfecho excelente ao som de “Sinnerman” de Nina Simone.

#13. A Rainha

Stephen Frears apresenta os bastidores do palácio de Buckingham após a trágica morte da princesa Diana. O grande mérito do longa é a atuação premiada de Helen Mirren, dando o tom certo à crise existente na realeza. Outro destaque é o roteiro de Peter Morgan e a forma com que trabalha com inteligência e ironia os assuntos internos da família real.

#14. Nome de Família

O cinema de Mira Nair (Um Casamento à Indiana) preocupa-se com a identidade de seus personagens. E nesse Nome de Família, ela está na saga de uma família indiana aos Estados Unidos. O olhar delicado no contraste cultural, através das gerações, é um dos grandes méritos aqui. Pura sensibilidade num dos filmes mais esquecidos do ano.

#15. Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho

Dreamgirls é meu guilty pleasure do ano (não é, Fabrício?). Não consigo ver a mesma beleza no insosso Hairspray – Em Busca da Fama. Um das grandes atrações desse musical é que suas canções, no melhor estilo Motown, ganham brilho e contagiam já na abertura. Mesmo com escorregadas ao longo de duas horas, as músicas soam extremamente marcantes, coisa que não acontece (ao menos comigo) na refilmagem do filme de Waters.

Passe o Ano Novo com o Radiohead, Marcelo Camelo em carreira solo, os melhores filmes do ano que ninguém assistiu, as melhores músicas do ano que todo mundo deveria ter escutado, Motorola cria comercial ao público gay e clipes para divertir a última sexta-feira do ano

sexta-feira, dezembro 28th, 2007

Radiohead ▪ O Radiohead anunciou que na passagem de ano, para comemorar o lançamento (físico) do disco In Rainbows, fará uma transmissão aos fãs com imagens e vídeos das gravações do último álbum.

Se alguém estiver desocupado na noite de ano novo, a transmissão acontece exatamente à meia-noite do dia 31 para o dia 1 de janeiro, na radiohead.tv.

Ainda falando deles: o comercial de In Rainbows que está rolando na Internet, dá vontade de deletar todas as MP3’s do computador e comprar tudo bonito com direito a encarte, não é? (assista)

▪ Marcelo Camelo, do Los Hermanos, lança trabalho solo ano que vem. (via rockerspace)

▪ Eis um TOP 10 justo. Os piores poderes em Heroes.

▪ O ator James Marsden (X-Men / Hairspray – Em Busca da Fama) estampa a GQ de janeiro em matéria de Katherine Kingsley e fotografias de Peggy Sirota. O texto completo e mais imagens do ensaio aqui.

James Marsden - GQ

▪ O Spinner selecionou as melhores músicas de 2007 (dá uma conferida). Destaque para “Business Time” (aqui) dos excelentes músicos de Flight of the Conchords.

▪ É origami. É dinheiro. É Moneygami.

▪ Os melhores filmes do ano que ninguém assistiu? Essa é a lista de Alex Billington.

▪ Falando em lista de filmes, em breve sai os 15 favoritos deste site. Algum que não devo esquecer?

▪ O novo álbum de Nick Cave & The Bad Seeds, Dig, Lazarus, Dig, tem lançamento agendado para o dia 3 de março de 2008. Os rapazes já estão se mexendo para promover o aguardado trabalho com vídeo promo na Internet (assista). O primeiro single (com o nome do disco) está disponível no site oficial.

▪ Motorola cria comercial direcionado ao público gay, onde um garoto fica numa breve saia justa numa piscina. (assista)

▪ A talentosa Nikka Costa esquentou os instrumentos de seu estúdio e liberou um cover fantástico de “The Denial Twist”, do White Stripes. Confira no MySpace dela.

SIA - Day Too Soon ▪ Plus vídeos: os irmãos Friedberger do Fiery Furnaces voltam com seu som esquizofrênico no clipe de “Duplexes of the Dead” (assista), Lupe Fiasco conta com versões mini de Kanye West, Thom Yorke e Pharrel em “Us Placer” (assista), a delicadeza de SIA (com cara pintada) em “Day Too Soon” (assista) e o pop sofisticado do The Coral com “Put the Sun Back” (assista)

▪ E para terminar. Uma excelente virada de ano para vocês.

Como (não) entrevistar John Cusack

quinta-feira, dezembro 27th, 2007

Uma dica, para começar uma entrevista com John Cusack, é não se basear na pessoa do vídeo.

A garota diz que está perdendo uma aula de cinema, no momento da entrevista, e é engraçado o fato de seus colegas estarem assistindo e analisando ao filme Beleza Americana.

A pergunta que não quer calar é: o que há de engraçado? Uma boa resposta seria que John Cusack não é Kevin Spacey. E para piorar, ela insiste em não acreditar.

Jake Shears entrevista Dolly Parton

quinta-feira, dezembro 27th, 2007

Jake Met Dolly

O líder do Scissor Sisters, Jake Shears, entrevista uma de suas “heroínas” do mundo da música: a excêntrica cantora country, Dolly Parton.

No especial Jakes Adventures in Dollywood, exibido pelo Channel 4 do Reino Unido, os dois curtem um bate papo sem comprissos e diversificado numa cama de casal. A conversa (que vai de cirurgias plásticas à vida gay) acontece de forma bastante natural e divertida.


Trecho de Jakes Adventures in Dollywood

Além da entrevista, destaque para o dueto entre Shears e Parton exibido no programa. (assista)

TOP 50 de discos de 2007 – # 01-10

sexta-feira, dezembro 21st, 2007

# 01. Arcade Fire
(Neon Bible)

Da apocalíptica “Black Mirror” à redenção em “My Body is a Cage”, Neon Bible é um álbum completo que duela nos seus 45 minutos de duração. Se a tarefa de retornar com um disco à altura de Funeral era difícil, a evolução do Arcade Fire permite cumprir o seu papel de forma espetacular, superando os seus próprios limites. Gravado numa Igreja, com um órgão que substitui as guitarras quando ausentes (“Intervention”), as orquestrações encantadoras beiram entre o belo e o sujo, a paz e o caos neste obra-prima.
Aleluia, o Arcade Fire está entre nós!

Dica de download: “My Body is a Cage” (MP3), “Keep the Car Running” e “Ocean of Noise”

# 02. PJ Harvey
(White Chalk)

Desenhado em notas de piano, White Chalk não tem cara de ser um disco da mesma autora de álbuns intensos e afundados em guitarras como Dry e Rid of Me. Valorizando a solidão e o silêncio, Harvey caracteriza-o com uma fragilidade incomum – seja nos instrumentos ou no vocal sombrio – e letras pessoais que funcionam como diálogos em busca de uma salvação impossível.

Dica de download: “The Mountain”, “The Piano” (vídeo) e “Grow Grow Grow”

# 03. Lucinda Williams
(West)

Lucinda Williams, um dos grandes nomes da música alt-country norte-americana, fez de seu último álbum um clássico. As canções de West têm vida longa, passeando pelo blues, folk e country no vocal de tom embriagado da cantora. Grande parte do obra concentra-se na morte de sua mãe (“Mama You Sweet” e “Fancy Funeral”) e o fim de um relacionamento (destacando a excelente “Come On”). Diante dos fatos, canções como “Are You Alright?” e “Learning How to Live” soam introspectivas e moldadas no estado emocional de Lucinda.

Dica de download: “Come On”, “Are You Alright?” (vídeo) e “Wrap My Head Around That”

# 04. Nicole Atkins
(Neptune City)

Nicole Atkins não é o tipo de cantora convencional. Neptune City é um dos álbuns mais elegantes do ano. Seja no vocal carismático e teatral de Atkins – que atinge níveis de interpretação que remete, de certa forma, Rufus Wainwright – ou nas instrumentações extremamente meticulosas das faixas (“Together We´re Both Alone”). Com canções de cortar o coração de modo clássico (“The Way It Is”) ou retratar a passagem da infância à maturidade da cantora (“Cool Enough”), a supervisão refinada do produtor Rick Rubin faz de Neptune City e Nicole Atkins uma das artistas mais promissoras do ano (que vem). Destaque para o rock moderno de “Love Surreal”.

Dica de download: “Party’s Over” (MP3), “Together We’re Both Alone” e “Brooklyn’s on Fire!”

# 05. The Bird and the Bee
(The Bird and the Bee)

A decisão da cantora Inara George e do multi-instrumentista Greg Kurstin de fazer um projeto que unisse o pop eletrônico e jazz, estilo admirado por ambos, resulta num trabalho moderno repleto de referências das antigas. Denominam-se como “um filme futurista dos anos 60 passado no Brasil” – esse no Brasil, pelo fato do duo carregar certa porcentagem do trabalho dos Mutantes neste pop-retrô criado por eles. O fato é que as influências significam muito no resultado final, ganhando pontos com o conhecimento de estúdio de Kurst e a delicadeza vocal de George.

Dica de download: “Again & Again” (vídeo), “La La La” e “F*cking Boyfriend”

# 06. Rilo Kiley
(Under the Blacklight)

Under the Blacklight é o disco mais radiofônico do Rilo Kiley. Com letras sobre a difícil vida de Los Angeles, como a indústria pornô e seus perigos (“Close Call”), o vocal da princesinha indie Jenny Lewis continua meigo entre os temas. Nas melodias aproveita-se elementos do funk dos anos 70 em “The Moneymaker”, um rockzinho praiano com direito a palminhas em “Smoke Detector” e um pop caliente apressado em “Dejalo”. A conclusão é que Under the Blacklight é o álbum que merece o título de “ame ou odeie”.

Dica de download: “Breakin’ Up”, “Silver Lining” (vídeo) e “Smoke Detector”

# 07. M.I.A.
(Kala)

Kala flerta com percussão e ritmos precisos, assim como o seu antecessor Arular. Apresenta questões políticas em seu registro – por exemplo, a faixa “Bird Flu” e “Paper Planes” abordam problemas enfrentados por imigrantes de países pobres e seus passaportes apreendidos – em sonoridades que atravessam continentes. Desta vez, M.I.A. deixa a essência do funk carioca de lado e parte em busca de novas inspirações que chegam da Ásia e da África. Diante das influências, ainda insere fórmulas do New Order e do Pixies – na faixa “20 Dollar” – para desenvolver este segundo trabalho de forma extraordinária.

Dica de download: “Paper Planes” (vídeo / MP3), “Boyz” e “Hussel”

# 08. Sondre Lerche
(Phantom Punch)

Ano passado, Sondre Lerche apresentou um jazz tradicional com o álbum Duper Sessions. Agora retorna para provar sua versatilidade como artista. Ele cria um trabalho numa nova linha musical e visita um território de roqueiros junto com a sua bagagem pop certeiro. Phantom Punch, se não for exagerado, traz as melhores composições de sua carreira. Lerche aproveita o seu talento de escrever baladas (“After All”) e insere uma energia contagiante em suas sonoridas (“The Tape” e “John, Let Me Go”) neste trabalho ainda a ser admirado por muitos.

Dica de download: “The Tape”, “Phantom Punch” (vídeo) e“Airport Taxi Reception” (MP3)

# 09. Kanye West
(Graduation)

Graduation é, além de compacto, o álbum mais acessível de Kanye West. Sem se prolongar na duração, vai direto ao foco nas composições e insere o artista (definitivamente) no meio pop. Afinal, cantar com o sample de Daft Punk (“Stronger” tem a batida de “Harder, Better, Faster, Stronger” dos franceses) e contar com a participação de Chris Martin, do Coldplay (em “Homecoming”) colocam West num patamar acima dos grandes artistas da música atual. E sem o rotular como um astro exclusivamente hip-hop.

Dica de download: “Stronger”, “Champion” e “Can’t Tell Me Nothing” (MP3)

# 10. Radiohead
(In Rainbows)

Como se sabe, a criatividade musical do Radiohead não é de hoje e In Rainbows não é exceção. O álbum que poderia ter matado a música convencional, com o seu lançamento via download na Internet, contrasta a estranheza sonora da banda, na descompassada “15 Steps”, e o equilíbrio musical (“Faust Artp” e “Videotape”) em um álbum com cara de complicado, mas extremamente “acessível” – de todas as maneiras – ao grande público.

Dica de download: “Videotape” (MP3), “15 Step” e “Weird Fishes/Arpeggi” (MP3)

TOP 50 de discos de 2007 – # 11-20

quinta-feira, dezembro 20th, 2007

#11. The National
(Boxer)

O que difere Boxer do trabalho anterior, Alligator, do The National é a densidade instrumental que este novo registro apresenta. A responsabilidade e sofisticação do disco são influências de Peter Katis, que já tinha trabalhado com o Interpol e o Spoon, contribuindo com sua experiência aqui. A faixa de abertura, “Fake Empire, respira melancolia no piano (tocado por Sufjan Stevens), nas instrumentações crescentes e na voz barítona de Matt Berninger, expandido essa atmosfera sonora ao longo do álbum.

Dica de download: “Slow Show”

#12. Klaxons
(Myths of the Near Future)

Ícones do new rave, os garotos sensação do Klaxons apresentam um som hipnótico na bateria apressada, excesso de guitarras, sons de sirenes e urgência em animar qualquer ambiente. Há momentos em que o resultado surge efeito diante do caos sonoro das faixas (“Atlantis to Interzone”) que funcionam assim em sua totalidade – no melhor sentido da expressão, é claro.

Dica de download: “Gravity´s Rainbow”

#13. LCD Soundsystem
(Sound of Silver)

O LCD Soundsystem, projeto musical do produtor James Murphy, é uma mistura de punk-pop-rock com eletrônica. O marcante registro vocal de Murphy e a miscelânea sonora dos estilos, como nos trabalhos anteriores, são os atrativos deste Sound of Silver. Mais lapidado e com hits variantes que seu antecessor, as inserções de elementos sonoros – sininhos, teclados, sussurros, xilofones,… – transformam o álbum numa Torre de Babel traduzida em letras que abordam questões sócio-políticas (North American Scum) e desolação por parte do artista (“All My Friends”), sem perder o embalo por um segundo.

Dica de download: “Someone Great” (vídeo)

#14. Basia Bulat
(Oh, My Darling)

Oh, My Darling é um álbum pequeno que se torna rico em sua própria simplicidade. A canadense Basia Bulat cresceu ao som de clássicos da Motown, Beatles, Beach Boys e Sam Cooke. Sua estréia é um folk-jazz de efeito acústico conduzido de forma primordial pela voz suave e contrastante da artista. Há quem diga que é esse Oh, My Darling é a versão de Funeral, do Arcade Fire, na voz de uma menina. Exageros à parte, trate-se de uma bonita estréia.

Dica de download: “Birds of Paradise”

#15. The White Stripes
(Icky Thump)

Jack e Meg voltam com seu rock cru calcado no preto, branco e vermelho. Icky Thump (o disco) aumenta o volume das guitarras, canta política ou sobre um murro construído para barrar a imigração ilegal (“Icky Thump”, a música). A faixa “Conquest” parece ter saído de um Western norte-americano com sua percussão com qualidade de hino de cavalaria. Destaque para a divertida “session” de “Rag and Bone” com a dupla se divertindo nos instrumentos e conversas.

Dica de download: “Rag and Bone”

#16. Spoon
(Ga Ga Ga Ga Ga)

O Spoon chega em seu sexto álbum de estúdio em ótima forma. Um dos grandes feitos desse quarteto texano é criar música indie com cara de hit para rádio – abusando dos hipnóticos arranjos instrumentais. Prova disso, está na faixa de abertura “Don´t Make Me a Target” (destaque para o piano marcado), na melodia minimalista de “My Little Japanese Cigarette Case” e na explosão latina de “The Underdog”, produzida pelo competente Jon Brion. Ga Ga Ga Ga Ga é disco popular independente, feito para todo mundo gostar e as pessoas se perguntarem enternamente “de quem é aquela música?”.

Dica de download: “You Got Yr. Cherry Bomb”

#17. Feist
(The Reminder)

O vocal de Leslie Feist é um encontro de sensualidade com intimidade. As composições, em sua maioria com base acústica fundida ao folk, pop e jazz, encontram simplicidade nas letras – como por exemplo na pequena gigante “1 2 3 4″, na qual abre cantando: “1, 2, 3, 4 / tell me that you love me more”. Com momentos delicados (“So Sorry”) e pegada pop sortida (“My Moon, My Man” / “I Felt It All”), The Reminder é o típico disco para se escutar sozinho num quarto escuro, deixar se envolver pelas melodias e imaginar uma mão delicada acariciando seu rosto.

Dica de download: “Brandy Alexander”

#18. The New Pornographers
(Challengers)

Uma das (muitas) qualidades do New Pornographers é a química entre seus oito integrantes. Suas composições contagiantes poderiam ser definidas como uma conversa entre Burt Bacharach e Brian Wilson sobre as felicidades e desilusões da vida. A faixa título e o belíssimo hino ao amor de “Go Places” permitem que o vocal melancólico de Neko Case contribua à sonoridade e interpretação das composições. O ápice do entusiasmo revela-se em “All the Things that Go to Make Heaven and Earth”, com os instrumentos e a harmonia cativante.

Dica de download: “All the Things that Go to Make Heaven and Earth”

#19. !!!
(Myth Takes)

Myth Takes, o terceiro álbum do !!! (Chk Chk Chk), é um disco feito para dançar, acredite – as faixas fariam sucesso em qualquer balada alternativa. A junção eletrônica com o punk-funk-rock resulta num trabalho extremamente complicado pelas referências, no entanto bem administrado. As músicas parecem que chegam à beira de um orgasmo (“Must Be the Moon”) de referências.

Dica de download: “All My Heroes Are Weirdos”

#20. The Thrills
(Teenager)

Teenager, terceiro trabalho dos irlandeses do The Thrills, transporta o próprio título para as suas melodias. Assim como um adolescente, as composições vão se desenvolvendo nas texturas instrumentais (“I´m So Sorry”) e amadurecendo num pop inocente até o seu desfecho.

Dica de download: “Nothing Changes Around Here” (vídeo)

TOP 50 de discos de 2007 – # 21-30

quarta-feira, dezembro 19th, 2007

#21. Tori Amos
(American Doll Posse)

Em American Doll Posse, Tori Amos multiplica-se em cinco mulheres para expressar sua perspectiva social, política e pessoal das composições. O nono álbum da artista ocupa-se com guitarras inspiradas (“Teenage Hustling”), letras anti-Bush (“Yo George” / “Dark Side of the Sun”), melodias certeiras (“Bouncing Off Clouds”) e momentos seguros com Amos ao piano (“Digital Ghost” / “Almost Rosey”), resultando em um bom trabalho (em tempos) em seu currículo.

Dica de download: “Dragon”

#22. Wilco
(Sky Blue Sky)

Dica de download: “Either Way”

#23. Band of Horses
(Cease to Begin)

O tom triste delineado pelas calorosas guitarras divide-se entre o rock e o alt-country, proporcionando a evolução do Band of Horses em seu segundo disco. O voz de Ben Bridwell pode ser definida como “quando Wayne Coyne tornou-se uma pessoa infeliz” pela semelhança vocal entre ele e o líder do Flaming Lips. Destaque para a faixa de abertura “Is There a Ghost, com sua melodia crescente, e o velho problema de relacionamentos na quase acústica “No One’s Gonna Love You”.

Dica de download: “Marry Song”

#24. Marissa Nadler
(Song III: Bird on the Water)

Dica de download: “Bird on Your Grave” (vídeo)

#25. Manic Street Preachers
(Send Away the Tigers)

Da explosão sonora de “Underdogs”, passando pelo dueto delirante com Nina Persson (do Cardigans) em “Your Love is Not Enough” até as guitarras cantadas de “Autumnsong”, este Send Away the Tigers redescobre o talento nato dos maníacos com exuberância. Lançam um de seus melhores trabalhos atuais, com a qualidade dos clássicos dos anos 90.

Dica de download: “Underdogs”

#26. Arctic Monkeys
(Favourite Worst Nightmare)

Dica de download: “Fluorescent Adolescent”

#27. Laura Peek and the Winning Hearts
(From the Photographs)

O indie pop tímido de Laura Peek and the Winning Hearts encontra sintonia no vocal e piano de Peek, na bateria de Dave Ewenson e no baixo de Joel Gonguen. Com pitadas de folk e elementos do jazz, as composições respiram e expiram, tristeza e otimismo, em faixas que não tomam mais de 3 minutos para darem seu recado.

Dica de download: “Social Graces”

#28. Rufus Wainwright
(Release the Stars)

Dica de download: “Between My Legs”

#29. Maria Taylor
(Lynn Teeter Flower)

Com Lynn Teeter Flower, segundo álbum solo de Maria Taylor (integrante do Azure Ray), a artista firma-se perfeitamente em carreira solo. As melodias são como abraços que aquecem, com o vocal doce de Taylor, em composições que carregam uma tristeza evidente – como é o caso da delicada e com certa esperança “Small Part of Me”.

Dica de download: “Replay”

#30. Iron & Wine
(The Shepherd’s Dog)

Dica de download: “Carousel”

TOP 50 de discos de 2007 – # 31-40

terça-feira, dezembro 18th, 2007

#31. Dr. Dog
(We All Belong)

Este quinteto da Filadélfia é influenciado por álbuns homônimos do Beatles e do Beach Boys. A textura de suas composições reproduzem o pop psicodélico dos anos 60 com vigor. E é por isso que We All Belong é um daqueles discos que parece ter sido lançado fora de seu tempo, mas com uma qualidade admirável.

Dica de download: “Die, Die, Die”

#32. Interpol
(Our Love To Admire)

Dica de download: “No I in Threesome”

#33. Maia Hirasawa
(Thought, I´m Just Me)

A sueca/japonesa Maia Hirasawa apresenta um pop despretensioso com elementos do folk em sua estréia. Neste Though, I´m Just Me, a também integrante do Hello Saferide, caracteriza algumas canções com uma identidade infantil (“Crackers”), enquanto outras – como “Still June” e “Star Again” solidificam a atmosfera madura onipresente nos trabalhos do Hello Saferide. Destaque para o pop jazzístico de “And I Found this Boy”.

Dica de download: “Crackers”

#34. Ryan Adams
(Easy Tiger)

Dica de download: “Two”

#35. Of Montreal
(Hissing Fauna, Are You the Destroyer?)

Com referências dos anos 80, o Of Montreal tem como inspiração as melodias eficientes de Brian Wilson – como deixa evidente nas faixas que abrem o disco: “Suffer for Fashion” e “Sink the Seine”. As melodias extremamente moduláveis e os vocais de calibre melancólico, assim como suas letras, contrastam o verdadeiro sentimento das composições na fórmula indie-glam apresentada por eles .

Dica de download: “Heimdalsgate Like a Promethean Curse” (vídeo)

#36. Kate Nash
(Made of Bricks)

Dica de download: “Mariella”

#37. Bloc Party
(A Weekend in the City)

Com a boa receptividade de Silent Alarm, o Bloc Party toma fôlego para apresentar A Weekend in the City. Com guitarras bem trabalhas e bateria ágil, o vocalista Kele Okereke revela insegurança em grande parte das composições e a influência da metrópole neste segundo álbum. As letras destacam-se quando o artista aborda temas como drogas (“On”), suicídio (“SRXT”) e sexualidade (“I Still Remember”) de forma mais direta que em sua estréia.

Dica de download: “Waiting for the 7.18″

#38. Kings of Leon
(Because of Times)

Dica de download: “McFearless”

#39. Bonde do Rolê
(With Lasers)

O Bonde do Rolê é mais um produto de exportação que faz sucesso lá fora e, logo em seguida, ganha popularidade no país. Com letras de teor pornográfico escrachado, guitarras incrementadas ao batidão do funk e samples exagerados, esse trio de Curitiba conquista justamente por não ser levado tão a sério – ainda mais pelos gringos que não entendem pérolas como “mais vale dois cus que uma buceta”.

Dica de download: “Marina Gasolina” (vídeo)

#40. The Shins
(Wincing the Night Away)

Dica de download: “Sealegs”

TOP 50 de discos de 2007 – # 41-50

segunda-feira, dezembro 17th, 2007

#41. St. Vincent
(Marry Me)

St. Vincent atende pelo o nome da multi-intrumentista Annie Clark – que já fez parte da “família” Polyphonic Spree e saiu em turnê com músicos como Sufjan Stevens e José González. Em sua estréia solo, as composições são como odisséias pop conduzidas por guitarras e acordes de piano que se fundem melodicamente ao vocal delineado da artista.

Dica de download: “Paris is Burning”

#42. Beirut
(The Flying Club Cup)

Dica de download: “A Sunday Smile”

#43. Amerie
(Because I Love It)

Nunca faltaram comparações com Beyoncé nos trabalhos de Amerie. Suas composições em geral são empolgantes, acertam em cheio no ritmo marcado e exalam sensualidade. No entanto, um de seus grandes méritos é não ter um Jay-Z para guiar sua carreira, produzindo faixas altamente industriais e contagiosas no melhor estilo R&B. Destaque neste Because I Love It para a pegada 80´s de “Crush”.

Dica de download: “Gotta Work” (vídeo)

#44. Aqualung
(Memory Man)

Dica de download: “Pressure Suit”

#45. The Fiery Furnaces
(Widow City)

Neste quinto álbum de estúdio, o experimentalismo dos irmãos Matthew e Eleanor Friedberger continua sendo a principal sensação do The Fiery Furnaces. A psicodelia (“Ex-Guru” / “Navy Nurse”) e distorções sonoras são os atrativos deste Widow City. Uma das qualidades da dupla continua sendo a originalidade e o ar transcendal (“Japanese Slippers”) das faixas.

Dica de download: “Duplexes of the Dead”

#46. Blonde Redhead
(23)

Dica de download: “Top Ranking” (vídeo)

#47. Mark Ronson
(Version)

O segundo álbum do produtor Mark Ronson revisita grandes clássicos da música “pop” atual. As releituras de Ronson apresentam um ar clássico baseado no funky-soul na voz de artistas como Amy Winehouse (“Valerie”), Lily Allen (“Oh My God”), Robbie Williams (“The Only One I Know”), entre outros. Version brilha quando os trompetes, de forma crescente, anunciam “Just” do Radiohead.

Dica de download: “Just”

#48. Elliott Smith
(New Moon)

Dica de download: “High Times”

#49. Suzanne Vega
(Beauty & Crime)

Após seis anos de hiato, Suzanne Vega – a voz de “Luka” – volta com Beauty & Crime. O álbum, definido como um retrato de Nova Iorque, é um passeio entre o público e o privado. Os arranjos elegantes (incluindo a bossa nova de “Pornographer’s Dream”) e aura jazzística são influências do multi-intrumenta Jimmy Hogarth para desenhar a Big Apple, seus amores, perdas e o íntimo da artista.

Dica de download: “Frank & Ava” (vídeo)

#50. Britney Spears
(Blackout)

Dica de download: “Radar”

M.I.A. lança videoclipe do single “Paper Planes”

segunda-feira, dezembro 17th, 2007


Clipe de “Paper Planes”

Uma das canções que mais se destaca em Kala, o elogiado álbum da rapper M.I.A., traz o som de tiros de rifle e caixas registradoras (ch-ching) em sua execução. A pop gangsta “Paper Planes” aborda temas políticos e o tráfico de armas com o auxílio do sample “Straight to Hell” do The Clash.

Detalhe para aparição de Mike D e Adrock do Beastie Boys no vídeo dirigido por Bernard Gourley.