TOP 15 – Filmes de 2008

quarta-feira, dezembro 31st, 2008

#01. Sangue Negro

Depois de filmes exemplares no currículo como Boogie Nights – Prazer Sem Limites, Magnólia e Embriagado de Amor, o diretor Paul Thomas Anderson dá vida ao seu épico Sangue Negro. Com base na família, religião e cobiça, Anderson extrai atuações extraordinárias de seu elenco (destaque para Daniel Day-Lewis – ganhador do Oscar – e Paul Dano) e poder dos acordes da trilha sonora de Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead, ao adaptar a novela Oil de Upton Sinclair. O projeto prova o talento nato do cineasta e o coloca num patamar mais alto na categoria dos grandes diretores da nova geração ao lançar esta obra-prima.

#02. WALL·E

A Pixar é um dos poucos estúdios de animação que humanizam seus roteiros ao ponto de abstrair os recursos tecnológicos de suas produções. Com poucas falas, o robô WALL·E conquista os espectadores com seus movimentos, sons e expressões no mundo solitário que vive até encontrar Eve, uma máquina programada com missão de encontrar vida na Terra. É uma versão de Chaplin animado em computação para as crianças que já nascem com a tecnologia nas veias.

#03. Antes que o Diabo Saiba Que Você Está Morto

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, dirigido pelo veterano Sidney Lumet, é o típico projeto que quanto menos se sabe, melhor é. A história de dois irmãos que precisam de dinheiro e planejam assaltar uma joalheria para consegui-lo, é uma experiência extremamente desconfortante para quem acompanha esse drama familiar e o rumo que segue.

#04. Onde os Fracos Não Têm Vez

Onde os Fracos Não Têm Vez é o trabalho mais árido e maduro dos irmãos Coen. Não apenas apresentaram a sua obra-prima ao mundo, como um dos vilões mais aterrorizantes em anos: Anton Chigurh (vivido por Javier Bardem). A ausência de trilha sonora, sem a música crescente para ressaltar a intensidade das cenas, e escassez de longos diálogos faz com que o filme leve o seu espectador em direção ao inesperado.

#05. O Escafandro e a Borboleta

A história real de Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric), editor da revista Elle que sofre um derrame que paralisa todo o seu corpo, menos a pálpebra esquerda, é uma experiência única através da câmera do diretor Julian Schnabel. Nos minutos iniciais o espectador vive o mundo de desconforto de seu protagonista, quando imerso nos seus monólogos e no seu corpo.

#06. Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada

Esqueça o Steve Carell de The Office e O Virgem de 40 Anos. Dan (Carell) é um viúvo, pai de três meninas e colunista. Num final de semana, quando a família se reúne numa casa no interior, ele conhece numa livraria uma mulher que o interessa (Juliette Binoche). Mas, sim, ela é a namorada de seu irmão. Com despretensão, melancolia, riso bobo e música de Sondre Lerche, Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada é um tesouro que pode passar despercebido aos olhos de muitos.

#07. Batman – O Cavaleiro das Trevas

Em Batman – O Cavaleiro das Trevas, pela primeira vez temos o homem-morcego ofuscado pelos vilões da fita. O filme tem a seu favor um grandioso elenco, um roteiro que sintetiza humor da anarquia, boas seqüências de ação com doses de intensidade e insanidade (destaque para a cena do hospital) e diálogos vivos. Sim, Oscar para Heath Ledger.

#08. Irina Palm

Irina Palm nos faz engolir seco. Maggie (a extraordinária cantora / atriz Marianne Faithfull) tem cerca de 50 anos e leva uma vida tranqüila num subúrbio londrino. Quando seu neto é diagnosticado com uma doença rara e necessita de um transplante de emergência, o único trabalho que ela consegue é num lugar chamado ‘Mundo Sexy’, graças às suas mãos macias.

#09. Queime Depois de Ler

Após o Oscar conquistado com Onde os Fracos Não Têm Vez, os irmãos Coen voltam com a temática que os consagraram: o humor negro. Com um elenco hollywodiano competente, Queime Depois de Ler é uma comédia irônica afiada, despretensiosa, sensível e, como de praxe, imprevisível.

#10. Juno

Juno MacGuff (a carismática Ellen Page) é uma jovem de 16 anos que acidentalmente engravida do amigo loser Paulie Bleeker (Michael Cera). A fórmula indie do roteiro de Diablo Cody é uma mistura de diálogos ácidos com personagens doces e antenados em cultura pop. E é isso que faz de Juno uma aborrescente tão comum e interessante como qualquer outra garota.

#11. O Orfanato

Numa época em que o cinema de terror sobrevive de continuações e remakes, uma produção espanhola revitaliza e dribla todos os clichês do gênero de forma espetacular e perturbadora. A estréia de Juan Antonio Bayona é controlada em cada take assustador, com uma atuação dinâmica de Belén Rueda, na históra de uma mãe em busca de seu filho desaparecido.

#12. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias

Na Romênia dos anos 80, duas amigas negociam o aborto de uma delas. De forma crua e fria, os personagens se vêem obrigados a negociar o preço das decisões. Valores como a amizade, a cumplicidade e o segredo, num país regido pelo comunismo, entram em conflito quando o plano é executado.

#13. Chega de Saudade

Envelhecer é uma arte. Em Chega de Saudade, a diretora Laís Bodanzky acompanha as histórias vividas por uma série de personagens que passam a noite num salão de baile da terceira idade. Histórias de personagens vividos por Tônia Carrero, Betty Faria, Leonardo Vilar e Cássia Kiss ganham forma e cor ao som da música de Elza Soares.

#14. 2 Dias em Paris

Com elementos do cinema de Richard Linklater (Antes do Amanhecer / Antes do Pôr-do-Sol), Julie Delpy transforma seu 2 Dias em Paris numa versão européia e repaginada de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen. A última cena (vídeo), quando a protagonista resume a discussão do casal, é um dos meus momentos favoritos do ano. A realidade romântica é dura.

EMPATE:

#15. Na Natureza Selvagem

Na Natureza Selvagem é o filme mais ambicioso do ator (que aqui assina a direção) Sean Penn. Conta a trajetória do jovem Christopher McCandless (o talentoso Emile Hisch) que após se formar no colégio, abandona a vida junto aos pais e decide cair na estrada. É uma espécie de Sem Destino para uma geração que nunca assistiu ao filme.

#15. Apenas Uma Vez

As músicas de Glen Hansard e Markéta Inglová, que são encarregados de atuarem aqui também, são apresentadas em um conto urbano de como essas composições ganharam vida no encontro da dupla. Antes de ser uma história de amor, Apenas Uma Vez é uma história de amizade e um sonho em comum que nasce através dessa amizade musical.

ps: excelente 2009 para todos. até porque 2008 já era.

E se todas as críticas de cinema fossem feitas dentro da sala de cinema…

terça-feira, dezembro 30th, 2008

Meu amigo Maurício Saldanha deu vida própria ao Cabine Celular no endereço www.cabinecelular.com.br.

Cabine Celular

O que ele faz é algo inovador do que tipo “por que ninguém pensou nisso antes”? A idéia do Cabine Celular é falar sobre o filme, dentro da sala de cinema, justamente quando os créditos finais começam a subir na tela.

Um dos vídeos mais legais, que por sinal não pôde ser filmado dentro da sala de projeção, é o de High School Musical 3 com a molecada dando palpite. No mínimo hilário:

Vale a visita.

Show: Madonna em São Paulo

terça-feira, dezembro 23rd, 2008

Quando um amigo meu assistiu ao show da cantora Madonna, há duas semanas em Buenos Aires, perguntei como era. A resposta foi: “só estando lá”.

Agora, se alguém me fizer a mesma pergunta, com certeza a resposta será:

Madonna - São Paulo 20/12
Madonna - São Paulo 20/12
Madonna - São Paulo 20/12
Madonna - São Paulo 20/12
Madonna - São Paulo 20/12
Madonna - São Paulo 20/12

Só estando lá.

Até porque cantar “Like a Prayer” (vídeo), um dos grandes momentos do show, com a cantora e mais de 70 mil pessoas, é um momento único.

Em breve, acho que esse site volta à programação normal.

INFORMAÇÕES: Estádio do Morumbi, São Paulo – SP
20/12 – 21 h

* fotos do show via madonnaonline.

TOP 50 de discos de 2008 – # 01-10

sexta-feira, dezembro 19th, 2008

#01. Nikka Costa
(Pebble to a Pearl)

Após ser dispensada de sua antiga gravadora, Nikka Costa voltou para o estúdio e decidiu gravar Pebble to a Pearl de forma independente. Aqui, passeia livremente pelos estilos que adota em seus álbuns anteriores – uma fusão de pop soul (“Stuck to You”), blues (“Love to Love You Less”), funk (“Keep Pushin'”) – com uma aura old school condizente ao seu vocal poderoso. Pebble to a Pearl é o seu trabalho mais verdadeiro. Pelo menos, é o que se pode dizer da faixa autobiográfica e melodicamente explosiva “Can´t Please Everybody”. Nikka é uma pérola entre os pedregulhos.

Dica de download: “Can’t Please Everybody”, “Keep Wanting More” e “Keep Pushin'”

#02. Juana Molina
(Un Dia)

A aventura folktrônica da argentina Juana Molina vaga por momentos conturbados (“Los Hongos de Marosa”) e de extrema serenidade (“Vive Solo”). Com sua sonoridade minuciosa (de elementos quase imperceptíveis nas músicas), ágeis acordes de violão e loops incessantes, Un Dia é calibrado de harmonias universais e resultado hipnótico.

Dica de download: “Un Día”, “Quien?” (Suite) e “Los Hongos de Marosa”

#03. TV on the Radio
(Dear Science)

O indie rock dos nova-iorquinos do TV on the Radio atinge momentos épicos no fogo cruzado entre a penca de referências que a banda traz na bagagem. Seja no rap dançante a base de sintetizadores de “Dancing Choose”, no disco punk de “Red Shoes” ou na inteligível balada ao piano e cordas de “Family Tree”. O excesso de fórmulas proporciona a evolução constate do grupo.

Dica de download: “Dancing Choose”, “Stork & Owl” e “Crying”

#04. Bon Iver
(For Emma, Forever Ago)

For Emma, Forever Ago foi gravado por Justin Vernon (a cara do Bon Iver) numa cabana em Wisconsin durante um período de isolamento após uma separação. Sem muita tecnologia, o disco é rotulado como rústico pelas suas improvisações e o fato do músico se responsabilizar por todos os instrumentos. Há um encantamento na solidão de Vernon e suas composições que parecem terem saído de uma fita demo.

Dica de download: “Lump Sum”, “Creature Fear” e “Flume”

#05. Joan as Police Woman
(To Survive)

O vocal melancólico de Joan Wasser sobrevive por melodias nebulosas conduzidas por um piano sofisticado que evoca Nina Simone. Em seu segundo disco, apresenta-se mais obscura do que no antecessor Real Life, devido à morte de sua mãe, celebrando o amor (“To Be Loved”) e consentindo a perda (“To Be Lonely”). Vale destacar o dueto sublime com Rufus Wainwright em “To America”.

Dica de download: “Holiday”, “To Be Loved” e “To Be Lonely”

#06. Aimee Mann
(@#%&*! Smilers)

Aimee Mann é o típico caso: “sempre a mesma. sempre diferente”. @#%&*! Smilers não é exceção. Suas melodias autênticas destacam-se nas letras que não apenas contam histórias, mas revelam a essência de seus personagens na voz da cantora.

Dica de download: “Stranger Into Starman”, “It´s Over” e “31 Today”

#07. Little Joy
(Little Joy)

O Little Joy carrega uma assinatura dos trabalhos de Rodrigo Amarante (Los Hermanos) e de Fabrizio Moretti (bateirista brasileiro dos Strokes) em seu indie nostálgico. Todos os integrantes dão voz ao projeto, mas há um brilho especial nas canções com o vocal doce e sensual de Binki Shapiro (“Unattainable” e “Don’t Watch Me Dancing”). Destaque para “Evaporar”, a única inteiramente em português, feita por Amarante.

Dica de download: “The Next Time Around”, “Keep Me in Mind” e “Evaporar”

#08. Vampire Weekend
(Vampire Weekend)

As influências do Vampire Weekend vão da música africana a new wave. De ritmos de dança do Congo ao pós-punk. Logo de cara em “Mansard Roof”, faixa que abre o disco, estamos sujeitos às experimentações desse quarteto de Nova Iorque que por nenhum instante abandona a sabedoria da música pop (“A-Punk” / “Oxford Comma”) para rotulá-los como world music.

Dica de download: “Oxford Comma”, “Cape Cod Kwassa Kwassa” e “Campus”

#09. Jazmine Sullivan
(Fearless)

Jazmine Sullivan poderia ser mais uma entre várias artistas de R&B. Não bastasse a mão de Missy Elliott em seu single “Need U Bad”, o álbum se destaca por nenhuma faixa ter a mesma batida da anterior, sendo um refresco ao próprio estilo da cantora. Fearless inicia com ares de flamenco (“Bust Your Windows”), vaga por orquestrações clássicas (“Lions, Tigers & Bears”) e passeia pelos estúdios da Motown. É como se tivéssemos uma nova Mary J. Blige a caminho. E o futuro de Jazmine é promissor.

Dica de download: “One Night Stand”, “Switch!” e “Call Me Guilty”

#10. Adele
(19)

Com seu pop sofisticado e o reconhecimento através do single “Chasing Pavements”, a inglesa Adele encanta com sua voz “negra”. Em seu álbum de estréia 19, alusão à idade da garota, de cara é comparada à conterrânea Amy Winehouse. Mas, a garota é mais otimista em seu canto do que a cantora de Back to Black. O seu talento está além da idade de menina nas letras de canções como “Tired” e “Daydreamer”.

Dica de download: “Tired”, “Best for Last” e “Hometown Glory”

TOP 50 de discos de 2008 – # 11-20

quinta-feira, dezembro 18th, 2008

#11. Sheryl Crow
(Detours)

Detours é trilhado por acontecimentos relevantes à Crow. Com seu pop folk de FM, dá voz para canções de protesto (“God Bless This Mess” / “Gasoline”) e crises pessoais, como o fim de um relacionamento em “Diamond Ring” e a luta contra o câncer na dolorosa “Make It Go Away”. Com produção de Bill Bottrell, responsável pelo sucesso de Tuesday Night Music Club, o disco recupera a boa forma da artista.

Dica de download: “Out of Our Heads” (vídeo)

#12. MGMT
(Oracular Spectacular)

O pop psicodélico de Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, uma dupla de Nova Iorque com seus vinte e poucos anos, é uma releitura dos tiozinhos do Flaming Lips. Do eletro funk alucinógeno de “Electric Feel” ao encontro de referências do Air e David Bowie em “Youth”, o duo obtém hits melodicamente intensos e distintos nesta estréia.

Dica de download: “Kids”

#13. Juliana Hatfield
(How to Walk Away)

Movido por promessas (“Such a Beautiful Girl”), tristezas e relacionamentos que esfriam e chegam ao fim (My Baby…), o pop melódico de How to Walk Away é um testemunho no vocal polido de Hatfield. O trabalho avalia a solidão e as memórias que ficam com o término de um romance – como canta no pequeno duelo entre piano e guitarra de “Remember November”. Juliana é como canta: uma menina bonita, vivendo num mundo sujo.

Dica de download: “My Baby…”

#14. Coldplay
(Viva La Vida)

Os arranjos grandiosos e composições bem resolvidas de Viva La Vida colocam o Coldplay no topo do mundo. Os temas de amor, guerra e paz das canções recebem vida nas orquestrações mescladas ao rock saturado (como a pintura que ilustra a arte do álbum) e na produção do lendário Brian Eno. Viva La Vida cumpre o objetivo de tirar Chris Martin e companhia de um mundo em preto e branco chamado X&Y.

Dica de download: “Lovers in Japan”

#15. Portishead
(Third)

Após uma década, um dos nomes mais simbólicos do trip-hop retorna à cena musical. Third, o terceiro álbum de estúdio de Beth Gibbons e seus amigos, não é exclusivamente um disco do gênero. Aventura-se por momentos eletrônicos (na bombante “Machine Gun”), folk (no violão dedilhado de “The Rip”) e até uma certa brasilidade no “mantra” que abre o trabalho.

Dica de download: “We Carry On” (vídeo)

#16. Amanda Palmer
(Who Killed Amanda Palmer?)

A cara-metade do punk cabaret do Dresden Dolls lança seu primeiro trabalho como solista. Who Killed Amanda Palmer? é coeso na produção de Ben Folds que busca fugir das melodias assinadas pelo grupo. Temas delicados como estupro / aborto (“Oasis”), famílias desequilibradas (“Runs in the Family”) e fim de relacionamento (“Astronaut”) buscam fuga em canções que soam como se estivessem sendo extraídas à força de uma peça musical.

Dica de download: “Leeds United”

#17. Emiliana Torrini
(Me and Armani)

Se no início da carreira a islandesa Emiliana Torrini era tachada e comparada à sua conterrânea (Björk), seu terceiro trabalho continua desfazendo os atributos que a crítica lhe bordou. Com o reggae meloso da faixa título, o rock extasiado (“Jungle Drum”) e um pop folk sensível (“Birds”), a artista assume identidade própria com suas miscelâneas sonoras.

Dica de download: “Big Jumps” (vídeo)

#18. She & Him
(Volume One)

A parceria entre a atriz Zooey Deschanel e o músico M. Ward resulta num trabalho de fórmula simples. Volume One é uma homenagem ao pop dos anos 60 (“I Was Made for You”) e a música country (“Change Is Hard”) em acordes de piano e violão que predominam o clima nostálgico e agridoce do trabalho.

Dica de download: “Why Do You Let Me Stay Here?” (vídeo)

#19. The Dodos
(Visitor)

A produção sem grandes artifícios de Visiter contribui para a naturalidade e experimentalismo do trabalho. Com um violão bipolar e bateria marcada, o neo folk deste duo californiano encontra unidade na suavidade vocal e urgência dos instrumentos em composições questionam a existência de Deus e desenterram o passado de seus integrantes.

Dica de download: “Fools” (vídeo)

#20. Fleet Foxes
(Fleet Foxes)

Este quinteto de Seattle, a terra do grunge, é um Arcade Fire fazendo escola com o Beach Boys. Brincam com harmonias vocais, como fica registrado na faixas “Sun It Rises” – que abre o álbum – e “Heard Them Stirring”. O “pop harmônico barroco”, como se definem, cria uma atmosfera aconchegante e de beleza natural nas melodias fundadas no folk / country / rock. Um exemplo é o violão cancioneiro dedilhado de “Tiger Mountain Peasant Song”.

Dica de download: “White Winter Hymnal”

TOP 50 de discos de 2008 – # 21-30

quarta-feira, dezembro 17th, 2008

#21. Kanye West
(808´s and the Heartbreaks)

808´s and the Heartbreaks é Kanye West garimpando a sensibilidade do álbum The Love Below, de Andre 3000 (do Outkast), e particularidades da cena pop dos anos 80. A morte da mãe e o fim de um relacionamento de seis anos resulta não apenas no trabalho mais pessoal do rapper, mas também em sua constante evolução musical.

Dica de download: “Paranoid”

#22. Sigur Rós
(Med Sud I Eyrum Vid Spilum Endalaust)

Dica de download: “Inní mér syngur vitleysingur”

#23. Lykke Li
(Youth Novels)

Com seu vocal infantil e melodias açucaradas, Lykke Li apresenta um pop fantasioso e carismático. A estréia da garota escandinava é marcada por jogos rítmicos de palmas e arranjos delicados que nunca explodem como deveriam, mantendo-a tímida – mas, exalando sensualidade – do início ao fim.

Dica de download: “Dance, Dance, Dance” (vídeo)

#24. Laura Marling
(Alas I Cannot Swim)

Dica de download: “You’re No God”

#25. Leona Naess
(Thirteens)

O quarto disco de Leona Naess é uma avalanche de emoções. As canções de Thirteens, gravadas num estilo caseiro, revelam perdas (“Learning As We Go” / “Unnamed”) pessoais da artista e a necessidade de lidar com a maturidade – mesmo que essa venha em uma mesa de bar na companhia dos melhores amigos (“Leave Your Boyfriends Behind”).

Dica de download: “Leave Your Boyfriends Behind” (vídeo)

#26. Lucinda Williams
(Little Honey)

Dica de download: “Tears of Joy”

#27. Brazilian Girls
(New York City)

O Brazilian Girls continua mais poliglota do que nunca. New York City, além de manter a qualidade dos álbuns anteriores, faz alusão às grandes cidades. É uma viagem multicultural que começa nas ruas camaradas de “St. Petersburg”, valseia num cabaret da capital alemã (“Berlin”) e encontra redenção na Espanha (“Mano de Dios”). Uma excursão pelo mundo em menos de 50 minutos.

Dica de download: “St. Petersburg”

#28. The Tings Tings
(We Started Nothing)

Dica de download: “Great DJ” (vídeo)

#29. Santogold
(Santogold)

Apesar das comparações com a M.I.A., Santogold não canta sobre guerrilhas e aposta num som mais urbano do que a rapper anglo-cingalesa. Do pop new wave de “L.E.S. Artistes” – com refrão à la Karen O – aos temas ska (“You’ll Find a Way”), Santi White pavimenta seu caminho vomitando estilo e ouro por onde passa.

Dica de download: “Lights Out” (vídeo)

#30. Hauschka
(Ferndorf)

Dica de download: “Heimat”

TOP 50 de discos de 2008 – # 31-40

terça-feira, dezembro 16th, 2008

#31. Hercules and Love Affair
(Hercules and Love Affair)

Um DJ e produtor (Andy Butler), um vocalista impecável (Antony Hegarty), uma designer de jóias (Kim Ann) e uma cantora de soul (Nomi) é a formação do Hercules and Love Affair. Com seu som calcado na disco music e funk dos anos 70 (“Athene”), dance dos anos 80 (“You Belong”) e elementos do groove (“Hercules Theme”), essa combinação eclética encontra homogeneidade nas mãos de Butler.

Dica de download: “Iris”

#32. Jenny Lewis
(Acid Tongue)

Dica de download: “Bad Man´s World”

#33. Marnie Stern
(This Is It and I Am It and You Are …)

A menina impaciente, de rosto angelical e vocal nervoso, transforma este trabalho num ambiente poluído por riffs furiosos em melodias que extraem uma porcentagem mínima da música pop. Com sua agilidade sonora, é impossível manter o espírito roqueiro inerte e não ser cativado pelo confronto musical da bonitinha.

Dica de download: “Transformer” (MP3)

#34. Nine Inch Nails
(The Slip)

Dica de download: “Discipline”

#35. Camille
(Music Hole)

A francesa Camille tem uma capacidade única: brincar livremente e criar esquisitices com a voz. Seu vocal funciona muito bem como percussão e não se limita a imitar bichinhos de estimação – como acontece na insana “Cats and Dogs” – ou superar os agudos de Mariah Carey – como revela em “Money Note”.

Dica de download: “Money Note”

#36. The Kills
(Midnight Boom)

Dica de download: “Cheap and Cheerful” (vídeo)

#37. Beck
(Modern Guilt)

Dos últimos trabalhos de Beck, Modern Guilt é o mais acessível. A produção de Danger Mouse extrai um pop vintage (“Gamma Ray”) dos discos do Beach Boys, deixando que o artista mantenha o foco em suas composições e não exclusivamente nos artifícios sonoros. Destaque para a faixa que fecha o álbum, a pessoal “Volcano”, e o recado “I’m tired of people who only want to be pleased but I still want to please you”.

Dica de download: “Youthless”

#38. The Teenagers
(Reality Check)

Dica de download: “Feeling Better” (vídeo)

#39. Sia
(Some People Have Real Problems)

Confesso que prefiro a cantora Sia emprestando sua voz ao grupo britânico Zero 7. No entanto, o pop jazz melancólico de Some People Have Real Problems alcança uma maturidade ausente em seu trabalho anterior, marcado pelo hit “Breathe Me” (vídeo), revelando-a como uma das grandes promessas da música pop alternativa.

Dica de download: “Academia”

#40. Kaiser Chiefs
(Off with Their Heads)

Dica de download: “Like It Too Much”

TOP 50 de discos de 2008 – # 41-50

segunda-feira, dezembro 15th, 2008

#41. Girl Talk
(Feed the Animals)

O DJ e produtor Girl Talk (Gregg Gillis), conhecido por suas colagens sonoras que embaralham hits bombantes e outros esquecidos, entrou na onda (quer pagar quanto?) do Radiohead e disponibilizou Feed the Animals para download. Um disco dançante para animar qualquer festa ao preço de U$ 0,00.

Dica de download: “Let Me See You”

#42. Rachael Yamagata
(Elephants)

Dica de download: “Sidedish Friend”

#43. Duffy
(Rockferry)

A estréia da galesa Duffy é bem arquitetada num charmoso pop-retrô. Com um jeitinho de Dusty Springfield e arranjos inspirados em Burt Bacharach, o álbum encanta pelo cuidado de Bernard Butler, fundador e ex-integrante do Suede, na produção e pela doçura da artista.

Dica de download: “Warwick Avenue” (vídeo)

#44. Elbow
(The Seldom Seen Kid)

Dica de download: “Grounds for Divorce”

#45. The Long Blondes
(Couples)

The Long Blondes é o Blondie do século XXI. Com influências dos anos 80, esse quinteto inglês aposta num rock que vem para falar do cotidiano de altos e baixos das pessoas. Kate Jackson, com seu vocal mutável, percorre pela urgência do punk (“Here Comes the Serious Bit”) e fragiliza (“Nostalgia”) ao revelar estórias de gente ordinária.

Dica de download: “Nostalgia”

#46. Kings of Leon
(Only by the Night)

Dica de download: “Use Somebody”

#47. Cyndi Lauper
(Bring Ya to the Brink)

Com Bring Ya to the Brink, Cyndi Lauper conseguiu algo que sua carreira estava precisando: rejuvenescer. É um trabalho moderno e intenso, graças à produção de gente como Basement Jaxx (“Rocking Chair”), Scumfrog e Kleerup (“Lay Me Down”).

Dica de download: “Echo”

#48. Goldfrapp
(Seventh Tree)

Dica de download: “Caravan Girl” (vídeo)

#49. R.E.M.
(Accelerate)

Com quase 30 anos de estrada, Michael Stipe e seus amigos mostram que estão mais vivos do que se imagina. Accelerate é um disco de rock fervoroso que respira através de guitarras altas e sujas das composições.

Dica de download: “Man-Sized Wreath” (vídeo)

#50. Cut Copy
(In Ghost Colours)

Dica de download: “Lights and Music”

Madonna no Copacabana Palace, Lily Allen canta “Womanizer” de Britney Spears, Jennifer Aniston nas páginas da GQ, Brad Pitt em comercial japonês dirigido por Wes Anderson, as melhores capas de discos e singles de 2008, Woody Allen no Brasil, Trajan é o maior clichê do cinema e clipes para comemorar as últimas semanas de dezembro

domingo, dezembro 14th, 2008

▪ Quando anunciaram que o filme A Morte do Demônio, dirigido por Sam Raimi, seria adaptado para o teatro no formato musical (Evil Dead – The Musical) parecia piada, certo? Mas, depois desse comercial, feito pela Saatchi & Saatchi, espero que a fila triplique.


Comercial de Evil Dead – The Musical

Lily Allen“Womanizer” (MP3)

Brad Pitt - Softbank ▪ O diretor Wes Anderson (de Os Excêntricos Tenenbaums) e o ator Brad Pitt trabalharam juntos no comercial da Softbank, uma companhia de celular japonesa. Assista.

Woody Allen no Brasil?

▪ As melhores capas de discos e os melhores singles de 2008, segundo a Rolling Stone.

Madonna - Rio de Janeiro“Eita véia ranzinza, viu?”: Maurício Saldanha está no Rio de Janeiro para o show da cantora Madonna e foi fazer um reconhecimento de campo em frente ao Copacabana Palace. Assista.

▪ Fonte Trajan é o maior clichê do cinema. (via caligraffiti)

Depeche Mode fala sobre o novo álbum, ainda sem título. (via LA Times)

▪ A atriz Jennifer Aniston está uma delícia na edição de dezembro da GQ. As fotos são de Michael Thompson. Mais aqui.

Jennifer Aniston - GQ Jennifer Aniston - GQ

▪ Amanhã, começo a publicar a lista dos meus 50 discos favoritos de 2008. Por enquanto, fique com os melhores de 2007.

Bloc Party - One Month Off ▪ Plus vídeos: a guerra fabulosa do Bloc Party em “One Month Off” (assista), o Justice apresenta trechos do seu DVD em “Phantom II” (assista), Peter, Bjorn and John em “Take Your Hands Off That Girl” (assista) e a intimidade de Rachael Yamagata em “Sunday Afternoon” (assista).

TOP 10: videoclipes de 2008

sábado, dezembro 13th, 2008

#01. Radiohead“House of Cards”
Direção: James Frost


Clipe de “House Of Cards”

Se inovação é uma qualidade única nos trabalhos de Thom Yorke e companhia, seus clipes ganham o mesmo tratamento. Sem a utilização de câmeras, “House of Cards” foi capturado através de luzes estruturadas e 64 lasers à velocidade de 900 vezes por minuto. O resultado é único e impressionante.


Gnarls Barkley - Who's Gonna Save My Soul #02. Gnarls Barkley“Who’s Gonna Save My Soul” (vídeo)
Direção: Chris Milk

Quem diria que o fim de um relacionamento seria tão dolorido ao ponto de um homem arrancar o próprio coração.


Arcade Fire - Black Mirror #03. Arcade Fire“Black Mirror” (vídeo)
Direção: Olivier Groulx & Tracy Maurice

Poderiam apostar no comum, mas procuraram interagir com os internautas através do www.rorrimkcalb.com num belíssimo trabalho.


The BPA - Toe Jam #04. The BPA“Toe Jam” (vídeo)
Direção: Keith Schofield

Se proibido fosse sinônimo de diversão, esse projeto de Norman Cook (ou Fatboy Slim) acerta ao pecar num criativo swing de casais.


Weezer - Pork and Beans #05. Weezer – “Pork and Beans” (vídeo)
Direção: Matthew Cullen

Ninguém imaginava que “celebridades” da Internet poderiam ter outros 15 minutos de fama ao lado dos nerds do Weezer.


AC/DC - Rock ‘n’ Roll Train #06. AC/DC“Rock ‘n’ Roll Train” (vídeo)
Direção: Phil Clandillon e Steve Milbourne

Simplesmente por ser o primeiro videoclipe a ser lançado para Excel, merece uma menção. O pacote Microsoft Office agradece.


Kanye West - Flashing Lights #07. Kanye West“Flashing Lights” (vídeo)
Direção: Spike Jonze

O diretor Spike Jonze colocou Kanye à mercê de uma maluca. Ela passeia semi-nua pelo deserto e tem planos de … melhor assistir.


Santogold - L.E.S. Artistes #08. Santogold“L.E.S. Artistes” (vídeo)
Direção: Nima Nourizadeh

Começa como um sonho, numa floresta esfumaçada, até partir para uma cidade onde mortes artísticas e coloridas acontecem.


Beyoncé - Single Ladies (Put a Ring on It) #09. Beyoncé“Single Ladies (Put a Ring on It)” (vídeo)
Direção: Jake Nava

Ritmo grudento com coreografia trabalhada resulta em referência. Pelo menos no Youtube, Shane Mercado é uma das provas disso.


Feist - I Fell It All #10. Feist“I Fell It All” (vídeo)
Direção: Patrick Daughters

Em uma tomada, a canadense projeta (literalmente) uma explosão de emoções para todos os lados.