TOP 10: EPs de 2014

quarta-feira, dezembro 31st, 2014

#01. Niia
(Generation Blue)

A cantora/compositora Niia Bertino (a.k.a. Niia) revela uma identidade sensual e melancólica em seu EP de estreia que tem a produção cuidadosa de Robyn Hannibal (a cara metade do Rhye e do Quadron). Suas melodias acolhedoras envolvidas de uma eletrônica sedutora e orquestrações classudas são cautelosas em seus dramas e confissões amorosas que contemplam o trabalho. Niia é um talento para ficar de olho.

Dica de download: “Body” ()


#02. SZA
(Z)

A cantora Solana Rowe (a.k.a. SZA), com sua eletrônica minimalista R&B cercada de sintetizadores oitentistas e místicos (“Julia”), vem acompanhada de gente talentosa como Chance The Rapper (“Childs Play”), Kendrick Lamar (“Babylon”) e Isaiah Rashad (“Warm Winds”), além de um time de produtores de renome como Toro y Moi e Emile Hayne em Z.

Dica de download: “Julia” ()


#03. Röyksopp & Robyn
(Do It Again)

Uma parceria entre a cantora pop Robyn e o duo eletrônico Röyksopp, amigos de longa data e colaborações (como “The Girl and the Robot”), é sucesso garantido. Segundo os próprios, o compacto “não soa como Röyksopp com Robyn ou Robyn produzida pelo Röyksopp; é algo totalmente diferente e a palavra ‘colaboração’ nunca esteve tão justificada no mundo da música”. Da eletrônica efervescente dark espacial “Sayit”, passando pela radiofônica floreada “Do It Again” e o DNA relaxado dos produtores noruegueses em “Every Little Thing”, este é um casamento que nunca se desgasta com o tempo.

Dica de download: “Do It Again” ()


#04. Shamir
(Northtown)

O adolescente Shamir Bailey (a.k.a. Shamir) faz música pop e sua inspiração é uma urgência juvenil de influências do soul, funk, country (no cover acústico de “Lived and Died Alone” de Lindi Ortega) e dance que resultam num trabalho original. Com muito groove e sintetizadores hipnóticos a postos, o garoto dá uma nova cara as musicalidades dos anos 80 com um toque moderno e revigorante. Seria ele um jovem herdeiro de uma união musical de Prince e Michael Jackson?

Dica de download: “Sometimes a Man” ()


#05. Meawnhile
(The Element Yes)

O produtor Tom Andrews (a.k.a. Meanwhile) lança o EP de estreia The Element Yes e constrói seu nome abrindo as apresentações do La Roux na Europa. As canções animadoras do artista soam como trilhas sonoras pop com o brilho rock dos anos 80 em guitarras precisas e percussão exaltante que exalam traços da sonoridade do Phoenix e do The Buggles.

Dica de download: “All For theTaking” ()


#06. Anna Calvi
(Strange Weather)

A cantora/guitarrista Anna Calvi lança o compacto Strange Weather e joga sua essência dramática e riffs poderosos em canções de Connan Mockasin, David Bowie, Suicide e FKA twigs. Com um clima soturno que cobre as versões, vale destacar a participação de David Byrne no cover sombrio de “Strange Weather” de Keren Ann.

Dica de download: “Papi Pacify” ()


#07. Ben Khan
(1992)

O produtor inglês Ben Khan navega pelos mares de Jai Paul tateando elementos do pop/R&B (“Youth” e “Savage”) em sua eletrônica soul atrativa e redondinha para os amantes. Sua sonoridade ambiente excitante e etérea é acariciada por guitarras deslizantes (“Drive (Part 1)”), baixos hipnóticos, percussão de bongô, sintetizadores eufóricos e vocal sussurrado. Khan é um conquistador em 1992.

Dica de download: “Youth” ()


#08. TĀLĀ
(Alchemy)

Como uma viagem mística pelo mundo, num misto de sonoridades ecléticas cercadas de sintetizadores salientes e que resgatam as origens iranianas da artista, TĀLĀ aparece como uma mistura da versatilidade de M.I.A., a essência pop de Lykke Li e a originalidade excêntrica de FKA twigs, demarcando seu próprio território.

Dica de download: “Alchemy” ()


#09. Róisín Murphy
(Mi Senti)

Róisín Murphy regrava clássicos do pop italiano dos anos 60 e 70 em Mi Senti. Visita composições de artistas como Lucio Battisti (“Ancora Tu”), Mina (com a sentimental e nebulosa “Non Credere”), Patti Pravo (“Pensiero Stupendo”) e Gino Paoli. É com a downbeat “In Sentesi” que Murphy traz a única composição original realizada para o projeto.

Dica de download: “Ancora Tu” ()


#10. Wolf Alice
(Creature Songs)

As canções do Wolf Alice são guiadas por guitarras que se debatem (“Storms”) num rock feroz e sujo com o espírito dos anos 90 (“Moaning Lisa Smile”). Trilham também por cenários tranquilos (“We Are Not The Same”) na cola do vocal sedutor de Ellie Rowsell e suas histórias em letras delicadas – as desilusões de “Heavenly Creatures” em versos como “It never enough that we should simply want to be together?” – pode-se ter uma base do que esperar do álbum de estreia do promissor quarteto.

Dica de download: “Moaning Lisa Smile” ()

Marina and the Diamonds apresenta o videoclipe da balada “Immortal”

quarta-feira, dezembro 31st, 2014

Marina and the Diamonds - Immortal

Marina Diamandis (a.k.a. Marina and the Diamonds) apresenta a terceira amostra do álbum FROOT programado para o mês de abril pelo selo Atlantic Records. Depois de revelar o single/videoclipe da faixa título (“Froot”) e “Happy”, a cantora libera o videoclipe de “Immortal”.

A canção, que fecha o repertório do disco, é uma balada lenta com sintetizadores sutis e versos delicados como “I wanna be immortal, like a god in the sky (…) but everybody dies, dies (…) the only thing that doesn’t die is love” para abordar vida, morte e manter memórias vivas. No videoclipe, Marina aparece num galpão cantando diante de projeções de vídeos caseiros de famílias e crianças brincando.


Clipe de “Immortal”

via Marina and the Diamonds

MØ comemora o ano com a inédita “New Year’s Eve”

terça-feira, dezembro 30th, 2014

MØ

A dinamarquesa Karen Marie Ørste (a.k.a. ) lança uma canção inédita para agradecer o apoio dos fãs durante a promoção do álbum No Mythologies to Follow ao longo do ano.

“New Year’s Eve” é um canção de reflexão levada por um teclado nostálgico e vocal sentimental, que remete momentos de “Never Wanna Know”, com um videoclipe em preto e branco recheado de clipes de filmes e da cantora.


Clipe de “New Year’s Eve”

via MOMOMOYOUTH

O Arctic Monkeys divulga sua passagem pela América do Sul em mini documentário

segunda-feira, dezembro 29th, 2014

Arctic Monkeys

O Arctic Monkeys resume a sua passagem pela América do Sul no segundo semestre deste ano, num mini documentário que revela os bastidores da turnê do álbum AM.

O registro traz uma versão de “R U Mine?” por diversos palcos – do Chile ao Brasil – além de cenas da banda jogando tênis, entrevistas, Turner se arriscando no espanhol e a turma toda se divertindo nas praias do Rio de Janeiro.


Turnê AM na América do Sul

“Esse dia foi massa…”

Arctic Monkeys
Arctic Monkeys

A direção do material é de Ben Chappell.

N.E.R.D. se reúne para a faixa “Squeeze Me” do filme ‘Bob Esponja – Um Herói Fora D’Água’

sábado, dezembro 27th, 2014

N.E.R.D.

Quatro anos depois do lançamento do álbum Nothing, o N.E.R.D. volta com uma canção inédita para o filme do ‘Bob Esponja – Um Herói Fora D’Água’ dos diretores Paul Tibbitt e Mike Mitchell.

O músico Pharrell Williams, que conquistou o mundo com seu single “Happy” do álbum G I R L e garantiu uma indicação ao Oscar com a composição, trabalha com os amigos Chad Hugo e Shay Haley em “Squeeze Me”, um funk tropical repetitivo e familiar.

“Squeeze me till I pop, squeeze me till you drop”

‘Bob Esponja – Um Herói Fora D’Água’ chega aos cinemas cinemas em fevereiro no Brasil.

Grimes e seu “motherfucking Christmas” em família em “Christmas Song II (Grinch)”

sábado, dezembro 27th, 2014

Grimes

Claire Boucher (a.k.a. Grimes) segue uma tradição de família e apresenta uma canção natalina “Christmas Song II (Grinch)” na companhia de seu irmão Jay Worthy. Repleta de palavras inapropriadas e Grimes cantando “it’s motherfucking Christmas!”, a canção é pura diversão para celebrar a noite de Natal com a família Boucher.


Clipe de “Christmas Song II (Grinch)”

A artista faz questão de avisar que “Christmas Song II (Grinch)” não se trata de um novo single e muito menos aparece no sucessor de Visions.

TOP 50 de discos de 2014 – # 01-10

sexta-feira, dezembro 26th, 2014

#01. FKA twigs
(LP1)

A cantora/produtora Talilah Barnett (a.k.a. FKA twigs) é uma das maiores revelações do ano. Seu disco de estreia LP1 flerta com sensualidade e estranheza na sua eletrônica intimista descompassada, vocais sussurrados, delicadeza melódica e beeps cronometrados como uma Madonna mecânica Erotica numa ligação com Björk Vespertine. As canções soam como mantras (“when I trust you we can do it with the lights on” em “Lights On”) para abordar rejeições amorosas (“I can fuck you better than her” em “Two Weeks”) e momentos biográficos sobre a constante busca do estrelato (“Give Up” / “Video Girl”). O debut de Barnett é um pop celestial enigmático e contemplado de detalhes minuciosos a serem descobertos a cada nova audição.

Dica de download: “Two Weeks” (), “Pendulum” () e “Closer” ()


#02. D’Angelo
(Black Messiah)

“Shut your mouth off and focus on what you feel inside”. Após quatorze anos do lançamento do álbum Voodoo, o cantor e multi-instrumentista soul D’Angelo marca o seu retorno com Black Messiah. O músico explora ao nível máximo sua sonoridade R&B, hip-hop, funk e gospel para destilar questões amorosas (“Betray My Heart”) e discursos sociopolíticos (“1000 Deaths”) com uma aura Marvin Gaye, Prince e James Brown (“The Charade” e “Sugah Daddy”) em seus caos particular de proporções mundiais. O messias negro está de volta – em tempos de temas urgentes como Ferguson e Michael Brown – e ninguém estava preparado para o seu retorno imediato.

Dica de download: “The Charade” (), “Sugah Daddy” () e “1000 Deaths” ()


#03. Perfume Genius
(Too Bright)

Too Bright revela um amadurecimento de Mike Hadreas (a.k.a. Perfume Genius) em sintetizadores expansivos (“Grid” e “Longpig”), elementos sonoros etéreos e gêneros (como nos ares country de “All Along”) e sem perder a identidade sentimental (“I Decline”) de materiais anteriores. Seja acompanhado de simples estalos de dedos (“Fool”) ou sons rasurados, Hadreas contrasta fragilidade e agonia (“My Body”) nas suas melodias e letras de cunho social e sexual (“Queen”).

Dica de download: “Fool” (), “Queen” () e “Don’t Let Them In” ()


#04. St. Vincent
(St. Vincent)

A multi-instrumentista Annie Clark (St. Vincent) lança o álbum autointitulado com seu rock meticuloso de guitarras inquietas, percussão ágil, sintetizadores insalubres e provocação (“oh what an ordinary day, take out the garbage, masturbate” ou “I love you more than Jesus”). Do funk groove com DNA da parceria com David Byrne em “Digital Witness” e “Psychopath”, guitarras arranhadas e corais angelicais em “Prince Johnny”, a marcha sintetizada de “Rattlesnankes” e acordes de teclado insanos em “Bring Me Your Loves”, o registro é uma loucurinha pop rock estranha, sem medo de correr riscos, em que Annie dita as próprias regras.

Dica de download: “I Prefer Your Love” (), “Birth in Reverse” () e “Digital Witness” ()


#05. Sharon Van Etten
(Are We There)

A cantora folk Sharon Van Etten sofre de maneira brutal, como quando canta “you love me as you torture me” em “Your Love Is Killing Me”, nas onze faixas de Are We There. Com seu vocal emotivo e melodias minimalistas sem regras, que permitem sua guitarra ir de encontro pianos junto a doses de uma eletrônica sensual (“Our Love”) tomar conta de sua devoção amorosa (“I Know”), Van Etten coça feridas expostas e revela os medos de amar em canções formosas e complexas em busca da própria salvação.

Dica de download: “Every Time the Sun Comes Up” (), “I Know” () e “Your Love Is Killing Me” ()


#06. Jessie Ware
(Tough Love)

As baladas sofisticadas e sublimes de Jessie Ware passeiam pelo R&B soul sintetizado e são cercadas de romances em sua percussão ecoante sexy e vocal suave da artista que conta com uma ajuda de nomes como Ed Sheeran (“Say You Love Me”), o duo BenZel (a.k.a. Two Inch Punch e Benny Blanco), Devonté – Blood Orange – Hynes (“Want Your Feeling”) e Miguel (“Kind Of…Sometimes…Maybe”) nas suas declarações e regras amorosas radiofônicas.

Dica de download: “Want Your Feeling” (), “You & I (Forever)” () e “Tough Love” ()


#07. Lana Del Rey
(Ultraviolence)

Lana Del Rey respira com certo alívio o resultado de Ultraviolence após as críticas divididas e pesadas de seu disco de estreia Born to Die. Envolvida pela natureza do roqueiro Dan Auerbach (do The Black Keys) na produção, os ares setentistas nas guitarras e sintetizadores (“West Coast”) mantém a essência sedutora e romântica da artista em melodias menos floreadas e mais cruas para expor amores e carreira (“Brooklyn Baby” e “Fucked My Way Up to the Top”) auxiliada de orquestrações de proporções cinematográficas (“Shades of Cool”) em busca de inovação em seu repertório.

Dica de download: “Brooklyn Baby” (), “Money Power Glory” () e “Ultraviolence” ()


#08. Nicole Atkins
(Slow Phaser)

Liderado pelo rock de pegada funk “Girl You Look Amazing”, Nicole Atkins aparece segura em Slow Phaser e seu pop flexível. Com o clima noir dos álbuns anteriores (Neptune City e Mondo Amore, respectivamente), a artista renova-se nesta jornada “neo-noir” influenciada por disco beat (“Who Killed The Moonlight”), soul (“The Worst Hangover”), groove, indie pop (“Cool People”), folk (“Sin Song”), rock psicodélico (“What Do You Know”), elementos eletrônicos (“Gasoline Bride”) num trabalho moderno e inovador em seu currículo. E financiado pela própria.

Dica de download: “Girl You Look Amazing” (), “What Do You Know?” () e “It’s Only Chemistry” ()


#09. Kelis
(Food)

Kelis abandona a promoção de ritmo frenético e dançante das pistas do álbum Flesh Tone no repertório de Food. Com produção astuta de Dave Sitek (do TV on the Radio), a cantora é envolvida por um neo soul swingado de instrumentos de sopro (“Jerk Ribs”), cordas elegantes, percussão desenhada pelo pop soul e afrobeat (“Cobbler”) e riffs sensuais (“Hooch”). O banquete de Kelis é uma das coisas mais saborosas desde o álbum Tasty e com uma lista de ingredientes excêntricos – como a pop folk “Bless the Telephone” – em seu cardápio.

Dica de download: “Jerk Ribs” (), “Forever Be” () e “Rumble” ()


#10. Jenny Lewis
(The Voyager)

Acompanhada de nomes como Ryan Adams, Johnathan Rice e Beck (em “Just One of the Guys”), Jenny Lewis surge em melodias ensolaradas extraídas de guitarras pop rock com um pé no country, orquestras de cordas crescentes e letras sombrias sobre amores, a perda do pai, noites de insônia (“Head Underwater”) e o bloqueio criativo pós-fim de sua banda Rilo Kiley. Ainda assim, aventura-se por estilos como “You Can’t Outrun ‘Em” e sua sonoridade surf, “Late Bloomer” que caberia no álbum de sua antiga banda e “Slippery Slopes” como uma viagem na companhia de Tom Petty. A visão de Lewis é libertadora e abrangente em Voyager sem ficar estacionada em um lugar.

Dica de download: “She’s Not Me’” (), “Just One of the Guys” () e “Love U Forever” ()

TOP 50 de discos de 2014 – # 11-20

quinta-feira, dezembro 25th, 2014

#11. Caribou
(Our Love)

O Caribou, projeto refinado do canadense Daniel Snaith, disseca sua sonoridade anestesiada em loops vocais (“Our Love”) e beats matemáticos (“Mars”) num jazz groove eletrônico contemporâneo com visão pop avançada. Um apanhado de influências animadoras para aquecer corações gelados e carentes (“Second Chance” e “Your Love Will Set You Free”) como quando canta “where you gonna go without me tonight?” em “Silver”.

Dica de download: “Can’t Do Without You” ()


#12. Azealia Banks
(Broke With Expensive Taste)

Após anos de atrasado e brigas com sua antiga gravadora, Azealia Banks entrega o aguardado álbum de estreia e distribui confiança (“I could break ya nigga bone! Wanna bet bitch?” como canta em “Heavy Metal and Reflective”) para as inimigas. Do trap club “Ice Princess” (com sample certeiro de “In The Air” de Morgan Page), house noventista “Chasing Time”, mescla hip hop e salsa na bilíngue “Gimme a Chance”, surf rock “Nude Beach A Go Go” com o toque de Ariel Pink ao hit estourado “212”, Banks justifica o atrasado com distinção. “Imma be legendary when I end this”.

Dica de download: “Ice Princess” ()


#13. iamamiwhoami
(BLUE)

O projeto audiovisual synthpop iamamiwhoami, encabeçado pela sueca Jonna Lee na companhia do produtor Claes Björklund, lança o seu terceiro registro de estúdio. Com melodias etéreas e fantasiosas, ilustradas por narrativas complexas, BLUE soa mais acessível (“Chasing Kites”) que seus antecessores na onda de sintetizadores hipnóticos e enfeitiçados (“Ripple” e “Fountain”) que navegam pelo universo criativo e próprio do iamamiwhoami.

Dica de download: “Chasing Kites” ()


#14. Real Estate
(Atlas)

O Real Estate entrega seu Atlas envolvido de nostalgia em guitarras cativantes e relaxadas (“Crime”), melodias econômicas eficientes e vocal melancólico de Martin Courtney. Em suas histórias que vão de relacionamentos à distância (“Talking Backwards”) a um olhar indiferente para à própria juventude (“Past Lives”), a essência lo-fi da banda continua presente e a maturidade indie rock impressa em cada uma das composições.

Dica de download: “Talking Backwards” ()


#15. Lykke Li
(I Never Learn)

“My heart cracked, really loved you bad (…) never get you back”. I Never Learn é como uma ferida aberta no coração de Lykke Li. A conturbada vida amorosa da cantora dita cada uma das canções que vagam pelo limbo em melodias turvas em instrumentações apuradas e sensíveis. Baladas poderosas como “Never Gonna Love Again”, “Silver Line” e “No Rest For the Wicked” são cercadas de fragilidade, mesmo que isso custe a própria Li expor suas lamentações reais no vocal penoso.

Dica de download: “Gunshot” ()


#16. La Roux
(Trouble In Paradise)

A cantora/produtora Elly Jackson (a.k.a. La Roux) volta sem a companhia do parceiro Ben Langmaid, mas sem ficar abalada em Trouble In Paradise. O trabalho é envolvido de uma atmosfera setentista/oitentista na eletrônica e guitarras inspiradas em Nile Rodgers (“Sexotheque”), pop desenhado em David Bowie (“Uptight Downtown”) e clima de verão vintage (“Tropical Chancer”), junto a baladas repletas de decepções amorosas e sintetizadores orgânicos que se destacam no material.

Dica de download: “Sexotheque” ()


#17. Joan As Police Woman
(The Classic)

The Classic como o próprio título sugere segue uma linha clássica e vaga pelo tempo. Passeia pelo soul (em “Holy City” e na envolvente “Get Direct” com essência de “Sexual Healing” de Marvin Gaye no refrão), pelo “doo-wops” dos anos 50 (“The Classic”) e funk dos 70 (“Shame”) com pureza pop rock nostálgica sob o olhar de Joan Wasser (a.k.a. Joan As Police Woman).

Dica de download: “Holy City” ()


#18. Beck
(Morning Phase)

Morning Phase soa um retorno introspectivo em baladas acústicas e ricas orquestrações nos moldes do clássico Sea Change (2002) com um Beck mais maduro e otimista do que há dez anos. Nos passos de Nick Drake e Neil Young, o violão é o berço das melodias (“Blue Moon”) sem abandonar sutis inserções eletrônicas (“Wave”) nesta aventura folk espacial sentimental de melodias majestosas.

Dica de download: “Morning” ()


#19. Jungle
(Jungle)

O coletivo Jungle, liderado pelo duo de produtores J e T, promove um encontro polido entre eletrônica etérea, pegada soul, gingado funk e vocais que parecem sair de um ritual de uma tribo tropical (“Platoon”) e certa dose de TV on the Radio no que poderia ser facilmente uma trilha sonora reformulada de ‘Shaft’ (“The Heat”) ou ‘Os Embalos de Sábado à Noite’ (“Crumbler” e “Time”).

Dica de download: “Busy Earnin’” ()


#20. The Preatures
(Blue Planet Eyes)

O disco de estreia dos australianos do The Preatures é como um tesouro encontrado numa coleção de vinis guardada num porão. Seu rock setentista com sabor de nostalgia (“Whatever You Want” e “Is This How You Feel?”) e charme (“Ordinary” e “Two Tone Melody”) é confeccionado em guitarras soul pop arpejadas com a euforia do Fleetwood Mac e o vocal suave de Isabella Manfredi – como uma jovem Chrissie Hynde – em composições que transbordam energia (“Somebody’s Talking”).

Dica de download: “Is This How You Feel?” ()

TOP 50 de discos de 2014 – # 21-30

quarta-feira, dezembro 24th, 2014

#21. Neneh Cherry
(Blank Project)

A sueca Neneh Cherry apresenta o álbum Blank Project, produzido por Kieran Hebden (a.k.a. Four Tet) e RocketNumberNine, após dezessete anos do lançamento de Man. A produção eclética vaga por terrenos eletrônicos fervorosos e groove R&B experimental (“Everything”) numa sonoridade carregada para refletir temas delicados como a perda da mãe (“Across the Water” e “Spit Three Times”) e casamento (na violenta “Dossier”). A parceria com a conterrânea Robyn (“Out of the Black”) acaba por ser uma composição descontraída e um atrativo pop no contexto geral de Blank Project.

Dica de download: “Out of the Black” ()


#22. Jack White
(Lazaretto)

“When I say nothing, I say everything”. Jack White é um dos caras mais ocupados da música, mas não deixa a peteca cair quando seu nome está em jogo. Em Lazaretto explora ao máximo suas influências em riffs poderosos e distorcidos numa sonoridade radiofônica (“Lazaretto”), furiosa (“High Ball Stepper”) e homogênea. Com o espírito country rock na história de amantes em “Just One Drink”, pinceladas de blues ou na dramática e pontuada “Would You Fight For My Love?”, White é um “faz tudo” que a nova geração quer ter como exemplo.

Dica de download: “Would You Fight For My Love?” ()


#23. Sondre Lerche
(Please)

O norueguês Sondre Lerche lança o álbum Please para refletir seu divórcio da diretora Mona Fastvold. Mas, engana-se quem imagina que ele vem para se lamentar em melodias baixo astral e lentinhas do início ao fim do registro. Lerche extrai energia para virar a página nos riffs caóticos de “Bad Law” e “After the Exorcism”, em baladas confortantes (“Sentimentalist”) e debatendo frustrações (“Legends”) de maneira eclética e criativa. Please é como uma noite de bebedeira para curar feridas da vida e levantar de cabeça erguida no dia seguinte.

Dica de download: “Bad Law” ()


#24. Alt-J
(This Is All Yours)

Os britânicos do Alt-J têm a missão de entregar um trabalho à altura da estreia do premiado An Awesome Wave (2012) e fugir da fórmula fácil em busca de inovação. Percorrem pela psicodelia rock ‘n’ roll dos anos 70 em “Left Hand Free”, apropriam-se do sample vocal de Miley Cyrus em “Hunger of the Pine” e produzem uma combinação eclética de gêneros para se manterem fiéis à sua sonoridade (“Every Other Freckle”). This Is All Yours é uma viagem introspectiva, charmosa e provocativa que revela uma evolução onde An Awesome Wave termina.

Dica de download: “Every Other Freckle” ()


#25. Damon Albarn
(Everyday Robots)

Damon Albarn toma um tempo para si, longe das produções e dos projetos paralelos – que vão do Blur ao Gorillaz – para trabalhar no disco solo e oferecer um material introspectivo. Aborda temas pessoais como infância (“Hollow Ponds”), drogas (“You And Me”), critica novas tecnologias (“Everyday Robots”), solidão (“Lonely Press Play”), otimismo (em “Heavy Seas of Love” com Brian Eno) e até a história de um elefantinho órfão que conheceu na Tanzânia (no pop selvagem e ingênuo “Mr Tembo”) numa produção inteligente. Nesta “mistura de folk e soul” como o próprio define, junto a sua eletrônica detalhista e orquestrações apuradas, ainda vale destacar Natasha Khan (a.k.a. Bat for Lashes) com seus ecos fantasmagóricos em “The Selfish Giant”.

Dica de download: “Lonely Press Play” ()


#26. Bombay Bicycle Club
(So Long, See You Tomorrow)

Em So Long, See You Tomorrow, o Bombay Bicycle Club aprimora e experimenta novas sonoridades (como o tempero indiano na bollywoodiana “Feel”) em percussões marcais (“It’s Alright Now”), harmonias tropicais (“Luna”) e refrões cativantes (“Home By Now”) na evolução progressiva em sintetizadores (“So Long, See You Tomorrow”), mas sem perder sua aura indie rock para cantar relações estremecidas em “Come To” de versos como “I saw it fading and I have some faith in us”.

Dica de download: “It’s Alright Now” ()


#27. Aphex Twin
(Syro)

O produtor Richard D. James (a.k.a. Aphex Twin) lança o seu primeiro álbum em treze anos e em Syro a eletrônica desregrada ambiente mantém o nível artístico frenético de seus antecessores. Seja nos sintetizadores dançantes, cliques narcóticos, vocais robóticos distorcidos e nos acordes de piano escondidos, a mente de James não envelhece e continua extremamente complexa de desvendar.

Dica de download: “CIRCLONT14 [Shrymoming Mix]”


#28. Imogen Heap
(Sparks)

A cantora/produtora Imogen Heap é uma máquina pop em constante atualização. Sparks extrai suas bases de rituais na Ásia (no hino oriental pop “Cycle Song”) ou a partir de um aplicativo de corrida (“Run-Time”) para desenhar a sonoridade intimista e autobiográfica (na inacabada “The Listening Chair”) cercada de mágica de todos os cantos do mundo (“Minds Without Fear”). Heap é uma máquina humana de emoções com panes de sistema e “downloading romance” para manter-se ativa.

Dica de download: “The Listening Chair” ()


#29. Chet Faker
(Built on Glass)

O produtor australiano Nicholas James Murphy (a.k.a. Chet Faker) surge como um encontro da sensibilidade de James Blake com a elegância do How to Dress Well na sua estreia Built on Glass. Através de sua eletrônica soul, o músico revela sua essência melancólica e solitária com perfeição através de seu vocal penoso (“there’s nothing left for you to say… we used to be friends” como canta em “1998”) numa produção de texturas ricas e emotivas.

Dica de download: “Gold” ()


#30. Future Islands
(Singles)

A sensação de uma viagem pelos anos 80 no diário do Future Islands traz nas suas páginas referência do A-HA, Eurythmics, Kraftwerk (“Spirit”) e Roxy Music (“Like the Moon”) conduzidas pela voz de presença de Samuel Herring. Singles é recheado de hinos synthpop de qualidade nos arranjos new wave e sintetizadores perplexos que combinam melancolia, melodias chicletes (“Back In The Tall Grass” e nos “ooh-hoos” de “Doves”) e baladas poderosas (“Fall From Grace”) nas mãos do trio.

Dica de download: “Seasons (Waiting On You)” ()

TOP 50 de discos de 2014 – # 31-40

terça-feira, dezembro 23rd, 2014

#31. BANKS
(Goddess)

“Fucking with a goddess and you get a little colder” canta BANKS em “Goddess” para exaltar seu poder feminino diante de um mar de frustrações amorosas. Em seu disco de estreia, coloca todas suas decepções de maneira confessional, tratando o amor como um jogo incompreensível (“Brain”), através de sua eletrônica R&B flexível, sexy e fantasmagórica (“Waiting Game”) como uma versão dramática e menos abusada de The Weeknd.

Dica de download: “Drowning” ()


#32. White Hinterland
(Baby)

O projeto White Hinterland de Casey Dienel aventura-se pelo eletropop com pinceladas do R&B numa produção densa e grandiosa em Baby e deixa o aspecto etéreo dos discos anteriores adormecido. Passeia pelo universo experimental do Dirty Projectors e pop de Kate Bush em vocais harmônicos (“Metronome”) junto a sintetizadores intensos e instrumentações energizantes (“Baby”) que acompanham as histórias de paixões perdidas (“Ring The Bell”) através de sua eletrônica pontuada (“White Noise”) e baladas compassivas (“David”).

Dica de download: “Baby” ()


#33. How To Dress Well
(What Is This Heart?)

O How To Dress Well, projeto eletrônico/R&B de Tom Krell, explora tendências do universo pop retrô e psicodélico nas texturas eletrônicas de What Is This Heart?. Declara suas emoções em temas como amor (“Precious Love”), dramas familiares (“2 Years On (Shame Dream)”) e dúvidas (“Face Again”) através de seu vocal aveludado e a mão certeira do produtor Rodaidh McDonald (do The xx).

Dica de download: “Repeat Pleasure” ()


#34. Ryan Adams
(Ryan Adams)

Ryan Adams assume o papel de principal produtor do seu disco autointitulado e deixa as guitarras elétricas trilharem as composições do registro que remete seus primeiros materiais de estúdio como Gold e Heartbreaker. É um trabalho pessoal em que o músico explora discursos amorosos, de perda, desprendimentos e um futuro duvidoso com um DNA de Tom Petty (“Gimme Something Good”) a Bruce Springsteen (“I Just Might”), mas sem perder sua identidade por completo.

Dica de download: “Kim” ()


#35. Bleachers
(Strange Desire)

O guitarrista Jack Antonoff (a.k.a. Bleachers), mais conhecido por seu trabalho no fun., lança o disco de estreia cercado de um um pop coeso e mais significativo do que na cia de seus colegas de banda. Strange Desire vem com sutileza eletrônica em sintetizadores inquietos e guitarras nostálgicas (“I Wanna Get Better”) como num filme de John Hughes da década de 80 (“Rollercoaster”) em letras apaixonantes e de auto-ajuda (“Shadow”). Destaque para as participações de Grimes (em “Take Me Away”) e Yoko Ono (em I’m Ready to Move On/Wild Heart (Reprise)”).

Dica de download: “Rollercoaster” ()


#36. Tinashe
(Aquarius)

O R&B excêntrico e ambicioso de Tinashe, com influências de Janet Jackson (no sample de “Funny How Time Flies” em “How Many Times”) e Aaliyah em cada estalo de suas melodias envolventes, vem com um swing pop (“2 On” e “All Hands on Deck”) e atmosfera sedutora (“Cold Sweat”) em cada frase e suspiro da garota. Lida com melancolia, temas femininos e sensualidade numa produção agradável e na companhia de nomes como ScHoolboy Q, Future, Blood Orange e A$AP Rocky no registro.

Dica de download: “Bet” ()


#37.
(No Mythologies to Follow)

O eletropop eclético exportação da dinamarquesa Karen Marie Ørsted (a.k.a. ) soa como uma irmã petulante de Lykke Li com espírito selvagem de Lana Del Rey (“Walk This Way”) sintetizada e menos sedutora. Em seus refrões pegajosos e repletos de humor e sensualidade para ganhar as FMs, há uma turbulência juvenil que preenche suas composições, como quando canta “Why do everyone have to grow old?” (em “Glass”) e disposta a garantir um público só seu.

Dica de download: “Don’t Wanna Dance” ()


#38. Tennis
(Ritual In Repeat)

O casal de pombinhos do Tennis, Patrick Riley e Alaina Moore, revitalizam sua sonoridade após pegarem a estrada com as Haim. Com uma essência indie pop costumeira dos trabalhos anteriores, o álbum ganha um toque retrô moderno e a identidade de cada um dos seus três produtores – Patrick Carney (do The Black Keys), Jim Eno (do Spoon) e Richard Swift – neste pequeno ritual em que sinalizam que garotas más também sofrem e se apaixonam (“Bad Girls”).

Dica de download: “Never Work For Free” ()


#39. Gorgon City
(Sirens)

Os produtores do Gorgon City pegam uma carona no sucesso do álbum Settle do Disclosure e entregam um trabalho à altura no seu house noventista encantador. A dupla transforma Jennifer Hudson (“Go All Night”), Katy B (“Lover Like You”) e Laura Welsh (“Here For You”) em divas de clubes noturno dos anos 90, Zak Abel para comandar uma pista em pleno início de férias de verão (“Unmissable”), MNEK para demonstrar sua desenvoltura no gênero (“Ready for Your Love”) e fazer com que a animação e brilho fique nas pistas de dança.

Dica de download: “Here For You” ()


#40. Kindness
(Otherness)

Adam Bainbridge (a.k.a. Kindness) lança o álbum Otherness acompanhado de nomes como Robyn (em “Who Do You Love?”) Devonté Hynes ou Blood Orange (em “Why Don’t You Love Me”), Kelela (“World Restart”) e M.anifest (em “8th Wonder”) para construir a sua sonoridade R&B eletrônica e experimental. Partindo de elementos do disco soul, sensibilidade pop e jazz, Bainbridge manipula a tristeza que ronda pelas composições com maestria em sua sonoridade cativante.

Dica de download: “Who Do You Love” ()