TOP 50 de discos de 2016 – # 11-20

quinta-feira, 22 dezembro de 2016 18:56

#11. Kanye West
(The Life of Pablo)

O polêmico Kanye West é o seu maior inimigo neste complexo The Life of Pablo. Se o mundo o assiste como um verdadeiro vilão – com “Famous” roubando a atenção de uma obra por inteiro devido aos versos direcionados à Taylor Swift – e dono de um ego gigantesco, o rapper expõe-se tão confiante e satírico (“I Love Kanye”) quanto vulnerável nos seus papéis mundanos como marido (“FML”), estrela do showbizz (“Real Friends”) e pai distante (“Father Stretch My Hands, Pt. 2”) neste evangelho pessoal em que ele e Kim Kardashian são anunciados como José e Virgem Maria (“Wolves”).

Dica de download: “Ultralight Beam”



#12. Blood Orange
(Freetown Sound)

O produtor, cantor e compositor Devonté “Dev” Hynes (a.k.a. Blood Orange) faz de seu Freetown Sound um trabalho ousado e desafiador. Trata de temas raciais (“By Ourselves” e “Hands Up”), gênero (“Desirée”, sobre uma amiga trans e com citação do documentário ‘Paris Is Burning’) e identidade (“Augustine”) no seu repertório embalado por composições encharcadas no pop R&B dos anos 80 na cia. de nomes como Empress Of (em “Best To You”), Carly Rae Jepsen (em “Better Than Me”), Debbie Harry (em “E.V.P”) e Nelly Furtado (em “Hadron Collider”).

Dica de download: “Best to You” ()



#13. Anderson .Paak
(Malibu)

O músico e compositor Anderson .Paak (protegido de Dr. Dre) absorve diversas vertentes da música negra com arranjos modernos e letras de carácter autobiográfico (como em “The Bird” em que apresenta sua conturbada família) com uma pegada maleável neste radiante Malibu. O piano traz o jazz, os metais o funk e os coros o soul em composições elegantes que exalam a sensualidade de D’Angelo (“Water Fall (Interlude)”), o espírito inquieto de Kendrick Lamar (“Come Down”) e a engenhosidade de Stevie Wonder e James Brown (“Celebrate”).

Dica de download: “Come Down” ()



#14. Jessy Lanza
(Oh No)

O R&B, a eletrônica pop e as colagens sonoras do anos 90 moldam o segundo disco de estúdio de Jessy Lanza. A bombástica “V V Violence” (sobre um amor não correspondido e versos como “I say it to your face, but it doesn’t mean a thing, no!”), a intimista “Vivica” (que poderia ser uma produção de FKA twigs), o groove da faixa título e o clímax delirante de “It Means I Love You” (com o sample dos sul africanos do Foster Manganyi) permitem a canadense brilhar com sua estética vintage e batida dance pop junto à produção contagiante de Jeremy Greenspan, do Junior Boys.

Dica de download: “It Means I Love You” ()



#15. School of Seven Bells
(SVIIB)

SVIIB é uma carta de adeus de Alejandra Deheza ao seu colega de School of Seven Bells, Benjamin Curtis, vítima de um câncer em 2013. Ela encontra garra em um synthpop iluminado (“On My Heart”), emotivo (“This Is Our Time”) e eufórico (“Ablaze”) para cantar a trajetória solitária num tributo à amizade em que é capaz de extrair esplendor do luto que rodeia o registro.

Dica de download: “On My Heart” ()



#16. Margaret Glaspy
(Emotions And Math)

Um pouco mais de 30 minutos é o suficiente para Margaret Glaspy dar o seu recado em Emotions And Math. Suas canções honestas e amarguradas são enriquecidas pela guitarra blues rock distorcida (“Memory Street”) e voz doce rasgada, camuflada por uma série de arrependimentos (“Somebody to Anybody”) e desilusões (“You And I”), da artista que trata o amor como algo obsessivo e ordinário para se sentir com os pés no chão.

Dica de download: “You And I” ()



#17. Kristin Kontrol
(X-Communicate)

A roqueira Kristin Welchez – a Dee Dee do Dum Dum Girls – parece passar por uma lavagem cerebral para revelar sua identidade como Kristin Kontrol no trabalho solo X-Communicate. É uma nova artista que encontra inspiração no pop adocicado dos anos oitenta, de sintetizadores apurados e guitarras ponderadas, com influência notável de Paula Abdul, Debbie Gibson e Terri Nunn (“White Street” e “Show Me”) no repertório.

Dica de download: “(Don’t) Wannabe” ()



#18. Angel Olsen
(MY WOMAN)

Angel Olsen com suas canções ricas em sentimentos, versatilidade vocal e sonoridade carregada na tensão dos riffs extraídos da guitarra – seja na ‘lynchiana’ “Intern”, na fragilidade de “Never Be Mine” ou na expansiva grunge “Shut Up Kiss Me” – liberta-se da imagem lo-fi dos trabalhos anteriores com um entusiasmo e energia pop rock que não se conhecia até este MY WOMAN.

Dica de download: “Shut Up Kiss Me” ()



#19. Shura
(Nothing’s Real)

A espera de dois anos pelo disco de estreia de Shura, estourada pelo single “Touch”, trouxe-nos uma garota segura e inspirada pelo synthpop oitentista de Madonna (“Indecision”) e o disco groove da época (“Tongue Tied” e “Nothing’s Real”) que se enquadraria perfeitamente na trilha sonora de um clássico filme de John Hughes e sem pretensão de parecer descolada, mas essencial para qualquer trama (“2shy”) juvenil.

Dica de download: “What’s It Gonna Be?” ()



#20. Céu
(Tropix)

A MPB de Céu esfrega-se de mansinho em elementos sutis da eletrônica gringa – “Camadas” soa como as primeiras produções do Zero 7 se estivessem de férias no Brasil – com uma disposição inovadora em Tropix. A malemolência do vocal sussurrado da artista pactua com as batidas, loopings e beats (“Varanda Suspensa” e “Minha Bics”) num convite para dançar livremente à meia luz.

Dica de download: “Chico Buarque Song” ()



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