TOP 50: os melhores discos de 2018

50. MAI LAN
(Autopilote)

Em seu segundo disco de estúdio, a cantora e atriz francesa MAI LAN reforma o seu estilo musical. Abandona a quietude do trabalho de estreia e explora paisagens sonoras, com o auxílio de produtores como Anthony Gonzalez (a.k.a. M83) e Nick Sylvester, na construção de seu eletropop futurista. Viaja por melodias meditativas (“Haze”), vibrantes (“Technique” e “Dial My Number”) e contagiantes (“Nail Polish”) em diversos idiomas.

Dica de download: “Nail Polish”


49. Cat Power
(Wanderer)

Após arriscar-se em terreno eletrônico com o álbum Sun, Cat Power recobra sua essência introspectiva numa coleção de composições influenciadas pelo folk, blues e cancioneiro norte-americano trilhadas pelo seu vocal rasgado e tímido. O disco conta com a participação de Lana Del Rey (“Woman”) e um cover de Rihanna (“Stay”) em seu repertório que esculpe as dificuldades da artista e os caminhos tomados para alcançar sua transformação pessoal.

Dica de download: “Stay”


48. NAO
(Saturn)

Em seu segundo disco de estúdio Saturn, a cantora R&B Neo Jessica Joshua (NAO) reflete paixões, carreira e um turbilhão de sentimentos (“Make It Out Alive”) administrados através de ritmos afrobeats (“If You Ever” e “Drive and Disconnect”), groove (“If You Ever”), funk oitentista em riffs de guitarra (“Love Supreme”) e baladas adoráveis (“Don’t Change”) junto ao seu vocal afetuoso e pueril.

Dica de download: “Drive and Disconnect”


47. Thom Yorke
(Suspiria)

O músico Thom Yorke, o líder do Radiohead, assina a trilha sonora de ‘Suspiria’, remake do clássico de terror dos anos 70 dirigido por Dario Argento, com um apanhado de valsas terrificantes e de cunho intimista para tornar a nova produção visual do cineasta Luca Guadagnino em uma experiência imersiva, agoniante e maléfica.

Dica de download: “Suspirium”


46. Anderson .Paak
(Oxnard)

Oxnard, a terceira e última parte da coleção de discos “californianos” de Anderson .Paak – após Venice e Malibu – é uma visita à cidade natal do músico (Oxnard) através de letras pessoais (“Tints” com Kendrick Lamar) e políticas guidas pelo funk setentista (“The Chase”), soul (“Trippy” com J. Cole) e rap noventista (“Anywhere”) com produção arquitetada de Dr. Dre.

Dica de download: “Tints”


45. SSION
(O)

O genial Cody Critcheloe, responsável pelo projeto musical SSION, convoca um time de peso para envolver-se na sua mistura pop glam groove, rock distorcido e experimental. Róisín Murphy desponta com uma mensagem libertadora para o fim do mundo na futurista “The Cruel Twirl”, Sky Ferreira expõe seu entendimento feminista em “1980-99” e Devendra Banhart coloca voz na eletro sombrio “Free Lunch (Break)”

Dica de download: “Comeback”


44. NAS
(Nasir)

Nas retorna com Nasir, o seu primeiro disco em seis anos, o sucessor de Life Is Good, com produção detalhista de Kanye West. O disco composto de sete faixas inéditas conta com as participações especiais do próprio West, The-Dream, Puff Daddy e 070 Shake para levantar temas como racismo institucional, preconceito e a vasta divisão social nos EUA.

Dica de download: “Cops Shot the Kid”


43. Kimbra
(Primal Heart)

Com produção de John Congleton (St. Vincent), a neozelandesa Kimbra mantém o seu pop idiossincrático em Primal Heart. Seja experimentando trip hop com levada tropical em “Like They Do on the TV”, as batidas trap de Human” ou na sonoridade hipnótica de “Top of the World” com Skrillex.

Dica de download: “Lightyears”


42. Pantera Negra
(Trilha Sonora)

Com curadoria e produção de Kendrick Lamar, a trilha sonora traz o rapper na faixa título “Black Panther” – a única gravada apenas por ele -, além de dividir o microfone com SZA (“All The Stars”), Future (“King’s Dead”), Travis Scott (“Big Shot”) e The Weeknd (“Pray For Me”, que finaliza o registro). O registro ainda conta com grandes nomes do hip hop e R&B atual, em composições inspiradas no filme da Marvel, como: Khalid, Anderson .Paak, James Blake, Zacari, Vince Staples, Jorja Smith, 2 Chainz, entre outros.

Dica de download: “All The Stars”


41. LUMP
(LUMP)

A cantora e compositora Laura Marling toma umas férias da carreira solo e junta-se ao músico Mike Lindsay (Tunng) para anunciar o projeto paralelo LUMP. Marling ingressa com seu vocal condoído e melodias art rock (“Curse of the Contemporary”), enquanto Lindsay assume os sintetizadores (“Hand Hold Hero”) e instrumentos para abordar questões como o vazio da vida nos dias atuais.

Dica de download: “Late to the Flight”


40. Neko Case
(Hell-On)

Através de letras enigmáticas e cínicas que exploram o inferno astral na vida de Neko Case nos últimos anos – “Bad Luck” foi escrita após uma ligação de que sua casa estava em chamas -, a artista encontra paz em melodias americanas criativas e populares para dar voz a uma heroína que transporta tragédias pessoais e sentimentais na bagagem.

Dica de download: “Curse of the I-5 Corridor”


39. How to Dress Well
(The Anteroom)

O músico e produtor Tom Krell, incumbido pelo projeto pop eletrônico R&B How To Dress Well, vereda por uma sonoridade eletrônica pulsante de beats raspados pelo house/techno, sintetizadores desenvoltos e sons espaciais contrastados pelo seu vocal melindroso distorcido para desenhar um purgatório de vulnerabilidade sentimental (“Body Fat”) e descontentamento.

Dica de download: “Nonkilling 6 | Hunger”


38. Tracey Thorn
(Record)

A dona da voz das encantadoras baladas do Everything But the Girl vem armada por uma sonoridade pop eletrônica eufórica em nove “hinos feministas” dedicados às mulheres. Pequenas histórias de empatia (“Sister”), mães que precisam lidar com o crescimento dos filhos (“Go”), a constante luta contra o machismo, as tarefas domésticas banais, fama e os fatos para manter uma relação estável.

Dica de download: “Queen”


37. Confidence Man
(Confident Music for Confident People)

O quarteto australiano Confidence Man, com sua fórmula dançante dosada de funky groove e eletropop kitsch, soa como um composto de LCD Soundsystem, New Young Pony Club e Le Tigre. Confident Music for Confident People espalha alegria em sua coleção de bangers coloridos e energéticos combinados em baixos sedutores (“Bubblegum”), percussão fervorosa e ritmos buscados nos anos 80 e 90 (“C.O.O.L. Party”).

Dica de download: “Boyfriend (Repeat)”


36. Father John Misty
(God’s Favorite Customer)

God’s Favorite Customer nasce de um período conturbado em que o músico Father John Misty instalou-se em um hotel por dois meses para lidar com problemas pessoais e de saúde mental. Desnuda-se ao cantar faixas que fazem referência a esses desafios e esforços para superar automedicação, amor, depressão (“Please Don’t Die”) e isolamento (“The Palace”). A sonoridade folk country tênue, envolvida de beleza nas orquestrações e notas marcadas ao piano, revelam uma sensação sepulcral e honesta vinda do artista.

Dica de download: “Mr. Tillman”

35. Everything Is Recorded
(Everything Is Recorded by Richard Russell)

O Everything Is Recorded, projeto colaborativo de Richard Russell – chefão do selo XL Recordings -, conta com nomes significativos para montar o seu registro pop soul contemporâneo. Garante um time de peso ao distribuir as composições entre nomes como Sampha, Ibeyi, Kamasi Washington, Owen Pallett, entre outros.

Dica de download: “Mountains of Gold”


34. Against All Logic
(2012-2017)

O álbum 2012-2017 do produtor eletrônico Nicolas Jaar, sob o pseudônimo A.A.L (Against All Logic), expõe uma faceta dinâmica e dançante do artista ao buscar inspiração na música house, soul e funky (“Know You”). Ainda aventura-se com o sample de “I Am a God” de Kanye West em “Such a Bad Way”.

Dica de download: “Know You”

33. Snail Mail
(Lush)

O indie rock ríspido da adolescente Lindsey Jordan (a.k.a. Snail Mail) expressa em composições vulneráveis, guiadas por um vocal resistente e guitarras eminentes com uma chama grunge (“Heat Wave”), a dificuldade de amar (na sarcástica “Pristine”), rejeições e perdas (“Deep Sea”). Soa como uma versão renovada de Liz Phair com Sonic Youth, mas com uma atitude e constância natural.

Dica de download: “Pristine”

32. Jorja Smith
(Lost and Found)

A britânica Jorja Smith, com seu vocal charmoso e rouco, demostra uma confiança notável em sua estreia Lost and Found. O trabalho concentra um pop R&B vistoso através de melodias convidativas e batidas saltitantes com tempero jazz e soul. O resultado é uma coleção de letras sobre relacionamentos tóxicos (“Teenage Fantasy”), desejos (“Wandering Romance”) e frustrações amorosas (“February 3rd”).

Dica de download: “Blue Lights”


31. Courtney Barnett
(Tell Me How You Really Feel)

O segundo disco de estúdio de Courtney Barnett, Tell Me How You Really Feel, segue o mesmo itinerário de sua estreia nas composições pessoais e emotivas. Desta vez, a australiana mostra-se mais introspectiva (“Need a Little Time”) e madura (“Sunday Roast”) para tratar temas como violência e misoginia (“Nameless, Faceless” tem no refrão um trecho de ‘O Conto da Aia’). Já a falta de confiança nos versos de “Crippling Self Doubt and a General Lack Of Self Confidence” desaparece em riffs despretensiosos com a companhia de Kim Deal nos backing vocals.

Dica de download: “Nameless, Faceless”


30. Me’Shell Ndegéocello

A cantora, baixista e produtora Me’Shell Ndegéocello compila uma coleção de clássicos R&B dos anos 80/90 e entrega um trabalho polido em suas versões apaixonantes e caprichadas para nomes como Prince (“Sometimes It Snows In April”), TLC (“Waterfalls”), Tina Turner (“Private Dancer”), The System (“Don’t Disturb This Groove” , Sade (“Smooth Operator”), entre outros.

Dica de download: “Sometimes It Snows in April”


29. SOFI TUKKER
(Treehouse)

A eletrônica despojada e os versos poliglotas do duo SOFI TUKKER estendem a raia do gênero pop num registro de estreia vivaz. Com o espírito da bossa nova, drumbeats selvagens, guitarras da tropicália, poesia de Ana Cristina Cesar (“Benadryl”) a Chacal (“The Dare”), deep house, charangos e um turbilhão de influências com sangue latino (“Energia”), Treehouse é um álbum world music acessível que atinge a sua missão de divertir.

Dica de download: “Benadryl”


28. Beach House
(7)

Em seu sétimo registro de estúdio, o duo dream pop Beach House nos leva à outra dimensão em sua aventura caleidoscópica e nebulosa ao lado do produtor Sonic Boom. Os sintetizadores futuristas, guitarras shoegaze distorcidas (“Dark Spring” e “Pay No Mind”), texturas instrumentais, beats minimalistas e o vocal enfeitiçador de Victoria Legrand derivam num trabalho delicado, sonhador, sinistro e luxuoso.

Dica de download: “Lemon Glow”


27. Kamasi Washington
(Heaven and Earth)

Aqui, o jazz moderno de Kamasi Washington divide-se entre o Céu e a Terra, como o nome do trabalho insinua, em dois discos. O primeiro abre com uma versão classuda de “Fists Of Fury”, tema do filme ‘A Fúria do Dragão’ (1972) de Bruce Lee. Ainda explora elementos do jazz com funk, hip hop e afrobeats em composições como “Hub-Tones”, “The Invincible Youth” e “One of One”. Já o segundo lado do compacto apura elementos esotéricos e flerta com a música latina (“Vi Lua Vi Sol”) e o groove (“Street Fighter Mas”).

Dica de download: “Hub-Tones”


26. Lykke Li
(So Sad So Sexy)

So Sad So Sexy estampa uma sonoridade distinta de seus antecessores ao querer se aconchegar num R&B e pop contemporâneo. Com uma produção minimalista e mais eletrônica, a artista busca um som mais acessível ao explorar o trap em “Deep End”, dividir “Two Nights” com o rapper Aminé e ainda assim manter sua assinatura, da garota amargurada e de vocal frágil, ao empoderar suas tristezas e falsas esperanças (“Utopia”).

Dica de download: “Deep End”


25. Arctic Monkeys
(Tranquility Base Hotel & Casino)

Distante de sua sonoridade arrebatadora de festivais, o conceitual Tranquility Base Hotel & Casino indica um Arctic Monkeys mutável numa fantasiosa odisseia space rock. É sedutor e estranho em suas melodias noir espaciais de canções utópicas que abordam religião (“American Sports”), política (“Golden Trunks”) e tecnologia. O resultado soa um encontro de Alex Turner com talentos como Serge Gainsbourg, David Bowie e Brian Wilson no século passado.

Dica de download: “One Point Perspective”


24. Neneh Cherry
(Broken Politics)

Broken Politics é um disco político. Com produção de Four Tet, o material combina de maneira impactante uma junção de eletrônica soul, jazz na sessão de instrumentos de sopro, trip hop e sintetizadores ascendentes espaciais para refletir temas dominantes, como: cultura do armamento (“Shot Gun Shack”), crise dos refugiados (“Kong” colaboração com 3D do Massive Attack), aborto (“Black Monday”) e desinformação via fakes news (“Faster Than the Truth”) com um viés pessoal da artista.

Dica de download: “Natural Skin Deep”


23. Kids See Ghosts
(Kids See Ghosts)

Os rappers Kanye West e Kid Cudi manisfestam a sua química no álbum colaborativo Kids See Ghosts na companhia especial de artistas como Pusha T, Ty Dolla $ign e Yasiin Bey (Mos Def). As canções abordam temas como abuso de drogas, depressão (“Reborn”) e fama até encontrar paz na faixa “Cudi Montage”, construída no riffs de guitarra de “Burn the Rain” de Kurt Cobain. Kids See Ghosts soa como uma sessão musical de terapia para ambos envolvidos.

Dica de download: “Reborn”


22. Soccer Mommy
(Clean)

Em seu disco de estreia, Sophie Allison (a.k.a. Soccer Mommy) confronta suas desilusões amorosas – seja pela interferência dos planetas (“Scorpio Rising”) ou religião (“Wildflowers”) -, vulnerabilidade e rebeldia com os rapazes que a iludem (“Cool”). Como uma cria indie de Liz Phair com o frescor de Taylor Swift, suas letras iradas, guitarras potentes e estética lo-fi em baladas acústicas não fazem dela uma coitadinha ordinária, mas um furação de sensações por onde passa (“Your Dog”).

Dica de download: “Your Dog”


21. IONNALEE
(Everyone Afraid To Be Forgotten)

O ionnalee, projeto synthpop e conceito da sueca Jonna Lee, segue sua jornada fantasiosa e pavorosa em composições ao lado de TR/ST (“Harvest”), Com Truise (“Not Human”), Barbelle (“Memento”) e Jamie Irrepressible (“Dunes of Sand”) em Everyone Afraid To Be Forgotten. Com seu pop eletrônico, de sintetizadores acentuados e beats desenfreados, o vocal enigmático de Lee conduz esta jornada por um mundo imaginário e de tendências destrutivas.

Dica de download: “Samaritan”


20. Anna Calvi
(Hunter)

Em guitarras virtuosas, vocal ameaçador/sedutor de Calvi e melodias viscerais que parecem saltar de uma trilha sonora de um filme do cineasta David Lynch (“Swimming Pool” / “Away), Hunter manifesta um discurso poderoso ao examinar uma faceta subversiva da sexualidade e rejeitar o papel da mulher numa sociedade excessivamente heteronormativa e patriarcal.

Dica de download: “Don’t Beat the Girl out of My Boy”

19. Let’s Eat Grandma
(I’m All Ears)

Rosa Walton e Jenny Hollingworth, as amigas de infância responsáveis pelo pop experimental do Let’s Eat Grandma, tem ao seu favor os sintetizadores e beats trovejantes ajustados por produtores como SOPHIE, David Wrench (FKA Twigs) e Faris Badwan (do The Horrors). I’m All Ears abrange synthpop (“It’s Not Just Me”), a agitação da PC Music (“Hot Pink”), traços R&B (“Snakes & Ladders) e a psicodelia do rock (“Cool & Collected”) em sua totalidade.

Dica de download: “Hot Pink”

18. Jack White
(Boarding House Reach)

Jack White arrisca-se em seu terceiro disco solo e entrega um trabalho despretensioso e experimental. O retro futurista Boarding House Reach casa seu blues rock de garagem com um tato inovador em sua carreira através de efeitos digitais (“Connected by Love”) contrastados com baterias eletrônicas, riffs de guitarras potentes, baixos firmes e harmonias psicodélicas norteadas por sintetizadores (“Get In the Mind Shaft” ganha um quê de sambinha) e pianos (“Humoresque”, um poema de Al Capone cantado).

Dica de download: “Over and Over and Over”

17. Empress Of
(Us)

O Empress Of, projeto musical de Lorely Rodriguez, nivela experimentalismo e sensibilidade pop de maneira mais acessível e popular (“Love for Me”) do que em sua estreia. Com sua fusão de música eletrônica, R&B e latina, as canções – com versos em espanhol e inglês – refletem paixões platônicas (“Everything to Me”), de submissão (“I Don’t Even Smoke Weed”) e nocivas (“Trust Me Baby”) de maneira cuidadosa e possível de imaginar seus interesses (“Everything to Me”).

Dica de download: “When I’m With Him”


16. Tove Styrke
(Sway)

O pop multicolor e os conflitos amorosos da sueca Tove Styrke duelam de forma simétrica em Sway. A balada meiga “On the Low”, a pitada trap de ritmos orientais de “Changed My Mind”, sintetizadores flexíveis (“Sway”) e os riscos do amor (“Vibe”). Um reflexo do turbilhão da mente de uma garota descobrindo os pequenos conflitos juvenis e driblando uma série de clichês do tema.

Dica de download: “Mistakes”


15. serpentwithfeet
(Soil)

Há uma força visceral e herege nos cantos de amor, luxúria, atração e sexo em Soil. O trabalho de estreia do norte-americano Josiah Wise (a.k.a. serpentwithfeet) soa como um ato de devoção e exorcismo soul em seu ritual intrínseco. Através de seu vocal poético à la Frank Ocean e Nina Simone, as composições soam como salmos de redenção nas profundezas de um limbo pessoal (“Mourning Song”) em letras íntimas (“Whisper” e “Fragrant em que revela dormir com os ex-namorados de seu ex) com melodias sombrias, beats eletrônicos minimalistas, orquestrações ricas e um conjunto de vocalizações deslumbrantes.

Dica de download: “Cherubim”


14. Blood Orange
(Negro Swan)

O produtor e músico Devonté Hynes (a.k.a. Blood Orange) encontra-se ainda mais focado em abordar suas lutas no passado como um jovem negro e dar voz para os marginalizados. Suas canções, levadas por um soul, jazz, R&B e eletrônica lustrosa, são um retorno à infância (“Orlando”), traumas modernos e uma declaração de amor próprio (“Jewelry”) numa obra de resiliência.

Dica de download: “Nappy Wonder”

13. Christine and the Queens
(Chris)

A francesa Héloïse Letissier encarna um alter ego masculino pedante para desafiar conceitos de gênero, sexualidade e identidade em Chris. O disco, com versão em inglês e francês, desfruta do funk pop dos anos 80 (“Girlfriend” / “Damn, dis-moi”) para lidar com o tema (“The Walker” / “La Marcheuse”) situado no centro de sintetizadores envolventes, beats acentuados e sons excêntricos num eletropop atrativo (“Doesn’t Matter (Voleur de soleil)”) para cantar a história de uma mulher forte que desafia críticas e ironias de sua personalidade.

Dica de download: “5 Dollars”


12. SOPHIE
(Oil of Every Pearl Uninsides)

O insano Oil of Every Pearl Uninsides, álbum de estreia de SOPHIE, é um eletropop borbulhante e metálico criado em beats metralhados (“Whole New World/Pretend World”) e sintetizadores incendiários que transitam pelo o artpop, R&B, industrial e PC Music. Uma montanha russa de sonoridades intimistas (“It’s Okay To Cry”), loucuras acessíveis (“Immaterial”) e excêntricas (“Ponyboy”) coordenada por vozes computadorizadas e distorcidas ao extremo.

Dica de download: “Immaterial”


11. The Carters
(Everything Is Love)

Beyoncé e Jay-Z expuseram os conflitos do casal nos álbuns Lemonade e 4:44, respectivamente, para encontrar uma sintonia de reconciliação através da música e sucesso (“Salud!”). Em Everything Is Love, um desfecho para a trilogia do casal Carter, abre espaço para protestar a desvalorização da arte negra (“Apeshit”), a indústria da música (criticando o Grammy, Super Bowl e Spotify), ostentar a influência do duo (“Heard About Us”) e sua reconciliação diante dos olhos do público (“Lovehappy”).

Dica de download: “Heard About Us”

10. Elza Soares
(Deus é Mulher)

“O meu País é o meu lugar de fala”. Em Deus é Mulher, uma continuação entusiasta de A Mulher do Fim do Mundo, Elza expande suas pautas para abordar temas feministas (“Dentro de Cada Um”), liberdade religiosa (“Credo”) e o projeto Escola sem Partido (“Exu nas Escolas”). Ainda mais agressiva em seu vocal rouco e dominante, a artista mostra-se inovadora em sua mistura fina de samba, eletrônica, rock, pop e punk.

Dica de download: “Banho”, “O Que Se Cala” e “Língua Solta”

09. Okay Kaya
(Both)

A cantora, compositora e atriz Kaya Wilkins (a.k.a. Okay Kaya) apresenta o disco de estreia envolto de leveza, graciosidade e sensualidade para sondar temas como amor, solidão, traumas e voyeurismo em seu pop vintage de sintetizadores malemolentes, batidas mínimas e versos lascivos. Sem tabus, canta sobre garantir um DIU para evitar a maternidade precoce em “IUD”, questiona a diferença entre o sexo e o amor em “Dance Like U” nos versos de “do you dance like you fuck or do you dance like you make love?” e seus desejos pela prática de BDSM em “Glitch”.

Dica de download: “Dance Like U”, “IUD” e “Vampire”

08. Noname
(Room 25)

O rap harmônico e cortês de Fatimah Nyeema Warner (a.k.a. Noname) em Room 25 equilibra-se entre a leveza nas influências musicais e agressividade em sua temática rica montada nos versos íntimos da artista. Abrange a mudança de Warner à Los Angeles, observações sociopolíticos (“Blaxploitation”), sexualidade (“Window”), romances (“Montago Bae” com Ravyn Lenae) e luto (ao contemplar a própria morte em “Don’t Forget About Me”) rente a beats aliciantes e sintetizadores que remetem a Stevie Wonder.

Dica de download: “Ace”, “Blaxploitation” e “Window”

07. Kanye West
(Ye)

Em YE, Kanye West aborda de forma honesta temas como saúde mental, amor e manter-se no controle como um pedido de desculpa por todas as controvérsias que discursa por aí. O rapper enfrenta o vício em drogas e o consumo de remédios com prescrição médica (“Yikes”), confronta os demônios do passado (“No Mistakes”), lida com infidelidade (na debochada “All Mine”) e canta como a paternidade é transformadora na vida de qualquer homem (“Violent Crimes”). Com sete canções curtas, que vão do hip hop ao gospel (“Ghost Town”) na produção atinada em sua maioria ao lado de Mike Dean, West revela-se um humano passível de falhas.

Dica de download: “Violent Crimes”, “Yikes” e “Wouldn’t Leave”


06. ROSALÍA
(El Mal Querer)

A cantora, compositora e produtora espanhola ROSALÍA vem com uma confiança extra em seu segundo disco de estúdio ao contar com a produção consistente de Pablo Díaz-Reixa (a.k.a. El Guincho). A dupla contamina a sonoridade de El Mal Querer com uma injeção de pop numa aventura harmoniosa que bebe do flamenco, trap, eletrônica, ritmos urbanos, palmas cativantes e o vocal sagaz da artista numa fábula dramática.

Dica de download: “Pienso En Tu Mirá”, “Malamente” e “De Aquí No Sales”


05. Kali Uchis
(Isolation)

A colombiana Kali Uchis, um híbrido romântico vintage de Lana Del Rey com a nostalgia de Amy Winehouse, brilha em seu trabalho de estreia após uma série de colaborações com outros músicos. As composições são levadas pelo R&B, funky (em “After The Storm” com Tyler, The Creator), soul (em “Killer”), reggaeton (em “Nuestro Planeta” com Reykon), dancehall (em “Tyrant” com Jorja Smith) e outros ritmos para tratar de paixões e desilusões labutadas pelo vocal cativante e frouxo da artista.

Dica de download: “Your Teeth In My Neck”, “Miami” e “Tyrant”


04. Pusha T
(Daytona)

Pusha T entrega um trabalho deslumbrante, denso, particular e afiado em samples – de The Mighty Hannibal a Air – graças à produção imprescindível de Kanye West. A ligação dos rappers resulta em canções que lidam com temas como entorpecentes (“If You Know You Know”), sucesso (“Hard Piano”), mortes trágicas (“Santeria” com versos em espanhol em forma de ritual de 070 Shake), duelos no ramo (“What Would Meek Do?”) e o amor pelo dinheiro (na gospel “Come Back Baby” com sample de George Jackson).

Dica de download: “If You Know You Know”, “The Games We Play” e “Santeria”


03. Robyn
(Honey)

Em seu primeiro álbum em oito anos, a sueca Robyn volta com suas catarses emocionais. Irradia exaltação nas sublimes melodias prontas para levar um coração dilacerado (“Missing U”) e crises existenciais (na batida sci-fi de “Human Being” com Zhala) para as pistas de dança. Mais uma vez, suas composições amarguradas (“Baby Forgive Me”) são imortalizadas ao serem embriagas por uma atmosfera envolvente ímpar e pulsante (“Send to Robyn Immediately”).

Dica de download: “Honey”, “Between the Lines” e “Missing U”


02. Mitski
(Be the Cowboy)

O rock devastador, de letras penosas e introspectivas, de Mitski vem cercado de temas existenciais, relacionamentos tóxicos consigo mesma (“A Pearl), desilusões amorosas (“Nobody”), desânimo e envelhecimento. Infere novas sonoridades em elementos noir (“Come Into The Water”) e eletrônicos (“Washing Machine Heart”) sem se desprender de seu impulsionamento roqueiro em vibrantes riffs de guitarra.

Dica de download: “Nobody”, “A Pearl” e “Two Slow Dancers”


01. Janelle Monáe
(Dirty Computer)

Ao abandonar o alter ego Cindi Mayweather dos discos anteriores da saga Metropolis, Janelle Monáe assume sua identidade (“Don’t Judge Me”) e concebe um álbum que celebra o poder feminino (“Pynk” com Grimes), a igualdade entre os sexos (“Screwed”), questiona a política e o papel do negro na sociedade (como na gospel upbeat “Americans”, uma ode aos costumes e tradições racistas dos EUA).

Em seu manifesto e saga sobre identidade, revolução e androides, Monáe carrega o bastão de Prince em uma coleção de clássicos natos da disco (“Take a Bite” e “Make Me Feel) com muito funk, space-rock e soul (“Screwed).

Dirty Computer com sua narrativa sobre humanos rebeldes (“Django Jane”) em busca de liberdade num futuro distópico é uma fronteira entre a ficção científica e realidade social. Uma mensagem de amor e esperança para quem tem medo do que é diferente.