Review: Haim – ‘Days Are Gone’

quinta-feira, setembro 12th, 2013

Haim - Days Are GoneAs irmãs Danielle, Alana e Este (a.k.a. Haim) passaram um ano soltando prévias musicais para moldar o seu registro de estreia (Days Are Gone) desde o estouro de “Forever” e o resultado é uma delícia power pop por completo em seu apanhado de referências.

O material produzido por Ariel Rechtshaid (Vampire Weekend, Charli XCX) e James Ford (Florence and the Machine, Arctic Monkeys) permite as garotas a encontrarem o equilíbrio entre o cenário indie rock e o R&B, sem perder no caminho as comparações e inspirações de longa data que vão de Fleetwood Mac a TLC.

A faixa título “Days Are Gone”, com seus leves sintetizadores de aura oitentista, soa como uma composição moldada pelo produtor Blood Orange para ser apresentada aos quatro cantos por Solange através de um baixo desenhado na companhia de vocais agudos, enquanto que “My Song 5” com suas batidas espaçadas e backing vocals dinâmicos depara-se com o universo R&B representado pelos grupos de garotas dos anos 90 com um leve tempero de Justin Timberlake.

“Let Me Go” é construída em vocais ressentidos e ganha vida numa batalha selvagem e dramática de percussão e riffs de guitarra para representar uma relação de abandono (“you know I’m nothing without your love, no … I’m not one for leaving”); o jogo inverte-se em “Honey & I”, que é como um balde de água fria num ex-namorado nos versos “Honey, I’m not your honey-pie”, como se estivessem supervisionadas musicalmente por Joni Mitchell.

Haim

Com melodias moldadas pelos anos 80 através de referências modernas (“If I Could Change Your Mind”), vigor pop (“Don’t Save Me”), percussões envolventes ao ponto de revolucionar estádios (como em “The Wire” movimenta pela fórmula cativante de “Rock’n’Roll (part I & II)” de Gary Glitter) e refrões viciantes (“never look back, never give up” em “Falling”), as garotas evocam um espírito juvenil despretensioso em suas composições.


Clipe de “The Wire”

Days Are Gone é uma homenagem a diversos gêneros da música com espírito espontâneo em suas harmonizações vocais (“Go Slow” e “Running If You Call My Name”) e melodias cativantes, em busca de uma sonoridade própria, prontas para fazer qualquer mortal se apaixonar por estas meninas.

Dicas de download: “Let Me Go”, “My Song 5” e “The Wire”

Review: V V Brown – ‘Samson & Delilah’

sábado, setembro 7th, 2013

V V Brown - Samson & DelilahApós desentendimentos com a sua gravadora, a inglesa Vanessa Brown (a.k.a. V V Brown) lança o seu segundo álbum de estúdio, Samson & Delilah, de forma independente pelo seu selo YOY Records e moldado pelo produtor Dave Okumu (responsável pelo aclamado Devotion de Jessie Ware).

Diante das mudanças, a artista aparece repaginada musicalmente neste trabalho e distancia-se de forma abrupta do pop retro que a revelou através de singles como “Crying Blood” e “Shark in the Water” do registro Travelling Like the Light (2009) e até mesmo da faixa “Children” do (engavetado) Lollipops & Politics a pedidos da cantora e que seria como um sucessor ideal e sem inovações aos moldes da estreia.

O trabalho abre com “Substitute For Love” e os vocais de Brown explorando o universo das óperas para cantar um amor sem reciprocidade (“give me your love, give me your heart … I’ll be your heroine put me inside your veins and let me in”) acompanhada de uma sonoridade sombria e cinematográfica que traça o rumo que o registro seguirá.

A versatilidade de Samson & Delilah logo aparece em composições como “Nothing Really Matters”, que soa como um lado b do Eurythmics acompanhado da eletrônica soturna de Kavinski, e “I Can Give You More” que vai ao encontro do universo eletro gótico do Crystal Castles por corredores de um clube sombrio.

V V Brown

O single “The Apple”, um eletro soul a la Grace Jones sofisticado e de aura obscura com suas referências bíblicas, e o peso melódico na percussão de “Samson”, junto aos sintetizadores de sensações estroboscópicas para revelar a história de traição entre Sansão e Dalila, exploram terrenos populares sem perder a inovação do trabalho. Assim como a sujeira dubstep e dramática de “Igneous” (que flerta com o rap), o minimalismo experimental e eletrônico espacial em busca do amor em “Looking For Love”, a balada Faith e a viagem synth oitentista fantástica de “Ghost”.


Clipe de “The Apple”

V V Brown garante o seu status como uma artista versátil no cenário, sem moldar-se aos padrões mais apropriados e fáceis no mundo pop, e Samson & Delilah é seu manifesto.

Dicas de download: “I Can Give You More”, “The Apple” e “Substitute For Love”

Review: Marina and the Diamonds – ‘Electra Heart’

sexta-feira, maio 4th, 2012

Marina and the Diamonds - Electra HeartMarina Diamandis (a.k.a. Marina and the Diamonds) nos apresenta seu alterego Electra Heart no pop veloz e juvenil de “Bubblegum Bitch” com a frase “Oh dear diary, we fell apart, welcome to the life of Electra Heart”.

É a garota que ama, sofre, quer ser popular e tira suas conclusões de um turbilhão de sentimentos. A personagem nasce como uma nova proposta nessa aventura sonora da artista.

Dá-se ao luxo de ser categorizada de pop mainstream (“Primadonna”), com as batidas eletrônicas se exaltando por cima dos instrumentos, mantendo a essência e autenticidade nas letras que são um dos pontos altos do material.

Essa nova Marina, diverte-se com composições irônicas (a destruidora de lares de “Homewrecker”), sofre ao revelar seus relacionamentos mal sucedidos (nas dolorosas “Lies” e “Starring Role”) e insiste na busca pela popularidade (“Teen Idle”) para curar as feridas. A inspiração de sua transformação, numa loira fatale, vem da figura de Marilyn Monroe como revela a lúdica “The State of Dreaming”.

Marina and the Diamonds

Electra Heart peca quando soa mecânico e a consistência das composições não encontram variações, sendo camufladas por uma produção grandiosa e renomada. As melodias são tão incrementadas de efeitos, como sugere “Living Dead” com sua estrutura à la “Sweet Dreams”, do Eurythmics, que a certa altura falta a espontaneidade e desestrutura melódica do trabalho de estreia da cantora.


Clipe de “Primadonna”

É com a faixa de despedida “Fear and Loathing” que Marina para de sofrer com essa crise de identidade – com a produção de Liam Howe, de The Family Jewels – e encontra-se novamente. O que antes era jóia, agora não passa de bijuteria num mercado repleto de variedades.

Dicas de download: “Homewrecker” (áudio), “Lies” (áudio) e “Starring Role” (áudio).

Review: Phoenix – ‘Wolfgang Amadeus Phoenix’

quarta-feira, maio 20th, 2009

Phoenix - Wolfgang Amadeus PhoenixWolfgang Amadeus Phoenix, o quarto trabalho dos franceses do Phoenix, é um disco pop de primeira. Não desses descartáveis, mas sofisticado. Percebe-se isso nas homenagens a músicos clássicos como Franz Liszt e Mozart.

A primeira faixa, “Lisztomania”, carrega elementos essencias das canções do grupo: pegada intensa, letras grudentas (“think less but see it grow / like a riot, like a riot, oh … from a mess to the masses”) e com clima para cima para dançar. Em “1901” e “Armistice” namoram os anos 80 com seus sintetizadores uivantes e teclados inspirados, enquanto “Fences” retrocede à década de 70 com leves passos da disco music.

A sinfonia eletro de “Love Like a Sunset” agrega valor ao trabalho influenciado em grandes nomes da música erudita. Mas, é em “Rome” que os rapazes encontram uma perfeição variante de todos os ingredientes do álbum, numa produção caprichada e de refrão viscoso.

Phoenix

Recheado de singles com potencial, Wolfgang Amadeus Phoenix mantém o nome desses garotos classudos intacto no concorrido (atual) cenário pop francês.

Dicas de download: “Lisztomania” (vídeo), “Rome” (MP3) e “1901”

Review: Röyksopp – ‘Junior’

segunda-feira, março 30th, 2009

Röyksopp - JuniorJunior é o disco mais acessível dos noruegueses Svein Berge e Torbjørn Brundtland, os nomes por trás do Röyksopp. O trabalho origina um espetáculo pop eletrônico sofisticado para funcionar nas pistas de dança, exalando energia a cada batida, além de pacificar os ânimos com suas melodias mais tranquilas (“Silver Cruiser”).

Com dois álbuns celebrados pela crítica – Melody AM e The Understanding -, em Junior o duo encontra harmonia e êxito na lista de convidadas especiais. Cantoras como Robyn (“The Girl and the Robot”), Lykke Li (“Miss It So Much”), Karin – The Knife e Fever Ray – Dreijer Andersson (“This Must Be It” e “Tricky Tricky”) e Anneli Drecker (“True to Life” e “You Don’t Have a Clue”) transcendem o material.

O single “Happy Up Here” molda sua melodia em artifícios do Air em noite de distração, “The Girl and the Robot” saltita com trejeitos de “Hung Up” de Madonna, “Miss It So Much” é pura ternura na voz de Lykke Li e “Röyksopp Forever” uma peça clássica com suas cordas aliadas às inserções eletrônicas da faixa.

Diferente dos trabalhos anteriores da dupla, Junior encanta justamente por ser mais fácil e direto. Um bom disco de música eletrônica para começar o ano.

Dicas de download: “The Girl and the Robot”, “Miss It So Much” e “This Must Be It”

Review: O Casamento de Rachel

sábado, fevereiro 21st, 2009

O Casamento de Rachel

Em O Casamento de Rachel, a atriz Anne Hathaway tem a oportunidade de se livrar de personagens ordinários e entregar uma das melhores performances do ano como a problemática Kym. Na história, a garota sai da reabilitação para participar dos preparativos do casamento de sua irmã Rachel (interpretada apropriadamente por Rosemarie DeWitt) e reviver um passado que a condena.

O filme é uma panela de pressão aquecida por emoções familiares, um contraste de alegrias comuns e tristezas silenciadas, prestes a explodir a qualquer minuto de projeção. A maneira que seus personagens se machucam verbalmente é de uma crueldade tão intensa que impossibilita o seu espectador a escolher o que e quem está certo ou errado em seus discursos.

O filme apresenta pequenos deslizes, como o foco desnecessário em tomadas arrastadas da festa, mas que não atrapalham o seu desempenho como um todo. São as atuações e o roteiro revelador do longa que transformam O Casamento de Rachel numa peça familiar tão comum e complexa diante de nossos olhos.

Curiosidade: o personagem Sidney é interpretado por Tunde Adebimpe, vocalista da banda TV on the Radio.

O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married, EUA, 2007)
Direção: Jonathan Demme
Com: Anne Hathaway, Rosemarie DeWitt, Mather Zickel, Bill Irwin, Debra Winger, Tunde Adebimpe. 112 min.

Review: Foi Apenas Um Sonho

domingo, fevereiro 1st, 2009

Apenas Um Sonho

Em Foi Apenas Um Sonho, o diretor Sam Mendes (de Beleza Americana) volta a trabalhar com o seu olhar único do subúrbio, tendo como base a obra de Richard Yates. O reencontro do casal de Titanic, Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, traz os atores em um patamar além da atuação de doze anos atrás – sem necessidade de comparações.

Aqui, formam um jovem casal que adia projetos pessoais para juntos formarem uma família. Com o passar dos anos, os sonhos e ideais almejados sofrem com o rumo de suas vidas. Com o cotidiano transformando-se em inimigo e o amor em incerteza, Mendes toma posto para ferir seu espectador.

Os diálogos e troca de farpas entre os protagonistas são de uma potência incômoda e cruéis. Enquanto que a trilha sonora de Thomas Newman é um coadjuvante necessário, dando ar melancólico e de esperança com seus arranjos guiados por simples e repetidas notas ao piano.

O grande trunfo do filme é a possibilidade de identificação e reflexão de seu espectador. Digo isso, pois esse não era o típico filme para eu assistir. Pelo menos não agora.

Foi Apenas Um Sonho (Revolutionary Road, EUA, 2008)
Direção: Sam Mendes
Com: Kate Winslet, Leonardo DiCaprio, Kathy Bates, Michael Shannon, David Harbour. 119 min.

Review: A Troca

sábado, janeiro 17th, 2009

A Troca

Em seus últimos filmes, Clint Eastwood – o diretor – trabalhou com temas de cunho histórico para seduzir seus espectadores. Depois de apresentar seu olhar sobre a Segunda Guerra Mundial, em A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima – utiliza a Los Angeles da década de 20 como pano de fundo neste drama.

Baseado em caso real, A Troca traz a história de Christine Collins (Angelina Jolie), uma mãe solteira em busca de seu filho desaparecido. Num plano arquitetado pela polícia corrupta de Los Angeles em busca de prestígio, o detetive local convence um garoto a se passar por Walter Collins. Logo, a mãe alega que aquele não é seu filho e é apontada como psicologicamente alterada após a volta do garoto.

Se Angelina entrega-se ao papel de forma sublime, contrastando inquietude e repressão, cabe a Eastwood driblar os clichês com sua direção segura e bem arquitetada num roteiro com excessos de justificativas e delongas. Ainda dá para destacar o excelente elenco de apoio – que inclui os competentes John Malkovich, Amy Ryan e Jeffrey Donovan -, a reconstituição de época caprichada e a trilha sonora, assinada pelo próprio diretor.

No entanto, se alguém merece ser aplaudido de pé, levantem-se para o esforço e talento de Angelina Jolie.

A Troca (Changeling, EUA, 2008)
Direção: Clint Eastwood
Com: Angelina Jolie, John Malkovich, Jeffrey Donovan, Amy Ryan, Devon Conti, Colm Feore. 141 min.

Review: Lipstick Jungle – Primeira Temporada

domingo, dezembro 7th, 2008

Lipstick Jungle - Primeira Temporada

Verdade seja dita. Lipstick Jungle (ou Selva de Batom, no Brasil) é prima pobre e sem classe de Sex and the City. Baseada em livro de Candice Bushnell, autora das aventuras de Carrie e companhia, a série acompanha três mulheres bem-sucedidas de Nova Iorque, lidando com suas dificuldades pessoais e profissionais.

Brooke Shields – atrolhada de botox ao ponto de lhe faltar expressão – é Wendy Healy, uma executiva que concilia a carreira com a família. Kim Raver é Nico, uma editora de moda dividida entre o casamente estável e o amante mais jovem (Robert Buckley). Para fechar o ciclo temos Lindsay Price como Victory, uma designer que encontra o amor (im)possível em um bilionário (Andrew McCarthy, um clone de Mr. Big), mas banca a Carrie – dificultando o que é simples – quando o assunto é relacionamento.

Um dos problemas da série é a falta perceptível de intimidade entre o elenco feminino. A tarefa de “atriz” fica exclusivamente nas costas de Kim Raver, além de sobrar ao galã Robert Buckey – sempre descamisado e com uma toalha amarrada na cintura – fazer com que o público feminino mantenha-se fiel ao seu abdômen e, consequentemente, ao drama.

Sem as marcas de bolsas e sapatos, objetos de desejo da mulherada, e de um relacionamento mais vivo do grupo de amigas, Lipstick Jungle sobrevive exclusivamente de histórias de mulherzinhas. Mulherzinhas medíocres, com vídas medíocres, com problemas medíocres, em bairros medíocres e amantes… no mínimo, interessantes.

Review: Queime Depois de Ler

sexta-feira, novembro 28th, 2008

Queime Depois de Ler

Após o Oscar conquistado com Onde os Fracos Não Têm Vez, os irmãos Coen voltam com a temática que os consagraram: o humor negro. Com um elenco hollywodiano competente, Queime Depois de Ler é uma comédia irônica afiada, sensível e, como de praxe, imprevisível.

Os atores revelam-se extremamente confortáveis com os exageros particulares de seus personagens. A dupla Brad Pitt e Frances McDormand, como os funcionários de uma academia de ginástica, destacam-se de maneira espetacular. O fato da atriz saber como trabalhar com a dupla de diretores, após todos esses anos, facilita bastante.

No roteiro do thiller cômico, equilibram sarcasmo com a melancolia existencial dos personagens. A história do ex-agente da CIA (John Malkovich) que após escrever suas memórias confidenciais perde o material para uma dupla de chantagistas (Pitt e McDormand) é o mote para propagar a proposta humana do filme – evidente na relação do canastrão George Clooney e Frances McDormand (mais uma vez destacando-se).

Os Coen sabem trabalhar com um humor inteligente, extraindo diálogos elaborados da vida miserável de seus personagens. Por isso, Queime Depois de Ler é algo tão agradável. É mais uma comédia rara no cinema e no currículo dos irmãos.

Queime Depois de Ler (Burn After Reading, EUA, 2008)
Direção: Joel Coen e Ethan Coen
Com: George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton, Brad Pitt, Richard Jenkins. 96 min.