Review: Foi Apenas Um Sonho

domingo, fevereiro 1st, 2009

Apenas Um Sonho

Em Foi Apenas Um Sonho, o diretor Sam Mendes (de Beleza Americana) volta a trabalhar com o seu olhar único do subúrbio, tendo como base a obra de Richard Yates. O reencontro do casal de Titanic, Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, traz os atores em um patamar além da atuação de doze anos atrás – sem necessidade de comparações.

Aqui, formam um jovem casal que adia projetos pessoais para juntos formarem uma família. Com o passar dos anos, os sonhos e ideais almejados sofrem com o rumo de suas vidas. Com o cotidiano transformando-se em inimigo e o amor em incerteza, Mendes toma posto para ferir seu espectador.

Os diálogos e troca de farpas entre os protagonistas são de uma potência incômoda e cruéis. Enquanto que a trilha sonora de Thomas Newman é um coadjuvante necessário, dando ar melancólico e de esperança com seus arranjos guiados por simples e repetidas notas ao piano.

O grande trunfo do filme é a possibilidade de identificação e reflexão de seu espectador. Digo isso, pois esse não era o típico filme para eu assistir. Pelo menos não agora.

Foi Apenas Um Sonho (Revolutionary Road, EUA, 2008)
Direção: Sam Mendes
Com: Kate Winslet, Leonardo DiCaprio, Kathy Bates, Michael Shannon, David Harbour. 119 min.

Review: A Troca

sábado, janeiro 17th, 2009

A Troca

Em seus últimos filmes, Clint Eastwood – o diretor – trabalhou com temas de cunho histórico para seduzir seus espectadores. Depois de apresentar seu olhar sobre a Segunda Guerra Mundial, em A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima – utiliza a Los Angeles da década de 20 como pano de fundo neste drama.

Baseado em caso real, A Troca traz a história de Christine Collins (Angelina Jolie), uma mãe solteira em busca de seu filho desaparecido. Num plano arquitetado pela polícia corrupta de Los Angeles em busca de prestígio, o detetive local convence um garoto a se passar por Walter Collins. Logo, a mãe alega que aquele não é seu filho e é apontada como psicologicamente alterada após a volta do garoto.

Se Angelina entrega-se ao papel de forma sublime, contrastando inquietude e repressão, cabe a Eastwood driblar os clichês com sua direção segura e bem arquitetada num roteiro com excessos de justificativas e delongas. Ainda dá para destacar o excelente elenco de apoio – que inclui os competentes John Malkovich, Amy Ryan e Jeffrey Donovan -, a reconstituição de época caprichada e a trilha sonora, assinada pelo próprio diretor.

No entanto, se alguém merece ser aplaudido de pé, levantem-se para o esforço e talento de Angelina Jolie.

A Troca (Changeling, EUA, 2008)
Direção: Clint Eastwood
Com: Angelina Jolie, John Malkovich, Jeffrey Donovan, Amy Ryan, Devon Conti, Colm Feore. 141 min.

Review: Lipstick Jungle – Primeira Temporada

domingo, dezembro 7th, 2008

Lipstick Jungle - Primeira Temporada

Verdade seja dita. Lipstick Jungle (ou Selva de Batom, no Brasil) é prima pobre e sem classe de Sex and the City. Baseada em livro de Candice Bushnell, autora das aventuras de Carrie e companhia, a série acompanha três mulheres bem-sucedidas de Nova Iorque, lidando com suas dificuldades pessoais e profissionais.

Brooke Shields – atrolhada de botox ao ponto de lhe faltar expressão – é Wendy Healy, uma executiva que concilia a carreira com a família. Kim Raver é Nico, uma editora de moda dividida entre o casamente estável e o amante mais jovem (Robert Buckley). Para fechar o ciclo temos Lindsay Price como Victory, uma designer que encontra o amor (im)possível em um bilionário (Andrew McCarthy, um clone de Mr. Big), mas banca a Carrie – dificultando o que é simples – quando o assunto é relacionamento.

Um dos problemas da série é a falta perceptível de intimidade entre o elenco feminino. A tarefa de “atriz” fica exclusivamente nas costas de Kim Raver, além de sobrar ao galã Robert Buckey – sempre descamisado e com uma toalha amarrada na cintura – fazer com que o público feminino mantenha-se fiel ao seu abdômen e, consequentemente, ao drama.

Sem as marcas de bolsas e sapatos, objetos de desejo da mulherada, e de um relacionamento mais vivo do grupo de amigas, Lipstick Jungle sobrevive exclusivamente de histórias de mulherzinhas. Mulherzinhas medíocres, com vídas medíocres, com problemas medíocres, em bairros medíocres e amantes… no mínimo, interessantes.

Review: Queime Depois de Ler

sexta-feira, novembro 28th, 2008

Queime Depois de Ler

Após o Oscar conquistado com Onde os Fracos Não Têm Vez, os irmãos Coen voltam com a temática que os consagraram: o humor negro. Com um elenco hollywodiano competente, Queime Depois de Ler é uma comédia irônica afiada, sensível e, como de praxe, imprevisível.

Os atores revelam-se extremamente confortáveis com os exageros particulares de seus personagens. A dupla Brad Pitt e Frances McDormand, como os funcionários de uma academia de ginástica, destacam-se de maneira espetacular. O fato da atriz saber como trabalhar com a dupla de diretores, após todos esses anos, facilita bastante.

No roteiro do thiller cômico, equilibram sarcasmo com a melancolia existencial dos personagens. A história do ex-agente da CIA (John Malkovich) que após escrever suas memórias confidenciais perde o material para uma dupla de chantagistas (Pitt e McDormand) é o mote para propagar a proposta humana do filme – evidente na relação do canastrão George Clooney e Frances McDormand (mais uma vez destacando-se).

Os Coen sabem trabalhar com um humor inteligente, extraindo diálogos elaborados da vida miserável de seus personagens. Por isso, Queime Depois de Ler é algo tão agradável. É mais uma comédia rara no cinema e no currículo dos irmãos.

Queime Depois de Ler (Burn After Reading, EUA, 2008)
Direção: Joel Coen e Ethan Coen
Com: George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton, Brad Pitt, Richard Jenkins. 96 min.

Review: Marnie Stern – ‘This Is It & I Am It & You Are It & So Is That & He Is It & She Is It & It Is It & That Is That’

quarta-feira, novembro 26th, 2008

Marnie Stern - This Is It & I Am It & You Are It & So Is That & He Is It & She Is It & It Is It & That Is ThatThis Is It & I Am It & You Are It & So Is That & He Is It & She Is It & It Is It & That Is That, de Marnie Stern, é de uma sonoridade impaciente do início ao fim. Dos riffs de guitarra extremamente poluídos e furiosos, a garota – influenciada por Sleater-Kinney – destila melodias eficientes e empolgantes.

O álbum toma fôlego com a artista rimando ao som de uma percussão discreta nos primeiros minutos da faixa de abertura (“Prime”), mas não demora muito para indicar para o que veio. O trabalho segue num rock surrado e virtuoso, extraído de guitarras nervosas e violentas, encontrando equilíbrio no vocal (inocentemente brutal) de Stern.

Em “Transformer”, diante da cacofonia melódica dos ecos da guitarra e da agilidade da bateria, Marnie canta em alto e bom som “How can I be all these things to you?” (Como eu posso ser todas essas coisas para você?) diante da avalanche de sons que encara. Há momentos como “Ruler” e “Shea Stadium” em que a agressividade nivela-se à facilidade da música pop.

This Is It & I Am It & You Are It & So Is That & He Is It & She Is It & It Is It & That Is That é música iminente, procurando roubar todo o ar necessário do ambiente e colocar qualquer espírito roqueiro esquecido para funcionar.

Dicas de download: “The Crippled Jazzer”, “Transformer” (MP3) e “Ruler” (vídeo)

Review: Hauschka – ‘Ferndorf’

sexta-feira, novembro 21st, 2008

Hauschka - FerndorfÉ difícil recomendar um disco que não se guia por palavras e exemplifica os temas de suas composições. Assim, não sei como convencer alguém a escutar o álbum Ferndorf.

Tudo é muito subjetivo na obra de Hauschka, codinome do pianista e compositor alemão Volker Bertelmann. Suas melodias intensas, que têm o piano como personagem principal, causam uma explosão de sentimentos (distintos e pessoais) em cada ouvinte.

Particularmente, indicaria o disco aos admiradores da obra de Yann Tiersen. Aqui, a autenticidade está na forma que Hauschka extrai sons dos instrumentos – nem que para isso seja necessário desmontá-los e recriá-los de sua maneira.

Dos acordes e cordas oscilantes de “Blue Bycicle” ao desfecho romântico de “Weeks of Rain” ao piano, o álbum busca influência na música folk como se estivesse sendo regido por Chopin sob o efeito do álcool. E assim, Ferndorf se transforma numa espécie de montanha russa de emoções – resta querer se aventurar.

Dicas de download: “Blue Bicycle”, “Freibad” (MP3) e “Heimat”