TOP 10: EPs de 2016

sexta-feira, dezembro 30th, 2016

#01. serpentwithfeet
(blisters)

O R&B moderno e nobre do cantor e compositor Josiah Wise (a.k.a. serpentwithfeet) soa como um embate sentimental entre Frank Ocean, Me’Shell Ndegéocello e ANOHNI. blisters, com seus temas espirituais e sexuais, é uma épica jornada dramática traçada por instrumentações minimalistas, percussão de palmas, elementos eletrônicos e o vocal amargurado do músico supervisionada pelo produtor The Haxan Cloak (um dos parceiros de Björk em Vulnicura).

Dica de download: “four ethers” ()



#02. Anna Wise
(The Feminine: Act I)

Com sua doçura pop e rebeldia hip hop, Anna Wise – queridinha e backing vocal do rapper Kendrick Lamar – dedica um EP para as mulheres em temas como desigualdade e empoderamento. Da frágil “Precious Possession” ao hino feminista “BitchSlut” (de versos como “If I say no, I’m a bitch, say yes I’m slut”), Wise soa como uma versão mais agressiva de Lana Del Rey ou irmã mais velha de Lorde (“Decrease My Waist, Increase My Wage”) com influência da escola musical de Lamar.

Dica de download: “BitchSlut” ()



#03. Charli XCX
(Vroom Vroom )

Charli XCX adota o pop hiperativo e borbulhante da PC Music de Samuel Long (a.k.a. SOPHIE) no inusitado EP Vroom Vroom. Diverte-se despretensiosamente na faixa título, celebra a amizade no dueto com Hannah Diamond em “Paradise” e solta uma marcha feminista com direito a um sample de Uma Thurman – extraído de ‘Pulp Fiction: Tempo de Violência’ (1994) – na hipnotizante “Trophy”. “Secret” seria a faixa ideal para Gwen Stefani renovar seu portfólio.

Dica de download: “Trophy” ()



#04. Carly Rae Jepsen
(Emotion Side B)

A coleção de faixas descartadas de E·MO·TION é o pop com injeção dos anos oitenta de Carly Rae Jepsen empanturrado de letras espertas. Seja para tratar uma rejeição amorosa como doença (“Fever”), não suportar a pressão de ser “a escolhida” (“The One”) ou na inesperada “Store” em que termina uma relação de forma prática (“I’m not that good at goodbyes (…) I’m just going to the store”) como quem vai comprar pão na esquina.

Dica de download: “Store” ()


#05. Massive Attack
(Ritual Spirit)

Os músicos do Massive Attack, pioneiros do trip hop, convidam nomes como Azekel, Roots Manuva, Tricky (ex-integrante do grupo) e o grupo Young Fathers para atualizar e ampliar sua sonoridade intensa em Ritual Spirit. O resultado soa como um pesadelo eletrônico e monstruoso (“Take It There”) com cenários distintos criados em cada uma das participações do compacto.

Dica de download: “Voodoo In My Blood” ()



#06. H.E.R.
(H.E.R. Volume 1)

O H.E.R., projeto (quase) misterioso de Gabi Wilson, ganhou as paradas R&B após chamar a atenção de nomes como Alicia Keys, Wyclef Jean e outros artistas que se renderam ao talento da enigmática cantora. Com seu vocal apurado e atraente, a garota navega por um mar de esperanças (“Losing”) para encontrar paz nos relacionamentos conturbados (“Facts”) sob a direção hip hop contemporânea e inspirada nos anos 90 de DJ Camper, responsável por trabalhos de Jay Z, Nicki Minaj e Mariah Carey.

Dica de download: “Focus” ()



#07. Her
(Her Tape #1)

Os franceses do Her poderiam ser definidos como um ménage à trois musical entre Al Green, Jamie xx e Jungle com a sonoridade sutil e romântica R&B pincelada pelo pop luxurioso. Suas canções são moldadas em vocais sussurrados, teclados calorosos e guitarras dedilhadas que musicalmente percorrem (“Quite Like”) o corpo de seu ouvinte.

Dica de download: “Five Minutes” ()



#08. SBTRKT
(Save Yourself)

A eletrônica cinematográfica e afetiva do produtor britânico Aaron Jerome (a.k.a. SBTRKT) conta com a força de artistas como Mabel (filha de Neneh Cherry), The-Dream, D.R.A.M. e (o parceiro de longa data) Sampha em Save Yourself. Sua épica aventura é traçada de descrença (“I Feel Your Pain”) em instrumentos de sopro aliados à eletrônica R&B (“Good Morning”), soul pulsante e dubstep.

Dica de download: “I Feel Your Pain” ()



#09. Juliette Lewis
(Future Deep)

A atriz Juliette Lewis revela sua veia explosiva e invoca uma versão feminina de Iggy Pop em Future Deep. Seu rock sujo de vocal rasgado estoura em “Any Way You Want”, deleita-se no pop funk “Hello Hero” – com produção de Isabella Summers (do Florence and the Machine), flerta com a eletrônica na faixa título e joga-se de cabeça na blues rock sessentista “I Know Trouble”.

Dica de download: “Future Deep” ()



#10. SOFI TUKKER
(Soft Animals)

O SOFI TUKKER, formado por Sophie Hawley-Weld e Tucker Halpern, confidencia uma identidade world music pop fascinante no EP de estreia. Suas canções são movimentas por uma eletrônica apoiada em guitarras elétricas com essência rock psicodélica do tropicalismo (“Drinkee”), o charango (“Matadora” com letra inspirada no poema “Ai de mim, Aipim” do poeta e letrista brasileiro Chacal) e percussões exóticas (“Awoo”) com a dupla mostrando desenvoltura na língua portuguesa.

Dica de download: “Matadora” ()



TOP 10: EPs de 2016

TOP 50 de discos de 2016 – # 01-10

sexta-feira, dezembro 23rd, 2016

#01. Frank Ocean
(Blonde)

Frank Ocean canta com um primor à flor da pele seus fracassos amorosos (“Ivy” e “Nights”), encontros às escuras com rapazes (“Good Guy”), drogas (em “Be Yourself” com o discurso da mãe de um amigo de infância seguida por “Solo” e a necessidade de ficar “high”), valores familiares (“Futura Free”), consumismo (“Nikes” e a preocupação com a sociedade onde adolescentes perdem suas vidas junto a uma homenagem ao jovem Trayvon Martin – “R.I.P. Trayvon, that nigga look just like me”) e desejos eróticos (“Self Control”) levando-nos para dentro de sua mente reclusa desde o lançamento do álbum Channel Orange (2012).

Blonde é a representação das emoções de Ocean em melodias genuínas – de guitarras elétricas afrontadas por teclados e percussão R&B – como um reality show tardio para acompanhar seu viés introspectivo. Vale destacar a participação das vozes “coadjuvantes” de Beyoncé (em “Pink + White”) e Jazmine Sullivan (“Solo”), além do caprichado time de produtores – de Jon Brion a James Blake – que colaboram com o artista no registro.

Dica de download: “Solo”, “Self Control” e “Ivy”



#02. Beyoncé
(Lemonade)

Lemonade é um grito travado na garganta para exorcizar infidelidade, racismo e despertar o espírito feminista com ousadia, a mesma que Beyoncé galanteia com confiança pelos gêneros do disco. Movimenta-se pelo blues rock pesado com Jack White em “Hurt Yourself”, arrisca-se no country em “Daddy Lessons”, diverte-se com o indie em “Hold Up” – com a mão de Ezra Koening (do Vampire Weekend), Diplo e sample do Yeah Yeah Yeahs -, no pop sombrio de “6 Inch” com The Weeknd e mostra vigor na libertadora “Freedom” com Kendrick Lamar. Como a própria coloca (nas palavras da vó de Jay Z): fez de limões – todos os temas azedos – uma bela limonada.

Dica de download: “Freedom”, “Sorry” () e “Hold Up” ()



#03. Mitski
(Puberty 2)

Puberty 2 é um relato autobiográfico traçado pela brutalidade e paixão exagerada no espírito de uma riot grrrl com guitarras carregadas (“My Body’s Made of Crushed Little Stars”). Nesta “puberdade” na fase adulta, Mitski crê que a felicidade é uma grande fantasia (“Happy”), a depressão é comum (“Fireworks”), as inseguranças são traumas de infância que nos acompanham (“A Burning Hill”) e os relacionamentos deveriam ser tratados de maneira mais modesta – mas nós os complicamos (“Thursday Girl” e Your Best American Girl”) – como canta neste manifesto sagaz e rabioso.

Dica de download: “Your Best American Girl” (), “Fireworks” e “Happy” ()



#04. Chance The Rapper
(Coloring Book)

Chance The Rapper com seu hip hop sermão, rap espiritual e pop religioso trilhado pela música gospel (“All We Got”) reflete crônicas da história negra como manifesto de libertação e amadurecimento pessoal (“Summer Friends” e “Same Drugs”) como artista. O garoto é Kanye West sem a loucura egocêntrica e Kendrick Lamar sem o fardo político, mas com olhar otimista para conversar com o homem lá em cima (“Blessings”) e elevar o espírito da galera na companhia de 2 Chainz, Justin Bieber, KAYTRANADA, Francis and the Lights, Future, Jay Electronica, Lil Wayne e Kanye West

Dica de download: “Summer Friends” (), “All Night” () e “No Problem” ()



#05. Bon Iver
(22, A Million)

Em seu terceiro registro de estúdio, o Bon Iver aventura-se numa produção críptica, de falhas e truques – assim como os títulos das faixas – a serem desvendados (“22 (OVER S∞∞N)”), combinando sons inovadores em sua estética folk fantasmagórica. Os vocoders exagerados revelam sua aura emotiva e os sintetizadores pop new age experimentais (“8 (circle)”) trilham uma influência complexa vinda do Radiohead, James Blake e Kanye West – principalmente da era Yeezus – para complementar seu repertório de beleza autêntica.

Dica de download: “33 “GOD” (), “10 d E A T h b R E a s T ⚄” () e “22 (OVER S∞∞N)” ()



#06. ANOHNI
(Hopelessness)

Com assinatura dos produtores eletrônicos Hudson Mohawke e Oneohtrix Point Never, a cantora ANOHNI teme pelo futuro da humanidade em tempos de crise ao reportar temas como ecocídio (“4 Degrees”), perda de liberdade (na sarcástica “Watch Me” direcionada à NSA), guerra de drones (“Crisis”), terrorismo (“Drone Bomb Me”) e um puxão de orelha em Obama (“Obama”) em seu acessível e urgente álbum protesto. Apesar do título e discussões, o vocal icônico da artista sugere que nem tudo está perdido e há motivos para se manter as esperanças.

Dica de download: “Watch Me”, “Drone Bomb Me” () e “I Don’t Love You Anymore” ()



#07. Solange
(A Seat at the Table)

Com elegância em sua voz e instrumentações soul, Solange alcança uma maturidade musical inquestionável ao transmitir sua mensagem política e social com intenção de “provocar a cura e pavimentar uma jornada de empoderamento e autoafirmação” como revela. Canções como “Don’t Touch My Heair”, “F.U.B.U.” e os interlúdios (com seus pais em “Interlude: Tina Taught Me” e “Interlude: Dad Was Mad”) lidam com racismo e inconformação (“Mad”) de mãos dadas com seus convidados – Lil Wayne, Sampha, Tweet, André 3000 e Kelela – que fortalecem a mensagem de A Seat at the Table.

Dica de download: “Junie”, “Don’t Touch My Hair” () e “Cranes In The Sky” ()



#08. Radiohead
(A Moon Shaped Pool)

As canções do Radiohead trafegam aos extremos. Podem ser nervosas, questionadoras (“Burn the Witch”), desconsoladoras (como na singular “True Love Waits” e “Daydreaming” em que Yorke canta o fim do relacionamento de anos com Rachel Owen) e políticas (“The Numbers”). A Moon Shaped Pool é uma combinação dos álbuns Kid A e In Rainbows com originalidade própria e visão (como todas as produções) muito além do habitual, numa experiência complexa e humana musicada pelo perfeccionismo bucólico da banda.

Dica de download: “True Love Waits”, “Daydreaming” () e “The Numbers” ()



#09. David Bowie
(★ (Blackstar))

A morte e a salvação profetizam o enigmático e artístico ★ (Blackstar) de David Bowie. Suas canções abraçadas pelo rock jazz sombrio e denso, com aura contemporânea nas orquestrações lisérgicas (“Tis A Pity She Was A Whore”) e vocais característicos do músico, refletem uma odisseia angustiante nesta obra post-mortem que é uma despedida dolorosa deste mundo em forma de arte (“Lazarus”).

Dica de download: “Lazarus” (), “Tis A Pity She Was A Whore” () e “Dollar Days”



#10. Rihanna
(ANTI)

Acabou a farofa! Com versos como “I got to do things my own way, darling”, em “Consideration”, Rihanna livra-se do pop fácil e quer ser alguém para se levar a sério. Para isso corre riscos e abandona as pistas de dança – deixando “Work” com Drake exercer o papel de hit – de forma libertadora ao descobrir novas sonoridades para o seu vocal poderoso e acrobático. O atemporal ANTI é uma evolução natural para a artista que atinge perfeição na doo-wop (“Love On The Brain”), na atmosférica versão de “Same Ol’ Mistakes” (cover de Tame Impala), na sombria “Desperado” ou na sexy “Kiss It Better” (com suas guitarras à la Prince).

Dica de download: “Kiss It Better” (), “Desperado” e “Love On The Brain”

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TOP 50 de discos de 2016 – # 01-10

TOP 50 de discos de 2016 – # 11-20

quinta-feira, dezembro 22nd, 2016

#11. Kanye West
(The Life of Pablo)

O polêmico Kanye West é o seu maior inimigo neste complexo The Life of Pablo. Se o mundo o assiste como um verdadeiro vilão – com “Famous” roubando a atenção de uma obra por inteiro devido aos versos direcionados à Taylor Swift – e dono de um ego gigantesco, o rapper expõe-se tão confiante e satírico (“I Love Kanye”) quanto vulnerável nos seus papéis mundanos como marido (“FML”), estrela do showbizz (“Real Friends”) e pai distante (“Father Stretch My Hands, Pt. 2”) neste evangelho pessoal em que ele e Kim Kardashian são anunciados como José e Virgem Maria (“Wolves”).

Dica de download: “Ultralight Beam”



#12. Blood Orange
(Freetown Sound)

O produtor, cantor e compositor Devonté “Dev” Hynes (a.k.a. Blood Orange) faz de seu Freetown Sound um trabalho ousado e desafiador. Trata de temas raciais (“By Ourselves” e “Hands Up”), gênero (“Desirée”, sobre uma amiga trans e com citação do documentário ‘Paris Is Burning’) e identidade (“Augustine”) no seu repertório embalado por composições encharcadas no pop R&B dos anos 80 na cia. de nomes como Empress Of (em “Best To You”), Carly Rae Jepsen (em “Better Than Me”), Debbie Harry (em “E.V.P”) e Nelly Furtado (em “Hadron Collider”).

Dica de download: “Best to You” ()



#13. Anderson .Paak
(Malibu)

O músico e compositor Anderson .Paak (protegido de Dr. Dre) absorve diversas vertentes da música negra com arranjos modernos e letras de carácter autobiográfico (como em “The Bird” em que apresenta sua conturbada família) com uma pegada maleável neste radiante Malibu. O piano traz o jazz, os metais o funk e os coros o soul em composições elegantes que exalam a sensualidade de D’Angelo (“Water Fall (Interlude)”), o espírito inquieto de Kendrick Lamar (“Come Down”) e a engenhosidade de Stevie Wonder e James Brown (“Celebrate”).

Dica de download: “Come Down” ()



#14. Jessy Lanza
(Oh No)

O R&B, a eletrônica pop e as colagens sonoras do anos 90 moldam o segundo disco de estúdio de Jessy Lanza. A bombástica “V V Violence” (sobre um amor não correspondido e versos como “I say it to your face, but it doesn’t mean a thing, no!”), a intimista “Vivica” (que poderia ser uma produção de FKA twigs), o groove da faixa título e o clímax delirante de “It Means I Love You” (com o sample dos sul africanos do Foster Manganyi) permitem a canadense brilhar com sua estética vintage e batida dance pop junto à produção contagiante de Jeremy Greenspan, do Junior Boys.

Dica de download: “It Means I Love You” ()



#15. School of Seven Bells
(SVIIB)

SVIIB é uma carta de adeus de Alejandra Deheza ao seu colega de School of Seven Bells, Benjamin Curtis, vítima de um câncer em 2013. Ela encontra garra em um synthpop iluminado (“On My Heart”), emotivo (“This Is Our Time”) e eufórico (“Ablaze”) para cantar a trajetória solitária num tributo à amizade em que é capaz de extrair esplendor do luto que rodeia o registro.

Dica de download: “On My Heart” ()



#16. Margaret Glaspy
(Emotions And Math)

Um pouco mais de 30 minutos é o suficiente para Margaret Glaspy dar o seu recado em Emotions And Math. Suas canções honestas e amarguradas são enriquecidas pela guitarra blues rock distorcida (“Memory Street”) e voz doce rasgada, camuflada por uma série de arrependimentos (“Somebody to Anybody”) e desilusões (“You And I”), da artista que trata o amor como algo obsessivo e ordinário para se sentir com os pés no chão.

Dica de download: “You And I” ()



#17. Kristin Kontrol
(X-Communicate)

A roqueira Kristin Welchez – a Dee Dee do Dum Dum Girls – parece passar por uma lavagem cerebral para revelar sua identidade como Kristin Kontrol no trabalho solo X-Communicate. É uma nova artista que encontra inspiração no pop adocicado dos anos oitenta, de sintetizadores apurados e guitarras ponderadas, com influência notável de Paula Abdul, Debbie Gibson e Terri Nunn (“White Street” e “Show Me”) no repertório.

Dica de download: “(Don’t) Wannabe” ()



#18. Angel Olsen
(MY WOMAN)

Angel Olsen com suas canções ricas em sentimentos, versatilidade vocal e sonoridade carregada na tensão dos riffs extraídos da guitarra – seja na ‘lynchiana’ “Intern”, na fragilidade de “Never Be Mine” ou na expansiva grunge “Shut Up Kiss Me” – liberta-se da imagem lo-fi dos trabalhos anteriores com um entusiasmo e energia pop rock que não se conhecia até este MY WOMAN.

Dica de download: “Shut Up Kiss Me” ()



#19. Shura
(Nothing’s Real)

A espera de dois anos pelo disco de estreia de Shura, estourada pelo single “Touch”, trouxe-nos uma garota segura e inspirada pelo synthpop oitentista de Madonna (“Indecision”) e o disco groove da época (“Tongue Tied” e “Nothing’s Real”) que se enquadraria perfeitamente na trilha sonora de um clássico filme de John Hughes e sem pretensão de parecer descolada, mas essencial para qualquer trama (“2shy”) juvenil.

Dica de download: “What’s It Gonna Be?” ()



#20. Céu
(Tropix)

A MPB de Céu esfrega-se de mansinho em elementos sutis da eletrônica gringa – “Camadas” soa como as primeiras produções do Zero 7 se estivessem de férias no Brasil – com uma disposição inovadora em Tropix. A malemolência do vocal sussurrado da artista pactua com as batidas, loopings e beats (“Varanda Suspensa” e “Minha Bics”) num convite para dançar livremente à meia luz.

Dica de download: “Chico Buarque Song” ()



TOP 50 de discos de 2016 – # 11-20

TOP 50 de discos de 2016 – # 21-30

quarta-feira, dezembro 21st, 2016

#21. KAYTRANADA
(99.9%)

O produtor eletrônico KAYTRANADA evidencia versatilidade e intensidade no disco de estreia 99.9%. Seu caldeirão de influências musicais e convidados estelares – como o AlunaGeorge com sua sensibilidade pop em “Together”, o hip hop contemporâneo de Vic Mensa (“Drive Me Crazy”) e Anderson.Paak (“Glowed Up”), o BadBadNotGood com sua excentricidade jazz em “Weight Off” e a tropicália no sample de “Pontos De Luz” de Gal Costa em “Lite Spots” – arquiteta uma obra singular e coerente.

Dica de download: “Lite Spots” ()



#22. Lucy Dacus
(No Burden)

O disco de estreia de Lucy Dacus, gravado em apenas um dia e lançado por um selo independente, é um trabalho de composições confessionais de uma adolescente expondo frustrações (“I Don’t Want Be Funny Anymore”) e vulnerabilidades existenciais com crueza ou fazendo piada de si mesma. As composições embaladas pelo indie rock de riffs precisos na guitarra, percussão alinhada e o vocal amargurado da garota trilham os passos de Courtney Barnett e Sharon Van Etten com legitimidade própria.

Dica de download: “Map On A Wall” ()



#23. Bat for Lashes
(The Bride)

O cinematográfico The Bride, o quarto disco de estúdio de Natasha Khan (a.k.a. Bat for Lashes), é um trabalho conceitual e desconsolador na história da noiva que perde o pretendente em um acidente de carro no dia do casamento e parte inconformada (“Never Forgive The Angels”) em sua solitária lua de mel (“Honeymooning Alone” e “Sunday Love”) para encontrar forças para retomar sua vida e amar novamente (“I Will Love Again”).

Dica de download: “Sunday Love” ()



#24. James Blake
(The Colour In Anything)

The Colour In Anything é uma injeção de tristeza amorosa fornecida por James Blake com os estágios do fim de um relacionamento de forma didática e melodramática. O processo com o término doloroso (“Radio Silence” e “f.o.r.e.v.e.r.”), a luz no fim do túnel (“Waves Know Shores” e “I Need a Forest Fire” com Bon Iver) e os novos ciclos (“Always”) abrem os caminhos da eletrônica minimalista com força extra nas orquestrações que colorem a sensibilidade romanesca de Blake.

Dica de download: “Radio Silence” ()



#25. PJ Harvey
(The Hope Six Demolition Project)

A roqueira PJ Harvey transforma-se numa espécie de correspondente de guerra e detalha sua jornada pelo Kosovo (“Chain of Keys”), Afeganistão (“The Community of Hope”) e Washington (“River Anacostia”) num trabalho desafiador. Com seu jazz rock pesado de guitarras sobressalentes, instrumentos de sopro como saxofones e percussão firme, suas canções poderiam servir de trilha sonora de um documentário jornalístico da CNN.

Dica de download: “The Wheel” ()



#26. Hamilton Leithauser + Rostam
(I Had A Dream That You Were Mine)

O casamento musical inusitado do indie rock de Hamilton Leithauser (ex-The Walkmen) e o indie pop de Rostam Batmanglij (ex-Vampire Weekend) em I Had A Dream That You Were Mine resulta em melodias charmosas e dinâmicas calcadas pelo folk, country-rock, blues e doo-wop para projetar narrativas de amores não correspondidos, fracassos e reconciliação.

Dica de download: “In a Black Out” ()



#27. Chairlift
(Moth)

O Chairlift cumpre as expectativas de seu antecessor, Something, nas experimentações coligadas pop (com inspiração no Bhangra em “Ch-ching”), jazz, funky, disco e soul para esculpir a eletrônica fascinante (“Moth to the Flame”), frenética (“Romeo”) e romântica (“Crying In Public” e “Unfinished Business”) num registro delicado e composto de singles promissores embalados pela emoção e vocal sexy de Caroline Polachek.

Dica de download: “Ch-ching” ()



#28. Bayonne
(Primitives)

O produtor/multi-instrumentista Roger Sellers (a.k.a. Bayonne) assume o papel de um mago, com seus loops hipnóticos e texturas musicais em Primitives, para nos levar a um universo colorido a ser descoberto. Seus artefatos eletrônicos de samples acelerados com notas de piano, percussão marcante e vocais etéreos revelam um cenário em que governa com maestria o seu mundinho com inspiração em trabalhos clássicos de Philip Glass e aventureiro do Animal Collective.

Dica de download: “Appeals” ()



#29. LEISURE
(LEISURE)

Os neozelandeses do LEISURE, com sua fórmula sexy soul psicodélica, carregam uma união de referências fáceis de visgar qualquer ouvinte. No caminho, eles colocam na bagagem a produção relaxante de Mark Ronson em conjunto com a pegada pop alternativa de Danger Mouse, a psicodelia do Tame Impala, o clima funky groove do Jungle e a sedução de Chet Faker para montar a sua equação sonora afável.

Dica de download: “Go It Bad” ()



#30. Savages
(Adore Life)

Adore Life é a visão do amor nas mãos firmes das roqueiras do Savages com seu post punk brutal e ameaçador (“T.I.W.Y.G.”) pronto para nos socar no peito. A banda vem com letras diretas para expressar seus sentimentos de forma arrebatadora e raivosa, encontrando um certo alívio contido no disco de estreia Silence Yourself.

Dica de download: “Adore” ()



TOP 50 de discos de 2016 – # 21-30

TOP 50 de discos de 2016 – # 31-40

terça-feira, dezembro 20th, 2016

#31. Phantogram
(Three)

Em Three, o duo Phantogram enfrenta temas como morte, amores possessivos (“You’re Mine”), desilusões (“Cruel World”) e agressão (“Run Run Blood”) com letras envolvidas pela eletrônica caótica (“You Don’t Get Me High Anymore”) de samples extravagantes (como no rock shoegaze e soul “Same Old Blues”) e o vocal tentador de Sarah Barthel. Um trabalho musicalmente sólido e explosivo (“Calling All”) para combater uma série de demônios pessoais.

Dica de download: “Same Old Blues” ()



#32. Wilco
(Schmilco)

Com minimalismo acústico e espontaneidade nas melodias polidas com influência de Bob Dylan e Beatles, Jeff Tweedy expõe memórias amargas e juvenis (“Normal American Kids”) em letras introspectivas e pessoais – como a morte de sua mãe (“Happiness”) ou a batalha da esposa contra o câncer (“Cry All Day”) – numa obra profunda que revela sua riqueza gradualmente.

Dica de download: “If I Ever Was A Child” ()



#33. Postiljonen
(Reverie)

Reverie – do francês “devaneio” / “sonho” – é a melhor forma de retratar os lugares que a música do Postiljonen nos transporta. A eletrônica sonhadora de sintetizadores mágicos, vocais harmônicos e instrumentos clássicos clama amor (“Are You Thinking of Me”) e positivismo (“Go!”) de forma libertadora (“Interlude (Celebration)”) com o frescor dos anos 80 nas guitarras e saxofones (“The Open Road”) afrontados com o synthpop cintilante das produções.

Dica de download: “Wait” ()



#34. Michael Kiwanuka
(Love & Hate)

Se o álbum de estreia Home Again era uma coletânea de composições íntimas e modestas, Love & Hate é um crescimento musical de Kiwanuka ao arriscar-se no R&B setentista, funk e rock progressivo – como um encontro entre Muddy Waters, Isaac Hayes e Pink Floyd (“One More Night” e “Cold Little Heart”) – com seu soul à moda antiga numa roupagem sonora moderna e letras emocionantes sobre amor, religião e inseguranças pessoais (“Black Man In A White World”).

Dica de download: “Black Man In A White World” ()



#35. case/lang/veirs
(case/lang/veirs)

Há uma beleza rara no álbum colaborativo de Neko Case, k.d. lang e Laura Veirs. case/lang/veirs conta com três grandes mulheres dividindo experiências e identidades musicais com sintonia nas harmonias folk rock impecáveis (“Delirium” e “Atomic Number”), composições cativantes (“Honey and Smoke”) e alternando protagonismo vocal de forma equilibrada em todo o registro.

Dica de download: “Best Kept Secret” ()



#36. Andy Shauf
(The Party)

O conceitual The Party é um apanhado de personagens e histórias retratadas de uma festa pelo olhar detalhista do músico Andy Shauf – desde o primeiro convidado (“Early To The Party”) ou a garota que dança sozinha com confiança (“Eyes Of Them All”) – em melodias que retomam a elegância das baladas dos anos 60/70 e que poderiam ganhar as telas num roteiro idealizado pelo cineasta Paul Thomas Anderson (como fez em ‘Magnólia’ com Aimee Mann).

Dica de download: “Quite Like You” ()



#37. Basia Bulat
(Good Advice)

Basia Bulat junta-se ao músico Jim James (do My Morning Jacket) para produzir suas desilusões amorosas (“La La Lie”) em Good Advice e incrementar com tendências pop rock e soul (“Long Goodbye”), em teclados eletrônicos e orgânicos, o habitual folk sentimental e auspicioso (“Infamous” e “Fool”) da canadense.

Dica de download: “Infamous” ()



#38. Niki and the Dove
(Everybody’s Heart Is Broken Now)

O duo sueco Niki & The Dove sela um compromisso com os anos 80 neste atemporal Everybody’s Heart Is Broken Now. Suas produções nostálgicas de sintetizadores atmosféricos soam como uma viagem de mãos dadas pela galáxia com Prince (“So Much It Hurts”), Fleetwood Mac (“Love UB”), Kate Bush (“Play It On My Radio”) e Lipps Inc (“Shark City (Tropico X)”) em suas composições fantasiosas.

Dica de download: “Play It On My Radio” ()



#39. Kendrick Lamar
(untitled unmastered.)

untitled unmastered. são sobras imperfeitas propositais e faixas não finalizadas do elogiado álbum To Pimp A Butterfly em que Kendrick Lamar vaga por gêneros musicais com propriedade – passeia pelo funk, soul e jazz -, munido de instrumentações ricas e letras controversas para desenhar o seu rap poético sobre sua relação com drogas, Deus, violência (“untitled 05 l 09.21.2014″) e luta contra a segregação nos Estados Unidos.

Dica de download: “untitled 03 | 05.28.2013.” ()



#40. NAO
(For All We Know)

A voz doce de NAO e seu time perspicaz de colaboradores – como os produtores A.K. Paul (“Trophy”), Jungle (“Get to Know You”) e Grades (“Girlfriend”) – fazem deste For All We Know uma odisseia pop groove moderna e criativa com inspiração de Janet Jackson (“Happy”) a Maxwell (In The Morning”).

Dica de download: “Fool To Love” ()



TOP 50 de discos de 2016 – # 31-40

TOP 50 de discos de 2016 – # 41-50

segunda-feira, dezembro 19th, 2016

#41. Nice As Fuck
(Nice As Fuck)

O supergrupo das meninas Jenny Lewis, Erika Forster (do Au Revoir Simone) e Tennessee Thomas (do The Like) vaga pelo rock (“Runaway”), funk (“Angel” e “Cookie Lips”) e post punk (“Higher”) com contos açucarados de amor e reflexão. As nove composições do disco são engrenadas com modéstia em baixos acelerados, percussão afiada e leveza na voz de Lewis como se estivessem saindo direto de um ensaio entre amigas numa garagem.

Dica de download: “Door” ()



#42. AlunaGeorge
(I Remember)

I Remember é um novo horizonte musical para o AlunaGeorge. Se no disco de estreia Body Music, a eletrônica R&B atmosférica da dupla envolvia o corpo de sensações, desta vez a proposta é mexer-se muito para tirar os encostos e os pés do chão. A combinação de gêneros viaja dos anos 90 (“Heartbreak Horizon”) à atualidade – com moombahton, trap e tropical house (“I’m In Control” e “Mean What I Mean”) – em melodias cativantes e fáceis de receber o grande público

Dica de download: “Not Above Love” ()



#43. James Vincent McMorrow
(We Move)

Em seu terceiro disco de estúdio We Move, James Vincent McMorrow volta com um material distinto dos antecessores e fora da zona de conforto. Dá um salto do folk para o terreno eletrônico R&B, de nomes como James Blake e Bon Iver, na sonoridade minimalista e acolhedora supervisionada pelos produtores Nineteen85 (de “Hotline Bling” de Drake), Two Inch Punch e Frank Dukes (responsável por trabalhos de Rihanna e Kanye West) para mostrar suas serenatas avassaladoras.

Dica de download: “Get Low” ()



#44. M83
(Junk)

O produtor Anthony Gonzalez (a.k.a. M83) sempre deixou explícito o seu fascínio pelos anos 80 em seus trabalhos. Explorar o lado “chinfrim” e teatral da época em fórmulas enlatadas da italo disco chill (“Bibi the Dog”), sintetizadores espaciais, solos de guitarras e saxofones exagerados que parecem servir de trilha sonora de um antigo programa de TV (“Moon Crystal” e “Road Blaster”) é uma revitalização do pastiche com propriedade na companhia de nomes como Beck (“Time Wind”), Steve Vai (“Go!”), MAI LAN e Susanne Sundfør (“For the Kids”).

Dica de download: “Do It, Try It” ()



#45. RY X
(Dawn)

O disco de estreia do compositor e produtor australiano Ry Cuming (a.k.a. RY X) é uma jornada de emoções crescentes (“Sweat”) em que a melancolia do folk acamado do artista encontra companhia em arranjos luxuosos, sintetizadores estáveis e o vocal sereno do músico para travar batalhas amorosas em busca de redenção (“Only”).

Dica de download: “Berlin” ()



#46. LION BABE
(Begin)

A estreia do duo neo soul LION BABE, da cantora Jillian Hervey — filha da modelo e atriz Vanessa Williams — e do produtor Lucas Goodman, combina beats eletrônicos modernos com a sonoridade soul (“Jump Hi” e “Jungle Lady”), funk (“Got Body” e “Wonder Woman”) e disco brilhante (“Where Do We Go”) como um clone de Erykah Badu guinada pelo pop.

Dica de download: “Wonder Woman” ()



#47. Maria Usbeck
(Amparo)

A cantora/compositora equatoriana Maria Usbeck, vocalista da banda new wave Selebrities, abraça sua língua materna e canta em espanhol pela primeira para mapear uma jornada pessoal com inspiração nos contos de seus familiares e viagens pelo mundo. Suas melodias transcendentais e ecléticas, com influências nostálgicas do continente latino, ganham a mão mágica de Caroline Polachek (do Chairlift) na produção.

Dica de download: “Uno De Tus Ojos” ()



#48. Tegan and Sara
(Love You to Death)

As irmãs Tegan and Sara escolhem o caminho pop oitentista, como se Katy Perry entrasse em excursão com o The Human League com a produção antenada e firme (“Stop Desire” e “U-turn”) do mago pop Greg Kurstin, para cantar de forma honesta e sensível o amor de todas as formas (“Boyfriend”).

Dica de download: “Stop Desire” ()



#49. Flume
(Skin)

O produtor australiano Harley Streten (a.k.a. Flume) lança um disco completo de hits musicais na companhia de nomes como Kai (“Never Be Like You”), Vic Mensa (“Lose It”), AlunaGeorge (“Innocence”), Beck (“Tiny Cities”) e Tove Lo (“Say It”) desamarrando-se de gêneros musicais e sem afetar a autenticidade criativa de sua eletrônica vertiginosa.

Dica de download: “Say It” ()



#50. Wet
(Don’t You)

As canções do trio Wet enumeram emoções amorosas – tanto em forma de celebração ou de perda – com sua eletrônica R&B inspiradora de beats atraentes, sintetizadores delicados, pianos sutis, guitarras dedilhadas e o vocal puro de Kelly Zutrau em letras simples, como um diário adolescente, de fácil identificação.

Dica de download: “All The Ways” ()



TOP 50 de discos de 2016 – # 41-50

TOP 10: videoclipes de 2016

quarta-feira, dezembro 14th, 2016

#01. Beyoncé“Lemonade”
Direção: Beyoncé, Melina Matsoukas, Todd Tourso, Kahlil Joseph, Dikayl Rimmasch, Jonas Åkerlund e Mark Romanek

Beyoncé - Lemonade

O álbum visual Lemonade de Beyoncé é um grito feminista, de igualdade racial, amor, traição e família divido em capítulos de autoconhecimento numa narrativa e visão artística digna de uma jornada filosófica do cineasta Terrence Malick.

A artista, consciente de sua importância na cultura pop, adiciona seu viés politizado – como o discurso de Malcolm X de que “a mulher mais desrespeitada nos Estados Unidos é a mulher negra, a pessoa mais desprotegida nos Estados Unidos é a mulher negra, a pessoa mais negligenciada nos Estados Unidos é a mulher negra” ou na cena com mães de jovens negros assassinados pela polícia, por exemplo – numa obra provocativa, impactante e visualmente bela.



David #02. David Bowie“Lazarus”
Direção: Johan Renck

“Look up here, I’m in heaven”. “Lazarus”, divulgado dois dias antes de Bowie falecer, é uma despedida em que ele profetiza sua morte numa cama de hospital e recua para um armário escuro.



Kanye West - Famous #03. Kanye West“Famous”
Direção: Kanye West

A obsessão do rapper Kanye West pela fama e por pessoas famosas mostra que “por baixo dos lençóis, celebridades são pessoas como todos nós”.



Jamie xx - Gosh #04. Jamie xx – Gosh“Gosh”
Direção: Romain Gavras

Num futuro distante, um grupo de jovens de Tianducheng busca uma realidade alternativa e com visão extremista num exército coreografado (sem efeitos) milimetricamente.



Radiohead - Daydreaming #05. Radiohead“Daydreaming”
Direção: Paul Thomas Anderson

Passando de porta em porta, Thom Yorke vaga como um fantasma na vida de desconhecidos numa metáfora de decisões realizadas em inúmeras fases da vida.



Frank Ocean - Nikes #06. Frank Ocean“Nikes”
Direção: Tyrone Lebon

Fantasias sexuais, um chihuahua fazendo rap, tributos a Pimp C e Trayvon Martin, demônios em teatros e Frank Ocean coberto em glitter unem beleza e comoção num material poderoso.



Grimes - Kill V. Maim #07. Grimes“Kill V. Maim”
Direção: Grimes e Mac Boucher

A canadense Grimes, em sua versão vampirinha, leva-nos ao seu submundo cyberpunk colorido pronta para transformar uma rave numa festa (divertidamente) sanguinária.



Mykki Blanco - High School Never Ends #08. Mykki Blanco“High School Never Ends”
Direção: Matt Lambert

A impetuosa versão de ‘Romeo e Julieta’ de Blanco, entre um integrante da comunidade LBGT e um neonazista, confronta amor e violência à flor da pele numa zona rural na Alemanha.



Miike Snow - Genghis Khan #09. Miike Snow“Genghis Khan”
Direção: Ninian Doff

O Miike Snow presta uma homenagem aos clássicos filmes do célebre agente 007 com muita ação, dança e um ‘crush’ mal resolvido entre o vilão e o mocinho.



Mitski - Happy #10. Mitski“Happy”
Direção: Maegan Houang

“Happy” apresenta a história de uma dona de casa sofrida dos anos 50 que descobre um enigma de uma aparente traição com um desfecho aterrorizante.



BONUS TRACK:

Gwen Stefani - Make Me Like You #11. Gwen Stefani“Make Me Like You”
Direção: Sophie Muller

Gwen Stefani fez história com o divertido videoclipe de “Make Me Like You” ao gravar o trabalho ao vivo, por cenários coloridos e retrôs, durante o intervalo do Grammy deste ano.


TOP 10: videoclipes de 2016

TOP 10 – videoclipes: 2015 | 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009 | 2008

TOP 10: EPs de 2015

domingo, dezembro 27th, 2015

#01. FKA twigs
(M3LL155X)

Após o lançamento do álbum de estreia LP1, a cantora/produtora Talilah Barnett (a.k.a. FKA twigs) volta com o EP surpresa M3LL155X, co-produzido por BOOTS. Com seus beats cronometrados e pulsantes, sintetizadores distorcidos, eletrônica R&B expansiva e aura sexy sinistra – nos sussurros ameaçadores de Barnet -, o trabalho aumenta os parâmetros inventivos do pop hipnótico e meticuloso da artista cercada por temas como feminismo, sexo, submissão e poder. E sem necessariamente buscar ser acessível.

Dica de download: “In Time” ()



#02. Tei Shi
(Verde)

Valerie Teicher (a.k.a. Tei Shi) soa como uma sereia de canto mágico e sedutor acompanhada de sintetizadores oitentistas viciantes (“Bassically”), eletrônica mínima com baixo eficaz e guitarras ecoantes (“See Me”), aura pop e R&B encantadora (“Go Slow” e “Get It” em que soa como um encontro amigável entre Solange, FKA twigs e SZA) num trabalho sentimental e emblemático produzido por Luca Buccellati.

Dica de download: “Bassically” ()



#03. Kelela
(Hallucinogen)

A cantora R&B Kelela demonstra facilidade para flertar com a eletrônica esquiva de “A Message”, canção co-escrita pelo venezuelano Arca e co-produzida ao lado de BOOTS, pular para o pop à la Janet Jackson em “Rewind”, entregar-se a beats eufóricos em “The High” e mostrar-se serena na balada “All The Way Down” para manifestar seus relacionamentos intensos de forma confiante.

Dica de download: “A Message” ()



#04. NAO
(February 15)

O pop neo soul de NAO combina a excelência R&B e pop de Mary J. Blige e AlunaGeorge através de sua musicalidade eletro funk robusta (“Inhale Exhale” que soa um hit certeiro de Jai Paul), emotiva (“Apple Cherry”), groove rock suntuosa (“Golden”) e envolvente (“Zillionaire”) percorridas com seu vocal cristalino.

Dica de download: “Zillionaire” ()



#05. Jack Ü
(Skrillex & Diplo Present Jack Ü)

Os inquietos Diplo e Skrillex chocam seus universos na companhia de amigos neste Jack Ü. Com sua mistura fina de dance, trap, moombahton, pop, dubstep e house, os produtores aparecem na companhia de Kieza (“Take Ü There”), o rapper 2 Chainz (“Febreze”), o AlunaGeorge (“To Ü”), o astro teen Justin Bieber (“Where Are Ü Now”), a talentosa Missy Elliott (no remix de “Take Ü There”), entre outros com muita informação musical em jogo e administradas com perfeição.

Dica de download: “Take Ü There” ()



#06. Annie
(Endless Vacation)

Endless Vacation tem o sabor nostálgico dos verões dos anos 90. Seja explorando o house tropical em “Cara Mia”, territórios da eurodance em “Dadaday”, no dance groove à la RuPaul de “WorkX2” ou na atmosférica “Out Of Reach” – namoricando com uma produção sexy do Enigma -, a doce Annie celebra a temporada mais quente do ano do seu jeito.

Dica de download: “WorkX2” ()


#07. Class Actress
(Movies)

O Class Actress com a mão amiga do lendário Giorgio Moroder, como produtor executivo de Movies, apresenta um apanhado de composições sedutoras com elementos dançantes (“High On Love”) e atmosfera sexy noir (“More Than You”) para acompanhar seu synthpop glamouroso e contos de luxúria (“GFE”) inspirados pelos anos 80.

Dica de download: “More Than You” ()



#08. TĀLĀ
(Malika)

A produtora/cantora londrina TĀLĀ segue explorando as raízes iranianas em sua eletrônica eclética e em Malika, o sucessor do EP Alchemy, conta com um renomado grupo de produtores, rappers, cantores (como BANKS em “Wolfpack” e as Wa$$up em “Tell Me”) e instrumentistas de todas as partes do mundo – do Egito à Coreia – para conceber um trabalho rico e abrangente em termos culturais.

Dica de download: “Wolfpack” ()



#09. Robyn & La Bagatelle Magique
(Love Is Free)

O projeto Robyn & La Bagatelle Magique, da cantora Robyn na companhia do (falecido) produtor Christian Falk e o tecladista Markus Jägersted, é um verdadeiro encontro de amigos. A eletrônica new wave explosiva de “Set Me Free”, a eletro-conga frenética de “Love Is Free” ou o groove upbeat “Tell You (Today)”, um cover de Arthur Russell com instrumentos de sopro marcantes, são envolvidas de uma deliciosa e eficiente despretensão.

Dica de download: “Set Me Free” ()



#10. Noonie Bao
(Noonia)

Depois de colaborar com diversos artistas da cena pop, de Charli XCX a Avicii, a sueca Noonie Bao investe em sua própria carreira e apresenta o EP Noonia. “Pyramids” que soa como um encontro glamouroso de Robyn com Cyndi Lauper, “I’m In Love” com a força da eletrônica eclética de Oh Land e a balada pop reggae sobre uma garota obsessiva em “Criminal Love” resultam num trabalho triunfante e que não deve descansar no álbum que a artista prepara para o próximo ano.

Dica de download: “Pyramids” ()

TOP 50 de discos de 2015 – # 01-10

sexta-feira, dezembro 25th, 2015

#01. Sufjan Stevens
(Carrie & Lowell)

“I want to save you from your sorrow”.

Sufjan Stevens sempre mostrou-se um belo contador de histórias. Basta pegar os pequenos contos do seu álbum Illinoise de 2005. Em Carrie & Lowell, o músico resgata memórias de sua infância, na companhia da mãe e do padastro – que dão nome ao registro -, em composições maduras e confessionais dedilhadas no violão e acompanhadas de melodias bem resolvidas com o sentimentalismo devastador e complexo das obras de Elliott Smith.

Se em “Should Have Know Better” revela o abandono nos primeiros anos de vida pela mãe, que possuía um triste histórico de esquizofrenia e dependência química, até mudar-se com ela e o padastro para Oregon (“Death With Dignity”), em “The Only Thing” o músico, já em vida adulta, adota um comportamento autodestrutivo para entender a conturbada mente de Carrie após a sua morte devido a um câncer em 2012.

Carrie & Lowell traz temas pessoais na vida de Stevens como ausência familiar, arrependimentos e morte num resultado emocionante para o próprio entender-se como pessoa. É um luto real de Stevens, mas que dói a cada audição em nós.

“I forgive you, mother, I can hear you”.

Dica de download: “Should Have Known Better” (), “Drawn To The Blood” () e “The Only Thing” ()



#02. Grimes
(Art Angels)

Após ser repreendida por ter um repertório muito pop num DJ set e entristecer-se com as críticas do direcionamento que seus trabalhos estavam tomando (“Go”), Grimes rompe os padrões entre o alternativo e o pop neste libertador Art Angels. Manda indiretas para os críticos (“California”) e para fãs desacreditados (“Flesh Without Blood”) em sua odisseia cyberpunk k-pop country post rock com destaque para as participações da rapper taiwanesa Aristophanes em “Scream” e uma Janelle Monáe fora da zona de conforto em “Venus Fly”. Art Angels é um liquidificador de ideias assertivas, das guitarras genéricas de “I’m Coming Out” de Diana Ross na faixa título ao espírito exaltado com essência de Le Tigre em “Kill V. Maim”, para idolatrar a artista ‘faz tudo’. Parece que o jogo virou.

Dica de download: “Kill V. Maim” (), “Venus Fly” e “California”



#03. Courtney Barnett
(Sometimes I Sit and Think, And Sometimes I Just Sit)

Os anseios e energia explosiva juvenil da cantora, compositora e guitarrista Courtney Barnett aparecem impressas em cada uma das inteligente composições deste Sometimes I Sit and Think, And Sometimes I Just Sit. Com seu rock punk firme, de riffs grandiosos e personalidade, a australiana é uma poeta da vida comum. Seus pequenos contos musicados envolvem anseios (“Pedestrian at Best”), momentos engraçados (na história do amigo confundido como um suicida em “Elevator Operator”), noites de insônia num hotel (“An Illustration of Loneliness (Sleepless in New York)”), humor negro (“Aqua Profunda!”) com doses existenciais (“Nobody Really Cares If You Don’t Go to the Party”) e tristezas amorosas (“Boxing Day Blues”) com uma fascinante vivacidade nos detalhes.

Dica de download: “Nobody Really Cares If You Don’t Go to the Party” (), “Pedestrian at Best” () e “Dead Fox” ()



#04. Joanna Newsom
(Divers)

Divers é como se Joanna Newsom levasse suas melodias medievais produzidas numa harpa ponderada para uma grande metrópole durante a década de 70. Nesta aventura visionária, a artista busca inspiração em Joni Mitchell, seja nos acordes ao piano inspirados em “River” da romântica faixa título ou na narrativa urbana da valsa “Sapokanikan”, ou no rock progressivo de guitarras elétricas em “Leaving The City”, mantendo sua essência pop barroco (“Goose Eggs” / “You Will Not Take My Heart Alive”) e propriedade no vocal infantil acrobático. A música de Newsom deveria garantir um gênero próprio.

Dica de download: “Divers” (), “Leaving The City” () e “Sapokanikan” ()


#05. Florence and the Machine
(How Big, How Blue, How Beautiful)

How Big, How Blue, How Beautiful é um disco de transição para o Florence and the Machine. Metaforicamente, soa como uma angelical Florence Welch expulsa dos céus e caindo no mundo real como uma humana pronta para sentir as dores física e sentimentais da vida comum em canções melodicamente pesadas (“What Kind Of Man” / “Ship to Wreck”) para expor suas devastadoras narrativas amorosas (“Queen Of Peace”) e libertar-se aos sons de guitarras (“Delilah”), sem perder o toque sensitivo épico (“Mother”), dramático e pessoal (nos versos “and I’m learning, so I’m leaving” de “St Jude”) das produções da banda.

Dica de download: “Delilah” (), “What Kind of Man” () e “Third Eye”



#06. Kendrick Lamar
(To Pimp A Butterfly)

O rapper Kendrick Lamar abraça todos os gêneros da música negra como soul, doo-wop, jazz, funk, blues e citações políticas para musicar seus calorosos versos envolvendo ódio racial e desigualdade social em seu terceiro registro de estúdio, o visionário e ambicioso To Pimp a Butterfly. De “King Kunta”, um funk groove setentista que cospe crítica social e racial como se estivesse numa conversa com Kunta Kinte – escravo do século XVIII e personagem principal do romance ‘Negras Raízes’ de Alex Haley – aos diálogos montados com o ícone do rap Tupac em “Mortal Man” e que o deixa sem respostas nos minutos finais, To Pimp A Butterfly faz o rapper questionar-se como artista bem sucedido, homem negro e ser humano na sociedade injusta em que vive.

Dica de download: “King Kunta” (), “Alright” () e “i” ()



#07. Georgia
(Georgia)

A multi-instrumentista e produtora Georgia soa como uma inventiva combinação de Kate Bush, Oneohtrix Point Never, M.I.A. na criação de seu pop metamorfósico e sem fronteiras para desenvolver suas crises existenciais e amores frustrados num raio-x musicado. Com eletrônica futurista tribal (“Kombine”) e exótica (“Move Systems”), beats metralhados, mantras (“you’re making me the enemy” em “Be Ache” ) e artimanhas melódicas (“Hold It”) com cadências R&B numa produção sci-fi (“Tell Me About It” soa como um hit adormecido de Timbaland), a estreia da garota é um eletropop apanhado de ideias artísticas e enlouquecedoras com caráter.

Dica de download: “Hold It” (), “Nothing Solutions” () e “Kombine” ()



#08. Tame Impala
(Currents)

O Tame Impala volta com seu rock psicodélico numa aventura eclética funk disco groove com primor dançante (na épica “Let It Happen” e “The Less I Know the Better”), serenatas enraizadas em sintetizadores sensuais com uma injeção do pop oitentista de Michael Jackson (“‘Cause I’m A Man”), guitarras distorcidas, experimentalismo e o vocal sereno de Kevin Parker que soa como um astronauta numa galáxia distante disposto a manipular seu ouvinte com suas confissões sentimentais e amargas (“Eventually”).

Dica de download: “Let It Happen” (), “Cause I’m a Man” () e “New Person, Same Old Mistakes”



#09. Björk
(Vulnicura)

Com produção do venezuelano Alejandro Ghersi (a.k.a. Arca), Bobby Krlic (a.k.a. The Haxan Cloak) e John Flynn, Vulnicura reflete a sensibilidade eletrônica e o pop lisérgico da islandesa em arranjos de cordas ricos (“Family” / “Lionsong”), remetendo a era Vespertine e Homogenic – com direito a “History of Touches” ser a “All Is Full of Love” do álbum – e ainda trazer a participação de Antony Hegarty (do Antony and the Johnsons) em “Atom Dance” para cantar seus sofrimentos amorosos após um relacionamento de longa data chegar ao fim e encontrar salvação em sua nova vida. Sim, Björk é humana.

Dica de download: “Lionsong” (), “Stonemilker” () e “Black Lake” ()


#10. Elza Soares
(Mulher Do Fim Do Mundo)

Um disco inédito de Elza Soares, a voz do milênio segundo a BBC, é capaz de despertar um samba adormecido e acomodado em seu próprio país. Na companhia de um afiado time da vanguarda musical paulistana, a cantora entrega um material corajoso e extremamente moderno. Elza é samba rock (“Pra Fuder”), samba eletrônico (“Mulher do Fim do Mundo”), samba feminista (“Maria da Vila Matilde”) e samba rap afrobeat (“Firmeza”) em arranjos e ruídos administrados magistralmente e dopados pelo vocal rouco marcante da artista nas letras críticas que refletem a vida urbana em temas como transsexualidade (“Benedita”), violência doméstica, a crise da água e morte. “Me deixem cantar até o fim…”.

Dica de download: “Maria da Vila Matilde – Porque se a da Penha é brava, imagine a da Vila Matilde” (), “Pra Fuder” () e “Mulher Do Fim Do Mundo” ()

TOP 50 de discos de 2015 – # 11-20

quinta-feira, dezembro 24th, 2015

#11. Sleater-Kinney
(No Cities To Love)

Após nove anos do álbum The Woods, as garotas do Sleater-Kinney, retornam com No Cities To Love firmes com a química turbulenta (“A New Wave”) e altas doses de adrenalina em seu rock pedrada apoteótico. Com riffs potentes, agressividade nos vocais, percussão inquieta com ares de nostalgia (“Hey Darling”) e refrões dançantes em canções sobre consumo (“Price Tag”), falsa noção da fama (“Bury Our Friends”) e opressões (“Surface Envy”), as roqueiras estão dispostas a quebrar regras como também prontas a ditar novas.

Dica de download: “No Cities To Love” ()



#12. Miguel
(Wildheart)

O cantor R&B Miguel dá continuidade ao seu jogo de sedução imposto no álbum Kaleidoscope Dream com uma carga roqueira e sensual em Wildheart. Seus beats mecânicos são abraçados com muito groove melódico, guitarras arrastadas tentadoras (“NWA” / “Hollywood Dreams”) e riffs tirados de “1979”, clássico do The Smashing Pumpkins inserido em “Leaves”, para dar coloração aos seus romances, noites de sexo e amores perigosos/redentores (“…goingtohell”) nesta fábula urbana.

Dica de download: “Coffee” ()



#13. Natalie Prass
(Natalie Prass)

O soul pop sofisticado, as floreadas instrumentações clássicas e o vocal puro de Natalie Prass chegam a remeter uma nova versão de Laura Nyro neste atemporal trabalho de estreia. Trilhado por belas melodias para apresentar conturbadas relações amorosas prestes a terminar, conduzida de forma masoquista (como nos versos “our love is like a long goodbye” de “My Baby Don’t Understand Me”), e cercadas de traições (“Your Fool”), Prass mantém o entusiasmo por um novo começo em “It Is You” que parece sair de um musical da Disney.

Dica de download: “Bird Of Prey” ()



#14. Everything Everything
(Get To Heaven)

O indie rock excêntrico do Everything Everything convoca o produtor Stuart Price (The Killers) para jogar sua exuberância pop (“The Wheel (Is Turning Now”) e organizar as percussões frenéticas com traços do rock psicodélico, os baixos grooveados e riffs melódicos de guitarra (“Regret”), a enxurrada de sintetizadores apreensivos (“Fortune 500”) e o vocal urgente em falsete de Jonathan Higgs neste utópico Get To Heaven ou “uma bíblia dos horrores” como o grupo define.

Dica de download: “Distant Past” ()



#15. Empress Of
(Me)

A cantora/compositora/produtora Lorely Rodriguez, responsável pela eletrônica multifacetada e emotiva do Empress Of, toma voos como uma produção R&B de FKA twigs com temperamento agressivo (em “Kitty Kat”), graça pop de Lykke Li (em “Make Up”) e vivacidade dançante dos primeiros trabalhos de Björk (em “How Do You Do It”) em letras universais (“Water Water”), de relações obsessivas, desejos (“Standard”) e amor próprio (“Need Myself”). Uma jovem mente apreensiva e brilhante.

Dica de download: “How Do You Do It” ()



#16. Tobias Jesso Jr.
(Goon)

O cantor/compositor Tobias Jesso, Jr., talvez mais reconhecido por suas composições em 25 ao lado de Adele, entrega canções íntimas sobre alegrias e desilusões amorosas (“Can We Still Be Friends”) com seu vocal terno na companhia de um piano com sonoridade setentista e DNA de Elton John (“Can’t Stop Thinking About You”), Paul McCartney (“Without You”) e Randy Newman (“Crocodile Tears”) com escrita que parece ter sido herdada de Carol King e James Taylor. A produção impecável de Goon é assinada por Chet “JR” White (ex-Girls), Patrick Carney (do Black Keys) e Ariel Rechtshaid.

Dica de download: “How Could You Babe” ()



#17. Jamie xx
(In Colour)

O produtor Jamie xx, do trio The xx, tenta a sorte com sua sonoridade eletrônica dinâmica sem rótulo e sucede com nuances afetuosas (“Girl”), batidas hipnóticas (“Sleep Sound”), peso direcionado aos clubes noturnos (“Gosh”) e rebuscando clássicos (em “I Know There’s Gonna Be (Good Times)” com sample de The Persuasions) com o apoio de amigos como Popcaan, Young Thug, Four Tet e os integrantes de sua banda para garantir um ar ainda mais colorido à sua artística estreia.

Dica de download: “Loud Places” ()



#18. Shamir
(Ratchet)

Após despontar com o EP Northtown, o jovem Shamir Bailey (a.k.a. Shamir) lança o disco de estreia Ratchet com sua carismática combinação de pop eletrônico, house, R&B e hip-hop num compilado de composições dançantes. Como uma cria de Michael Jackson, Grace Jones e influenciado pelo toque moderno de LCD Soundsystem, o garoto traz personalidade nos sintetizadores delirantes (“Make a Scene”) e urgência juvenil (como em “On The Regular” que soa um hit perdido de Azealia Banks e Le1f) em canções divertidas e introspectivas (“Darker”). Ratchet é o nascimento de uma pequena promissora estrela.

Dica de download: “Call It Off” ()



#19. Wolf Alice
(My Love Is Cool)

O Wolf Alice sustenta seu pop rock como um movimento saudosista dos anos 90. Sua fúria sofisticada carrega personalidade na sujeira sonora, força bruta nos riffs grunges, percussão firme e vocal nervoso sexy de Ellie Rowsell para guiar canções sobre crescer em Londres (“Giant Peach”), amizades de infância (“Bros”), crises juvenis e sentimentos de jovens apaixonadas com muita intensidade e aos berros (“You’re A Germ”) se necessário.

Dica de download: “You’re A Germ” ()



#20. Neon Indian
(VEGA INTL. Night School)

O produtor Alan Palomo (a.k.a. Neon Indian) em seu VEGA INTL. Night School abusa dos sintetizadores, joga riffs swingados de guitarra, baixos com aura funk groove e influência latino americana na elaboração de um quebra cabeça pop com resquícios de hits dos anos 80 e montado no vocal malicioso do artista. É como se o Daft Punk levasse Random Access Memories para tirar férias de verão numa ilha tropical paradisíaca com Shakira.

Dica de download: “Annie” ()