TOP 50 de discos de 2006 – # 41-50

segunda-feira, 18 dezembro de 2006 23:20

#41. TeddyBears
(Soft Machine)

Os suecos do TeddyBears têm o hábito de se apresentarem com cabeças de ursinhos. Em Soft Machine, são as participações especiais que ganham peso com os nomes de Iggy Pop (“Punkrocker”), Neneh Cherry (“Yours to Keep”), Elephant Man (“Are You Feelin’ It”), entre outros. O álbum tem um apelo comercial em seu pop eletrônico de melodias fáceis, tornando-o um trabalho simples e bem estruturado.

Dica de download: “Yours to Keep”

#42. Lily Allen
(Alright Still)

Dica de download: “LDN”

#43. Wolfmother
(Wolfmother)

Não é Black Sabbath. Nem Led Zeppelin ou Deep Purple. O trio australiano do Wolfmother surpreende nas referências que carrega tanto na temática de suas composições como no som alternativo que apresenta.

Dica de download: “Witchraft” ()

#44. Johnny Cash
(American V: A Hundred Highways)

Dica de download: “Like the 309” ()

#45. Belle & Sebastian
(The Life Pursuit)

Com a saída de Isobel Campbell, o grupo parecia não ter futuro certo. Puro engano. Estão inovados por uma energia cativante, saindo da mesmice dos discos anteriores e com novas referências em suas melodias. “White Collar Boy”, faixa pop de tom colegial, é algo que parece não ter saído da cabeça dos integrantes do B&S.

Dica de download: “White Collar Boy” ()

#46. Band of Horses
(Everything All the Time)

Dica de download: “The Funeral” ()

#47. John Mayer
(Continuum)

O projeto Try!, com Steve Jordan e Pino Palladino, influenciou o último disco de John Mayer, Continuum. Trata-se de um projeto mais direcionado ao soul, com influências de jazz e blues. Vale destacar a canção “Bold as Love”, de Jimi Hendrix.

Dica de download: “I’m Gonna Find Another You” ()

#48. Be Your Own Pet
(Be Your Own Pet)

Dica de download: “Bunk Trunk Skunk” ()

#49. Tap Tap
(Lanzafame)

Pode soar uma reinvenção de Arcade Fire, mas os ingleses do Tap Tap têm qualificações de sobra para sobreviver às comparações. Suas melodias carregam uma qualidade pop nos instrumentos presentes, reinventando-se dentro do próprio trabalho. O grupo aparenta ter um futuro sólido pela frente.

Dica de download: “100,000 Thoughts” (MP3)

#50. Sparklehorse
(Dreamt for Light Years in the Belly of a Mountain)

Dica de download: “Mountains” ()

Pequenas composições de Regina Spektor, Elvis Costello, Death Cab For Cutie, Jenny Lewis e mais

quarta-feira, 29 novembro de 2006 15:56

Weeds

Na segunda temporada de ‘Weeds’, a música tema “Little Boxes”, originalmente gravada pela cantora folk Malvina Reynols, ganha a cada semana uma nova versão na voz de grandes músicos. Entre eles estão: Elvis Costello, Death Cab For Cutie, Jenny Lewis (do Rilo Kiley), Tim DeLaughter (do Polyphonic Spree), Regina Spektor, entre outros.

No vídeo abaixo, segue a abertura em que Regina Spektor dá voz ao clássico:


Abertura da série com Regina Spektor

A série é exibida pelo canal GNT, nas quintas às 23h45.

Dexter, o seu serial killer favorito

segunda-feira, 16 outubro de 2006 11:55

Dexter

Depois de Huff (A&E Mundo), Weeds (GNT) e The L Word (Warner), o canal pago Showtime aparece com mais uma série inusitada. Resta saber em que emissora a série Dexter será exibida no Brasil.

Baseada no livro Deadly Dreaming Dexter, de Jeff Lindsay, a trama de investigação não cai na vala comum graças ao seu protagonista. Michael C. Hall (o competente David Fisher, de A Sete Palmos) interpreta Dexter Morgan – um investigador forense do departamento de Miami e “serial killer de serial killers” nas horas vagas.

Logo no piloto, somos apresentados a ele e aos seus métodos de vingança por uma narração em off – o que nos deixa a par dos pensamentos e atitudes do personagem. A série também se utiliza muito de flashbacks para esclarecer como o garoto adotivo era visto pelo pai policial na infância.

O primeiro episódio começa bem, quando um novo serial killer começa a atacar e instigar a mente de Dexter – o que deixa seu espectador esperando os próximos episódios. O curioso é que ambos parecem estabelecer um jogo entre si. A técnica de drenar o sangue das vítimas e cortar os membros do corpo, deixa o policial vidrado com o método e animado com a brincadeira do “amigo”.

A relação entre os dois aumenta, quando uma boneca Barbie despedaçada é deixada no freezer da casa do policial. Esse passa a ser apenas um dos motes que a série apresenta em sua primeira hora de duração.

Dexter estreou nos EUA com críticas positivas. Além de contar com uma abertura bem bacana. E aqui é altamente recomendada.

Download via torrent:
Episódio 1 // Episódio 2 // Episódio 3

TOP 15 – Filmes de 2005

sábado, 31 dezembro de 2005 15:28

#01. Ninguém Pode Saber

Ninguém Pode Saber é baseado em fatos reais e mostra de forma crua, num piscar de olhos, a infância perdida.
Quatro irmãos mudam-se com a mãe para um pequeno apartamento em Tóquio. Em seguida, as crianças são “abandonadas” pela responsável e é tarefa do primogênito (de 12 anos) cuidar das crianças. O longa deixa o espectador com um nó na garganta e apreensivo, na tentativa de fazer algo por aqueles pequenos.
Yûya Yagira, ganhador do prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes, e o elenco infatil são magníficos e de uma ingenuidade “adulta” incrível. Já o diretor Hirokazu Koreeda, de Depois da Vida, desenvolve suas personagens de forma astuta, eficiente e lida de forma extraordinária com os atores mirins.

#02. Sideways – Entre Umas e Outras

Miles Raymond (Paul Giamatti) é um escritor / especialista em vinhos / professor que nunca teve seu romance publicado. Com o casamento de seu melhor amigo Jack (Thomas Haden Church) se aproximando, decide presenteá-lo com uma viagem pelas vinículas da Califórnia – uma espécie de adeus à vida de solteiro que os dois (quarentões) acham necessário. É neste passeio que ambos conhecem mulheres que vão fazer com que seus mundos ganhem novas perspectivas. Miles fica fascinado com a adorável garçonete Maya (Virginia Madsen, dona das melhores frases) e seu conhecimento em vinhos, enquanto Jack seduz Stephanie (Sandra Oh) de forma rápida com suas “falsas” juras de amor. É engraçado e verdadeiro como uma semana pode mudar a vida de todas as personagens. Deixar com que planos praticamente concretizados sejam abalados na estrutura. Sideways trata disso: um novo olhar. Uma nova vida. E mais uma garrafa de vinho.

#03. Crash – No Limite

O premiado roteirista de Menina de Ouro, Paul Haggis assina o roteiro e a direção deste Crash – No Limite. Um filme que poderia ser mais um exemplo de várias histórias que se interligam, no entanto torna-se complexo ao abordar questões raciais – não apenas entre brancos e negros, mas também latinos, orientais, árabes,…; A direção cuidadosa de Haggis obtem atuações inesperadas e promissoras de Sandra Bullock, Matt Dillon e Thandie Newton (os dois últimos, com uma das melhores cenas do ano). Resumindo o projeto em uma palavra: intensidade.

#04. Menina de Ouro

Apesar dos clichês (tratando de um “filme de esporte” são quase inevitáveis!), estes são administrados de forma cuidadosa pela lente de Clint Eastwood. Os conflitos das personagens faz Menina de Ouro ser admirável. As lutas representam dramas superados a cada oponente que Maggie (Hilary Swank) leva ao chão, escolhas são tomadas e conselhos de seu treinador seguidos. Se a personagem de Swank encontra a figura paterna em Frank (Eastwood), é o amor de uma filha que ele recebe em troca. Mais do que a brutalidade dos ringues, Menina de Ouro é humano e surpreendente da metade em diante – para aqueles que pouco sabem da história, como foi meu caso.

#05. O Jardineiro Fiel

Com a responsabilidade de dirigir um filme à altura de Cidade de Deus – que mostrou o trabalho do cineasta Fernando Meirelles ao mundo – esta adaptação do livro homônimo de John Le Carré apresenta roteiro bem desenvolvido e uma Rachel Weisz fenomenal. Tecnicamente, encontra resultado na montagem e na fotografia de constrastes, permitindo que o diretor brasileiro conquiste mais uma vez o mercado internacional. Um thriller de denúncia que resulta em uma bela história de amor, principalmente nos últimos minutos de película.

#06. Maria Cheia de Graça

O diretor Joshua Marston abala seu espectador quando insere sua protagonista na realidade das mulas – pessoas que ingerem drogas para contrabadear. Mesmo grávida, Maria (uma garota de 17 anos) desiste do “namorado” e da vida nos arredores de Bogotá, onde trabalha sendo mal-paga para cortar espinhos de rosas, em busca de uma vida melhor – o tal “amerian dream”. Mérito de Catalina Sandino Moreno, em atuação comovente e inquieta, e do roteiro de Marston que permite o pequeno projeto caminhar com suas pernas.

#07. Flores Partidas

Flores Partidas é delicado e de personagens fascinantes. Don Johnston (Bill Murray, em interpretação anestesiada) passa horas sentado no sofá de casa assistindo à TV e leva uma vida pacata. Seus dias ganham sentido quando é deixado pela namorada (Julie Delpy) e recebe uma carta anônima da cor rosa. O conteúdo desta: ele tem um filho de 19 anos. Agora, resta a Don fazer contato com as suas ex-amantes para descobrir o paradeiro de seu filho desconhecido. O elenco feminino, desde Sharon Stone a Jessica Lange, é sensacional. Já o ator Jeffrey Wright, como o vizinho “detetive”, garante as melhores piadas. E o diretor Jim Jarmusch filma um dos melhores finais do ano nesta comédia dramática que dosa os dois elementos na medida certa.

#08. Sin City – A Cidade do Pecado

O visual noir, a violência e o roteiro fiel aos quadrinhos de Frank Miller, faz de Sin City uma das melhores adaptações de gibis para a tela grande. Os anti-heróis, as prostitutas e a corrupção quando detalhadas em cores, num projeto produzido em preto-e-branco, causam delírio aos olhos. E por quê ninguém dá o crédito merecido a Mickey Rourke?

#09. Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais

Com tantas animações digitais sem a menor graça chegando em massa aos cinemas, surge uma luz “artesanal” no fim do túnel. O animador britânico Nick Park (A Fuga das Galinhas) realiza o primeiro longa dos seus dois personagens mais carismáticos: o invetor Wallace e seu fiel cão Gromit – bonecos de massinha de modelar com digitais “na cara” sem a menor preocupação. Esses ganham vida num roteiro bem elaborado que contagia crianças e adultos. O filme deve marcar presença na categoria de animação do próximo Oscar e ainda “papar” o prêmio facilmente.

#10. Mar Adentro

Um homem lutando pelo direito de morrer. As visões do tema são expressadas através de seus personagens. Temos a advogada que luta pela causa (Belén Rueda), uma operária (Lola Dueñas, excelente) que acredita que a vida é sagrada ou a negação/apoio da família – responsáveis por Ramón. Grande parte do projeto se passa em lugares fechados (dentro de casa), mas é a atuação de Bardem que sustenta o longa de forma esplendorosa. Tratando de um tema delicado, a eutanásia, Mar Adentro oferece muita vida ao seu personagem principal e aos coadjuvantes.

#11. Casa Vazia

O amor não se fala, sente-se. E os dois protagonistas de Casa Vazia são assim. Entendem-se sem as palavras, através do olhar numa relação praticamente impossível. Ele invade casa de estranhos (nunca leva objetos e faz pequenos consertos nas residências), aproveitando o “conforto dos lares”. Do outro lado, temos uma mulher solitária, infeliz com o casamento e que apanha do marido. Ambos se encontram quando a casa da moça é invadida e uma relação de aproximação se inicia. Um trabalho delicado com mensagem simples: a vida pode ser melhor. Tanto para ele, que pretende não invadir mais casas, como para ela que não quer conviver ao lado da pessoa que não ama. Um dos romances mais belos e engraçados que presenciei na tela grande.

#12. O Aviador

O Aviador começa engatilhado, numa curta cena de abertura, na super-produção cinematográfica Hell´s Angels. Há uma preocupação de limitar a história em uma fase da vida do milionário / diretor / aviador. As aventuras com os aviões, batalhas com a Pan Am e os affairs são bem explorados; mas é o nome de Hughes e sua essência na história de Hollywood onde o público encontra grande identificação. São quase três horas que passam voando (para alguns) e um dos fatores, que contribuem, é a ótima Katherine Hepburn criada pela atriz Cate Blanchett. Quanto a Leonardo DiCaprio, o ator mostra-se maduro para o papel, construindo muito bem a sua personagem, principalmente quando os transtornos psicológicos ganham proporções preocupantes na vida de Hughes.

#13. Marcas da Violência

É o trabalho mais fácil de compreender de David Cronenberg – diretor de A Mosca e outras bizarrices. Após evitar um assalto e matar, em legítima defesa, dois criminosos, Tom Stall (Viggo Mortesen) tem sua vida transformada pela mídia e vira herói na pequena cidade onde reside. No entanto, o ato de coragem faz com que acontecimentos e pessoas estranhas comecem a perseguir o “herói” local. Tudo piora com a chegada de um sujeito misterioso, que acredita que Tom lhe fez mal no passado. Agora, sua vida começa a virar de cabeça para baixo e abalar as estruturas de família “perfeita” que tem. A atriz Maria Bello é jóia rara entre as atrizes do ano.

#14. Tentação

Tentação toca numa ferida delicada: a traição. Jack (Mark Ruffalo) é um professor casado com Terry (Laura Dern, de Jurassic Park), mãe dedicada de duas crianças. É de se notar que com o passar dos anos, a relação entre os dois esfriou. O mesmo acontece com os seus melhores amigos: o casal Hank (Peter Krause, da série A Sete Palmos) e Edith (Naomi Watts). Hank é um escritor que não consegue escrever seu novo romance, enquanto Edith, a melhor amiga de Terry, dá suas escapadas com Jack – o que fica claro nas primeiras cenas do longa.
“Fico pensando como seremos pegos”, diz Edith ao amante após delicada cena de sexo na floresta. Filme pequeno de grandes atuações, principalmente de Dern, que assim como ferida exposta só o tempo cicatriza e imprime as devidas marcas.

EMPATE:

#15. Closer – Perto Demais

Adaptação da polêmica peça homônima de Patrick Marber, Closer – Perto Demais busca força não apenas em seu roteiro bem escrito, mas em seu elenco. Em qual outro momento você poderia assistir Julia Roberts discutir relação e comparar gosto de porra ou presenciar várias traições sem nenhuma cena de sexo? Não é filme apenas que está com você no cinema, mas te acompanha na rua, dentro do carro, em casa e quem sabe te visita no dia seguinte.

#15. O Segredo de Vera Drake

O Segredo de Vera Drake é interpretado de forma magistral por Imelda Staunton. Na medida em que o seu “segredo” é revelado aos parentes, tanto ela quanto a sua família desmoronaram de forma convincente no silêncio e no desespero contido na personagem título. Um projeto simples, lento e quieto que obtem resultado no roteiro e direção de Mike Leigh – extraindo o máximo de emoção de seus atores.

TOP 50 de discos de 2005 – # 01-10

quinta-feira, 22 dezembro de 2005 12:32

# 01. Fiona Apple
(Extraordinary Machine)

Foram campanhas de libertação (FreeFiona) e versões não oficiais vazando na internet de um trabalho que estaria pronto desde 2003. No entanto, este encontrava-se arquivado nos prédios da Sony por não ser comercial o suficiente, de acordo com os seus executivos. O sucesso (comercial via rede) fez com que a gravadora corresse atrás do tempo perdido e desengavetasse “a máquina extraordinária de Fiona Apple” com a assistência do produtor Mike Elizondo (grande nome do gênero hip hop).

As canções, escritas em sua maioria após o fim do relacionamento da cantora com o diretor Paul Thomas Anderson (de Magnólia), são introspectivas, tristes e esperançosas. “Extraordinary Machine” e “Better Version of Me” apresentam uma Fiona que acredita em si, mesmo quando um homem consegue desapontá-la (“Get Him Back”) ou/e sente-se desnorteada pelo romance na sensibilidade melódica de “Red Red Red”.

O piano solitário de “Parting Gift” permite apreciar a voz inconfundível e rasgada da artista numa composição pessoal. Outros momentos são intensos (“Window”), frenéticos melodicamente (“Not About Love”) e particulares (“Oh Well”), fazendo deste o trabalho mais acessível de Apple e com suas melhores composições (letras) até então.
Recentemente questionada sobre a origem do título do álbum, ela simplesmente respondeu: – “Sou eu”. Alguém ainda duvida disso?

Dica de download: “Red Red Red” (), “Tymps” (The Sick In The Head Song) () e “Not About Love” ()

# 02. Sufjan Stevens
(Illinois)

As canções de Sufjan Stevens, trabalhando de forma eficaz o seu folk-pop, injetam doses de emoção e melancolia. Illinois conta com excepcionais arranjos e instrumentações. Abre com uma faixa conduzida por um piano e flauta até que a voz doce do artista faça o disco fluir. A partir daí, somos conduzidos por paisagens em “Chicago” e apresentados à personagens nas faixas “John Wayne Gacy, Jr” – uma das canções mais bonitas e delicadas, retratando de forma sensível a história de um serial killer – e “Casimir Pulaski Day” sobre uma garota que desenvolve um tumor nos ossos.
O espírito-irônico também tem espaço entre as vinte e duas canções, como: “Come On! Feel The Illinoise” e The Man Of Metropolis Steals Our Hearts” – uma delícia pop dedicada ao Super-Homem, já que dizem que Metropolis fica em Illinois. Um resgate histórico de um estado norte-americano, cantado de forma épica.

Dica de download: “John Wayne Gacy, Jr.” (), “The Man of Metropolis Steals Our Hearts” () e “Concerning The UFO Sighting” ()

# 03. Yann Tiersen & Shannon Wright
(Yann Tiersen & Shannon Wright)

Shannon Wright é conhecida por suas canções a la Elliott Smith. Yann Tiersen por suas contribuições em trilhas sonoras. O projeto em questão é magnífico. “No Mercy for She” é conduzida por um clima sombrio e de fraqueza nos acordes, cordas e voz sussurrada de Wright. “Dragon Fly” tem uma atmosfera francesa em seu acordeão, mas sem o ânimo comum das composições de Tiersen. “Ode to a Friend” e “Sound the Bells” são energizadas pelo piano – na primeira apresentando tons de valsa, enquanto que a outra passa a ser peça delirante. Já “While You Sleep”, com os violinos arranhados, traz uma artista bebendo na fonte de PJ Harvey. A química da poesia de Wright nos arranjos expressivos de Tiersen resultam em obra-prima.

Dica de download: “No Mercy for She” (), “While You Sleep” () e “Dragonfly” ()

# 04. The New Pornographers
(Twin Cinema)

O New Pornographers é uma banda indie-rock que acerta em cheio neste Twin Cinema. As composições seguem um caminho (pop) turbulento estruturado nos vocais da nova integrante (a vocalista e pianista Kathryn Calder, sobrinha do líder da banda) e na presença sublime de Neko Case (“These are the Fables”).
As texturas sonoras de guitarras eficientes (“Sing Me Spanish Techno”), piano insistente (“The Bones of an Idol”) e canções simples de alto calibre harmonizam formidavelmente aqui. É um pop selvagem que deixa marca por aonde soa.

Dica de download: “Sing Me Spanish Techno” (), “These are the Fables” () e “Use It” ()

# 05. Kanye West
(Late Registration)

Conclusão: Há vida inteligente no cenário hip hop. Late Registration, segundo trabalho de Kanye West, apresenta uma estética “pop” – com o auxílio do produtor Jon Brion (Aimee Mann e Fiona Apple) dando pitadas nos arranjos inconfundíveis (“Gone”).
West acerta nas participações do canastrão Adam Levine (do Maroon 5) na singular “Heard´em Say”, Jamie “Ray Chales” Foxx na vibrante “Gold Digger”, Brandy na deliciosa “Bring Me Down” e Jay-Z mixando “Diamonds from Sierra Leone”. Suas composições abordam preconceito, critica a sociedade (“Crack Music”) e encontra suporte na família (“Hey Mama” e “Roses”). Este é mais um clássico na carreira do próprio artista.

Dica de download: “Gone” (), “Touch the Sky” () e “Hey Mama” ()

# 06. M.I.A.
(Arular)

M.I.A. é uma das melhores revelações do ano. Arular é estranho, virtuoso e sensual. Ficar parado passa a ser tarefa impossível. “10 Dollar” alcança originalidade no vocal versátil (“Oh-oh oh-oh oh-oh hey hey”), “Sunshowers” na percussão tribal e “Bucky Done Gone” no batidão funk carioca. No entanto, diante de tanta excitação, há força política nas composições de Maya Arulpragasam. Um exemplo é “Fire Fire”, na qual relata a guerra no Sri Lanka e a militância do pai.
M.I.A. fascina (“Pull Up the People”) seu ouvinte com criatividade e composições envolventes (“Galang”).

Dica de download: “10 Dollar” (), “Hombre” () e “Pull Up the People” ()

# 07. Clap Your Hands Say Yeah
(Clap Your Hands Say Yeah)

A mistura entre o elétrico e acústico faz com que muitos digam que o Clap Your Hands Say Yeah é o novo Arcade Fire. A banda praticamente mistura influências neste belíssimo registro. O vocal de Alec sugere de cara David Byrne (Talking Heads), como revela em “Let The Cool Goddess Rust Away”. A interferência new wave (“Over and Over Again”) e pop 80´s (“In This House on Ice”) também estão presentes. O álbum tornou-se sucesso graças a divulgação feita na internet, através de blogs, e apresenta um grupo com muito a fazer pela música.

Dica de download: “Let the Cool Goddess Rust Away” (), “Over And Over Again” (Lost And Found) () e “Details of the War” ()

# 08. Antony and The Johnsons
(I Am a Bird Now)

A voz de Antony, capaz de falsetes invejáveis e comparada a de Nina Simone, causa sensação de tristeza neste trabalho classificado como pop de câmara. A dramaticidade não está apenas no vocal, mas na orquestrações e acordes de piano (“For Today I am a Boy”). As participações contribuem muito ao projeto na serenidade de Rufus Wainwright (“What Can I Do?”), na leitura de um poema na voz de Lou Reed (“Fistful of Love”) ou em um abatido Boy George (“You Are My Sister”). O disco foi o grande vencedor do Mercury Prize, um dos prêmios mais importantes na Europa, deste ano.

Dica de download: “Hope There’s Someone” (), “What Can I Do?” () e “For Today I Am A Boy” ()

#09. Nikka Costa
(can’tneverdidnothin’)

can´tneverdidnothin´ é provocativo, ousado, sexy e o mais importante: rock – comparado ao seu antecessor. Há popices ao longo de 45 minutos, como o primeiro single “Till I Get to You” – um funk, rock pop de primeira com a colaboração de Lenny Kravitz na bateria. No entanto, são faixas como “can´tneverdidnothin” e “On & On”, principalmente a segunda, que demonstram uma identidade que falta no álbum anterior da cantora: algo mais concreto em guitarras e percussão, deixando os samples de lado.

Dica de download: “Can´tneverdidnothin´” (), “Fooled Ya Baby” () e “I Gotta Know” ()

# 10. Maria Taylor
(11:11)

Maria Taylor, do sensacional Azure Ray, arrisca-se em seu primeiro disco solo – saindo da sombra do grupo. As melodias precisas de cordas ajustam-se com seu vocal frágil e versátil. Em momentos sussurra de forma angelical “Irei esperar por você, mas por favor venha logo” na estrutura folk de pulsação eletrônica de “Leap Year”. Outras, canta de forma a la Jem a dançante “One for the Shareholders” e remete Patsy Cline no country arrastado por um banjo de “Speak Easy”. As batidas acústicas de “Xanax” e “Hitched” (uma composição que parece ter saído de um disco de Cat Power) são bons momentos. 11:11 é uma miscelânia que funciona.

Dica de download: “Leap Year” (), “Speak Easy” () e “Song Beneath”

TOP 50 de discos de 2005 – # 11-20

segunda-feira, 19 dezembro de 2005 11:36

#11. Andrew Bird
(The Mysterious Production of Eggs)

Elegância e suavidade marcam as melodias e orquestrações aprimoradas de Andrew Bird, cativando o ouvinte logo no início do álbum com “Untitled”. O violino, executado pelo próprio artistas, faz deste The Mysterious Production of Eggs aderir uma linha clássica pop acrescentando ainda folk acústico e jazz. Há quem compare o seu talento ao de Jeff Buckley e Rufus Wainwright, porém a ternura de Bird em canções como “Opposite Day” e “The Naming of Things” faz com que saia da sombra desses artistas e caminhe com suas próprias pernas.

Dica de download: “Sovay” (MP3)

#12. Sleater-Kinney
(The Woods)

Após quatro álbuns lançados pelo selo Kill Rock Stars, o trio feminino do Sleater-Kinney tem seu primeiro trabalho divulgado pela gravadora Sub Pop – selo conhecido como o berço do grunge. O produtor Dave Fridmann (Flaming Lips e Mercury Rev) deixa o trabalho das meninas fluir de forma imponente nas sonoridades inquietantes. A guitarra de Carrie Brownstein tem presença intensa (“Jumpers”), a bateria de Janet Weiss defende o álbum com entusiamo (“Entertain”) e a urgência de fúria no vocal de Corin, desde a abertura do disco, faz deste The Woods (talvez) o melhor das meninas em tempos.

Dica de download: “The Fox” ()

#13. Shelby Lynne
(Suit Yourself)

Suit Yourself apresenta uma produção singela com conversas descontraídas em algumas músicas – “Go With It” traz Lynne tentando acertar o “bridge” com a banda até que a faixa ganhe forma. As letras demonstram merecido cuidado como evidencia-se em “Where Am I Now?”, conduzida basicamente por voz e violão, e “Johnny Met June” – sobre o encontro de Johnny Cash e June Carter Cash. Sem esquecer de “You and We”, um deleite aos ouvidos, passando o seu recado em menos de um minuto.

Dica de download: “You Don´t Have a Heart” ()

#14. Kate Bush
(Aerial)

Os doze anos de afastamento de Kate Bush contribuiram para este Aerial. Influência registrada de cantoras como Tori Amos e Goldfrapp, Bush tornou-se uma artista única. Sua voz singular ainda soa como um enigma a ser desvendado e suas melodias são pequenos fragmentos. Fragmentos estes que envolvem barulhos de pássaros, risadas, sobreposição de vozes, ventos fortes e elementos quase imperceptíveis a serem descobertos.

Dica de download: “Pi” ()

#15. Vashti Bunyan
(Lookaftering)

Descoberta nos anos 60, pelo manager dos Rolling Stones, Vashti Bunyan gravou em 1969 seu único álbum: Just Another Diamond Day. Mais de trinta anos depois, este Lookaftering passa a ser um tesouro para aqueles que a conhecem (e àqueles que não, também). A voz de Bunyan remete a fragilidade e a melancolia de Nico. O disco conta com participações especiais que acrescentam muito a Lookaftering, como: Joanna Newsom executando harpa (“Against the Sky” e “If I Were”) e Devendra Banhart na guitarra acústica numa das composições mais belas: “Wayward” abordando o isolamento da artista.

Dica de download: “Wayward” ()

#16. Maxïmo Park
(A Certain Trigger)

Um prato cheio para quem se alegrou com o surgimento de The Killers ou Franz Ferdinand em 2004. Há charme nos arranjos e firmeza no melhor estilo indie-pop. São guitarras pegajosas (“Graffiti”), percussão marcante (“Postcard of a Painting”) e acordes de teclado de efeito imediato (“The Coast is Always Changing”) que faz este A Certain Trigger acertar no espírito new wave. Sem esquecer que “Apply Some Pressure” é um dos melhores singles do ano.

Dica de download: “Apply Some Pressure” ()

#17. The White Stripes
(Get Behind Me Satan)

O riff destacado de “Blue Orchid (assim como “Seven Nation Army” fixa na memória), a vitalidade de “The Nurse”, o ataque efervescente ao piano em “My Doorbell” ou o banjo blue grass de “Little Ghost” seria uma forma sucinta de figurar como os dois irmãos do White Stripes continuam se renovando e, ao mesmo tempo, superando os seus discos anteriores.

Dica de download: “My Doorbell” ()

#18. Bloc Party
(Silent Alarm)

Bloc Party parece ter sido resposta ao fenômeno de 2004: Franz Ferdinand. Não fugindo das guitarras punk-rock de comportamento dançante – promovendo estrutura e atmosfera às composições, o grande diferencial da banda tem nome: Kele Okereke. O vocalista apresenta um timbre desafiador remetendo Robert Smith, do The Cure. E sem esquecer, que assim como os escoceses do Franz Ferdinand, conquistaram a crítica facilmente.
Curiosidade: A canção “Believe”, um dos hits do disco Push the Button do The Chemical Brothers, traz Kele no vocal.

Dica de download: “Like Eating Glass” ()

#19. Aqualung
(Strange and Beautiful)

Do início ao fim, pode-se dizer que Strange and Beautiful é composto de baladas. Composições que encontram consistência em suas letras e arranjos. Há quem capte influências de Thom Yorke no vocal. Já no quesito melodias, particularmente, noto a minúcia dos trabalhos de Jon Brion. O álbum é realizado com aprimoramento e delicadeza – seja no piano ou pequenos detalhes instrumentais, denotando fragilidade para cada uma das faixas.

Dica de download: “Brighter Than Sunshine” ()

#20. Wolf Parade
(Apologies to the Queen Mary)

Desde que o Arcade Fire saiu do Canadá, os ouvidos estão voltados para o lado de lá do mundo – especialmente Montreal. O Wolf Parade tem uma veia Arcade Fire sim, mas não procure uma identidade similar neste trabalho produzido por Isaac Brock – é possível imaginar uma versão de Arcade Fire + Modest Mouse com substância new wave e indie-rock. A batida pausada de “You are a Runner and I am My Father’s Son, os riffs preguiçosos de “Dinner Bells” e a melodia a la David Bowie em “Dear Sons and Daughters of Hungry Ghosts” faz de Apologies to the Queen Mary harmonioso e efetivo.

Dica de download: “Grounds for Divorce” ()

TOP 50 de discos de 2005 – # 21-30

sexta-feira, 16 dezembro de 2005 14:49

#21. The Fiery Furnaces
(EP)

The Fiery Furnaces é formado por uma dupla de irmãos nada parecida com Jack e Meg. Este disco reúne canções mais populares e eletronicamente “datadas”, limadas de seus trabalhos anteriores por fugirem do tradicional estilo “rock folk blues de garagem”, como é o caso de “Single Again”, “Here Comes the Summer” e “Evergreen”. As estranhezas ainda são evidentes na baladinha “Sing for Me”, no rock praiano de “Tropical Iceland” e na suíte (piano) de “Smelling Cigarettes”.

Dica de download: “Here Comes The Summer” (MP3)

#22. The Decemberists
(Picaresque)

Dica de download: “16 Military Wives” ()

#23. Franz Ferdinand
(You Could Have It So Much Better)

O Franz Ferdinand conseguiu superar a expectativa de muita gente. Principalmente quem acreditou que a banda lançaria esse disco e desapareceria. You Could Have It So Much Better acerta na pegada punk/pop de “The Fallen”, na marchinda (e single) “Do You Want To”, nos riffs de “Walk Away”, na frenética “Evil and a Heathen” e na balada “Eleanor Put You Boots On” (sobre Eleanor Freidberger do Fiery Furnaces – disco #21 desta lista). Mais uma vez, apresentam muita personalidade no atual pobre cenário da música pop.

Dica de download: “Walk Away” ()

#24. The Magic Numbers
(The Magic Numbers)

Dica de download: “I See You, You See Me” ()

#25. Aimee Mann
(The Forgotten Arm)

O quinto disco da carreira solo de Aimee Mann é um trabalho conceitual. As canções (capítulos) projetam a história do boxeador John, veterano da Guerra do Vietnã, e sua namorada Caroline desde que se conheceram (“Dear John”), nos anos 70. São pequenos fragmentos que abordam as dificuldades e alegrias do casal (“Video”), as partidas (“Goodbye Caroline”), problemas com álcool e drogas (“I Can´t Get My Head Around It”) para que, assim como um romance, a narrativa ganhe um belo desfecho com as últimas composições – nas emocionantes “Clean Up for Christmas” e “Beautiful”. As letras de Mann surpreendem, suas melodias são extremamente bem trabalhas e os solos de guitarras estão presentes na tentativa de conduzir as faixas por um caminho iluminado (pelo menos, assim é que deveria ser).

Dica de download: “Video” ()

#26. Goldfrapp
(Supernature)

Dica de download: “Ride a White Horse”

#27. Missy Elliott
(The Cookbook)

A lista de ingredientes é que faz esse The Cookbook ter excelente consistência. É nos ritmos hipnóticos de “Lose Control” (ao lado de Ciara & Fat Man Scoop), no estilo Timbaland em “Partytime”, no hip-pop de “Can´t Stop”, na produção afiada de Pharrel Williams em “On & On” e na participação de M.I.A. (“Bad Man”) que Missy Elliott prova não ter perdido o sabor de inovação e qualidade na sua receita musical.

Dica de download: “We Run This” ()

#28. Brendan Benson
(Alternative to Love)

Dica de download: “Cold Hands (Warm Heart)” ()

#29. Brazilian Girls
(Brazilian Girls)

O Brazilian Girls exala sedução por segundo – mérito da vocalista Sabina Sciubba que encanta o ouvinte ao longo de 53 minutos. Há sofisticação na mesclagem de tango (“Homme”), eletro (“Corner Store”), house (“Don´t Stop”), reggae (“Pussy”), trip hop e bossa nova. As canções são poliglotas – cantadas em inglês, francês, espanhol, italiano ou alemão, fazendo deste um trabalho acessível e com aspecto de uma viagem pelo mundo, independente de onde você o esteja ouvindo.

Dica de download: “Don´t Stop” ()

#30. System of a Down
(Mezmerize)

Dica de download: “Cigaro” ()

TOP 50 de discos de 2005 – # 31-40

quarta-feira, 14 dezembro de 2005 11:12

#31. The Russian Futurists
(Our Thickness)

O terceiro disco do The Russian Futurists (ou melhor de Mathew Adam Hart, assumindo mais uma vez a missão sozinho) é uma delícia pop não-descartável que os admiradores do gênero devem correr atrás. Talento é o que não falta ao compositor que demonstra um trabalho conciso e pegajoso desde a primeira canção. O mérito é todo de Hart que traz na bagagem influência de discos dos Beatles e do Beach Boys nos quais busca sua sonoridade.

Dica de download: “Paul Simon” ()

#32. Broken Social Scene
(Broken Social Scene)

Dica de download: “Swimmers” ()

#33. Ani DiFranco
(Knuckle Down)

Descrever Ani DiFranco não é tarefa fácil. Porém, se fosse para definir o seu violão, base das melodias de Knuckle Down, a palavra “virtuosidade” ganharia nova perspectiva. Este encontra-se presente nos momentos eficientes (“Knuckle Down”, a música), tenebrosos (“Callous”) e instrospectivos (“Studying Stones”) do disco. Diferencia-se dos trabalhos anteriores por apresentar mais ação e menos enrolação.

Dica de download: “Studying Stones” ()

#34. Sigur Rós
(Takk…)

Dica de download: “Hoppípolla” ()

#35. The Bravery
(The Bravery)

Os anos 80 estão cada vez mais próximos, musicalmente falando, e mais um exemplo é o som do The Bravery. Em seu primeiro disco apresentam refrões recheados de influências que vêm do New Order e Duran Duran. E busca inspiração em bandas recentes como o Franz Ferdinand e The Strokes com pitacos de The Killers. “Electro-alt-rock” de potencial demonstrado na voz mutável de Sam Endicott.

Dica de download: “Fearless” ()

# 36. Emiliana Torrini
(Fishermans Woman)

Dica de download: “Heartstopper” (MP3)

#37. Tori Amos
(The Beekeeper)

Evidências dos trabalhos anteriores estão aqui, principalmente de Boys for Pele e Under the Pink – podendo ainda ser exagero dizer que a faixa título carrega ares do álbum To Venus and Back. Para uma artista do calibre de Tori Amos, os anos de carreira contribuiram para que ela faça do seu jeito o que sabe: cantar, tocar e compor. The Beekeeper encontra bons momentos na participação do afamado Damien Rice (“The Power of Orange Knickers”), no improviso de “Hoochie Woman”, na energia da banda em “Mary of the Seas” e no piano solo de “Original Sinsuality”.

Dica de download: “Hoochie Woman” ()

#38. Beck
(Guero)

Dica de download: “Que Onda Guero” ()

#39. Hard-Fi
(Stars of Cctv)

Gravado com o dinheiro da banda, Stars of CCTV recebeu mais atenção do que Richard Archer, líder do Hard -Fi, esperava. A combinação árdua de punk, funk e ska chamou a atenção do público e da crítica, em letras que envolvem a vida difícil (“Cash Money”), êxtase na cidade (“Living for the Weekend”) e amigos que vão à guerra de Blair (“Middle Eastern Holiday”). Resultado: uma indicação ao Mercury Prize, um dos mais importantes prêmios musicais da Europa. Nada mal para uma banda que era até então independente e pagou as suas próprias contas no estúdio.

Dica de download: “Tied Up too Tight” ()

#40. Coldplay
(X & Y)

Dica de download: “Talk” ()

TOP 50 de discos de 2005 – # 41-50

segunda-feira, 12 dezembro de 2005 14:31

#41. Sheryl Crow
(Wildflower)

Sheryl Crow deixou de lado as melodias de rock de costume e se concentrou em canções introspectivas em Wildflower, rementendo o estágio de Beck e seu homônimo Sea Change. O clima é diferente dos trabalhos anteriores. A faixa de abertura (“I Know Why”) apresenta acordes calmos de guitarras que caminham com o auxílio de um notável banjo, enquanto a energética “Live It Up” remete os sucessos registrados de Crow. Wildflower revela-se um álbum e uma artista confiante.

Dica de download: “Perfect Lie” ()

#42. The Books
(Lost and Safe)

Dica de download: “Be Good To Them Always” ()

#43. LCD Soundsystem
(LCD Soundsystem)

Procure misturar a música eletrônica, funk, rock, pop, rock de garagem, new wave, 70´s, 80´s e 90´s… e a lista continua. O LCD Soundsystem é um apanhado de influências que James Murphy (produtor e DJ norte-americano) procura desenvolver de forma criativa e inteligente nas colagens sonoras e letras irônicas.

Dica de download: “Tribulations” ()

#44. Ben Lee
(Awake is the New Sleep)

Dica de download: “Catch My Disease” ()

#45. Sun Kil Moon
(Tiny Cities)

Tiny Cities, de Mark Kozelek, encontra terreno sólido nas composições do Modest Mouse e suas guitarras acústicas que soam o melhor do pop e folk clássico de Simon & Garfunkel. A nova roupagem não faz com que a essência da banda original deixe de estar presente nas faixas. Disco para ser apreciado do início ao fim.

Dica de download: “Tiny Cities Made of Ashes” ()

#46. Spoon
(Gimme Fiction)

Dica de download: “I Turn My Camera On” (MP3)

#47. Martha Wainwright
(Martha Wainwright)

É filha de gigantes do folk (Kate McGarrigle e Loudon Wainwright III) e irmã do talentoso Rufus Wainwright – emprestando sua voz nas faixas “The Maker” e “Don´t Forget”. A influência familiar mescla no pop-cabaret que personaliza o disco de estréia da moça. Martha carrega o talento da família nas veias.

Dica de download: “Bloody Mother Fucking Asshole” ()

#48. Ben Folds
(Songs for Silverman)

Dica de download: “Bastard” ()

#49. Cocorosie
(Noah´s Ark)

Projeto das irmãs Casady classificado como “indie-folk-tronic”, remetendo os estilos de Björk e Joanna Newsom. A dupla passeia por uma extravagância e sutileza sonora. As participações de Antony (do Antony & the Johnsons, em “Beautiful Boyz”) e Devendra Banhart (“Brazilian Sun”) contribuem à melancólica de Noah´s Ark.

Dica de download: “K-Hole” ()

#50. Telepopmusik
(Angel Milk)

Dica de download: “Dont Look Back” ()

TOP 15 Filmes de 2004

sexta-feira, 31 dezembro de 2004 15:35

#01. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembraças é um trabalho completo de direção, roteiro, atuação, edição, arte e trilha sonora. Existe perfeição em cada quadro, diálogo e interpretação. Michel Gondry (diretor) retrata o tratamento de esquecer pessoas, do qual a personagem de Jim Carrey se submete após descobrir que a ex-namorada (Kate Winslet, com tudo para ser indicada ao Oscar) fez o mesmo, como uma corrida pelos caminhos misteriosos da mente humana – e ninguém mais visionário do que Gondry, ao lado do roteirista mais criativo e maluco de Hollywood (Charlie Kaufman), para fazer isso.

#02. Antes do Pôr-do-Sol

Nove anos se passaram. Jesse e Celine se reencontram para passar mais um dia juntos, relembrarem de como se conheceram e saber o rumo que a vida de cada um tomou. Ele (Ethan Hawke) agora é um conhecido escritor, enquanto ela (Julie Delpy, simplesmente cativante, deveria ganhar uma indicação ao Oscar – que provavelmente não terá) trabalha para uma organização de proteção ao meio-ambiente. Mesmo sendo uma longa caminhada entre as ruas de Paris, a fita não se torna chata devido aos seus diálogos práticos e espontâneos – identificações acontecerão. Para quem gostou do primeiro, irá se apaixonar pela sequência.

#03. Encontros e Desencontros

Sofia Coppola retrata solidão, destino e amizade. Solidão das personagens estarem num lugar que não se identificam, destino no encontro delas no bar do hotel em que estão hospedadas e amizade ao buscarem conforto um no outro. A diretora/roteirista não conta uma história de amor convencional, e sim uma experiência única de suas personagens. Enquanto Bob (Bill Murray) encontra-se no país para atuar em um comercial de uísque, Charlotte (Scarlett Johansson) acompanha seu marido, um fotógrafo workaholic que a deixa sozinha no hotel. Ambos sofrem com o fuso horário, não conseguem dormir e juntos descobrem uma cidade que não conheciam até então. Encontros e Desencontros conta com uma belíssima trilha sonora, no mínimo obrigatória.

#04. Elefante

Em Elefante, o diretor Gus Van Sant toca em uma das feridas dos Estados Unidos: o massacre ocorrido na Columbine High School – em abril de 1999, quando dois alunos munidos de armas e bombas caseiras mataram treze pessoas e deixaram mais de vinte feridos, entre alunos e professores. É o olhar cuidadoso de Van Sant que apresenta um pouco de cada um daqueles adolescentes e a estrutura da escola (com sua câmera que passeia pelos corredores, pátios, refeitórios, salas de aula e banheiros de forma arquitetônica), fazendo de Elefante uma obra-prima.

#05. Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas

Tim Burton é um cineasta extravagante, porém Peixe Grande é um trabalho delicado, repleto de fantasia e sensível. Ed Bloom (Albert Finney) é um contador de histórias que encanta as pessoas com as suas aventuras – com excessão de seu filho Will (Billy Crudup). Mas, as coisas tomam outro rumo quando Sandra (Jessica Lange), mãe de Will, tenta aproximar os dois ao saber que o marido encontra-se doente. Há uma inocência adulta em Peixe Grande que me fez chegar em casa e escutar “Man of the Hour” aos prantos – mas aí, depende como o filme afeta cada espectador.

#06. Kill Bill

Se a vingança é um prato que se serve frio, Quentin Tarantino (ao lado de Uma Thurman) agradece por ter sido um dos nomes mais quentes do ano com o seu projeto Kill Bill. Não é para menos. A história da “Noiva”, que após cinco anos em estado de coma procura dar o troco aos seus mal feitores, é regada de kung-fu, trilha sonora excepcional, referências da cultura pop e ainda apresenta uma Uma Thurman magnífica – dando vida à personagem de sua vida. Apesar de estar dividido em duas partes, um volume acaba complementando o outro, por isso os coloco aqui como uma unidade.

#07. Os Incríveis

Se a moda é fazer filmes sobre super-heróis e seus poderes, a Pixar que não é boba entrou na onda: lançar uma fita sobre eles. Mas, aqui são seres que levam uma vida pacata como a de qualquer ser humano. Eles trabalham, têm filhos, deveres de casa,…. O Sr. Incrível era um dos maiores heróis do planeta (com direito a fã-clube), mas após salvar um executivo que tentava o suícidio, é processado e condenado a uma série de procedimentos que resultaram em uma espécie de condenação aos super-heróis. Agora, Robert (a.k.a Sr. Incrível) trabalha em uma seguradora e leva a vida de casado – ao lado de Helen (a.k.a. Mulher Elástica). Porém, uma misteriosa missão dá início a uma série de peripécias que fará a família voltar à ativa. Vale destacar uma das personagens mais “carismáticas” de Os Incríveis, a adorável Edna Mode!

#08. Na Captura dos Friedmans

O que à princípio parecia ser apenas um documentário sobre o palhaço Silly Billy, um dos mais famosos animadores de festas infatis em Manhattan, acaba se tornando em uma fita (realista e) dramática. Na realidade o palhaço é David Friedman. Quinze anos antes, os Friedmans eram uma família típica – o pai, um professor premiado, que morava com sua esposa e seus três filhos. Mas, a máscara dos Friedmans cai quando a polícia entra na casa para uma busca após denúncias. Resultado: o pai (Arnold) e seu filho de dezoito anos (Jess) são acusados de pedofilia após terem sua correspondência interceptada contendo pornografia infantil – poucas semanas depois, recebem 91 acusações por abuso sexual de oito crianças que tinham aulas de computação na casa. A riqueza do documentário está na sua narrativa e veracidade do material de cenas exclusivas (filmadas por David, na época) do clã dos Friedmans e a desestruturação da família diante dos fatos.

#09. As Bicicletas de Belleville

Apesar do exagero e o leve humor negro é impossível não ficar torcendo pela Madame Souza. Uma vovô que atravessa o oceano de pedalinho acompanhada de seu fiel cão Bruno (que rouba a atenção do espectador com seus sonhos em preto-e-branco) para salvar o seu neto – um famoso corredor de bicicleta que foi seqüestrado. O jovem está sendo levado para Belleville, onde será usado por um mafioso num sistema de apostas. É chegando em Belleville (uma cidade fictícia que serve de crítica a um lugar que você vai reconhecer) que a velhinha, sem um tostão no bolso, encontra um trio veterano e divertido de canto e dança – as irmãs Belleville. Neste momento, a fita ganha um ritmo tão gostoso que se sustenta até o final com a deliciosa trilha sonora de Ben Charest.

#10. 21 Gramas

Paul Rivers (Sean Penn) sofre de uma doença terminal e sua mulher planeja engravidar através de inseminação artificial. Cristina Peck (Naomi Watts) é casada e tem duas filhas, mas um trágico acidente envolvendo a sua família faz com que ela perca todos os sentidos pelos quais vive. Já o ex-presidiário Jack Jordan (Benicio Del Toro) e sua mulher criam dois filhos com dificuldades, ao mesmo tempo em que ele busca recuperação na palavra de Deus. Porém, um acidente envolvendo a família de Christina e Jack, faz com que a vida dessas pessoas tomem rumos diferentes e inesperados até se encontrarem. O que mais incomoda no filme de Iñarritu (e, particularmente, é o que mais chama minha atenção) é a sua edição nada linear, que vai se explicando na medida em que o longa vai chegando ao seu fim.

#11. O Outro Lado da Rua

Pode parecer primeiro uma versão tupiniquim para o clássico de Hitchcock, Janela Indiscreta. Pode, mas não é. Regina (Montenegro) é uma senhora sem muitas preocupações e tem todo o tempo do mundo para si. Para não ficar vivendo na solidão, participa de um serviço de denúncia onde aposentados se encarregam de delatar pequenos crimes – isso para ela é uma distração perfeita. Mas, em uma noite no seu apartamento, acredita ter presenciado um homem matando a esposa com uma injeção letal – a polícia diz que a morte foi natural e deixa o caso de lado. Agora resta à ela provar o contrário, nem que para isso tenha que se envolver com o suposto assassino. O longa poderia sustentar-se facilmente na premissa de Hitchcock, mas vai além disso com seu roteiro autêntico – principalmente no que diz respeito aos diálogos sobre velhice (entre “Branca de Neve e Patolina”). Fernanda Montenegro e Raul Cortez trabalham em sintonia perfeita.

#12. Adeus, Lênin!

Antes da queda do muro de Berlim, uma senhora entra em coma e fica desacordada durante os dias que deram início a uma mudança radical no país. Porém, quando desperta (em meados dos anos 90), o seu filho Alexander (Daniel Brühl, ótimo ator que tem tudo para fazer uma carreira fora da Alemanha) teme a excitação da mãe e decide esconder todos os acontecimentos – nem que para isso ele precise omitir a queda do muro e a invasão capitalista do lado alemão que vivem.

#13. O Agente da Estação

Três personalidades, vidas e características diferentes. Um anão, uma artista que sofre com a perda do filho e o dono de um trailer (espécie de lanchonete móvel). O segredo de O Agente da Estação está na forma em que as distintas personagens cativam o espectador. O projeto desenvolve uma narrativa onde a amizade entre pessoas diferentes fica em primeiro plano – e isso que torna a fita em agradável e grandioso.

#14. Monster

Monster é uma história real sobre amor e violência. O destino colocou a prostituição e o abuso na vida de Aileen Wuornos / Lee (Theron) muito cedo, transformando-a em um mulher transtornada. Perto de cometer suícidio, conhece a adolescente Selby (Christina Ricci) que mora com os tios, em um lugar onde seus pais acreditam que terão a filha lésbica “curada”. Ricci está em uma ótima atuação, apresentando uma personagem fundamental para o desenvolvimento e criação do papel dado à Theron – ganhadora do Oscar de Atriz.

#15. Diários de Motocicleta

Em Diários de Motocicleta temos Ernesto (“Che”) Guevara de la Serna (Gael Garcia,…). Estudante do último ano de Medicina que abandona a faculdade para conhecer os países da América Latina ao lado de seu amigo, Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). Os dois saem da Argentina, rumo ao norte, em uma motocicleta que quebra após oito meses de viagem. Continuam a trajetória com caronas, caminhadas, ajuda de desconhecidos (afinal o dinheiro é escasso) até serem enviados à uma colônia de leprosos, no Perú – Lá, Guevara inicia uma série de questionamentos sócio-econômicos dos lugares que conheceram após presenciar um nível de extrema desiguldade entre os povos. A trilha sonora de Gustavo Santaolalla, uma mistura de ritmos latinos com guitarras calmas (experimente a faixa “Apertura”), contribue muito ao projeto.