TOP 50 de discos de 2004 – # 01-10

sexta-feira, 24 dezembro de 2004 05:20

# 01. Elliott Smith
(From a Basement on the Hill)

Com este lançamento póstumo, Elliott Smith prova que foi um dos melhores letristas da geração atual. From a Basement on the Hill é tão expressivo quanto seus discos anteriores – um encontro da música dos álbuns XO e a delicadeza de Either/Or.
Começa com um silêncio, interrompido por riffs de guitarras e bateria pesada, logo encontrando consolo na voz do cantor. Do belo piano que dá início a “King´s Crossing” ao violão dedilhado de “Memory Lane”, cria-se uma obra de adeus fundamentada em letras melancólicas proporcionando um conceito de que o (aparente) suicídio de Smith é resultado de uma vida infeliz. Frases como “This is not my life it’s just a fond farewell to a friend / it’s not what I’m like…” vêm a ser fantasmas que perseguem o seu ouvinte.
É provável de que agora em diante, seu nome seja alvo de vários exploradores do mercado fonográfico com “fetiche” ($$$) em lançar trabalhos póstumos.

Dica de download: “Fond Farewell”, “King´s Crossing” e “Pretty (Ugly Before)”

# 02. Joanna Newsom
(The Milk Eyed-Mender)

Na primeira audição o disco de Joanna Newsom soa estranho pela sua voz – imagine uma criança tentando bancar a Cerys Matthews e a Kate Bush. Por outro lado, sem o vocal de Newsom este poderia ser um álbum comum, mas não é. A garota de 21 anos, antes de ingressar na carreira artística, tocava harpa em festas de casamentos e aqui traz o instrumento como destaque. Impossível não admirar faixas como “Bridges and Balloons” ou “Sprout and the Bean” com os belíssimos arranjos. E se “This Side of the Blue” mixa uma guitarra deslizante junto a um orgão, o que dizer da sublime “Peach, Plum, Pear” na qual a voz rasgada de Newsom procura sintonia no cravo e nas crianças que a acompanham na canção?
Há uma beleza peculiar em The Milk-Eyed Mender que poucos reconhecerão.

Dica de download: “Sprout and the Bean”, “Sadie” e “Peach, Plum, Pear”

# 03. Juana Molina
(Tres Cosas)

Juana Molina é uma argentina que obteve prestígio internacional em 2003, com o seu segundo álbum (Segundo), e agora retorna com o seu delicado Tres Cosas. Tudo indicava que seu disco seria produzido para ser cantado em língua inglesa, porém a jovem optou em manter o espanhol. A voz suave de Molina não se perde em seu sotaque (pouco carregado comparado a outros artistas hispânicos) proporcionando uma atmosfera de fascinação. Musicalmente, trata-se de um pop sofisticado agregado a melodias eletrônicas eficientes (sem ser artificial) acompanhadas de violão e teclados.

Dica de download: “Tres Cosas”, “No Es Tan Cierto” e “Sálvase Quién Pueda”

# 04. Regina Spektor
(Soviet Kitsch)

De desconhecida à talentosa cantora – assim é Regina Spektor. A menina que saiu da Rússia aos dez anos de idade, para morar nos EUA com a família, pode ser considerada uma garota de sorte. Isso pelo fato de ter aberto alguns shows dos Strokes e ainda dividir a faixa “Modern Girls & Old Fashioned Men” (um b-side do single “Reptilia” do grupo) com Julian Casablanca. O estilo de Spektor é mutável como seu piano – algumas vezes audaciosa (Poor Little Rich Boy ou o interlúdio “Whisper”), sarcástica (“Ghost of Corporate Future” / “Ode to Divorce”) ou simplesmente energética (“Us”). É seu vigor e espírito criativo que fazem de Soviet Kitsch impecável. Agora é esperar e ver o que 2005 reserva à ela.

Dica de download: “Carbon Monoxide”, “Poor Little Rich Boy” e “The Ghost Of Corporate Future”

# 05. Björk
(Medúlla)

Björk poderia muito bem lançar um disco na linha de Post, Homogenic ou Vespertine, mas não. Inicialmente o trabalho soa difícil, mas após ter o ouvido acostumado, Medúlla é uma peça rara e reflexiva na carreira da cantora – concluindo que sonoridades originais e inovadoras perseguem o seu estilo. Os instrumentos praticamente saem de cena para que as vozes – da própria Björk, seus convidados ou do coral que a acompanha dêem estabilidade ao álbum. “Ancestors” apresenta um piano minucioso impondo-se a variações vocais, supiros e respirações. Do solo vocal de “Show me Forgiveness à participação de Mike Patton em “Where Is the Line”, “visionária” continua sendo o segundo nome da cantora.

Dica de download: “Ancestors”, “Where Is The Line?” e “Oceania”

# 06. Juliana Hatfield
(In Exile Deo)

Este é o melhor disco da carreira de Juliana Hatfield – que não lançava nada desde 2000. “Get in Line” é rápida, pesada, virtuosa e com um fantástico solo de guitarra. As baladas “Forever” e “Tomorrow Never Comes” seguram bem o disco – a primeira no estilo da cantora, enquanto a outra trata-se de um cover (de Dot Allison) melhor do que a versão original. Se a carreira de Juliana estava estagnada, In Exile Deo é uma reviravolta em sua vida artística.

Dica de download: “Tomorrow Never Comes”, “Get in Line” e “Tourist”

# 07. Nellie McKay
(Get Away From Me)

Get Away From Me (título irônico em relação ao multiplatinado disco de Norah Jones) é composto de jazz, soul, blues, dance pop, hip-hop e sim, muitos palavrões – visualize um Eminem clássico de saias. “David” trata do amor platônico de uma adolescente obcecada pelo professor (“David don’t you hear me at all / David won’t you give me a call / Waitin’ here not making a sound / David come around”), “Manhattan Avenue” passeia pelo jazz, “Sari” é um hip-hop regado de questões pessoais e políticas (como a fraude das eleições nos EUA em 2000, “at our own supposed sabotage of the elections at home”) e “Waiter” remete Pet Shop Boys (!!). McKay, com certeza, é uma das revelações mais importantes do ano.

Dica de download: “Sari”, “Toto Dies” e “Waiter”

# 08. I Heart Huckabees
(Trilha Sonora)

Jon Brion é um artista completo. Dedica-se à carreira solo, produz outros artistas (como Aimee Mann – aqui a faixa “Revolving Door” lembra a cantora) e se não bastasse ainda arranja tempo para fazer trilhas sonoras magníficas (algumas de seu currículo são: Magnólia, Embriagado de Amor e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças). Existe uma genialidade que cerca as composições de Brion – sempre únicas e excepcionais, harmonizando sons inocentes em tramas complexas.

Dica de download: “Knock Yourself Out”, “Didn´t Think It Would Turn Out Bad” e “Monday”

# 09. Loretta Lynn
(Van Lear Rose)

Nos anos anos 60/70, Loretta foi uma das cantoras mais famosas da country music e suas canções lideravam as paradas. Nos anos 90, aposentou-se da indústria para cuidar do marido doente e, conseqüentemente, foi caindo no esquecimento. Tentou voltar em 2000 com um disco de pouquíssima divulgação, mas 2004 lhe reservou algo especial. Juntou forças a Jack White (do White Stripes e admirador do trabalho da cantora) – responsável pela produção do álbum – e lançou o aclamado Van Lear Rose. O encontro de gerações resulta no estilo clássico de Lynn em parceria à agilidade de White. Não apenas sustentado de country, o álbum permite Loretta a aventurar-se no rock (“Mrs. Leroy Brown”). É de admirar a coragem desta senhora de setenta anos.

Dica de download: “Portland Oregon”, “High on the Mountain Top” e “Miss Being Mrs”

# 10. The Killers
(Hot Fuss)

Direto de Las Vegas, o grupo tem a sua estréia com este Hot Fuss – acabaram não tendo a sorte do Franz Ferdinand de serem a mais nova banda queridinha de todos. Embarcam em influências dos anos 70/80, tendo como diferencial ritmos mais dançantes. O som do The Killers é um encontro de Duran Duran, The Cure, New Order e Smiths jogados dentro do mesmo estúdio. A combinação apesar de extravagante, não poderia ser mais perfeita. São guitarras tocadas ao lado de sintetizadores remetendo a era new wave. Experimente ouvir “Smile Like You Mean It” e “Somebody Told Me, caso não gostar… desista.

Dica de download: “Smile Like You Mean It”, “Somebody Told Me e “Andy, You’re a Star”

TOP 50 de discos de 2004 – # 11-20

terça-feira, 21 dezembro de 2004 22:18

#11. Arcade Fire
(Funeral)

Funeral é o álbum de estréia dos canadenses do Arcade Fire. Encabeçado por Win Butler e Régine Chassagne (marido e mulher), o disco começou a obter processo criativo diante da morte de familiares dos membros da banda. Então pode sentar para escutar canções tristes que tratam do tema, sendo arremessadas diante de melodias frágeis e que são salvas por belos arranjos (geralmente melancólicos) de cordas, influenciadas por um estilo folk e um pop engajado de primeira.

Dica de download: “Crown of Love”

#12. PJ Harvey
(Uh Huh Her)

O novo trabalho de Polly Jean em relação ao anterior (Stories from the City Stories from the Sea) tem cara de independente. Agora você deve estar se perguntando se isso é ruim, certo? A resposta é um não. Uh Huh Her é o abandono do pop criado em Stories… e um retorno ao rock seco dos materiais anteriores. Harvey não apenas se responsabiliza pelos vocais, mas pelos instrumentos e produção das canções. PJ é diva do rock alternativo, sem necessidade de julgamento quando canta de forma curta e grossa “who the fuck do you think you are, comin’ round here” e ainda assim soa super bacana.

Dica de download: “Who the Fuck?”

#13. Carina Round
(The Disconnection)

Carina Round emprestou sua voz no primeiro disco solo de Ryan Adams na singela “Come Pick Me Up”. Depois disso, continuou com apresentações, mas é com este The Disconnection que solidifica sua carreira. Apostando num som que remete uma atitude da melhor fase de PJ Harvey (“Into My Blood”) com a sensualidade de Fiona Apple, o álbum acaba se tornando repleto de momentos intensos num rock sujo e sexy.

Dica de download: “Lacuna”

#14. Brian Wilson
(Smile)

Smile teve que esperar quase quarenta anos para ser lançado – este seria o sucessor do clássico Pet Sounds do Beach Boys. Brian Wilson decidiu abandonar o projeto em 1967, pois acreditava que o trabalho estava muito a frente de seu tempo e seu público não preparado. Os sérios problemas com drogas na época, também ajudaram o disco a ser engavetado.
Smile abre com harmonias vocais (“Our Prayer”) como se fossem uma oração e logo desembarca em “Heroes & Villains” – uma parceria entre Wilson e Van Dike Parks, fechando com um dos seus últimos hits, “Good Vibrations” – que termina aqui com aplausos. Smile ainda é contemporâneo.

Dica de download: “Heroes and Villains”

#15. Lisa Loeb
(Way It Really Is)

Lisa Loeb está mais madura, continua escrevendo letras fantásticas (como é o caso da belíssima “Try” ao piano, capaz de levar o ser mais durão às lágrimas) e apresenta composições tão certeiras que formam uma fórmula perfeita. Se os arranjos de “Window Shopping” e “I Control the Sun” são animados, o mesmo já não pode ser dito de “Hand Me Down”, na qual a sua voz é suave como os instrumentos que a acompanham. “Fools Like Me” concentra uma energia musical (principalmente no refrão) que resulta em desgate quando canta pela última vez “Love was surely made for fools like me”.

Dica de download: “Would You Wander”

#16. Jolie Holland
(Escondida)

Escondida é recheado de folk (“Sascha” e “Old Fashion Morphine”), jazz (“Mad Tom of Bedlam”) e belas composições ao piano (“Amen”, “Damn Shame” e “Tiny idyll” que começa com um piano de brinquedo) na voz da jovem. Apesar da pouca idade, canta como se fosse uma diva dos anos 40/50, da altura de Billie Holiday. E não espere nada na linha clássica atual, já que Holland é muito fiel ao estilo.

Dica de download: “Old Fashion Morphine”

#17. Kanye West
(College Dropout)

O que o Outkast foi ano passado e neste, Kanye West será para o que está por vir – ele está prestes a entrar na lista dos grandes artistas do hip hop. Antes disso, era mais conhecido como produtor, trabalhando com artistas como Jay-Z, Ludacris e Alicia Keys. O fato de ser produtor faz com que exista um clima de perfeição entre samples, hip hop e soul em The College Dropout. Há bons momentos como “All Falls Down”, “Jesus Walk”s (um dos melhores singles do ano), “Two Words” e “Through the Wire” (com o sampe de “Through the Fire”, de Chaka Khan). Em suas letras temas como sexo, Deus, drogas e vida pessoal são debatidos. West é um dos grandes nomes do futuro.

Dica de download: “Jesus Walks”

#18. Air
(Talkie Walkie)

Um piano bem marcado (“Venus”), sons hipnóticos (“Run”) ou faixas exclusivamente eletrônicas (“Mike Mills” e “Alone in Kyoto”) faz deste trabalho do Air, o mais fácil de cair no gosto popular. Talkie Walkie é um encontro inevitável de Moon Safari e 10.000 Hz Legend. Os franceses Jean-Benoit Dunckel e Nicolas Godin pela primeira soltam a voz em algumas das canções e deixam a preocupação com as letras e invenções melódicas em segundo plano.

Dica de download: “Run”

#19. Sondre Lerche
(Two Way Monologue)

O segundo disco de Sondre Lerche é um prato cheio de pop e arranjos cuidadosos. O norueguês, de vinte e um anos, traz na sua bagagem um pouco de Elvis Costello, Brian Wilson, Burt Bacharach, Badly Drawn Boy e Jeff Buckley. Expressa sensibilidade (“It´s Too Late”), apresenta folk/country (“Stupid Memory”) e deixa-se levar pelo agradável pop (na faixa título). Two Way Monologue é uma conversa musical sobre vivências pessoais e experiências amorosas. Trata-se de um monólogo de 48 minutos que poderia ser chato, mas é convincente e acolhedor.

Dica de download: “Track You Down”

#20. Adriana Partimpim
(Adriana Partimpim)

Sob o heterônimo de Adriana Partimpim, Adriana Calcanhoto grava seu sétimo álbum para um público distinto… não se trata de um trabalho para crianças, e sim um disco de “Classificação Livre”, como define. Resgatando uma brasilidade em composições lúdicas e graciosas, o projeto apresenta curiosidades. “Oito Anos” de Paula Toller é cheia de “porquês” na letra, a marchinha de carnaval “Lig-Lig-Lig-Lê” (1937) é resgatada do baú e “Fico Assim Sem Você” traz nada mais que um game boy entre os vários instrumentos. Música para todas as idades.

Dica de download: “Canção da Falsa Tartaruga”

TOP 50 de discos de 2004 – # 21-30

segunda-feira, 20 dezembro de 2004 06:20

#21. Auf Der Maur
(Auf Der Maur)

O álbum de Melissa (Auf Der Maur) se sobressae em relação ao da ex-amiga Courtney Love. O primeiro single “Followed the Waves” traz vários elementos e influências num mesmo conjunto. São guitarras, percussão afiada, uma batida pesada que se funde ao pop e um vocal de início no mínimo interessante. A canção começa com um grito prolongado que se incorpora perfeitamente à melodia. “Real a Lie”, o segundo single, tem um dos melhores vídeos do ano e, mais uma vez, uma composição de presença e atitude. As músicas são bem trabalhadas, sem que seus riffs soem chatos ou exagerados. Delimita-se muito bem no quão pop, metal e rock, o álbum pode ser para que não seja apenas linear.

Dica de download: “Skin Receiver”

#24. The Streets
(A Grand Don´t Come for Free)

Dica de download: “Fit But You Know It”

#23. Allison Moorer
(The Duel)

A bela voz de Allison Moorer remete a da irmã, a também cantora Shelby Lynne.
“Believe You Me” e “I Ain´t Giving Up on You” transmitem tamanha expressão da artista que passam a ser as melhores do álbum. Outra que chama à atenção é “Melancholy Polly”, por ser um folk-rock de primeira. A faixa título é uma balada levada ao piano, enquanto “Once Upon a Time She Said” é conduzida por um violão junto a voz frágil da artista.

Dica de download: “I Ain´t Giving Up on You”

#24. The Libertines
(Libertines)

Dica de download: “Can´t Stand Me Now”

# 25. Scissor Sisters
(Scissor Sisters)

Os caras são influenciados por David Bowie, Bee Gees, Elton John, entre outros da mesma fase. Em seu repertório reúnem elementos da era disco, glam rock, funky e criam o seu próprio som de forma “brilhantemente pop”.
O cover de “Comfortably Numb” (do Pink Floyd) recebe uma cara de Bee Gees da fase disco, com vários efeitinhos de laser, palmas sincronizadas e vozes agudas ao longo da melodia. “Take Your Mama Out” começa com um violão similar ao de “Faith” de George Michael, enquanto a baladinha “Mary” só pode ter sido inspirada em Elton John.

Dica de download: “Laura”

#26. Rufus Wainwright
(Want Two)

Dica de download: “The Art Teacher”

#27. Morrissey
(You are the Quarry)

Depois de uma ausência de sete anos, You Are the Quarry traz o ex-Smith de volta à ativa. Este pode ser considerado um dos seus melhores trabalhos na carreira solo, já que superar a qualidade das canções do Smiths seja praticamente impossível. Neste álbum, resgata tempos de sua infância (“The World is Full of Crashing Bores” e “Irish Blood, English Heart”), além de fazer críticas à América – a terra dos sonhos para alguns em “America is not the World” (como quando diz: “In America, the land of the free, they said / and of opportunity, in a just and a truthful way / but where the president, is never black, female or gay, and until that day / you’ve got nothing to say to me, to help me believe”)

Dica de download: “I Have Forgiven Jesus”

#28. Junior Boys
(Last Exit )

Dica de download: “Bellona”

#29. Norah Jones
(Feels Like Home)

Ela vendeu mais de 18 milhões do seu disco de estréia (Come Away With Me), recebeu um total de oito prêmios Grammy e agora surpreende com seu segundo trabalho. A responsabilidade de lançar um álbum tão bom quanto o primeiro era grande, mas Norah Jones apresenta o seu melhor até então.
Feels Like Home é preenchido por uma “levada” mais folk, como percebe-se no primeiro single “Sunrise”, “The Long Way Home” e “Carnival Town”. E claro, sem desmerecer a participação de Dolly Parton na country “Creepin´ In”.

Dica de download: “Creepin´ In”

#30. Prince
(Musicology)

Dica de download: “Cinnamon Girl”

TOP 50 de discos de 2004 – # 31-40

domingo, 19 dezembro de 2004 04:59

#31. Franz Ferdinand
(Franz Ferdinand)

Mais uma vez a hístória se repete. Os críticos dizem que o quarteto escocês veio para salvar o rock. Não é apenas deste gênero que a banda se sustenta, prova disso são as faixas “Tell Her Tonight” (acompanhe-a nas palminhas) e “Take Me Out” que possue uma influência disco na bateria e no baixo. O “sucesso” é devido a fórmula pop que o seu álbum apresenta, mesmo que os indies de plantão neguem. E isso não é ruim, a partir do momento em que várias das músicas fazem com que você se deixe levar pelo trabalho.

Dica de download: “Darts of Pleasure”

#32. Bebel Gilberto
(Bebel Gilberto)

Dica de download: “Simplesmente”

#33. Miss Kittin
(I Com)

Para quem esperava a mesma fórmula, no novo disco de Miss Kittin (aquela do hit saturado “Frank Sinatra”), pode ir esquecendo. “Dub About Me” e “Happy Violentine” aventuram-se no trip hop, enquanto os fãs do eletroclash podem se deleciar com as excelentes “Meet Sue Be She” e “Professional Distortion”. “Requiem for a Hit” tem chances de animar muita festinha por aí, mesmo com uma refrão no estilo baladinha R&B.

Dica de download: “Meet Sue Be She”

#34. Snow Patrol
(Final Straw)

Dica de download: “Run”

#35. Jem
(Finally Woken)

Uma mistura de Beth Orton com Dido, Jem alcança altos e baixos com sua voz (“24”), seja nas melodias eletrônicas (como é o caso do primeiro single “They” e “Come on Closer”) ou quando se arrisca em composições mais simples como a bela “Flying High”.

Dica de download: “24”

#36. Rogue Wave
(Out of Shadow)

Dica de download: “Nourishment Nation”

#37. Lali Puna
(Faking the Books)

O quarteto alemão tem como “frente” a vocalista Valérie Trebeljahr e o multi-instrumentista Markus Archer (também do The Notwist). Em Faking the Books, variam as instrumentações em relação aos trabalhos anteriores, fugindo da base exclusivamente eletrônica e trabalhando com pianos, guitarras, baixos e bateria. Os elementros eletrônicos e samples continuam fazendo parte do processo do Lali Puna, porém conseguindo obter uma qualidade superior aqui.

Dica de download: “Faking the Books”

#38. Jesse Malin
(The Heat )

Dica de download: “Swinging Man”

#39. Zero 7
(When It Falls)

Depois do excelente Simple Things, aclamado pela crítica, o grupo está de volta. As comparações aos franceses do Air não faltam, apesar do Zero 7 ter suas próprias características. When It Falls apresenta beats lentos e bem produzidos, como no primeiro disco, e as participações não ficam por menos – as cantoras que participam garatem as melhores faixas. Porém, apesar das boas melodias, pode trazer mais surpresas para quem não os conhecem do que àqueles que já tiveram contato com a fase de Simple Things.

Dica de download: “Somersault”

#40. Interpol
(Antics)

Dica de download: “C’mere”

TOP 50 de discos de 2004 – # 41-50

sexta-feira, 17 dezembro de 2004 14:50

#41. As Bicicletas de Belleville
(Trilha Sonora)

Ben Charest criou de forma magistral as composições de uma das melhores animações vista nos cinemas este ano. A Belleville do compositor traz jazz do início dos anos 30, com direito a compositores clássicos (“Bach à la Jazz”) a terem suas obras inseridas no contexto como se fossem músicas para serem executadas em Cabaret. Um disco criativo e contemporâneo, assim como a faixa “Cabaret Aspirateur” que funciona perfeitamente na tela grande. Só assistindo e ouvindo para entender.

Dica de download: “Belleville Rendez-Vous” (French Version)

#42. Badly Drawn Boy
(One Plus One is One)

Dica de download: “Easy love”

#43. Múm
(Summer Make Good )

Múm é uma banda da Islândia, tipo exportação, que lembra um pouco o Sigur Rós. A beleza deste trabalho está nas orquestrações, no talento vocal de Kristín Anna Valtýsdóttir (algo entre Kate Bush e Björk) e suas melodias eletrônicas inseridas nas canções. Esta última qualidade pode ser apreciada também em faixas instrumentais como “Stir” e “Away”. De início, um disco difícil, mas que possivelmente tenha o mesmo mérito de várias bandas que já sairam do país de origem desta.

Dica de download: “Weeping Rock, Rock”

#44. Modest Mouse
(Good News for People Who Love Bad News)

Dica de download: “Float on”

#45. Gwen Stefani
(Love Angel Music Baby)

Enquanto Britney Spears preocupa-se com a sua vida de casada e Madonna com as crises religiosas, Gwen Stefani (líder do No Doubt) foi esperta. Chamou nomes de peso: The Neptunes (“Hollaback Girl”), Andre 3000 (“Bubble Pop Electric”), Dr. Dre, Eve (“Rich Girl”), Linda Perry, entre outros, para lançar seu primeiro disco solo. Um trabalho excessivamente pop… e muito anos 80, diga-se de passagem. O primeiro single (“What You Wainting For?”) é uma delícia e um dos melhores do ano. Mas, o que dizer de “Real Thing” que parece ser algo que o Depeche Mode deixou estacionado na década de 80? Um disco tão pop (Rock Steady foi apenas uma prévia) que seu ouvido precisará se acostumar para que Love Angel Music Baby torne-se interessante e divertido.

Dica de download: “Hollaback Girl”

#46. Kings of Convenience
(Riot on an Empty Street)

Dica de download: “Misread”

#47. Jane Birkin
(Rendez-Vouz)

Lembra da canção “Je T’Aime…Moi Non Plus”? Com certeza, pode não lembrar de nome, mas a melodia é conhecida por vários amantes. Jane Birkin agora lança Rendez-Vouz, um disco que com atrativo em seus convidados. O álbum conta com Caetano Veloso (“O Leaozinho”, na qual Birkin arrisca o português), Brian Molko, do Placebo (“Smile”), Manu Chao (na latina-francesa “Te Souviens Tu”), entre outros. Mas, é Beth Gibbons (do Portishead) e sua voz fantasmagórica, que garantem a melhor faixa – a sombria “Strange Melody”.

Dica de download: “Strange Melody”

#48. Angela McCluskey
(Things We Do)

Dica de download: “Somebody Got Lucky”

#49. Jesse Sykes & the Sweet Hereafter
(Oh My Girl)

Jesse Sykes & the Sweet Hereafter criam um clima obscuro em suas composições para uma banda que se enquadra no gênero de alternative country, como pode ser percebido em “Troubled Soul”. Diante de belas melodias e guitarras elétricas, é a voz de Sykes que rouba a cena – expressando sentimentos como solidão, tristeza e relacionamentos problemáticos de forma poderosa.

Dica de download: “You Are Not Gotten Here”

#50. Ben Kweller
(On My Way)

Dica de download: “Different But The Same”

10 coisas sobre Party Monster

quarta-feira, 31 março de 2004 15:55

Party Monster

# 01. O (até então) ator pastelão Seth Green tem o seu melhor papel no cinema, como o escritor James St. James. A química existente entre Green e Macaulay Culkin é uma das grandes surpresas do projeto.

# 02. A trilha sonora é excelente. Conta com: Pet Shop Boys, Miss Kittin, Scissor Sisters, Ladytron, Marilyn Manson, entre outros.

# 03. Falando em Marilyn Manson: ele consegue definitivamente roubar as cenas com a sua personagem Christina – e nem precisa falar para isto. (quem assistiu… por favor… lembre da cena do caminhão agora)

# 04. A cena em que Michael (personagem de Macaulay Culkin) está escutando a canção “Total Eclipse of the Heart” é no mínimo engraçada. Afinal, Bonnie Tyler deu voz para uma das canções mais melosas dos anos 80 – e acho que nem preciso descrever o estado de espírito da personagem e o que aconteceu nesta parte do filme.

# 05. Impressionante como Chloë Sevigny consegue ser versátil – isso faz dela uma das melhores atrizes da nova geração – mesmo que o filme aqui tenha alguns momentos Kids. Aliás, fiquei curioso para assistir ao filme dela com o ator (diretor-roteirista) Vicent Gallo chamado de The Brown Bunny.

# 06. O cartaz nacional de Party Monster, lembra muito o pôster do filme Boogie Nights. Ou foi só eu que percebi isto?

# 07. O trabalho desenvolvido com os figurinos (e maquiagens) para o projeto são muito bem elaborados. Esse tópico ajuda muito na apresentação das personagens e dá um visual bonito para a película.

# 08. O longa é todo filmado em câmera digital e teve um orçamento de 5 milhões de dólares. Um orçamento razoável para colocar tanta gente boa na tela.

# 09. Sabem aquele Fez? Do That 70´s Show? Ele faz um dos namorados de Michael e sabe que o menino está muito bem? Ele consegue fugir da sua personagem do seriado. Aliás, atores de TV é que não faltam. Tem até o Wilson Cruz que fazia o Rickie em Minha Vida de Cão, lembram?

# 10. Ah, e para aqueles que leram este post até o fim e não sabem sobre o que o filme se trata, aí vai um resumo: “Michael Alig (Macaulay Culkin) e James St. James (Seth Green) são dois grandes amigos, que se mudam de uma cidade do meio-oeste dos Estados Unidos para Nova York. Lá eles percebem que são almas gêmeas, agindo juntos para crescer na cidade. James inicia Michael na vida noturna local, que logo ganha grande notoriedade devido ao seu carisma. Michael torna-se um dos principais empresários da noite nova-iorquina nas décadas de 80 e 90, mas acaba misturando traços de sua personalidade com o personagem que inventou para si mesmo.” (+)

TOP 15 Filmes de 2003

segunda-feira, 29 dezembro de 2003 15:00

#01. O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei

O Retorno do Rei (talvez, o melhor dos três filmes) fecha de forma intensa o projeto – arriscado – de Peter Jackson. Aqui, as batalhas são filmadas e produzidas digitalmente no maior cuidado; isso também pode ser dito em relação aos cenários, atuações e a fotografia. Após mais de três horas, a sensação é de que elas passam voando devido ao envolvimento do espectador, seja quando Aragorn é declarado herdeiro, Frodo se aproxima do vulcão de Mordor ou nas próprias cenas de batalha. Jackson prova que é possível fazer trilogias sem perder a qualidade em cada episódio, diferente dos irmãos Wachowski.

#02. Longe do Paraíso

Cathy Whitaker (Julianne Moore em belíssima atuação), uma dona de casa dos anos 50, serve de exemplo para a sociedade em que vive, fazendo de seu nome sinônimo de perfeição. O que poucos sabem é que por trás da vida cheia de alegria, sorrisos, um casamento bem sucedido e filhos adoráveis, há uma mulher infeliz. A impressão é que durante todo o longa, mesmo esbanjando uma felicidade que não existe, a personagem de Moore chora por dentro o tempo inteiro. Acho que nunca me senti tão mal numa sessão de cinema, como na deste filme.

#03. Embriagado de Amor

Adam Sandler acertou ao escolher o papel de Barry Egan. Ele é dono de seu próprio negócio e toda a sua vida foi subestimado pelas suas sete irmãs. Porém, seu modo de viver muda repentinamente quando descobre o amor através da personagem de Emily Watson. Embriagado de Amor, nada mais é que uma celebração ao tema, provando que ele tem poder de mudar as pessoas – e quem que não sabia disso? Talvez os que nunca amaram.

#04. O Homem Que Copiava

André (Lázaro Ramos) é um operador de fotocopiadora em uma papelaria da Capital gaúcha. Um dos seus passatempos, além de desenhar quadrinhos, é observar a vida de seus vizinhos. É assim, que acaba conhecendo Sílvia (Leandra Leal). Para se aproximar da garota, ele a segue até a loja de roupas onde essa trabalha e começa uma conversa com a falsa intenção de comprar um chambre (roupão) de presente para a sua mãe – o problema é que não tem dinheiro. É com a chegada de uma máquina de xerox colorida, na papelaria onde trabalha, que André encontra a solução: falsificar notas de 50 reais. Prova viva de que o cinema nacional (e gaúcho) ainda tem muita qualidade a apresentar.

#05. Procurando Nemo

Uma coisa que os estúdios da Pixar sabem fazer (e muito bem) são ótimas animações. E Procurando Nemo já é sério (e favorito) candidato ao Oscar na categoria. A aventura do peixe-palhaço-“pai” que após ter seu filho “sequestrado” por um mergulhador e decide percorrer o oceano atrás do pequeno na parceria da peixe (“esquecida”) Dory, é prova que a parceria Disney/Pixar cada vez mais oferece qualidade aos seus espectadores – grandes e pequenos.

#06. As Horas

Três histórias. Três mulheres. Três vidas. Todas têm em comum o romance de Virginia Woolf, Mrs. Dalloway, em épocas distintas. Primeiro temos a própria escritora em processo de criação do livro. Em seguida, Laura Brown, uma dona de casa dos anos 50 que prepara uma festa para o seu marido, mas não consegue parar de ler o romance de Woolf. E Clarrisa Vaughn que é apelidada de Mrs. Dalloway pelo amigo e ex-namorado que está morrendo. Com um bom roteiro em mãos e um elenco de primeira, o resultado só poderia ser positivo.

#07. A Viagem de Chihiro

Uma mistura de mangá com Alice no País das Maravilhas. Chihiro é uma menina de dez anos que está mudando de cidade com os seus pais. Neste dia, acabam se perdendo no caminho e deparam-se em uma cidade abandonada. Os pais da garota procuram um lugar para comer, encontram comida de graça e fazem uma bela refeição enquanto a pequena explora o local. Na cidade encontra Haku, um garoto que diz para eles sairem do local imediatamente, porém quando ela encontra com os seus pais, ambos se transformaram em porcos e aí a aventura começa. Não é à toa que o filme chama a atenção. Tanto pela história (que é para adultos e crianças) quanto na sua bela animação.

#08. O Pianista

A música salva e a biografia do pianista Wladyslaw Szpilman (interpretado de forma intensa por Adrien Brody) é a história de um sobrevivente. O filme mostra as primeiras bombas que caíram em Varsórvia (quando esse ainda tocava em rádios locais), as restrições impostas pelos alemães aos judeus poloneses, a ida dos judeus para aos guetos, campos de concentração até o final da invasão alemã. Sempre dando enfoque as formas de sobrevivência encontradas por Wladyslaw, obrigado a se refugiar em velhos prédios abandonados da cidade até que a guerra chegasse ao seu fim.

#09. Dolls

O filme de Takeshi Kitano tem como tema central as histórias clássicas do teatro de bonecos japonês. Todas são sobre o amor e suas diferentes formas. A história central é a de um casal que vaga pelas ruas e jardins amarrados por uma corda. Depois temos um guarda de trânsito e seu amor de fã por uma cantora. E a de uma senhora que todos os dias vai a uma praça levar o almoço para um antigo amor que prometeu aparecer. Além das histórias, o filme tem uma das fotografias mais lindas vistas, recentemente, nos cinemas. Impossível não querer fazer um passeio entre as cerejeiras.

#10. As Confissões de Schmidt

Após a morte de sua esposa e o início de sua aposentadoria, Warren Schmidt (Jack Nicholson, em um dos primeiros filmes que trazem um tema relativo a idade do ator) parte numa viagem em seu trailer motorizado para o casamento de sua filha. A partir disso, tenta encontrar um sentido para a sua vida – e o mais importante: ocupar os seus dias. O filme ganha um tom de narrativa, a partir do momento em que Warren começa a dividir relatos, através de cartas, de sua jornada com um inesperado “amigo”: um garoto da Tanzânia o qual ele patrocina.

#11. Adaptação

Odiado por uns e adorado por outros – faço parte do segundo grupo. Adaptação é a história de Charlie Kauffman (Nicolas Cage) que tem a tarefa de adaptar o livro de Susan Orlean (Meryl Streep) sobre a vida do ladrão de orquídeas John Laroche (Chris Cooper, ganhador do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante). O interessante aqui é como Kauffman adapta a obra e insere-se no próprio roteiro, dando a incerteza ao espectador do que é filme, realidade, criação, roteiro e ficção.

#12. Sobre Meninos e Lobos

Quando eram crianças, as vidas de Jimmy Markum, Dave Boyle e Sean Devine muda após um deles (Dave) ser levado por um falso policial e ficar alguns dias desaparecido. Vinte cinco anos depois, a filha de Jimmy é assassinada e para que o real culpado do crime seja encontrado, algumas lembranças do passado terão que ser resgatadas. Clint Eastwood apresenta um grande filme, com uma boa trama e atuações de Sean Penn e Marcia Gay Harden dignas de reconhecimento.

#13. Tiros em Columbine

Ganhador do prêmio de Melhor Documentário no Oscar, Michael Moore (adorado e odiado no seu país) questiona o fascínio dos americanos por armas de fogo a partir do Colégio Columbine, local onde dois adolescentes pegaram as armas dos pais e mataram quatorze estudantes e um professor no refeitório. Além disso, Moore ainda faz uma visita (no mínimo interessante) ao presidente da Associação Americana do Rifle, o ator Charlton Heston – que é colocado numa saia justa pelo diretor.

#14. Chicago

Chicago veio beber na fonte de Moulin Rouge e o resultado é positivo. Aqui, não temos Satine, mas há Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones), uma famosa dançarina que é também a principal atração da boate onde trabalha. Já, Roxie (Renée Zellweger) é uma garota comum, aspirante a cantora, que sonha com um mundo de Velma. Ambas vão parar na cadeia, por crimes que comenteram e lá iniciam uma briga por publicidade nos jornais da Chicago dos anos 30.

#15. Extermínio

Quando um grupo de ativistas decide invadir um laboratório e libertar macacos que eram usados em experiências, não sabiam que um vírus acompanhava esses animais. Vinte oito dias após o acontecimento, Jim (Cillian Murphy) desperta sozinho em um hospital e fica confuso com a ausência de pessoas no lugar e nas ruas. Logo, encontra seres que não foram infectados e que lutam pela sobrevivência, assim como ele. Filmado todo em câmera digital e com a maioria das cenas feitas minutos antes do amanhecer, causando a idéia de total vazio na cidade, Extermínio é a volta de Danny Boyle às telas.

TOP 50 de discos de 2003 – # 01-10

sexta-feira, 19 dezembro de 2003 03:43

# 01. Cerys Matthews
(Cockahoop)

Para quem pensava que o destino da ex-vocalista do Catatonia era incerto, Cockahoop veio para provar o talento da garota. Com o fim do grupo, pegou suas malas e foi para Nashville, interior dos Estados Unidos, para gravar o seu primeiro disco em carreira solo. Repleto de influências de folk e country music, a moça de voz marcante apresenta um trabalho diferente para aqueles que a conheceram de hits como: “Road Rage”, “Mulder and Scully” e “Strange Glue”.

Dica de download: “Only a Fool”, “Chardonnay” e “Ocean”

# 02. Outkast
(The Love Below / Speakerboxx)

O primeiro single que realmente fez sucesso do grupo foi “Ms. Jackson”, do disco Stankonia. Porém, é com Speakerboxxx / The Love Below (uma espécie de disco duplo – solo – de Big Boi e Andre 3000) que o grupo firma-se como um dos mais criativos da indústria fonográfica. Enquanto, Andre (The Love Below) trabalha com o rap / jazz / soul e canta sobre o amor, Big Boi brinca com o funk e o hip hop. Participações especiais é o que não faltam neste trabalho. Contam com os nomes de Ludacris, Kelis e, a ganhadora de vários Grammy, Norah Jones.

Dica de download: “GhettoMusick”, “The Rooster” e “Prototype”

# 03. Shelby Lynne
(Identity Crisis)

O novo disco da cantora, não poderia ter nome melhor. Após ter experimentado os mais diversos estilos (ou “personalidades”), Lynne retoma às origens de I am Shelby Lynne com um toque de Lucinda Williams. Identity Crisis passeia por melodias folk (“Telephone”), country rock (“Gotta be Better” e “10 Rocks”), blues (“Evil Man”) e jazz (“Buttons and Beaus”).

Dica de download: “Gotta Be Better”, “I´m Alive” e “Telephone”

# 04. Damien Rice
(O)

Ele é uma espécie de David Gray folk e mais centrado. A maioria das melodias são conduzidas por guitarras, violões e algumas orquestrações (“Amie”) aparecem no trabalho de Rice. Outro destaque é o belíssimo acompanhamento vocal de Lisa Hannigan em faixas como “I Remember” e “The Blower´s Daughter”. Uma das grandes revelações do ano.

Dica de download: “Cannonball”, “Delicate” e “The Blower´s Daughter”

# 05. The White Stripes
(Elephant)

Antes mesmo de terem recebido uma indicação de melhor disco do ano na última edição do Grammy, a dupla já vinha recebendo críticas positivas de vários especialistas. E não é a toa. Elephant consegue mesclar melodias pesadas com sonoridades que remetem o estilo blues (“In The Cold, Cold, Night” com Meg White nos vocais), punk (“Black Math”) e rock de garagem (“Girl, You Have No Faith In Medicine”). E tudo isso, dentro de um mesmo trabalho.

Dica de download: “Black Math”, “I Want To Be The Boy” e “The Hardest Button To Button”

# 06. Lisa Marie Presley
(To Whom It May Concern)

To Whom It May Concern é o disco de estréia de Lisa Marie Presley. Sim. A filha de Elvis, ex de Michael Jackson e Nicolas Cage, dá as caras no mundo da música. Mas, caso você sabe apenas isto sobre ela, é capaz de se surpreender com a voz e talento da moça. Recheado de melodias pop/rock, Lisa segue os passos do pai e tem um bom posto garantido na música, devido a forma que sua voz harmoniza com os arranjos produzidos.

Dica de download: “Sinkin´ In”, “Important” e “The Road Between”

# 07. Martina Topley-Bird
(Quixotic)

Mais conhecida por suas contribuições nos discos de Tricky, finalmente Martina Topley-Bird sai da sombra e lança o seu primeiro álbum solo. Quixotic apresenta melodias suaves (Lullaby), rock (“Need One”, contando com a participação de Josh Homme, do Queens of the Stone Age), acid jazz (“Soul Food”) e influências trip-hop. Comparando aos recentes discos de seu companheiro, o álbum de Martina não fica devendo nem um pouco.

Dica de download: “Need One”, “Anything” e “Too Tough to Die”

# 08. Carla Werner
(Departure)

Disco de estréia da garota que antes era conhecida apenas por suas contribuições (vocais) nos remixes de Paul Oakenfold. Enquanto não estava fazendo colaborações, gravava Departure. Werner possui uma voz doce e sensível. Nunca soa exagerada e encaixa-se perfeitamente nas melodias/canções introspectivas deste seu trabalho. Praticamente, uma versão feminina de Jeff Buckley.

Dica de download: “Love You Out”, “Wanderlust” e “Departure”

# 09. Yeah Yeah Yeahs
(Fever to Tell)

O trio do Yeah Yeah Yeahs tem um dos melhores discos de rock do ano. Consegue ser simples e magnífico ao mesmo tempo – e não apenas devido aos gemidos de Karen O. São melodias cruas, cheias de riffs sujos e batidas marcantes. Canções com menos de três minutos como “Tick”, “Pin” ou “Man” se destacam de forma extraordinária. E esse é apenas o início da trajetória do grupo.

Dica de download: “Black Tongue”, “Tick” e “Rich”

# 10. Damien Jurado
(Where Shall You Take Me)

Neste quinto álbum, Jurado relata experiências pessoais sobre sexo, amores obsessivos (“Abilene”) e violência. Tudo isso, conduzido entre o folk e o country. Rosie Thomas, que já havia colaborado nos disco anteriores do cantor, empresta mais uma vez sua bela voz em três faixas (“Omaha”, “Window” e “I Can’t Get Over You”).

Dica de download: “Omaha”, “Texas to Ohio” e “Intoxicated Hands”

TOP 50 de discos de 2003 – # 11-20

quinta-feira, 18 dezembro de 2003 03:32

#11. The Cardigans
(Long Gone Before Daylight)

O trabalho solo (A Camp) de Nina Persson contribuiu bastante para o quinto disco do grupo. Não espere nenhuma faixa tão comercial como nos trabalhos anteriores, esse aqui é mais introspectivo, triste e com lindas melodias – como é o caso de “And Then You Kissed Me” que quando canta “Man, you hit me, yeah you hit me really hard” é como se o ouvinte pudesse sentir. “Couldn´t Care Less” é a faixa mais triste do álbum enquanto o primeiro single “For What It’s Worth”, uma melodia gostosa e constante, foi uma escolha feliz para o lançamento.

Dica de download: “You’re The Storm”

#12. Basement Jaxx
(Kish Kash)

O terceiro disco do Basement Jaxx é o melhor álbum de música eletrônica do ano. As participações especiais do rapper revelação Dizzee Rascal (“Lucky Star”), do integrante do N´SYNC (JC Chasez em “Plug It In”) e de Lisa Kekaula (“Good Luck”) são os grandes momentos do disco.

Dica de download: “Good Luck”

#13. Joss Stone
(The Soul Sessions)

Não deixe que o seu visual Britney Spears / Christina Aguilera o engane, pois Joss Stone possui um talento de dar inveja nas duas. The Soul Sessions é um álbum com dez faixas (covers) que funcionam muito bem na voz de Stone. Possui uma atitude vocal de impressionar para uma garota de apenas dezesseis anos.

Dica de download: “Dirty Man”

#14. Lamb
(Between Darkness and Wonder)

Between Darkness and Wonder tem um excelente nome para um trabalho que revela felicidade e tristeza ao mesmo tempo. “Angelica” é produzida ao piano e remete Zero 7, enquanto “Learn” traz um belo acompanhamento de cordas. A faixa título traz distorções sonoras tanto na melodia quanto na voz de Louise Rhodes. Mais um lindo trabalho da dupla.

Dica de download: “Stronger”

#15. Jewel
(0304)

A garotinha-country que cantava “You Were Meant for Me” e outras baladinhas engajadas pela sua velha viola, influenciou-se pelo pop e lançou, o que talvez seja, seu melhor disco. O responsável pelas mundaças radicais no seu estilo é Lester A. Mendez (o mesmo produtor de Shakira). O single “Intution” traz uma letra contemporânea sobre o mundo do showbiz – e em seu vídeo, aquela garota certinha se transformou em uma bela mulher (mesmo com um dentinho torto – sua marca registrada). Aliás, Jewel aprendeu a fazer vídeos interessantes, outro exemplo é “Stand”.

Dica de download: “Haunted”

#16. Leona Naess
(Leona Naess)

O talento de Leona Naess pode ser proveniente da madrasta, a ex-Supreme Diana Ross. Neste terceiro disco, que leva seu nome, algumas letras são bastante pessoais, como “Don’t Use My Broken Heart” que parece ter sido feita após o fim de um relacionamento (supostamente, com o cantor Ryan Adams) ou “Dues to Pay” em que faz um paralelo entre carreira e romance.

Dica de download: “Calling”

#17. Annie Lennox
(Bare)

Após oito anos sem lançar nenhum disco, Annie Lennox volta com Bare. O que mais chama a atenção é o seu visual envelhecido na capa do álbum. Diz ela, que foi uma forma encontrada para a distribuição diante o mercado teen que se criou durante o seu afastamento. Apesar de não trazer nenhum single à altura dos anteriores, esse é o disco pelo qual deveria ser lembrada caso uma futura aposentadoria esteja por vir.

Dica de download: “Pavement Cracks”

#18. The Postal Service
(Give Up)

Uma mistura de new wave, dance, pop, trip-hop e sonoridades dos anos 80 que lembram New Order, Depeche Mode e Pet Shop Boys. Esta última característica, talvez seja o fato do The Postal Service ser tão bom de ouvir. A primeira faixa “The District Sleeps Alone Tonight” começa como quem não quer nada até se tornar numa explosão das sonoridades citadas.

Dica de download: “Such Great Heights”

#19. The Twilight Singers
(Blackberry Belle)

The Twilight Singers é o projeto paralelo de Greg Dulli do Afghan Wings. O disco abre com uma bela melodia ao piano (“Martin Eden”), como é o caso também de “Teenage Wristband”. Em alguns momentos o trabalho recebe uma atmosfera sombria e prova disso é a faixa final “Number Nine” – uma balada sentimental que começa com um órgão de Igreja.

Dica de download: “Teenage Wristband”

#20. The Hidden Cameras
(The Smell of Our Own)

É quase impossível não comparar o The Hidden Cameras com o Belle & Sebastian. Assim como o B&S, eles também são compostos por uma multidão de pessoas (14 ao todo). Aqui temos Joel Gibbs, líder do grupo, que trabalha com a temática homossexual sem criar muitas restrições. As letras falam sobre sexo e “brincadeiras” sexuais – especialmente, entre homens. As composições são conduzidas por cravos, harpas, vibrafones e outros instrumentos fazendo deste, um disco melodicamente rico.

Dica de download: “Smells Like Happiness”

TOP 50 de discos de 2003 – # 21-30

quarta-feira, 17 dezembro de 2003 03:31

#21. Lucinda Williams
(World Without Tears)

Atualmente, Lucinda Williams é uma das mais respeitadas cantoras country/folk por sua música. Quanto as canções de World Without Tears, “Fruits of My Labor” tem um clima de bar em uma faixa de cortar o coração, “Righteously” sobre o fato de ser desrepeitada e “Those Three Days” abandonada por um amor. É estranho dizer, mas Lucinda faz a dor parecer sensual.

Dica de download: “Sweet Side”

#22. Liz Phair
(Liz Phair)

Dica de download: “Why Can´t I?”

#23. Skin
(Fleshwounds)

A voz de Skin mais as melodias vigorosas, do Skunk Anansie, proporcionaram reconhecimento ao grupo. Em Fleshwounds, primeiro disco solo da cantora, o som é menos pesado do que as canções que estava habituada. No entanto, seu trabalho é admirável do início ao fim. O primeiro single “Faithfulness” é a prova do seu talento, assim como as baladas “Down Let Me Down” e “I´ll Try”.

Dica de download: “Trashed”

#24. Cat Power
(You Are Free)

Dica de download: “Good Woman”

#25. Manitoba
(Up in Flames)

Mais um daqueles casos de “banda de um homem só”. Em se tratando do Manitoba: Dan Snaith. Trabalha com os mais variados estilos de forma cuidadosa. Algumas melodias exploram mais um lado do jazz, rock e outras ganham texturas psicodélicas (“Hendrix With KO”). Uma espécie de Flaming Lips + Aphex Twin.

Dica de download: “Skunks”

#26. Turin Brakes
(Ether Song)

Dica de download: “Falling Down”

#27. Jason Collett
(Motor Motel Love Songs)

Um belo álbum recheado de canções levadas ao estilo rock/folk/pop como já fica evidenciado na primeira faixa “Bitter Beauty”. Basicamente, todas as melodias são conduzidas por um violão, guitarras e percussão linear. Um trabalho com produção simples, mas de resultado grandioso.

Dica de download: “Litte Clown”

#28. Radiohead
(Hail to the Thief)

Dica de download: “A Wolf at the Door”

#29. John Mayer
(Heavier Things)

Com um Grammy nas mãos e vendas mais que esperadas (do seu Room for Squares), Mayer trocou de produtor e lançou Heavier Things. Deixou seu lado “unplugged” para trabalhar com melodias “plugadas”. O garoto possui talento e prova disso é que nunca precisou usar de seu físico para isso. “Bigger Than My Body” merecia alguns títulos de música do ano, mas parece ter sido esquecida.

Dica de download: “Only Heart”

#30. Blur
(Think Tank)

Dica de download: “Out of Time”