
Continuando a colocar várias séries em dia, dessa vez a escolhida foi Everybody Hates Chris. Um show inspirado nas experiências de infância do comediante Chris Rock poderia ser dispensável, mas o resultado é totalmente positivo nesta comédia surreal com pitadas de humor negro e tom exagerado.
Everybody Hates Chris se passa em Nova Iorque, mais precisamente no Brooklyn, durante o início da década de 80. O show agrada mais ao público que conhece a cultura da época, utilizando referências do período em seus comentários (narrados pelo próprio Chris Rock), na edição com vídeos de arquivo e trilha sonora regada de clássicos da música.
Chris é um garoto de 13 anos, que exerce o papel de irmão mais velho quando cuida dos irmãos menores – o popular Drew e a caçula Tonya – enquanto os pais estão trabalhando. Julius (Terry Crews, de As Branquelas), seu pai, é um controlador de despesas que sonha com contas, vê números em tudo que é desperdiçado e tem dois empregos. Sua mãe (Tichina Arnold), a exagerada Rochelle, não consegue manter-se por muito tempo num trabalho, não nasceu para ser empregada, e gaba-se dizendo que o marido tem dois empregos.
A família de Chris preza por uma boa educação ao filho mais velho, obrigando-o a estudar numa escola fora do Brooklyn. Lá, ele é rejeitado pela maioria, mas faz amizade com um garoto não tão popular – seu melhor amigo Greg (Vincent Martella). Até mesmo seus professores tratam-o com inferioridade e pena – o que rende algumas boas risadas, por ele ser o único estudante negro.
No entanto, não cabe ao espectador ter piedade do garoto quando tudo é tratado de forma tão insultante – até mesmo as piadas racistas são exibidas com naturalidade pelo próprio comediante. O show (assista trechos neste vídeo) agrada justante por ter em sua proposta rir da desgraça alheia. Ou melhor, neste caso a má fase na vida de Chris.