Camille Schmidt lança o álbum de estreia ‘Nude #9’, trilha sonora de uma evolução pessoal

Camille Schmidt / Divulgação

Desde a infância, Camille Schmidt se sentava com os modelos nus que posavam no estúdio de arte de seus pais, questionando os títulos impessoais atribuídos às pinturas. Em seu álbum de estreia, Nude #9, ela cria retratos profundamente pessoais sobre si mesma, sua família e suas relações passadas e futuras. Misturando synthpop, folk e punk, Schmidt apresenta um trabalho repleto de sinceridade, humor e autorreflexão, abordando temas como romance, amizade, sexualidade e autodescoberta, enquanto experimenta com manipulação vocal e letras introspectivas

Após o EP Good Person, que explorava folk e rock, com destaque para a faixa queer “Your Game”, Nude #9 expande seu universo sonoro, incorporando paisagens ambientais e ritmos pós-punk. “XOXO”, a faixa de abertura do álbum, começa com uma bateria eletrônica e sintetizadores suaves, antes de apresentar sua voz distorcida por processamento, funcionando como uma armadura que a protege enquanto revela seus pensamentos mais íntimos, como a ideia de criar um filho com seu melhor amigo ou enfrentar o demônio da solidão.

“Nic” é acompanhada por arranjos minimalistas de folk rock, com violão dedilhado e sintetizadores atmosféricos que destacam os vocais suaves da artista, que canta sobre a tentativa de abandonar um vício. Já “Blood Love & Blessings” segue um ritmo semelhante, abordando temas como demência, câncer, contas médicas e depressão. Em “Cult in Denver”, Schmidt explora a extensão de sua voz, alternando entre um staccato delicado com leve tremor e um murmúrio profundo e texturizado. Ao som de uma batida meditativa de bumbo e sutis toques de guitarra elétrica, ela canta: “como alguém pode ser como você é para mim?”.

Trabalhando com o produtor Ben Zaidi e uma equipe de músicos talentosos, a artista apresenta um álbum intenso e espontâneo, com destaque para faixas como “Stanley”, que combina riffs explosivos impulsionados por uma batida punk e versos sobre isolamento e a falta de conexões significativas. Escrevendo de forma livre e sem autocensura, Camille reflete sobre suas experiências com honestidade, como nas letras impactantes de “Fish Pills”, uma balada indie rock repleta de energia e humor, que trata de temas como erros médicos e promessas falsas de curas milagrosas, e em “Proton Electron Photon”, uma ode delicada e atmosférica à identidade.

Nude #9 é um autorretrato profundo e impactante, que desafia o ouvinte a confrontar suas próprias vulnerabilidades com o mesmo olhar sincero e acolhedor de Schmidt. É uma trilha sonora da evolução pessoal, onde cada faixa se apresenta como uma revelação.