
Apenas um ano após Still, a dinamarquesa Erika de Casier retorna em grande estilo com seu quarto álbum, Lifetime, lançado sem aviso prévio. Produzido e composto inteiramente por ela, o projeto funciona como uma colagem de influências cuidadosamente selecionadas – um testemunho do olhar único da artista. Com destreza, ela resgata elementos do passado, reelaborando referências sonoras e visuais para criar algo profundamente pessoal.
Os primeiros sinais do álbum surgiram de forma discreta no mês passado, quando a artista disponibilizou um lote limitado de fitas cassete sem identificação em seu Bandcamp. Mesmo sem revelar o conteúdo, os exemplares se esgotaram em menos de trinta minutos, alimentando a curiosidade dos fãs. Quando as primeiras fitas começaram a chegar na semana passada, as suspeitas se confirmaram: tratava-se de novo material inédito.
Sobre o projeto, ela explica: “é uma coletânea de músicas criadas sem pressão ou expectativas, apenas pela pura alegria de compor”.
Em Lifetime, Erika de Casier revisita os anos 90 e as madrugadas da MTV com uma sonoridade que oscila entre o nostálgico e o contemporâneo. A artista explora com sabedoria um som onde o pop dialoga com hip hop e R&B, ecoando referências que vão desde o clima onírico de Bedtime Stories (de Madonna) até batidas que remetem ao fervor das boy bands. Seu trabalho absorve ainda a sofisticação rítmica de Sade, a irreverência downtempo de Lamb, a ternura eletrônica e ambiente do Vangelis e nuances de trip hop, tudo costurado com samples surpreendentes – como “Insane in the Brain” do Cypress Hill em “Delusional”, faixa que explora o fascínio por um amor conhecido através de uma fotografia. O resultado é um álbum que celebra influências sem se tornar refém delas, mantendo sempre autenticidade e densidade emocional.



