
Ao longo de uma década e dez discos, Shamir reinventou estilos musicais conforme sua vontade, transitando do pop eletrizante de Ratchet – marcado pelo sucesso de “On The Regular” – até a textura industrial de Heterosexuality. Agora, o músico lança Ten, um álbum que ele considera seu último projeto na carreira. Neste trabalho, Shamir dá um passo atrás, emprestando sua voz única a composições criadas por amigos, transformando letras alheias em algo profundamente pessoal.
“I Love My Friends” combina energia pop rock e riffs marcantes, transmitindo uma mensagem de amor e gratidão pela lealdade dos amigos. Em seguida. “Neverwannago” traz uma atmosfera melancólica, mesclando balada suave e elementos pop, enquanto explora a fragilidade emocional e o medo de reviver dores do passado. Já “I Don’t Know What you Want From Me”, composta por TORRES – e que toca guitarra na música -, tem um tom folk e fala sobre a angústia de se sentir preso e ansiar por liberdade. Já “I Know we Can’t be Friends” aborda a dificuldade de seguir em frente após um término, mesmo com as memórias ainda presentes.
“Die”, com guitarras densas e uma letra que contempla a fragilidade da vida, exalta o momento presente e a harmonia com a natureza, ao mesmo tempo que desafia convenções religiosas. Em contraste, “Offline”, composta por Ben Lee, é uma balada íntima, conduzida por piano e violão, que fala de vínculos reais, longe da superficialidade das redes sociais. Já “Recording 291” traz uma batida pulsante, misturando rock cru e uma vibe nostálgica, enquanto narra um amor ardente e não reciprocado, com ecos da sonoridade do The Cranberries.
“Pin” transmite uma sensação de insegurança e o temor de perder alguém, mesmo quando se sabe que essa pessoa já encontrou a felicidade em outro amor. Já “29”, uma balada melancólica conduzida por um piano que dialoga com as cordas suaves de “Video Games” de Lana Del Rey, traz na voz sensível do artista uma mistura de nostalgia, desencanto e a busca por algo mais significativo na vida.
Ten é uma carta de amor sem filtros, dedicada a quem o apoiou em meio ao caos. Suas imperfeições trazem calor, e sua entrega, alívio. É o som de um artista que, enfim, se libertou.



