
A artista baiana Luedji Luna, conhecida por sua voz marcante e talento como compositora, explora com profundidade as diversas facetas do amor em Um Mar Pra Cada Um, – com uma vírgula no título -, seu quarto álbum de estúdio. O trabalho, que mergulha nas sutilezas do desejo, marca o encerramento de uma trilogia iniciada com Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água e seu deluxe, transitando por influências de jazz e neo soul ao longo de sua produção.
Enquanto seus álbuns anteriores deram início a uma investigação tanto humana quanto filosófica sobre o amor, Um Mar Pra Cada Um, adentra o universo íntimo de Luna em busca de preencher uma lacuna que a persegue há tempos. Aos poucos, a artista revela que a imensidão de seus desejos esconde feridas e inquietações profundas – elementos que moldam e explicam sua busca constante por amar e ser amada.
O álbum, que bebe na inspiração de A Love Supreme (clássico de John Coltrane) e Sade, reúne colaborações especiais, como a saxofonista britânica Nubya Garcia (“Dentro Ali”), o guitarrista norte-americano Isaiah Sharkey (“Joia”), a cantora Liniker (“Harem”), a artista TALI e o consagrado trompetista japonês Takuya Kuroda (“Salty”).
No álbum, Luedji Luna estabelece um diálogo entre gerações através de referências musicais e literárias. “Gênesis”, uma peça exclusivamente instrumental, ganha vida através da interpretação de talentosos músicos baianos, que exploram as possibilidades sonoras do piano, saxofone, bateria e contrabaixo. Em “Joia”, a cantora incorpora um sample de “Pérola Negra” – clássico de Luiz Melodia imortalizado por Gal Costa. Já “Baby Te Amo” surge como homenagem à intelectual e ativista negra Beatriz Nascimento (1942-1995), com artista musicando um poema da autora a pedido de sua filha. A faixa ganha dimensão especial ao resgatar a voz original de Beatriz através de tecnologia de inteligência artificial, permitindo que a própria autora recite seus versos.
A narrativa visual do projeto ganhou vida através da rica biodiversidade marinha estudada pelo pesquisador Álvaro Migotto. Criaturas microscópicas, exóticas e surpreendentes – por vezes de aparência peculiar – trouxeram seu esplendor único para a concepção artística. Esses organismos, em sua estranheza fascinante, refletem a complexidade do amor: cheio de contrastes, mas sempre repleto de beleza singular.



