7 discos para ouvir hoje: Jessica Winter, Wet Leg, Sister., Clipe e mais

Jessica Winter / Divulgação

Confira alguns dos principais lançamentos da semana para atualizar a sua playlist de discos favoritos. Entre eles estão os novos trabalhos de: Jessica Winter, Wet Leg, Sister., Poor Creature, Africa Express, Clipse e Charlotte OC.

Jessica WinterMy First Album
(Lucky Number)

A britânica Jessica Winter brilha no cenário do alt-pop com uma sonoridade experimental que carrega influências do indie, industrial e colaborações marcantes com artistas como The Horrors, The Big Moon, Phoebe Green, entre outros. Após dois anos de pausa desde o EP Limerence, ela finalmente lança o aguardado álbum de estreia, My First Album, um projeto majoritariamente autoproduzido, com algumas parcerias que priorizam mulheres e pessoas LGBTQIA+, em uma reação direta aos abusos que enfrentou na indústria da música.

Inspirado pelo pop icônico de Kylie Minogue, pelo brilho dos anos 80 de Madonna, pela ousadia de Prince e Queen, pela energia punk e até por toques psicodélicos, o álbum é uma viagem sonora diversificada. Em “Nirvana”, Winter inicia com um pop alucinógeno com cítaras, que se encaminha para uma euforia eletrônica que remete às produções de William Orbit, enquanto transmite autoconfiança e desafia as normas. Já em “L.O.V.E”, uma crítica a relacionamentos tóxicos, combina batidas dançantes dos anos 2000 com uma mensagem de libertação.

“Feels Good (For Tonight)” evoca o glamour e brilho da era disco, enquanto a dance pop “Aftersun” retoma a vibração contagiante de “Music Sounds Better With You” (do Stardust), equilibrando euforia e melancolia. Já a cativante e luminosa “Big Star”, com ares de musical, retrata a busca pela fama e o preço do sucesso. Na glam pop “Worst Person In The World”, Winter transforma autodepreciação em um hino catártico, celebrando a imperfeição (“talvez eu sempre tenha sido a pior pessoa do mundo”).

“All I Ever Really Wanted” mistura pós-punk, eletrônico e dance em uma ode à insatisfação, criando um cenário de como soaria uma colaboração entre New Order, Kylie Minogue e Grimes (da era Art Angels). “Wannabe” é uma canção melancólica com nuances grunge, na qual ela explora a angústia da comparação, o anseio por ser outra pessoa e, por fim, a aceitação de si mesma. Enquanto “Just Like That” é uma balada que inicia com um piano e cresce nas cordas com Winter cantando sobre um amor promissor que se desfez.

“Got Something Good”, um pop industrial com uma atmosfera que remete a “Closer”, do Nine Inch Nails, e que explode em guitarras com a intensidade do rock dos anos 90, retrata uma situação de desprezo e superação. “Only Lonely” aborda a dificuldade de superar alguém, mesmo sabendo que a relação é tóxica e alimenta apenas a solidão, enquanto “To Know Her”, faixa em que a artista revela estar em um casamento consigo mesma, traz sinos de igreja tocando e o verso “porque eu não quero as expectativas de ninguém, eu posso fazer minha própria ideia de mim”, reforçando a ideia de que é quase impossível ter um relacionamento com outra pessoa que não acabe em desastre.

Com My First Album, Jessica Winter não apenas afirma sua voz única, mas transforma dor em arte, criando um trabalho dançante, comovente e libertador. Um manifesto pop sobre resistir, descobrir-se e, acima de tudo, celebrar a própria identidade.

Wet Legmoisturizer
(Domino)

A banda de indie rock Wet Leg, fundada por Rhian Teasdale e Hester Chambers, está de volta com seu segundo álbum de estúdio, moisturizer. Mantendo a essência irreverente do trabalho de estreia, o disco mergulha em camadas mais íntimas e confessionais – ou, como as próprias artistas definem, uma coleção de canções de amor nada convencionais.

A faixa de abertura, “CPR”, integra essa proposta temática, com Teasdale questionando no refrão “isso é amor ou suicídio?”, deixando claro que não se trata de uma declaração romântica convencional. Longe de ser uma declaração romântica tradicional, a música combina batidas pulsantes, guitarras distorcidas e letras ácidas, carregadas da ironia característica da banda.

Enquanto “liquidize” captura a desorientação de quem se vê subitamente apaixonado, “catch these fists” explode com um groove contundente desde os primeiros acordes, entregando um som que mistura garage-punk e energia dançante. A letra retrata alguém que rejeita investidas indesejadas, preferindo a liberdade de curtir a vida sem amarras.

“davina mccall”, nomeada em homenagem à apresentadora britânica, é uma balada power pop emocionante, que celebra um amor puro e incondicional. Já “jennifer’s body”, com suas guitarras estridentes, evoca um amor jovem intenso e despreocupado. Em “magneout”, o tom é mais agressivo, com uma rejeição sarcástica a alguém considerado insignificante.

Com guitarras melódicas e um refrão explosivo, “pond song” fala de uma paixão que surge inesperadamente. “pokemon”, por sua vez, traz uma batida oitentista e uma levada post-punk, transformando-se num hino a um amor livre e despreocupado, com direito a planos de fuga e viver sem pressa.

“pillow talk” mescla guitarras punk e letras provocativas, expressando desejo por alguém distante. Em contraste, “don’t speak” é um indie pop melódico sobre um amor simples, que dispensa grandiosas declarações. O álbum se encerra com “11:21”, uma balada serena de versos sussurrados sobre afeto que resiste ao tempo, e “u and me at home”, que traduz a tranquilidade de estar ao lado de quem se ama, mesmo nos dias mais difíceis.

moisturizer é um álbum urgente que oscila entre a ironia, a urgência e a vulnerabilidade.

Sister.Two Birds
(Mtn Laurel Recording)

O segundo álbum da Sister., Two Birds, revela uma banda em busca de uma visão coletiva renovada e catártica. A trajetória do grupo nova-iorquino reflete a profunda conexão pessoal e artística entre as vocalistas Ceci Sturman e Hannah Pruzinsky, cultivada ao longo de uma década. Ao mergulharem em sua própria relação através da música, elas abraçaram uma honestidade mútua absoluta, compondo canções de indie folk cristalinas que exploram tanto a beleza rara de uma amizade íntima quanto suas armadilhas. Produzido pelo guitarrista James Chrisman e coproduzido por Sturman, Pruzinsky e Felix Walworth (Told Slant, Florist), o registro marca a evolução do projeto rumo a territórios emocionais e sonoros inexplorados.

“Blood in the Vines”, a faixa de abertura, apresenta um folk delicado e atmosférico que retrata uma amizade jovem e confusa, narrando a história de duas pessoas em intimidade que se observam enquanto aprendem a lidar com conflitos, desejo, semelhanças e diferenças. A faixa-título, que mescla harmonias angelicais com guitarras intensas, explora a dor da separação e a saudade compartilhada. Já “Piece of Silver”, onde abordam a dor de uma relação desgastada, com lembranças e gestos simbólicos revelando a distância emocional entre duas pessoas outrora próximas, começa como uma balada serena, mas é abruptamente interrompida por guitarras distorcidas que parecem materializar o drama da narrativa musical.

Neste trabalho, o Sister. realiza algo raro: uma coleção de músicas repleta de espaços abertos, arcos melódicos pacientes e momentos de liberação catártica. É um álbum inventivo, emocionalmente intenso e seguro de si, que aborda relações que se distanciam apenas para se reencontrarem, traduzindo união e separação tanto nas letras quanto nas formas musicais.

Poor CreatureAll Smiles Tonight
(River Lea Recordins)

Poor Creature é formada por Ruth Clinton, Cormac MacDiarmada e John Dermody, todos integrantes de outros grupos (Landless e Lankum, respectivamente) que conquistaram popularidade ao reinterpretar canções tradicionais, trazendo-as para um contexto contemporâneo.

Músicas que existem há séculos podem parecer imutáveis, mas uma nova geração de artistas irlandeses está reavivando esse legado, dando-lhe novas cores e significados. O som do grupo se destaca no cenário do folk irlandês atual, mesclando atmosferas etéreas e quase psicodélicas, como em “Bury Me Not” e “Adieu Lovely Erin”, com influências do folk e bluegrass americano em “All Smiles Tonight” e “Hicks’ Farewell”, ecoando nomes como Doc Watson e The Louvin Brothers.

Essa diversidade sonora foi moldada pelo produtor John ‘Spud’ Murphy (responsável pelos álbuns do Lankum e colaborador de artistas como Junior Brother, ØXN, Ye Vagabonds e The Jimmy Cake). “Há algo no entrelaçar do cotidiano com o fantástico que a música irlandesa faz tão bem”, reflete o trio. Essa essência permeia All Smiles Tonight, um álbum que navega entre histórias, perdas e memórias, criando uma obra ao mesmo tempo atemporal e transcendente.

Africa ExpressAfrica Express Presents… Bahidorá
(BMG)

O renomado fenômeno musical Africa Express, coletivo musical co-fundado por Damon Albarn, retorna com o álbum Africa Express Presents… Bahidorá, gravado no México e reunindo artistas e músicos de quatro continentes.

Este coletivo musical inovador tem unido há mais de duas décadas artistas de diferentes países e gêneros em colaborações radicalmente criativas, onde tudo pode e realmente acontece. Fundado em 2006 com o objetivo de conectar artistas de diversas culturas, gêneros e gerações para criar e performar música, o Africa Express começou com uma viagem ao Mali, que reuniu estrelas locais como Toumani Diabaté, Bassekou Kouyaté e Amadou & Mariam com artistas como o cofundador Damon Albarn, Martha Wainwright e Fatboy Slim.

Em 2024, o coletivo marcou presença no Festival Bahidorá, no México, uma experiência que juntou um grupo extraordinário de músicos, cantores e DJs de todo o mundo para ensaiar, se apresentar e compor novas músicas às margens das antigas fontes de Bahidorá. O resultado é Africa Express presents… Bahidorá, uma coleção totalmente original com 21 faixas, contando com talentos excepcionais do México, América do Sul, África, EUA e Reino Unido, incluindo: Abou Diarra, Baba Sissoko, Bonobo, Bootie Brown, Damon Albarn, Django Django, Eme Malafe, Fatoumata Diawara, Hak Baker, Imarhan, Joan As Police Woman, Jupiter & Okwess, La Bruja de Texcoco, Los Pream, Luisa Almaguer, M.anifest, Mare Advertencia, Mexican Institute of Sound, Moonchild Sanelly, Nick Zinner (do Yeah Yeah Yeahs), Onipa, Otim Alpha, Poté, Son Rompe Pera e Tayhana.

Africa Express presents… Bahidorá é uma coleção notável de músicas. Uma jornada sonora intensa, com raízes no México, abrangendo uma rica variedade de tradições musicais, desde ritmos latinos e urbanos até reggaeton, rap, kuduro, cumbia, os metais mixe de Oaxaca, salsa, além de folk, hip hop e pop. Destaque para “Pánico (Cuelga al DJ)”, uma versão para o clássico do The Smiths e que vira festa latina.

ClipseLet God Sort Em Out
(Roc Nation)

Depois de 16 longos anos, Clipse, dos irmãos Pusha T e Malice, lança seu quarto álbum de estúdio, Let God Sort Em Out. Com 35 minutos e 13 faixas, o projeto é a primeira colaboração do duo desde o aclamado Til the Casket Drops. O disco traz participações especiais de peso, incluindo John Legend e Voices of Fire na abertura “The Birds Don’t Sing”, Kendrick Lamar em “Chains & Whips”, Tyler, the Creator em “P.O.V.”, Stove God Cooks em “F.I.C.O.”, Ab-Liva em “Inglorious Bastards” e “Let God Sort Em Out/Chandeliers”. Pharrell, responsável por toda a produção do álbum, também aparece em “All Things Considered” (com The-Dream), “E.B.I.T.D.A.”, “So Far Ahead” e “By The Grace Of God”.

Apesar do longo hiato, o duo de Virginia Beach volta com tudo, como se nunca tivesse saído de cena. Let God Sort Em Out reflete sobre os últimos 16 anos, desde perdas familiares até a mudança no cenário do rap, sem soar ultrapassado ou nostálgico. A produção impecável de Pharrell, no primeiro álbum do Clipse sem os Neptunes, eleva ainda mais as rimas afiadas de Malice e Pusha T, criando uma fusão perfeita. O álbum é refinado e certeiro, provando que Push e Malice nunca precisaram se encaixar no hip hop moderno, apenas esperavam o momento certo para voltar com força total.

Charlotte OCSeriously Love, Go Home
(Embassy of Music)

Charlotte OC enfrentou os altos e baixos na indústria musical, desde ser contratada por uma grande gravadora aos 18 anos até ter de trilhar seu próprio caminho após ser dispensada. Depois de anos de turbulência pessoal e profissional, ela voltou às suas raízes, redescobrindo tanto sua identidade quanto sua música. Seriously Love, Go Home marca um ponto de virada catártico em sua trajetória. Mergulhado em luto, confronto emocional e, por fim, renovação, o EP é um retrato sincero de uma mulher enfrentando o caos e reencontrando sua força.

Sua música, uma mistura de força e delicadeza, bebe de influências que vão do espírito rock ‘n’ roll de Patti Smith à franqueza crua de Amy Winehouse, mas sem perder uma sonoridade única. “God, We Tried” reflete o fim de um relacionamento e a complexidade emocional de insistir em algo que, no fundo, nunca esteve certo. É uma canção sobre amor, perda e a dificuldade de seguir em frente enquanto se processa um luto profundo.

Se “God, We Tried” mergulha na dor de um amor mal resolvido, “Romeo” surge como uma resposta calorosa e redentora sobre o acaso de encontrar alguém no momento perfeito. “Cider and Black” é um hino cru e rebelde que captura a imprudência e a dor velada da autodestruição. Com honestidade inabalável, a faixa retrata alguém em espiral, abraçando o caos como identidade enquanto esconde feridas mais profundas.

Charlotte OC não apenas ressurge, mas se reinventa, transformando sua jornada de dor e descoberta em uma obra visceral.