
Confira alguns dos principais lançamentos da semana para atualizar a sua playlist de discos favoritos. Entre eles estão os novos trabalhos de: Indigo De Souza, Fever Ray, Folk Bitch Trio, The Blaze, Nuovo Testamento, Safe Mind e Post Animal.
• Indigo De Souza – Precipice
(Loma Vista Recordings)
Precipice apresenta Indigo De Souza em um momento de profunda transformação artística e espiritual. Com letras poéticas e introspectivas, a cantora de indie rock mergulha em memórias dolorosas e emoções intensas, transformando-as em grandiosas composições pop (uma evolução iniciada no EP WHOLESOME DEVIL FANTASY) sem perder a autenticidade.
O álbum abre com “Be My Love”, uma faixa banhada por sintetizadores brilhantes que se elevam junto à voz emotiva de De Souza, em um apelo por um amor que persiste, mesmo quando tudo parece perdido. Em “Crying Over Nothing”, as batidas pop vibrantes e arranjos nostálgicos dos anos 80 criam uma atmosfera envolvente. Já “Crush”, com influências de europop e doçura à la Katy Perry, é uma canção animada e envolvente sobre sexo oral, enquanto a existencial “Not Afraid” alterna entre vocais delicados e sintetizadores intensos, celebrando uma vida vivida com coragem.
“Be Like the Water” surge como um monólogo íntimo, onde batidas pulsantes se misturam a melodias luminosas, enquanto a artista reflete sobre a impermanência da vida e a beleza da vulnerabilidade. “Heartthrob” combina guitarras marcantes e ritmo acelerado, trazendo letras urgentes sobre superação e resiliência.
A atmosfera intimista em “Dinner”, uma balada delicada construída sobre um piano suave, transmite a dualidade entre enfrentar as adversidades e encontrar refúgio no amor. “Clean It Up” começa contida, com violão e voz, mas cresce com metais e harmonias vocais, explorando o arrependimento em um relacionamento desgastado.
“Heartbreaker” incorpora elementos de folk e country, com uma performance emocionante sobre um amor destrutivo que ainda persiste. Em “Pass It By”, a artista retoma a euforia synthpop para cantar sobre o medo do desconhecido, enquanto a faixa-título encerra o álbum com uma reflexão poderosa sobre resistir mesmo à beira do abismo.
Em Precipice, Indigo De Souza entrega uma jornada sonora e emocional catártica, onde a vulnerabilidade se transforma em força, e cada nota ecoa a beleza de renascer mesmo nas quedas mais profundas.
• Fever Ray – The Year of Radical Romantics
(Rabid Records)
Fever Ray, projeto experimental de eletrônica comandado por Karin Dreijer (The Knife), anuncia o álbum ao vivo The Year of The Radical Romantics, com lançamento previsto para 25 de julho via Rabid Records. O registro captura a energia eletrizante da turnê ‘There’s No Place I’d Rather Be’, em apoio ao álbum Radical Romantics (2023).
O álbum consiste em versões ‘live to tape’ gravadas em estúdio, buscando capturar a energia das performances ao vivo. Ele reimagina faixas do último disco, traz ainda pérolas de Plunge (2017) e versões renovadas de clássicos iniciais. Tudo foi executado pela banda que acompanhou Dreijer na estrada: Minna Koivisto (teclados), Romarna Campbell (bateria), Maryam Nikandish e Helena Gutarra (keytars e vocais).
O universo de Radical Romantics ganhou vida através de personagens icônicos: o galante Casanova (alter ego de Fever Ray), o conquistador Romance, a obsessiva Main, a enigmática Snusis e a explosiva Demona Lisa. Agora, The Year of the Radical Romantics encerra o arco dessas figuras com videoclipes dirigidos por Martin Falck, colaborador frequente do projeto.
• Folk Bitch Trio – Now Would Be A Good Time
(Jagjaguwar)
O grupo australiano de folk rock Folk Bitch Trio, formado por Gracie Sinclair, Jeanie Pilkington e Heide Peverelle, apresenta seu primeiro álbum, Now Would Be A Good Time. Produzido por Tom Healy (Marlon Williams, Julia Jacklin), o disco aposta em uma abordagem minimalista, construindo paisagens sonoras etéreas e refinadas a partir de harmonias vocais a três vozes e camadas sutis de guitarra.
As composições têm suas bases no folk tradicional, mas reverberam as experiências e contradições da vida nos vinte e poucos anos: términos dolorosos, devaneios dissociativos, exaustão social, fantasias eróticas, sarcasmo e epifanias silenciosas. Com uma escrita carregada de lirismo, o grupo transita entre o absurdo e a melancolia do cotidiano contemporâneo com uma ironia cortante.
A faixa “Cathode Ray” mistura indie rock suave com elementos de americana, guiada por guitarras marcantes e vocais entrelaçados que revelam vulnerabilidades em versos que tratam da libertação por meio do colapso emocional e físico, entrelaçando desejo, medo e a urgência de se despir de tudo em busca de autenticidade. Já “Moth Song” é uma canção contemplativa, embalada por guitarras delicadas, violinos fluidos e harmonizações vocais. A música aborda um amor não correspondido e, segundo Gracie Sinclair, reflete sobre “estar tão envolvida com algo a ponto de começar a delirar e imaginar coisas absurdas”.
Outras canções são mais diretas e cruas, capturando fragmentos intensos de relações desfeitas. “The Actor” é uma balada carregada de tensão emocional, sobre “ir ao show solo da sua parceira e terminar com ela ali mesmo”. Já “Hotel TV”, uma divagação hipnótica em clima noturno, Pilkington explora a sensação de “ter um sonho sexual com outra pessoa enquanto está ao lado do seu parceiro, e seu parceiro ser um mentiroso”.
Com Now Would Be A Good Time, o Folk Bitch Trio apresenta uma estreia sensível e visceral, onde o caos íntimo do dia a dia se transforma em belas e ressonantes harmonias que permanecem ecoando até a última faixa.
• The Blaze – FOLK
(Animal63)
O duo francês de música eletrônica The Blaze, formado pelos produtores e primos Guillaume e Jonathan Alric, apresenta FOLK, um álbum ao vivo gravado no emblemático Royal Albert Hall, em Londres. O trabalho reúne a essência multifacetada da dupla, convertendo suas faixas mais celebradas em uma vivência coletiva e emocional no prestigiado palco britânico.
A vibração intensa de “CLASH” e “MADLY”, originalmente presentes no álbum JUNGLE, contrasta com a atmosfera etérea de “PLACES”, onde vocais hipnóticos surgem após uma introdução instrumental sinuosa e envolvente. Já “RISE”, retirada do disco DANCEHALL, ressoa com um baixo profundo e cativante, revelando com clareza o mistério característico do duo, antes de mergulhar novamente em sombras sonoras em composições como “SIREN” e “HAZE”.
À medida que o espetáculo avança, elementos inesperados se revelam nos grooves expansivos, evidenciando a evolução harmônica e a maturidade estética adquirida ao longo de uma década de trajetória. Mais do que uma simples gravação ao vivo, FOLK captura a magia de duas vozes que se tornam uma, e depois centenas, milhares. Após anos cruzando festivais, pistas e palcos ao redor do planeta, o The Blaze retorna com faixas lapidadas pelo tempo e ressignificadas pelas jornadas imprevisíveis que trilharam.
• Nuovo Testamento – Trouble
(Discoteca Italia)
O trio Nuovo Testamento, formado por Chelsey Crowley (vocal), Giacomo Zatti (bateria) e Andrea Mantione (sintetizador), passou os últimos anos incendiando pistas de dança ao redor do mundo com sua envolvente fusão de italo-disco obscuro e pop eletrônico. Em plena ascensão, o grupo retorna com o EP Trouble, sucessor do elogiado Love Lines. Com cinco faixas, o trabalho reflete a identidade sonora da banda, agora ampliada por referências marcantes das décadas de 1980 e 1990, entrelaçando freestyle, synthpop, dance pop e elementos da música alternativa em uma produção coesa e dançante.
O single “Picture Perfect” destaca-se como um hino efervescente, guiado por batidas pulsantes e sintetizadores reluzentes, com um refrão poderoso que remete aos hits do freestyle e pop noventista, na celebração de um romance tão ideal que parece extraído de um sonho. Já “Dream On” resgata o charme do dance pop que marcou as fases lendárias de Madonna nos anos 80, enquanto “On the Edge” entrega uma linha de baixo irresistível que faz eco ao clássico “Show Me Love” da Robin S.
Produzido por Maurizio Baggio (colaborador de Boy Harsher), e após turnês com nomes como Molchat Doma e The Soft Moon, Trouble representa o registro mais maduro e confiante da trajetória do Nuovo Testamento. Um trabalho feito sob medida para a pista, mas sem medo de emocionar.
• Safe Mind – Cutting the Stone
(NUDE CLUB)
Safe Mind, colaboração entre Augustus Muller (Boy Harsher) e Cooper B. Handy, lança seu primeiro álbum, Cutting the Stone. A conexão entre os dois artistas teve início em 2020, quando Muller convidou Handy para contribuir em uma composição da trilha sonora de ‘The Runner’ e dessa parceria nasceu “Autonomy”. A maneira peculiar com que Handy desenvolve suas ideias complementou perfeitamente o rigor técnico de Muller, conhecido por sua dedicação minuciosa à produção.
Reconhecendo a sintonia artística, seguiram experimentando novas sonoridades ao longo dos anos seguintes. Com o tempo, perceberam que havia um ponto em comum nas criações: a necessidade de transmitir sentimentos genuínos. A partir disso, consolidaram o projeto Safe Mind.
“6′ Pole”, que marcou a estreia, combina a energia do synthpop com atmosfera new wave e um groove divertido. Com ritmo cativante e versos sagazes, a música ironiza questões ligadas ao desejo e à obsessão. Por outro lado, “Standing on Air” aposta numa ambiência mais introspectiva, fundindo referências retrô com elementos de balearic house, resultando em um clima sonhador e melancólico.
Com referências que transitam entre sintetizadores analógicos, baixos marcantes, atmosferas vintage e influências evidentes de New Order, Cutting the Stone é um registro que combina nostalgia e frescor. O disco evidencia a capacidade da dupla de transformar inspirações do passado em uma proposta contemporânea, sensível e animada.
• Post Animal – IRON
(Post Animal)
A banda de rock psicodélico Post Animal lança o álbum Iron, marcando o retorno de Joe Keery, conhecido pelo papel de Steve Harrington em ‘Stranger Things’ e pelo projeto solo Djo, que havia se afastado do grupo para se dedicar a outros trabalhos. A faixa instrumental de abertura, “Malcolms Cooking”, funciona como um portal para o universo inventivo da banda, enquanto músicas como “Last Goodbye”, com sua mistura de folk e rock reminiscentes do Fleetwood Mac, e “Maybe You Have To”, que começa com uma mensagem de voz da falecida avó do baterista Wesley Toledo, exploram com sensibilidade temas como a perda e a memória.
“Setting Sun”, por sua vez, destaca-se com camadas densas de sintetizadores e guitarras robustas, abordando questões de superação, autenticidade e resiliência diante das mudanças da vida. Já “Pie in the Sky” revela-se como uma canção de amor melancólica e obsessiva, com influências de country rock e melodias que remetem à década de 1970. Em “What’s A Good Life”, os sintetizadores atmosféricos acompanham uma reflexão sobre abandonar a busca por perfeição e status, aceitando a imperfeição e a mortalidade como parte essencial de uma vida verdadeira.
A dramática e psicodélica “Dorien Kregg” apresenta uma narrativa de tom teatral sobre um homem que percebe, tarde demais, que o preço do sucesso é a solidão e o arrependimento. Já “Common Denominator”, com arranjos suaves e minimalistas permeados por toques folk, reflete sobre as oscilações da existência. Encerrando o disco, a faixa-título oferece uma contemplação sobre como as relações se transformam com o passar do tempo.
Sem buscar reinventar sua estética sonora, o Post Animal aposta na emoção e na sintonia entre os integrantes, entregando um reencontro tocante e maduro entre os amigos.



