David Byrne reflete sobre os méritos da arte pela arte no single “The Avant Garde”

David Byrne / Shervin Lainez

David Byrne lança o álbum Who Is The Sky?, seu primeiro trabalho em sete anos, no dia 05 de setembro pela Matador Records. Após divulgar os singles “Everybody Laughs” e “She Explains Things to Me”, o artista apresenta a inédita “The Avant Garde”.

“The Avant Garde”, produzida por Kid Harpoon (Harry Styles, Miley Cyrus) e com arranjos orquestrais do coletivo nova-iorquino Ghost Train, traz uma sátira inteligente ao conceito de “arte pela arte”. Misturando dramaticidade e art-rock – numa fusão que o próprio Byrne define como “Led Zeppelin encontra Dirty Projectors” -, a música expõe a contradição do movimento vanguardista: enquanto celebra seu engajamento político e inovação conceitual, também questiona se isso, por si só, garante qualidade artística.

Byrne comenta:

“Algumas pessoas vão ouvir isso e dizer: ‘David está chamando de besteira os amigos dele’, mas é mais sutil do que isso. Quem me conhece sabe que vou a muitos shows que poderiam ser classificados como vanguarda ou experimentais. Trabalhos ousados e não tradicionais me inspiram profundamente, pois muitas vezes mudam minha forma de pensar e influenciam o que faço (espero que sem simplesmente apropriar as ideias). Dito isso, tentar algo inédito e radicalmente novo é arriscado. Como em qualquer risco, às vezes não se acerta bem no alvo. Não há garantia de que vá alcançar o que se propõe, mas quando isso acontece, as recompensas emocionais e intelectuais valem a pena. Esse é o risco que se corre ao criar algo novo e fora do convencional. Então sim, há momentos em que não significa nada, mas muitas vezes surgem criações totalmente originais e vale todo o esforço. Adoro que o pessoal do Ghost Train e o Kid Harpoon tenham pegado o que poderia ter sido uma canção bastante convencional que escrevi (ao menos musicalmente) e a transformado em algo que, para mim, soa como Led Zeppelin encontra Dirty Projectors”.