
Girl Violence é o terceiro álbum da artista nova-iorquina Mikaela Straus (a.k.a. King Princess) e se apresenta como sua obra mais íntima e destemida até agora. Escrito após o fim de um relacionamento longo, o rompimento com uma grande gravadora e a decisão de deixar uma cidade que já não a inspirava, o disco retrata o caos, a clareza e a catarse de um recomeço.
A faixa-título abre o álbum com um tom atmosférico e sombrio, narrando um amor intenso e conflituoso que mistura atração, frustração e a percepção da violência feminina frequentemente ignorada. “Jaime”, com nuances de shoegaze, é um desabafo sobre o conflito emocional e a atração por alguém que causa dor e exerce controle, enquanto “Origin” surge como uma balada melancólica sobre crescimento pessoal e busca por equilíbrio interior após tempos turbulentos.
“I Feel Pretty” adota uma vibração pop rock mais animada, relatando recuperação emocional e conexão, enquanto “Cry Cry Cry” apresenta um pop alternativo dos anos 90 com guitarras marcantes, abordando a transformação de uma amizade em rivalidade. Já “Girls” combina doo-wop e blues rock em uma balada intensa, na qual Mikaela descreve uma relação permeada por desejo, poder e tensão emocional.
Em “Covers”, a artista reflete com leveza pop sobre o amor perdido, sentindo-se como um fantasma na vida de quem amou. “Say What You Will”, com participação de Joe Talbot (do IDLES), soa como um improviso vibrante, com guitarras e sintetizadores conduzindo a troca de versos entre os dois artistas, que declaram estar dispostos a desafiar Deus e a moral por amor e lealdade
“RIP KP” mistura sensualidade e melancolia em uma produção pulsante, com piano cintilante e riffs de guitarra intensos, enquanto os vocais de Straus narram um amor intenso e autodestrutivo, oscilando entre desejo e perdição. Em “Alone Again”, a melodia leve contrasta com a dureza emocional das letras, que tratam de um relacionamento tóxico e doloroso. “Slow Down and Shut Up” flerta com o indie rock dos anos 2000, expressando um desejo profundo e incontrolável, e “Serena” encerra o disco como uma declaração de amor apaixonada, marcada pela intensidade característica da artista.
Entre hinos pop ousados e confissões vulneráveis, King Princess mergulha nas complexas e magnéticas dinâmicas do amor entre mulheres. Em Girl Violence, ela inaugura um novo capítulo artístico, assumindo total controle criativo e entregando um projeto autêntico, visceral e sem concessões.



