
No quinto álbum de estúdio, Vie, Doja Cat alcança um equilíbrio notável ao lado de produtores como Jack Antonoff, Rob Biesel, George Daniel, Sounwave e Y2K, explorando o som dos anos 1980 com uma pitada de nostalgia em sintetizadores brilhantes, batidas precisas e saxofones exuberantes, presentes em faixas que transitam entre o dançante e o introspectivo.
Em “Cards”, que aborda um jogo de sedução e desejo, a artista apresenta um instrumental vibrante com influências do funk, vocais melódicos e rimas ágeis. Já “Jealous Type” mistura elementos do funk pop nostálgico e referências oitentistas, evocando a estética de Prince, Janet Jackson e Madonna, retratando, por meio de vocais e rap, as tensões de um relacionamento marcado por desejo e insegurança.
“Couples Therapy”, apoiada em uma linha de baixo envolvente e dançante, descreve um vínculo cheio de conflitos, mas também permeado por um desejo compartilhado de reconciliação. Em “Gorgeous”, com uma levada city pop, a artista reflete sobre o poder e os dilemas da beleza com batida sedutora e vocais expressivos, enquanto “Stranger” – um dos pontos altos do disco – celebra um amor autêntico e excêntrico, transformando a singularidade em motivo de orgulho. Já “Acts of Service” apresenta um R&B suave, explorando a dúvida e as expectativas presentes em um relacionamento.
Ao longo do disco, Doja revisita referências culturais da época, incorporando o sample do tema synthwave da série ‘A Super Máquina’ em “AAAHH MEN!” e trechos de diálogos de Grace Jones e Olivia D’Abo do filme ‘Conan, o Bárbaro’ (1982) em “All Mine”, além de se arriscar em versos em francês em “Happy”. “Take Me Dancing”, parceria com SZA, aposta em uma sonoridade inspirada na disco music, com sintetizadores densos e bateria marcante, enquanto “Silly! Fun!” combina uma linha de baixo envolvente a grooves leves e melodias cativantes, retratando um relacionamento impulsivo e divertido.
Vie é um álbum consistente e cativante do começo ao fim, reafirmando Doja Cat como uma das raras artistas capazes de unir rap e música pop, como a própria afirma, de forma tão singular.



