11 discos para ouvir hoje: A. G. Cook, Lande Hekt, Sam Quealy, MARO e mais

A. G. Cook / Julian Buchan

Confira alguns dos principais lançamentos da semana para atualizar a sua playlist de discos favoritos. Entre eles estão os novos trabalhos de: A. G. Cook, Lande Hekt, Sébastien Tellier, Labrinth, The Soft Pink Truth, MARO, Yumi Zouma, Geologist, Sam Quealy, Softcult e Marta Del Grandi.

A. G. CookThe Moment Score
(A24 Music)

A A24 Music lança a trilha sonora do mocumentário ‘The Moment’, filme estrelado por Charli XCX que ganha dinamismo e humor ao explorar o impacto cultural do álbum BRAT, composta por A. G. Cook em seu primeiro trabalho solo desde Britpop. Com dez faixas que transitam entre sintetizadores sutis, paisagens sonoras amplas e batidas intensas, o disco reúne referências de synthwave, acid e música eletrônica mais agressiva, além de momentos atmosféricos, preservando a identidade que consagrou o produtor. De faixas marcadas pela euforia e energia de “Residue”, o piano reflexivo de “Depth”, passando pela inquietação de “Fraud” e pela releitura vigorosa de “I Love It”, do Icona Pop, em “Dread”, Cook evidencia sua versatilidade e domínio, entregando uma trilha que dialoga diretamente com o universo de BRAT e reafirma seu talento em conectar som e imagem, consolidando uma parceria criativa promissora no cinema e formando um conjunto expressivo alinhado às trilhas experimentais contemporâneas.

Lande HektLucky Now
(Tapete Records)

Lande Hekt tornou-se discretamente uma das compositoras mais respeitadas da cena underground do Reino Unido e, em seus primeiros álbuns, Going to Hell (2021) e House Without A View (2022), abordou temas como identidade queer, sobriedade e traumas da infância por meio de um indie pop íntimo e direto, o que a levou a dividir palcos com nomes como Alvvays e The Beths. Agora, em Lucky Now, gravado ao lado do produtor Matthew Simms, ela apresenta sua fase mais madura e segura, priorizando a conexão consigo mesma e com seus valores em vez da preocupação com a própria imagem. Mantendo referências como The Wedding Present, The Sundays e The Replacements, Hekt aprofunda sua relação com o twee pop e o jangle pop dos anos 1980, inspirando-se em bandas como The Pastels, Tallulah Gosh e The Bats (evidente em “Favourite Pair of Shoes”), além de artistas atuais, criando melodias expansivas e guitarras envolventes que acompanham uma visão mais esperançosa, mesmo diante da ansiedade. Faixas como “Kitchen II” celebram a intimidade dos pequenos momentos a dois, “Rabbits” fala sobre esperança, “Middle Of The Night” reflete a descoberta da felicidade, enquanto “Circular” e “A Million Broken Hearts” retomam um olhar político crítico. Durante a produção do disco, Hekt retornou de Bristol para Exeter, sua cidade natal, experiência que inspirou “Coming Home” e reforça o tema central do álbum: o reencontro com a alegria, com os lugares e com partes de si mesma deixadas para trás, mostrando que, mesmo quando o passado parece distante, é possível reconstruir caminhos.

Sébastien TellierKiss The Beast
(Because Music)

O cantor, compositor e multi-instrumentista francês Sébastien Tellier retorna com Kiss The Beast, seu primeiro álbum em cinco anos, apresentando um trabalho que mistura pop, eletrônica e elementos cinematográficos em uma proposta ousada e diversa. O disco reúne singles como “Refresh”, “Naïf de Coeur” e “Thrill of the Night”, um número eletrônico oitentista com participação de Slayyyter e Nile Rodgers, além de “Amnesia”, parceria onírica com Kid Cudi que explora a delicada fronteira entre amor e dependência emocional. Com colaborações de artistas e produtores como Oscar Holter, SebastiAn, Victor Le Masne, Daniel Stricker e arranjos de cordas de Owen Pallett, o álbum percorre faixas que unem baladas melancólicas, experimentações eletrônicas e pop orquestral. O resultado é uma obra sofisticada e sensível, na qual Tellier equilibra introspecção, teatralidade e a capacidade de reinventar a fórmula do pop de maneira criativa.

LabrinthCOSMIC OPERA ACT I
(Sony Music)

O artista visionário, produtor e compositor Labrinth lança COSMIC OPERA ACT I, o primeiro capítulo de um ambicioso álbum. Reconhecido por sua abordagem que rompe barreiras de gênero e por sua sensibilidade cinematográfica, ele apresenta um de seus trabalhos mais coesos e emocionalmente marcantes até hoje, unindo grandiosidade orquestral, produção futurista e vulnerabilidade genuína em uma obra que se revela como uma ópera moderna, expansiva no som e íntima em essência. Ao longo do disco, o artista investiga temas como ambição, paranoia, saúde mental e o impacto psicológico da vida sob os holofotes, com cada faixa funcionando como uma cena que transita entre momentos de esplendor e contenção, lucidez e distorção, sempre priorizando a verdade emocional em vez da perfeição estética. O projeto dá continuidade ao universo iniciado com “IMPLOSION”, faixa intensa conduzida por arranjos orquestrais, e aprofundado em “God Spoke”, que ampliou sua dimensão emocional e espiritual. Como parte de uma declaração artística maior dividida em dois atos, COSMIC OPERA ACT I reafirma a evolução de Labrinth como um criador que conecta música, cinema e construção de mundos imersivos.

The Soft Pink TruthCan Such Delightful Times Go on Forever?
(Thrill Jockey Records)

The Soft Pink Truth é o projeto de Drew Daniel, também integrante do Matmos, que vive em Baltimore e é professor na Johns Hopkins University, sendo reconhecido por unir conceitos sofisticados a uma música profundamente emocional. No álbum Can Such Delightful Times Go on Forever?, ele combina música de câmara e eletrônica em uma sonoridade híbrida e envolvente, reunindo colaboradores de diversos países e reinventando sua forma de compor com referências a trilhas sonoras clássicas, ao minimalismo e à linguagem do pop. A obra reflete sobre os limites do prazer em um contexto marcado por crises políticas e sociais, propondo a intimidade, a comunidade e a beleza como formas de resistência sensível. Com arranjos ricos, instrumentos acústicos e eletrônicos e interpretações delicadas, o disco constrói um refúgio afetivo e queer diante de um mundo em colapso, revelando a maturidade artística de Daniel ao transformar memórias culturais, vulnerabilidade e fantasia em uma experiência sonora ao mesmo tempo íntima, sofisticada e profundamente humana.

MAROSO MUCH HAS CHANGED
(SECCA Records / Sony Music)

A cantora e compositora lisboeta MARO se destaca pela sensibilidade de suas composições e por criar atmosferas sonoras íntimas e acolhedoras, fruto de uma formação musical sólida desde a infância e de uma trajetória marcada por importantes conquistas, como o Eurovision, prêmios e colaborações internacionais. Em seu álbum em inglês SO MUCH HAS CHANGED, ela apresenta dez faixas que abordam temas como autoconhecimento, desilusões amorosas, amadurecimento e desapego, equilibrando profundidade emocional com leveza pop. Canções como “I OWE IT TO YOU” e a faixa-título refletem momentos de transição e crescimento, enquanto “FEELING SO NICE” e “IT AIN’T OVER” traduzem libertação e conflito emocional, e o conjunto final do disco funciona como um diário aberto sobre perda e reconstrução, com destaque para “TO GRIEVE YOU”. Com arranjos cuidadosamente pensados e instrumentação que acompanha cada sentimento, MARO constrói uma obra delicada, envolvente e reconfortante, que convida à reflexão sem melancolia excessiva, transmitindo maturidade, cura e a importância de escolher caminhos alinhados com a própria essência.

Yumi ZoumaNo Love Lost to Kindness
(Nettwerk Music)

O quarteto neozelandês de alt-pop Yumi Zouma apresenta seu quinto álbum de estúdio, No Love Lost to Kindness, lançado pela Nettwerk, marcando uma nova fase mais intensa, ousada e emocionalmente aberta após os trabalhos anteriores. O disco reúne 12 faixas que refletem as experiências do grupo e sua evolução sonora, incluindo o single “Cowboy Without A Clue”, uma canção com atmosfera futurista que aborda a distância e os desafios dos relacionamentos, inspirada na própria dinâmica da banda, com gravações realizadas durante viagens e participações internacionais. Gravado na Cidade do México e produzido por Josh Burgess e Charlie Ryder, o álbum destaca a força coletiva do grupo, mesmo diante da separação geográfica, e traz canções como “Cross My Heart and Hope to Die”, “Bashville on the Sugar”, “Phoebe’s Song” e “Blister”. Abandonando a suavidade do dream pop, o Yumi Zouma aposta agora em guitarras mais pesadas, refrães marcantes e letras diretas, explorando temas como confronto, vulnerabilidade, desilusão e honestidade, reafirmando sua identidade como uma banda de rock madura e conectada pela química construída ao longo de mais de uma década.

GeologistCan I Get A Pack Of Camel Lights?
(Drag City)

Geologist é o nome artístico de Brian Weitz, integrante do Animal Collective desde a adolescência, que lança seu primeiro álbum solo oficial, Can I Get A Pack Of Camel Lights?, uma obra que resgata sua trajetória na cena alternativa e propõe uma experiência sonora singular centrada no hurdy gurdy (instrumento musical de cordas de origem europeia, usado desde a Idade Média, que produz som por meio de uma roda giratória acionada por uma manivela), misturando elementos acústicos e eletrônicos com influências que vão do ritualístico ao experimental, passando por jazz, krautrock, pós-punk e minimalismo. Inspirado por memórias, viagens, vivências musicais e reflexões acumuladas ao longo dos anos, o disco constrói uma paisagem sonora rica e sensorial, na qual drones, improvisações e estruturas cuidadosamente elaboradas se entrelaçam em um fluxo contínuo. Produzido a partir de gravações caseiras e sessões em estúdio, o projeto conta com a colaboração de diversos músicos e artistas, ampliando sua dimensão afetiva e criativa. Ao transformar lembranças pessoais em uma narrativa musical envolvente, Brian entrega um trabalho íntimo, maduro e profundamente autoral, que convida o ouvinte a se perder entre realidade, imaginação e emoção.

Sam QuealyJawbreaker
(Music & Craft)

Com seu segundo álbum, Jawbreaker, Sam Quealy consolida seu lugar como uma das vozes mais ousadas do pop atual, apresentando um trabalho vibrante, viciante e carregado de emoção, que mistura glamour, intensidade e espírito caótico. Produzido ao lado de Marlon Magnée, o disco representa uma evolução em relação a Blonde Venus, ao trocar o techno pop por uma sonoridade mais luxuosa, influenciada pela disco, com instrumentos ao vivo e clima cinematográfico, sem perder sua energia provocadora. Ao longo das faixas, Quealy explora diferentes facetas de sua personalidade, passando pela euforia de “Londontown”, pelo romance sombrio de “Love Lasso” e pela fantasia pop de “Girls Night”, além de encerrar o álbum com o dueto sensível “By My Side”, gravado com Magnée. Artista multifacetada, que une música, dança, performance e estética visual, ela amplia esse universo em videoclipes marcantes e shows intensos, nos quais demonstra carisma e autenticidade. Com JAWBREAKER, Sam Quealy entrega um manifesto pop corajoso, que une vulnerabilidade, ousadia e liberdade criativa.

SoftcultWhen A Flower Doesn’t Grow
(Easy Life Records)

No álbum de estreia When A Flower Doesn’t Grow, o Softcult apresenta seu trabalho mais intenso e transformador, reunindo dez faixas escritas em meio a um período de mudanças pessoais, autoconhecimento e libertação. Inspirado na ideia de que nada floresce em ambientes opressores, o disco aborda ciclos de abuso, conformismo e opressão sistêmica, ao mesmo tempo em que valoriza a coragem necessária para romper esses padrões. A obra reflete especialmente a jornada de Mercedes Arn Horn, que passou por um processo de ruptura emocional, afirmação de identidade e enfrentamento de bloqueios internos, transformando essas experiências em um relato musical sobre reconstrução e renascimento. Com uma sonoridade que combina grunge, shoegaze e alt-rock, riffs distorcidos e paisagens sonoras etéreas, o duo cria um álbum conceitual íntimo e universal, que dialoga com quem já se sentiu limitado por seu entorno. Dando continuidade ao reconhecimento conquistado com o EP Heaven, o Softcult reforça sua postura independente, cuidando de todas as etapas criativas e mantendo forte conexão com sua comunidade, afirmando a música como ferramenta de resistência, acolhimento e transformação.

Marta Del GrandiDream Life
(Fire Records)

A cantora e compositora italiana Marta Del Grandi retorna com Dream Life, um álbum que constrói uma paisagem sonora ampla e sensível, na qual sonhos, frustrações e aspirações pessoais se projetam diante da imensidão do universo. Com uma abordagem mais contemporânea do que em seu trabalho anterior, o disco combina reflexões sociais, políticas e íntimas a uma sonoridade pop mais definida, criando uma narrativa detalhada e emocional. Faixas como “Antarctica” e “Neon Lights” provocam reflexões éticas e existenciais, enquanto “Alpha Centauri” resgata memórias da juventude com delicadeza, e a faixa-título explora a distância entre realidade e desejo, dialogando com o tom melancólico de “Shoe Shaped Cloud”. Ao longo do álbum, Del Grandi valoriza sua voz expressiva em meio a arranjos ricos e atmosferas envolventes, construindo uma obra poética e irônica que reconhece os limites do controle sobre o futuro, mantendo-se profundamente conectada ao presente.