
Confira alguns dos principais lançamentos da semana para atualizar a sua playlist de discos favoritos. Entre eles estão os novos trabalhos de: JANIS, Tierra Whack, Pond, Chlöe & Timbaland, Graham Coxon, Placebo, MOMO., Amanda Sarmento e Jordan Patterson.
• JANIS – Cry With Us
(Rescue + Return Records)
Em Cry With Us, a artista francesa JANIS, um dos nomes em destaque da cena queer alternativa, inicia uma nova etapa de sua trajetória artística com um trabalho que reafirma sua identidade de forma intensa e autêntica, marcado por um universo emocional que explora dor, renascimento e irmandade. Conhecida internacionalmente desde 2009, quando se apresentava como Sliimy e chegou a abrir shows de Britney Spears, ela passou por uma profunda reinvenção criativa, reconstruindo sua linguagem musical para dar origem a um projeto mais íntimo, pessoal e politizado. Guiada por uma estética eletrônica envolvente e viciante, sua voz agora se manifesta com maior liberdade, sensualidade e profundidade, transitando entre synthpop, soul e dream pop, em letras confessionais. “Time To Start Again” retrata um estado de desgaste e confusão emocional em um relacionamento, “Cry With Us” expressa libertação identitária diante de uma relação opressiva, “Dolls”, um dueto com sua antiga persona, critica a objetificação e o controle sobre as mulheres e questiona normas sociais que as reduzem a “bonecas”, enquanto “Janis” aborda uma dinâmica sufocante entre perda e transformação. Cry With Us marca um renascimento artístico e um gesto de resistência, transformando a busca por emancipação em uma declaração estética e política contundente.
• Tierra Whack – WHACK’S MUSEUM
(Interscope Records)
Em WHACK’S MUSEUM, a rapper, cantora e compositora Tierra Whack adota uma abordagem direta e sem distrações, entregando 12 faixas que colocam sua habilidade lírica no centro de tudo, apoiadas por uma produção crua, eficiente e marcada por influências de soul e hip hop, com contribuições de Conductor Williams. Liderado pelo single “WAX PAPER”, no qual exibe sua combinação característica de rimas e personalidade marcante no rap, e pela faixa “TOTEM”, que funciona como um recado direto aos críticos e às interações nas redes sociais, o projeto evidencia seu talento para jogos de palavras, humor afiado e confiança inabalável. Os visuais dirigidos por Child expandem seu universo criativo por meio de uma estética cinematográfica e impactante. Primeiro lançamento da artista desde WORLD WIDE WHACK, o projeto reafirma sua força como uma das vozes mais originais do rap atual, mostrando que sua criatividade, técnica e personalidade seguem em plena evolução.
• Pond – Terrestrials
(Secretly)
Em seu 11º álbum de estúdio, a banda australiana de rock psicodélico Pond reafirma sua vocação para a transformação. Em Terrestrials, o grupo estabeleceu restrições criativas próprias, abrindo mão de pedais de distorção, baladas e referências ao universo do Pink Floyd, enquanto se voltou para influências do pós-punk mais sombrio de nomes como Sisters of Mercy e Magazine, construindo uma atmosfera que descrevem como “góticos no bar”. “Skyworks” abre o disco com intensidade, alternando trechos enigmáticos e um refrão explosivo guiado por riffs, sintetizadores e os vocais marcantes de Nick Allbrook, enquanto “Two Hands” homenageia comunidades indígenas ao unir rock a um groove funk sofisticado e abordar a destruição de locais sagrados na Austrália Ocidental pela mineradora Rio Tinto. “Through The Heather” explora um pós-punk oitentista sombrio, “The Fatal Shore” aposta em um synthpop dançante com produção de Kevin Parker (Tame Impala) e “Nashville, I’m Dying” encerra o álbum resgatando o lado mais melódico e emotivo da banda. Ao abordar temas como crise ambiental, desigualdade social, capitalismo extrativista e encarceramento indígena, o trabalho também preserva um senso de esperança e resiliência, reforçando a ideia de que a reinvenção constante segue sendo o núcleo criativo do grupo.
• Chlöe & Timbaland – Resurrection
(Parkwood Entertainment/Columbia Records)
A cantora e compositora Chlöe se une a Timbaland na mixtape Resurrection, um projeto com 13 faixas que mistura os vocais marcantes da artista às batidas cheias de personalidade que consagraram o produtor. O trabalho se inicia com “Talking Dirty”, uma faixa de atmosfera sensual e clima intimista, evocando as colaborações clássicas de Timbaland com Aaliyah e seu estilo de groove sincopado, assim como “Caught”, uma faixa sobre traição em que a artista surpreende o parceiro em flagrante e o expõe sem qualquer dignidade. Entre os destaques, “Main Attraction” se apoia em uma sonoridade inspirada em “You Owe Me”, de Nas, mas apresenta Chlöe em uma postura mais confiante e ativa, enquanto “Priorities” aborda o equilíbrio entre ambição profissional e vida pessoal e “World On Fire” traz uma balada sobre um romance vivido em meio ao caos. O encerramento fica por conta de “Jittery”, em que a artista reflete sobre o fim de uma relação sobre uma produção inquietante e acelerada. Resurrection marca um novo capítulo na trajetória de Chlöe, impulsionado pela química criativa e pela assinatura sonora inconfundível de Timbaland.
• Graham Coxon – Castle Park
(Transgressive Records)
Gravado em 2011 e nunca lançado até agora, Castle Park é um álbum solo inédito do cantor, compositor e guitarrista Graham Coxon, integrante do Blur e do The WAEVE, que chega como parte de uma ampla campanha de relançamento de toda a sua discografia pela Transgressive Records. Produzido por Ben Hillier durante as sessões de A+E (2012), o disco seria originalmente sua continuação, mas acabou arquivado devido ao retorno das atividades do Blur e aos projetos seguintes do músico. Com dez faixas que exploram o característico som de Coxon, o trabalho inclui o single “Billy Says”, conhecido pelos fãs de seus shows e finalmente disponibilizado oficialmente. O lançamento também marca o início da reedição de seus álbuns solo e trilhas sonoras, incluindo ‘The End of the F*ing World’ e ‘Superstate’. No mesmo pacote, seus dois primeiros discos, The Sky Is Too High (1998) e The Golden D (2000), também foram relançados.
• Placebo – Placebo RE:CREATED
(AWAL)
A banda de rock alternativo Placebo lança Placebo RE:CREATED, uma releitura de seu álbum de estreia de 1996, propondo um olhar retrospectivo sobre o impacto cultural significativo que a obra teve ao longo das últimas três décadas. Para a versão, a banda revisitou as gravações originais e reformulou a produção, destacando ainda mais os vocais característicos de Brian Molko e incorporando guitarras mais amplas e atmosféricas. O projeto traz versões reimaginadas e aprimoradas das dez faixas originais, além de duas músicas extras já presentes na edição inicial e remixes. Entre os destaques estão os clássicos “Nancy Boy”, “Bruise Pristine” (que recupera um trecho em francês que havia sido descartado) e “36 Degrees”, reformulados a partir da experiência acumulada da banda nos palcos, mantendo a essência crua que sempre marcou sua identidade, agora com arranjos mais elaborados e uma abordagem renovada.
• MOMO. – Tum Tum Tum
(Agogo Records)
MOMO. é um multi-instrumentista brasileiro baseado em Londres cuja trajetória musical atravessa diferentes países e culturas. Com referências sofisticadas à música popular brasileira, à tropicália, ao afrobeat, ao folk rock, à psicodelia e ao jazz, a sonoridade do artista sempre escapou de definições restritas, e em Tum Tum Tum isso permanece evidente. Entre as oito faixas, destaca-se “Canto de Aldeia”, coescrita com Nina Miranda, do Smoke City, que estabelece um diálogo bilíngue e evoca uma infância utópica ligada à natureza, enquanto “Morena”, parceria com Marcos Valle e Marcelo Camelo, traz uma cadência de bolero latino com arranjos delicados, incluindo o piano elétrico de Valle e metais sutis que ampliam sua textura. Colaborações de músicos como Regis Damasceno, Caetano Malta e a trombonista Rosie Turton reforçam a riqueza sonora do álbum, desenvolvido a partir da ideia de tocar em conjunto até que a música revele sua própria forma. MOMO. entrega em Tum Tum Tum um registro vivo e maduro, guiado pela experiência, pela viagem e pela continuidade como força criativa.
• Amanda Sarmento – ECLIPSE
(ONYINYE)
ECLIPSE marca a estreia da cantora, rapper e compositora Amanda Sarmento. Produzido por Iuri Rio Branco, o disco reúne 12 faixas que transitam entre rap, R&B, afrobeat, trap e música eletrônica, refletindo uma artista que converte experiências e atravessamentos emocionais em criação. O álbum foi desenvolvido a partir de vivências pessoais, deslocamentos e descobertas, incluindo a mudança temporária do Rio de Janeiro para São Paulo, que influenciou diretamente o processo criativo e as sessões de estúdio. Amanda define o projeto como um mergulho em ciclos de vulnerabilidade, força, ruptura e autoconhecimento, em que cada faixa representa uma etapa dessa jornada emocional, reunindo músicas como “QUENTE”, “SUBMERSA” (com Tássia Reis), “EU JÁ SOFRI DEMAIS” (com Ruas Mc), “CHEGA MAIS PERTO”, “OBSESSÃO” e outras inéditas. As colaborações foram escolhidas com cuidado para reforçar essa narrativa, preservando unidade apesar da diversidade sonora. Para a artista, ECLIPSE representa sua expressão mais completa até agora, ao integrar contradições, fragilidade e potência como partes de uma mesma identidade artística.
• Jordan Patterson – Songs From A Valley Girl
(Secretly Canadian)
A cantora, compositora e produtora Jordan Patterson lança o EP Songs From A Valley Girl, seu primeiro trabalho pela gravadora Secretly Canadian.O projeto reúne canções sinceras e profundamente humanas, nas quais a artista aborda temas como amor, vergonha, rejeição e as contradições da experiência emocional. Inspirado por seu crescimento em San Fernando Valley , o EP traduz a tensão entre beleza e desconforto, liberdade e aprisionamento. Nas faixas, como “Just My Friend”, “Last” (que flerta com “Wonderwall” do Oasis) e a delicada “Cinderella”, Patterson reflete sobre relações, perdas, impermanência e reconstrução, guiada por uma busca constante por autenticidade, enquanto seus vocais marcantes assumem papel central e ampliam a carga emocional de cada composição, consolidando um universo sonoro ao mesmo tempo bruto e cuidadosamente elaborado, no qual cada detalhe reforça sua visão artística e sua habilidade de transformar sentimentos complexos em narrativas íntimas e atrativas.



