
O TECO APPLE faz parte do time de influenciadores da plataforma SubmitHub, provavelmente o melhor lugar para garantir escuta, feedback e atenção da maioria dos curadores online de música. Lá, podemos descobrir uma série de novos artistas e músicas enviadas pelos próprios. Nessa curadoria, selecionamos nomes que nos chamam a atenção e merecem um reconhecimento pelo trabalho enviado. Esta é a seção DSCVR ON.
• Tricky FM – “Gridlock”
A artista norte-americana Hana Freed, responsável pelo projeto Tricky FM, desenvolveu uma identidade pautada pela força performática e por uma eletrônica eufórica, abordando questões relacionadas à intimidade, confiança, realização pessoal e autoconhecimento.
Em seu segundo álbum de estúdio, Twin Star Fantasy, previsto para setembro, ela se afasta do caos presente no trabalho anterior e adota uma perspectiva mais introspectiva. O disco revisita acontecimentos e relações que contribuíram para sua formação, refletindo sobre estabilidade, vínculos e as diferentes fases da vida ao conectar passado, presente e futuro. A faixa “Gridlock” inaugura o repertório com uma descarga de segurança e atitude, unindo vocais sussurrados e provocantes a sintetizadores e ritmos pulsantes em uma construção experimental e eletrizante. A composição aborda a busca por identidade e aceitação sob a influência do olhar externo, passando pela comparação, pelo distanciamento afetivo e pelas tensões que surgem dentro de si.
• Lewis Parke – “Clockwork”
O cantor e compositor neozelandês Lewis Parke apresenta uma sonoridade indie que equilibra elementos pop e uma identidade alternativa marcante. Com todas as faixas escritas, interpretadas e produzidas pelo próprio artista, “Clockwork” surge como uma canção bem-humorada e irônica sobre a pressão para alcançar o sucesso enquanto o tempo parece avançar cada vez mais rápido. A faixa combina baixo pulsante, guitarras ecoantes e vocais calorosos em uma produção precisa e dinâmica, que conduz a um refrão cativante e cheio de energia.
• Dianthus of the Sea – “OBLITERATE” / “1 Enoch 1:19”
A artista de art-pop Megan Gray, conhecida pelo projeto Dianthus of the Sea, apresenta o EP SPRING, lançado pelo selo Mycellium Sound. Construído a partir de uma sonoridade atmosférica e introspectiva, o trabalho reúne faixas como “OBLITERATE” e “1 Enoch 1:19”. A primeira se desenvolve em um ritmo inicialmente cadenciado, ganhando intensidade e velocidade nos minutos finais por meio de uma produção experimental e de caráter artesanal. Já a segunda mergulha em uma atmosfera fantástica, combinando harpas e texturas naturais que remetem à água aos vocais delicados de Gray. A composição narra a jornada de uma sereia separada de seu amante, um anjo, antes do grande dilúvio, enquanto ela parte em busca de um reencontro.
• Vinyl Floor – “Puppet Laureate”
“Puppet Laureate”, faixa do álbum Balancing Act, do duo dinamarquês Vinyl Floor, formado pelos irmãos Thomas Charlie e Daniel Pedersen, une o rock melódico a nuances sinfônicas e progressivas. A composição ganha dinamismo com bateria pulsante, violões acústicos, harmonias vocais e arranjos de metais, criando uma atmosfera envolvente. Inspirada em um encontro desconfortável ocorrido durante um sonho nebuloso, a música desenvolve uma narrativa surreal e impressionista. Embora tenha como principais referências o rock e o pop britânicos das décadas de 1960 e 1970, a dupla incorpora influências clássicas e contemporâneas para expandir sua identidade sonora.
• EFE – “Show Me”
O músico e artista visual canadense Simon Choquette deu início ao projeto solo EFE após atravessar um período de profundas transformações pessoais e profissionais, encontrando na música uma forma de explorar temas como afeto, perdas, identidade e pertencimento. No single “Show Me”, a fragilidade emocional aparece como uma espécie de negociação, na qual carinho, ausência e recuperação parecem depender de uma contrapartida, até que essa dinâmica se desfaz no desfecho, quando ele finalmente se entrega sem esperar nada em troca. Com guitarras vibrantes e bateria sutil influenciadas pelo alt-rock dos anos 90, além de vocais melódicos que remetem ao britpop, a composição transita entre dúvida e otimismo, ocupando um lugar de destaque entre os registros mais genuínos do aguardado EP de estreia, Fine Line.
• Sleeping Pills – “ESCUTA”
Pietro Brunetti (a.k.a. Sleeping Pills) é um músico italiano que desenvolve uma linguagem sonora baseada em camadas, reverberações e texturas atmosféricas. Ao aproximar ambient, IDM e experimentação, o artista cria cenários abstratos que remetem a memórias longínquas, equilibrando sutileza, melancolia e um sentimento de solidão. É nesse universo que “ESCUTA” aparece como faixa de abertura de seu segundo álbum, criando uma jornada vagarosa, agridoce e introspectiva, que aborda a passagem do tempo, o desejo de dividir histórias antes que seja tarde e a importância de abandonar o controle para confiar no fluxo natural da vida.
• The Wheel Workers – “One More Thing To Say”
Com mais de duas décadas de trajetória, o The Wheel Workers consolidou-se como um coletivo de indie rock underground, reunindo, ao longo dos anos, mais de 15 músicos em diferentes formações. À frente do projeto desde sua fundação, Steven Higginbotham conduz uma proposta que mescla guitarras densas, sintetizadores, psicodelia e influências do grunge, criando uma identidade marcada pelo contraste entre tensão e experimentação, com ecos do rock alternativo e da psicodelia clássica. “One More Thing To Say”, faixa que dá nome ao álbum previsto para outubro, mergulha nesse universo sonoro ao abordar a polarização, a desinformação e os obstáculos para estabelecer pontos de convergência em meio às divisões do mundo contemporâneo.
• Felix Hien – “Fresh”
Radicado em Berlim, o produtor e compositor Felix Hien constrói uma identidade musical acolhedora e sofisticada, transitando por referências de R&B, neo soul, chillhop e indie pop. A combinação entre instrumentos executados ao vivo e uma produção atual, detalhista e cuidadosamente lapidada resulta em composições intimistas, envolventes e ricas em nuances. “Fresh”, colaboração com Leonora e um dos destaque no álbum colaborativo Good Company Vol.1, aposta em uma atmosfera sedutora, leve e descontraída. Com batidas dançantes e muito groove, a faixa evoca, em alguns momentos, trabalhos de KAYTRANADA, mas preserva uma personalidade própria, marcada pela fluidez e por um charme difícil de resistir.
• Avro Arvo – “Ocean Breeze”
O artista australiano Avro Arvo apresenta em “Ocean Breeze” uma faixa de indie pop e eletrônica envolvente, conduzida por vocais etéreos, batidas sutis e uma discreta camada de sintetizadores que evoca serenidade. Entre timbres aconchegantes, um suave riff de guitarra e influências de nomes como Phoenix, Polo & Pan e HONNE, a composição constrói um cenário ensolarado, descontraído e de caráter onírico.
• Mifarma – “Somnambulist”
Em seu primeiro álbum inteiramente em inglês, Mifarma, alter ego da artista nova-iorquina Danielle Alma Ravitzki, apresenta oito faixas que abordam identidade, trauma, vulnerabilidade, perdas e reconstrução emocional. Transitando entre o alternativo, eletrônico, clássico, rock e pop, o trabalho revela uma perspectiva intimista, sustentada por melodias envolventes e composições reflexivas. “Somnambulist” se destaca pela atmosfera melancólica e cinematográfica ao retratar uma figura fragilizada e subjugada, aprisionada em uma relação marcada pelo controle e pela humilhação. Enquanto segue determinações impostas, a personagem busca preservar sua essência e reafirma, ao longo da canção, a vontade de permanecer viva.
