Dahi lança o álbum de estreia ‘Black Boy (Alternative)’

Dahi / Barrington Darius

Após mais de uma década firmado como um dos produtores mais requisitados da música contemporânea, Dahi, conhecido por colaborações com nomes como Kendrick Lamar, SZA, Drake e Mac Miller, estreia em carreira solo com Black Boy (Alternative). O trabalho converte sua trajetória nos bastidores da produção em uma jornada profundamente pessoal, resgatando memórias da infância e investigando os pontos de encontro entre hip hop, R&B, rock e música alternativa. Entre as referências centrais do projeto está o Radiohead, cuja influência é tão significativa que o próprio artista descreve sua proposta como “Black Radiohead”.

Em “Who Are You”, com uma guitarra dedilhada e uma atmosfera enevoada, Channel Tres e Vince Staples abordam a sensação de estar perdido e a pressão da vida adulta. “Find Me” combina neo soul, rock e referências da música da África Ocidental em uma construção vibrante, enquanto Moses Sumney e Mez conduzem uma narrativa sobre um relacionamento confuso e emocionalmente desgastante.

“How To Pray” aproxima Kendrick Lamar e Amber Mark em uma composição que mistura harmonias do Radiohead, soul e música brasileira para tratar de amor, espiritualidade e da necessidade de estabelecer uma conexão verdadeira. Em “Running”, a participação de Childish Gambino leva a uma reflexão sobre abandono, memórias da infância e o desejo de proteção, sustentada por uma sonoridade R&B contemporânea adicionando uma atmosfera de In Rainbows, do grupo de Thom Yorke.

Em “Love Me”, o artista nigeriano Obongjayar transforma vivências relacionadas ao sofrimento amoroso em uma espécie de ensinamento sensível sobre as marcas que permanecem após o fim de um relacionamento, enquanto a produção ganha destaque pelo trabalho detalhado das guitarras e pela presença de ritmos inspirados na tradição musical da África Ocidental. “They Don’t Know Me”, uma parceria com Mez, parte de uma estrutura insistente e repetitiva antes de alterar seu ritmo para acompanhar versos sobre dificuldades e experiências acumuladas ao longo da vida. Já “The Night”, com Kurtis Well, assume um clima romântico e melancólico, construindo uma sonoridade noturna que poderia ser descrita como um encontro imaginário entre The Weeknd e Radiohead.

Em “Stand For Something”, Baby Rose, Jesse Boykins III e Ant Clemons exploram amor, lealdade e compromisso a partir da busca por alguém disposto a permanecer ao lado do outro mesmo nos momentos mais difíceis. “Square Up”, por sua vez, apresenta a intensidade do rock com uma aura encorpada que percorre hip hop, soul e texturas alternativas, enquanto Fousheé mostra-se consumida pela violência e pela raiva, alertando que procurar conflitos pode trazer ainda mais dor.

Encerrando essa sequência de narrativas, a neo soul “Drowning”, parceria com Elmiene e Ravyn Lenae, coloca diferentes perspectivas em contato para abordar pressão, responsabilidades, fé e expectativas familiares. Black Boy (Alternative) se consolida como um retrato íntimo e multifacetado de Dahi, unindo suas raízes musicais a novas experimentações para transformar memórias, conflitos e afetos em uma obra pessoal e atraente.