Mörmaid mistura eletropop, sons sombrios e atmosferas oníricas no álbum de estreia ‘Pearlescent Dark’

Mörmaid / Divulgação

Pearlescent Dark, o álbum de estreia da compositora e produtora norueguesa Mörmaid, revela uma fascinante e diversificada mistura de pop eclético. O projeto de Live Sollid Schulerud impressiona com sua ampla paleta sonora, que transita da introspecção espacial da faixa de abertura ao brilho vibrante do hyperpop de “Wet Summer” e às atmosferas delicadas de “Bury All”. Unindo elementos de eletrônica, free jazz e energia direcionada às pistas, o álbum adota uma abordagem acessível ao pop, integrando ganchos envolventes a arranjos atmosféricos e criativos.

Mörmaid define o álbum como “uma exploração de dualidade, ambivalência, dúvida e medo”. Ela explica:

“O trabalho transita entre experiências pessoais, relacionais e reflexões mais abstratas. Abordo esses temas de várias maneiras, seja na música, na produção, nas letras ou na arte visual. Sempre me senti atraída por formas de arte que combinam beleza e encanto com uma qualidade distorcida e inquietante. Espero que essa essência esteja presente em todo o álbum”.

A faixa “Sea Lady” inicia o álbum com uma imersão atmosférica; os vocais retratam um despertar à beira-mar, em um estado de anseio e espera “por ele chegar.” Um zumbido iluminado se mistura aos vocais etéreos, que gradualmente se intensificam de forma arrebatadora. Sintetizadores espaciais e uma grandiosidade de cordas se unem no desfecho impressionante, onde os vocais cedem espaço a uma instrumentação de grande impacto. Eles retornam de maneira carismática e dançante na faixa seguinte, “Wet Summer”, que exala um espírito hyperpop com seus vocais entrecortados, ritmos ágeis e uma expressão vocal doce, criando uma produção cativante e inesquecível, com toques que remetem à SOPHIE.

“Ehh” traz uma mudança tonal deliciosamente desconcertante, contrastando com a riqueza atmosférica da faixa de abertura e o pop energético de “Wet Summer”. Os vocais, inicialmente robóticos e intrigantes, evoluem para uma presença mais suave e onírica. Em Pearlescent Dark, Mörmaid revela sua habilidade em manter uma melodia envolvente dentro de diferentes espectros tonais, transitando entre pop etéreo, ganchos vibrantes e nuances mais sombrias.

A intensidade do baixo pulsante em “I’m Trying” se mistura com vocais que buscam “superar a dor”, criando uma produção envolvente e impactante, que remete às colaborações de Röyksopp & Robyn. Já em “Baby”, a estética igualmente cativante se mantém. Em “Bury All”, elementos percussivos dinâmicos e sintetizadores sutis formam um charme pop mais discreto, destacando a produção habilidosa e os vocais versáteis de Mörmaid.

“Toomuchalready” impressiona pela dualidade entre o eletropop sereno e etéreo e sons mais sombrios, culminando em um final intenso com sintetizadores pulsantes, vocais arrepiantes e percussão forte, evocando a fase inicial de Grimes. “Manicfest” encerra o álbum com um toque futurista, alternando entre vocais de outro mundo e uma energia de drum ‘n’ bass envolta em texturas oníricas, proporcionando um desfecho perfeito para um álbum inventivo e sonoramente dinâmico.