
A norte-americana Emily Hines, que se define como uma “garota de fazenda cronicamente sincera”, cresceu em uma região rural de Ohio antes de se mudar para Nashville. Lá, participou de projetos de outros compositores até começar a gravar suas próprias canções em um gravador de fita cassete de quatro canais. Em parceria com o produtor Henry Park, buscou inspiração em artistas como Duster, Laura Marling e Karen Dalton para criar gravações simples, construídas camada por camada. O resultado é uma coleção de baladas folk lo-fi verdadeiramente especial: ricas e profundas, mas ao mesmo tempo rústicas e imperfeitas.
“Nos sentimos atraídos pela fita cassete porque restringe o desejo de perfeccionismo e incentiva a autenticidade do momento”, explica Emily. “O que você tem é o que você tem, a fita cassete não permite que você seja cirúrgico com os detalhes – e isso pode ser realmente libertador”.
O disco acompanha a jornada de Emily como uma jovem em busca de amor e propósito em um mundo marcado pelo capitalismo tardio, por meio de canções que soam como um álbum de fotografias antigas. A faixa “Cowgirl Suit” define o tom do álbum, com uma sonoridade crua e hipnotizante. Já “My Own Way”, que abre o disco, apresenta um som mais encorpado, com bateria e violoncelo acompanhando a voz. “Percebi que estava voltando às velhas rotinas quando o que eu queria era focar no futuro e me livrar das ansiedades que me oprimiam. Foi um lembrete de que há liberdade em não saber o que está por vir, liberdade nas coisas que não sei”, reflete.
“All of Our Friends” surge como um dos pontos altos do álbum, trazendo uma reflexão sobre o medo de se entregar ao novo, ainda marcado por relacionamentos passados. “Se tudo sair exatamente como você planejou, você não ficará um pouco entediada e desejará que não tivesse acontecido?”, canta Emily, mergulhando na tensão entre controle e entrega. Já “UFO” apresenta sons de harpa, efeitos sonoros inquietantes e vozes sobrepostas que remetem à chegada de um disco voador. A faixa se revela uma balada irônica, que transmite a sensação de querer ser salva em vez de simplesmente viver.
Esse contraste entre o desejo de segurança e o impulso pela ousadia atravessa todo o álbum, revelando a coragem necessária para se abrir ao imprevisível. Como trabalho de estreia, These Days se destaca como uma realização marcante, unindo com sensibilidade elementos do indie rock e das raízes do folk. Com sensibilidade e autenticidade, Hines apresenta um disco que acolhe o imperfeito, abraça o incerto e transforma o íntimo em poesia sonora.
