
Depois de atravessar seu período mais longo longe dos lançamentos, Cícero ressurge na cena musical com um comovente álbum, o primeiro de canções inéditas em cinco anos. O músico carioca apresenta Uma onda em pedaços, obra marcada por experiências de perda e mudanças de rota, que se desdobra em uma sonoridade que transita entre a experimentação e a entrega emocional. Composto por dez faixas, o disco traz colaborações especiais, como Duda Beat em “Sem Dormir”, Tori em “Ela Disse” e Vovô Bebê em “Tranquilo”, ampliando ainda mais os contornos afetivos e criativos do projeto
“Passei a vida a registrar tudo em álbuns. ‘Uma Onda em Pedaços’ é feito de canções em português, inglês e até sem idioma definido. Cada faixa tem vida própria, nos arranjos, nas letras, nas vozes, e remete a momentos distintos, como ‘Sábado’ (2013) ou ‘A Praia’ (2015)”, explica o músico.
A canção que abre o álbum, “Pássaro Nave”, já estabelece o clima da jornada que se desenrola ao longo do disco. Os versos “quando estava, não estava, andava desligado” funcionam como uma metáfora precisa do processo de reconstrução interna e criativa vivido por Cícero. No registro, o artista rompe com as barreiras entre os gêneros e se lança em um território sonoro híbrido, onde jazz, forró, rap e música erudita se entrelaçam de forma fluida. O resultado é uma reinvenção artística que reflete sua busca por novas formas de expressão e identidade
Da suavidade acolhedora e versos em inglês de “Lucille” ao ecletismo de “Meu amigo Harvey”, que entrelaça referências a Brahms, à literatura e ao cinema, passando pelo ritmo do rap em “Mente Voa” e pelos versos imprecisos de “Tranquilo”, o álbum se constrói como uma jornada sensorial.
O videoclipe de “Mente Voa” é dirigido por Lucas Vaz.
Já videoclipe de “Sem dormir”, também dirigido por Vaz, é inspirado na obra de Marina Abramovic: ‘The artist is present’.
Entre memórias, experimentações e afetos, Cícero reafirma-se como um dos artistas mais sensíveis e inventivos da música brasileira contemporânea.



