Dënver canta as dores do mundo e do coração em “A Pedacitos”

Dënver / Juan Maturana

Após retornar com “Bien Tu Mal”, o primeiro single em uma década, o duo chileno Dënver, formado por Mariana Montenegro e Milton Mahan, retorna com a faixa inédita “A Pedacitos”. Desta vez, explorando um lado mais suave, próximo ao soul e ao R&B, com letras profundas, nas quais ambos investigam suas habilidades na construção musical.

“Queríamos mostrar como nossos interesses musicais evoluíram ao longo desse tempo. Adoramos músicas de pista de dança, mas os momentos mais introspectivos às vezes permitem que você reflita a partir de perspectivas mais pessoais. Nesse caso, o clima ajudou a revelar letras mais viscerais e cruas, e assim encontrar o ponto em que as reflexões se cruzam com o que está acontecendo no mundo e como isso nos afeta”, disse Milton Mahan sobre o processo do Dënver.

A escolha de lançá-la como segundo single deste retorno esperado se justifica exatamente por isso:

“Tem uma personalidade bem diferente de “Bien Tu Mal”. Queremos ir revelando aos poucos esse panorama de músicas que estamos preparando, que são bem variadas”, conta Mariana Montenegro sobre a faixa, que ela trabalhou com Nico Parra, do Black Vitamina, o argentino Guille Salort na bateria, Pablo Jara na guitarra e Franz Mesko no saxofone.

Narrativa e poética, “A Pedacitos” resgata a essência do Dënver que conhecemos tão bem, como se voltássemos ao universo de sucessos indie como “Lo Que Quieras”, mas com toda a experiência e aprendizado acumulados ao longo dos anos — justamente às vésperas da década de Sangre Cita, último álbum lançado pelo duo antes da pausa.

Enquanto ouviam Nick Hakim, Mac Miller, Prince, Rupert Holmes e Steely Dan, a música foi tomando forma, ampliando o universo visual do Dënver. O videoclipe é dirigido por Milton Mahan junto a Juan Maturana e Plátano Films.

“Queríamos transmitir o conteúdo poético da música e o conceito de fragmentos; daí a presença do kintsugi e os closes sugestivos. Por outro lado, esses visuais mais desbotados, com uma paleta de cores muito limitada, foram um ótimo aliado para representar a natureza orgânica da música”, diz Montenegro, enquanto Mahan busca “nos mostrar mais vulneráveis, saindo um pouco do personagem, pois isso também nos ajuda a nos reconhecer no tempo”.