Blawan constrói um universo macabro, poderoso e distorcido no álbum ‘SickElixir’

Blawan / Riley Paskal

O britânico Jamie Roberts, conhecido artisticamente como Blawan e amplamente reconhecido por sua originalidade e precisão na produção eletrônica, apresenta SickElixir, álbum que sucede o EP Dismantled Into Juice lançado pela XL Recordings.

Durante a adolescência, trabalhou em uma fazenda de larvas, onde o som metálico das máquinas despertou seu interesse por texturas ruidosas. Posteriormente, após integrar bandas de metal, expandiu seus horizontes ao mergulhar na cena eletrônica. No início da década de 2010, consolidou-se sob o nome Blawan, lançando EPs por selos como Hinge Finger e Hessle Audio, que o projetaram como um dos produtores mais inovadores de sua geração. Desde então, vem aprofundando sua pesquisa sonora em projetos individuais e colaborações com o produtor Pariah, com quem criou o duo Karenn, o grupo Persher e o selo Voam. SickElixir reafirma seu compromisso com a experimentação e reforça sua reputação como um dos nomes mais originais da música eletrônica atual.

“Para mim, fazer música sempre foi muito mais do que apenas batidas e ruídos. É minha principal forma de comunicação que uso para me entender e a realidade em que vivo. ‘SickElixir’ parece minha estreia de verdade, é profundamente pessoal e um reflexo da minha voz real, da minha vida e das minhas lutas. Então, espero que, ao ouvir este álbum, você aprenda um pouco sobre quem eu sou.”

O álbum se constrói como um manifesto emocional, em que Roberts converte vivências de luto, traumas familiares e transformações pessoais em faixas intensas e envolventes. Logo nos primeiros instantes, a obra apresenta uma sonoridade densa e sufocante, repleta de distorções, ruídos metálicos e vocais guturais.

Essas atmosferas se expandem em batidas dançantes com estética techno sombria e industrial, manifestando-se de diferentes maneiras. Em “WTF”, surgem camadas ameaçadoras que intensificam a tensão. “Casch” aposta em percussões que remetem ao som de máquinas em movimento. “During Elevation” mergulha em uma eletrônica hipnótica conduzida por vocais monstruosos. “Style Teef” apresenta batidas aceleradas com influências do footwork e das experimentações de Machinedrum e Aphex Twin. “NOS” se destaca pelos baixos pulsantes e pelos versos sussurrados que criam uma atmosfera de suspense. Em “Rabbit Hole”, a artista alemã Monstera Black traz um tom vulnerável que contrasta com o cenário sombrio. Já “Creature Brigade” revela arpejos inquietos e sintetizadores etéreos que produzem uma sensação de inquietação e desconforto.

Com SickElixir, Blawan mais uma vez transcende os limites do techno e transforma sua inquietação interior em uma experiência sonora visceral, reafirmando-se como um artista que encontra beleza e emoção no próprio caos.