HAIM transforma o fim dos relacionamentos em liberdade e autodescoberta no álbum ‘I quit’

HAIM / Paul Thomas Anderson

O HAIM lança seu quarto álbum de estúdio, I quit, uma obra que explora as complexidades dos relacionamentos e o desgaste emocional que eles podem causar. Essa temática pode ter sido influenciada pela separação de Danielle de Ariel Rechtshaid – que, pela primeira vez, não produz um trabalho da banda – e na, agora, solteirice das três irmãs.

“Gone”, a primeira faixa do disco, transmite uma sensação de libertação e autonomia, reforçada pelo sample de “Freedom! ’90” de George Michael. Já “All over me”, com suas guitarras distorcidas e batidas intensas, fala sobre um romance casual e descompromissado. “Relationships” é uma balada pop envolvente, mesclando elementos de hip hop e R&B dos anos 90, com letras que expressam frustração e as nuances dos relacionamentos. “Down to be wrong” traz um rock moderado com influências pop à la Sheryl Crow – assim como “Everybody’s trying to figure me out” e “Blood on the street” – ao retratar a superação de um amor tóxico, destacando a coragem de seguir em frente mesmo diante da dor, rejeitando qualquer possibilidade de recomeço.

“Take me back” começa com uma vibe folk, reminiscente de Joni Mitchell e Bob Dylan, mas ganha força com uma energia pop rock acelerada, típica dos anos 2000, em versos que evocam saudade de um tempo passado. “Love you right” aborda um conflito interno entre amor e autoaceitação, com uma melodia que lembra os trabalhos solos de Rostam (coprodutor do álbum), mesclando uma atmosfera folk animada no refrão. “The Farm”, por sua vez, é um folk rock melancólico que dialoga com as sonoridades de Lucinda Williams e Waxahatchee.

“Lucky stars” fala sobre um amor inesperado que trouxe luz e conforto, embalado por um indie rock com traços de shoegaze. “Million years” é um breakbeat eufórico, com sintetizadores brilhantes, que celebra um amor eterno e resistente, capaz de superar o tempo e as adversidades. “Try to feel my pain” mergulha no pop soul para falar sobre um amor não resolvido, enquanto “Spinning”, com seu synth-funk animado, explora o embate entre a vulnerabilidade do amor e o medo de se entregar por completo. “Cry”, com uma melodia refinada que remete a Annie Lennox, retrata a dor de um fim de relacionamento.

O álbum se encerra com “Now it’s time”, que incorpora o riff de “Numb”, do U2, em que as irmãs aceitam a falta de comprometimento de seus parceiros, abandonam a esperança de reconciliação e encontram liberdade na própria independência emocional. I quit é a maneira como o HAIM encontra para transformar relacionamentos fracassados em uma experiência catártica.