Os 10 melhores EPs de 2025

Do pop eletrônico sedutor do Nuovo Testamento ao indie rock emotivo do Florence Road, passando pelo ambient perturbador de Ethel Cain, a sensibilidade folk de Baba Stiltz e Okay Kaya, a eletrônica underground das argentinas do EQ e o alt-pop da canadense Sophia Stel, confira os 10 melhores EPs de 2025.

10. Nuovo Testamento
(Trouble)

O trio Nuovo Testamento, composto por Chelsey Crowley (vocais), Giacomo Zatti (bateria) e Andrea Mantione (sintetizadores), passou os últimos anos conquistando pistas de dança ao redor do mundo com sua mistura sedutora de italo-disco sombrio e pop eletrônico. Em um momento de franca evolução, a banda apresenta o EP Trouble, que sucede o aclamado Love Lines. Com cinco faixas, o lançamento aprofunda a identidade sonora do grupo ao incorporar referências fortes das décadas de 1980 e 1990, costurando freestyle, synthpop, dance pop e nuances alternativas em um conjunto coeso, energético e feito para dançar. O single “Picture Perfect” se impõe como um hino vibrante, impulsionado por batidas marcantes e sintetizadores luminosos, com um refrão grandioso que evoca o espírito do freestyle e do pop dos anos 90 ao celebrar um romance idealizado, quase onírico. Em “Dream On”, o trio revisita o brilho do dance pop associado às fases icônicas de Madonna nos anos 80, enquanto “On the Edge” aposta em uma linha de baixo hipnótica que dialoga diretamente com a energia clássica de “Show Me Love”, de Robin S. Produzido por Maurizio Baggio, conhecido por seu trabalho com o Boy Harsher, e após dividir palcos com nomes como Molchat Doma e The Soft Moon, Trouble surge como o registro mais seguro e amadurecido da carreira do Nuovo Testamento: um trabalho pensado para a pista, mas que também carrega intensidade emocional.

• Coloque para tocar: “Picture Perfect””

09. Baba Stiltz & Okay Kaya
(Blurb)

As estrelas escandinavas Baba Stiltz e Okay Kaya, esta última responsável por um dos discos mais elogiados do ano passado, seguiam trajetórias independentes nos Estados Unidos até que um amigo em comum sugeriu a colaboração entre eles. O encontro gerou afinidade imediata e deu vida ao EP de estreia Blurb, um trabalho envolvente de folk pop que se destaca pela inteligência emocional e vulnerabilidade, trazendo ecos de referências como Velvet Underground e Bill Callahan. Em “I Believe In Love”, a dupla aposta em guitarras elétricas sutis, baixo contido e harmonias vocais marcantes para cantar a fé no amor apesar de suas falhas e paradoxos; já “Bedside” começa de forma delicada, com guitarra suave, e cresce em intensidade ao incorporar distorções e piano, acompanhando reflexões sobre o desencanto com relacionamentos e normas sociais. “Let Me Know”, conduzida por uma guitarra dedilhada e pelos vocais acolhedores de Kaya, aborda o afeto atravessado pela distância, equilibrando compreensão e aceitação com um leve tom de melancolia. O EP ainda traz uma versão de “Boys In The Girls Room”, do Melody Club, que transforma o pop vibrante de Kristofer Östergren em uma leitura intimista e nostálgica. No conjunto, Blurb evidencia não só o talento individual de Stiltz e Kaya, mas principalmente a força de sua conexão criativa, traduzida em arranjos econômicos e letras honestas, cheias de sensibilidade.

• Coloque para tocar: “I Believe In Love”

08. Florence Road
(Fall Back)

A banda irlandesa de indie rock Florence Road – formada pelas amigas de infância Lily Aron nos vocais, Emma Brandon na guitarra, Ailbhe Barry no baixo e Hannah Kelly na bateria – começou a desenvolver sua identidade musical ainda na adolescência, ensaiando no galpão do jardim da casa de Lily e absorvendo influências de nomes como The Cranberries, Fleetwood Mac, Wolf Alice e Phoebe Bridgers. A voz de Aron se mantém em um equilíbrio expressivo entre tensão e suavidade, alternando com naturalidade momentos de crueza e delicadeza, sempre sustentando letras diretas e emotivas com firmeza. Em “Figure It Out”, o grupo revisita o rock alternativo dos anos 90 ao combinar guitarras intensas e refrões expansivos com a interpretação urgente da vocalista, conduzindo a faixa a um desfecho de forte apelo grunge, enquanto “Break the Girl” revela uma faceta mais pop, apostando em versos acessíveis e cativantes. Já “Caterpillar” segue por um caminho mais intimista, apoiado em violão acústico, piano e arranjos de cordas que crescem gradualmente, intensificando a sensação de inquietação transmitida pelos vocais. Em “Heavy”, a banda explora sua potência máxima no rock, com guitarras distorcidas e percussão vigorosa que remetem tanto à energia do Wolf Alice quanto à atmosfera marcante do The Cranberries, antes de encerrar a faixa de forma contida, com um piano solitário e melancólico, carregado de sensibilidade e emoção crua que remete ao universo de Olivia Rodrigo. No conjunto, o Florence Road demonstra um potencial impressionante, indicando que a banda está pronta para transformar essa ousadia criativa em uma trajetória sólida e marcante no cenário atual.

• Coloque para tocar: “Heavy”

07. Ethel Cain
(Perverts)

Ethel Cain, alter ego de Hayden Silas Anhedönia, apresenta o EP Perverts, um projeto de 90 minutos que a artista faz questão de não classificar como álbum e que mergulha em um território sonoro profundamente atmosférico, perturbador e experimental. A obra investe em ambient denso, drones prolongados, vozes distorcidas e ruídos claustrofóbicos, incorporando elementos industriais e referências que evocam o clima de um horror psicológico, ao mesmo tempo em que retoma a estética americana sombria já vista em Preacher’s Daughter. Ao longo das faixas, Cain explora narrativas desconfortáveis sobre devoção, culpa, desejo, abuso, autodestruição e vazio existencial, alternando momentos minimalistas com paisagens sonoras opressivas e raros respiros melódicos. O resultado é uma experiência imersiva e emocionalmente intensa, que transforma o desconforto em linguagem artística e conduz o ouvinte por um percurso de dor, vulnerabilidade e reflexão sobre os limites da condição humana.

• Coloque para tocar: “Punish”

06. Sunday (1994)
(Devotion)

Apesar de terem alcançado maior projeção na era do TikTok, o Sunday (1994) já provou que sua música está longe de ser apenas um fenômeno momentâneo. Formado por Paige Turner, Lee Newell e Puma, o trio desenvolve um dream pop denso e nebuloso, carregado de melancolia e intensidade emocional, sustentado por letras íntimas e confessionais. Do EP de estreia ao mais recente Devotion, a banda evidencia um amadurecimento tanto sonoro quanto lírico, combinando uma produção etérea com franqueza emocional e um romantismo de tom fatalista, onde os vocais belos de Turner se entrelaçam às guitarras brilhantes de Newell. Gravado no apartamento de um quarto em que o grupo vive, o compacto explora um indie pop sonhador e atmosférico, reunindo seis faixas que equilibram tristeza, sarcasmo e delicadeza. A faixa-título e “Doomsday” chamam atenção pelas imagens românticas e pelos riffs marcantes; “Rain” aposta em momentos mais contidos, sem abrir mão da profundidade lírica, evocando a melancolia etérea do Mazzy Star e a intensidade sombria do The Cure; enquanto a cinematográfica “Silver Ford” revela um romance juvenil cheio de sensibilidade. Assim, Devotion consolida o Sunday (1994) como uma banda capaz de transformar vulnerabilidade e nostalgia em canções envolventes, confirmando sua identidade artística muito além de qualquer tendência passageira.

• Coloque para tocar: “Rain”

05. The Knocks & Dragonette
(Revelation)

O duo eletrônico nova-iorquino The Knocks une forças com a artista canadense de eletropop Martina Sorbara (a.k.a. Dragonette), para apresentar Revelation, seu projeto colaborativo, e que aprofunda a sintonia iniciada com o single “Slow Song”, indicado ao Grammy, de 2019. O trabalho se desenrola a partir de uma estética inspirada no universo corporativo dos anos 1980, ambientado na fictícia Revelation Technologies e tendo drag queen Aquaria, vencedora do RuPaul’s Drag Race, como figura simbólica dessa narrativa, em uma sátira afiada à padronização do marketing e da produção artística contemporânea, povoada por “executivos” que vendem soluções milagrosas por meio de discursos vazios e estratégias agressivas. Musicalmente, o disco brilha ao equilibrar energia dançante e um imaginário oitentista nostálgico e fantasioso, passando pelo pop cintilante de “Foolish Pleasure”, o refrão viciante da faixa-título “Revelation”, o groove futurista de “Keynote” e a leveza radiante de “Dreams”, sem deixar de lado momentos mais emocionais como as baladas “The Hero” e Thorn”. A jornada se completa com “Love Me Alive”, uma faixa luminosa que celebra a libertação após um relacionamento opressor e aponta para o autoconhecimento e a busca por um amor mais autêntico, além de uma releitura inspirada de “Let My Love Open The Door”, clássico de Pete Townshend, reinterpretado sob uma ótica synthpop sensível que traduz com precisão a identidade dessa parceria.

• Coloque para tocar: “Foolish Pleasure”

04. Silver Gore
(Dogs In Heaven)

Silver Gore, duo britânico formado por Ava Gore e o produtor Ethan P. Flynn (FKA twigs, Nia Archives), apresenta o EP de estreia, Dogs In Heaven. “A Scar’s Length” transmite a mensagem de que os momentos difíceis virão e que enfrentaremos dificuldades, abordando de forma mais direta o período de depressão de Ava, mas consegue extrair uma sensação de esperança em sua animada melodia contrastante. A faixa-título combina folk, psicodelia, pop e indie para expressar, de forma lúdica, o luto pela perda de um animal de estimação da infância e influenciada pela animação ‘Todos os Cães Merecem o Céu’. “All The Good Men” é um hino audacioso, guiado por melodias pop cativantes e sintetizadores pulsantes, trazendo referências sonoras de nomes como New Young Pony Club, MGMT e Phantogram. Nos vocais, Gore imprime uma força visceral que remete a Karen O., conduzindo uma reflexão ao mesmo tempo irônica e intimista sobre confiança, fracassos e relações conturbadas. Já “Forever”, que aborda sentimentos de perda e despedida, inicia em uma atmosfera folk intimista que remete a Joni Mitchell, antes de ser conduzida para um cenário de rock psicodélico pulsante e pop experimental à la Jockstrap. “Celestial Intervention” é construída com suaves camadas de sintetizadores, acordes de violão tocados com leveza e vocais delicados que apresentam uma reflexão poética sobre enfrentar forças maiores e inesperadas, aguardando algum tipo de intervenção divina ou cósmica. Enquanto “25 Metres”, uma música sobre se entregar ao amor, passando do medo e da insegurança à sensação de proteção e entrega, é construída numa bateria marcante, guitarras intensas e sintetizadores hipnóticos que contrastam com a magia nos vocais de Ava, nos versos de Ethan e na liberdade do duo de não se prender a um gênero específico.

• Coloque para tocar: “Dogs In Heaven”

03. EQ
(EQ)

A dupla argentina de música eletrônica EQ, formado por Estratosfera e Qiri, lança seu EP de estreia homônimo, apresentando uma sonoridade que une ambient e experimental a sintetizadores analógicos e timbres orgânicos, resultando em paisagens sonoras intensas e delicadas. O percurso do duo começou com o single de estreia “Boytoy”, que destaca graves marcantes, sirenes, sintetizadores zumbindo e uma assinatura melódica eufórica, narrando uma história de amor irreverente e efêmera em versos em inglês e espanhol, permeada por liberdade, intensidade e espírito festivo. Posteriormente, as faixas “EQetamine”, uma celebração caótica e provocadora onde música, drogas e dança se transformam em símbolos de escapismo, e “B.S.A.S. (Si Alguna Vez te Sentís Sola de Noche)”, que retrata a vibração das noites porteñas, tornaram-se favoritas nas pistas. Desde então, EQ construiu um território próprio, onde a energia do clube underground dialoga com uma profundidade emocional rara. Com colaborações relevantes, remixes oficiais, forte apelo visual e um repertório que transforma som em emoção, o EP simboliza o início de uma trajetória promissora, agora ampliada pela preparação para a primeira turnê europeia e pela expansão internacional do universo criativo da dupla.

• Coloque para tocar: “Boytoy”

02. Sophia Stel
(How to Win At Solitaire)

A artista e produtora canadense Sophia Stel se destaca por uma escrita musical delicada e ao mesmo tempo visceral, na qual a incerteza é acolhida como força criativa e a emoção se sobrepõe a qualquer busca por polimento excessivo. Em seu segundo EP, How to Win At Solitaire, gravado de forma independente em um estúdio improvisado em Vancouver, a artista canaliza vivências íntimas (especialmente o impacto de términos amorosos) para construir canções carregadas de urgência emocional e honestidade. Faixas como “Everyone Falls Asleep In Their Own Time” revelam uma eletrônica etérea, com sintetizadores texturizados, guitarras de inspiração shoegaze e a voz grave de Stel evocando entrega e devoção, enquanto “Taste” assume a forma de uma balada melancólica, marcada por synths suaves que refletem o desejo genuíno de felicidade para uma ex-parceira e o esforço pessoal de seguir adiante. Em “All Seven Seasons”, a sonoridade lo-fi, com guitarras e batidas em loop levemente ásperas, acompanha versos sobre a tentativa de preservar um amor em meio a inseguranças e dúvidas, ao passo que “I’d Rather Be Yours Than Mine” aposta em um registro ainda mais íntimo, combinando teclados e sintetizadores para expressar apego, desejo e a dificuldade de se desvincular emocionalmente de alguém. Já “All My Friends Are Models” traz um alt-pop de atmosfera noturna que remete ao universo de Sky Ferreira, misturando guitarras intensas, sintetizadores hipnóticos, piano pontual e batidas firmes para sustentar vocais etéreos e um refrão marcante, enquanto aborda a solidão escondida por trás de vidas aparentemente perfeitas e a falsa felicidade performada nas redes sociais. Encerrando o EP, “Solitaire” surge como uma balada pop eletrônica introspectiva que reflete sobre amadurecimento, frustrações e a aceitação das distâncias impostas pelas escolhas afetivas. No conjunto, How to Win At Solitaire reafirma Sophia Stel como uma artista autêntica e sensível, capaz de transformar experiências pessoais em composições densas, vulneráveis e profundamente conectadas à introspecção emocional.

• Coloque para tocar: “All My Friends Are Models””

01. Dog Race
(Return The Day)

A banda Dog Race, formada pela vocalista Katie Healy, o baterista Jed Healy, o guitarrista James Kelly, o baixista Will Macnab e o tecladista Dillon Willis, apresenta seu EP de estreia Return The Day, um trabalho que transita por territórios góticos, art-rock, post-punk e indie ao abordar temas como desgaste emocional, vínculos tóxicos e a sensação de apatia afetiva. A sonoridade do grupo se apoia em vocais intensos, guitarras carregadas de distorção e sintetizadores envolventes, construindo um clima sombrio e hipnótico que dialoga com referências clássicas como Bauhaus, Siouxsie and the Banshees, The Cure, Joy Division e Cocteau Twins, sem perder uma identidade atual. A faixa de abertura, “Where The Barrel Meets The Badger”, já estabelece esse universo denso ao combinar riffs cortantes, percussão marcante, texturas sintéticas etéreas e uma produção atmosférica que explora tensões ligadas a poder e confronto, enquanto “The Leader” assume um tom de suspense cinematográfico com guitarras reverberadas, sintetizadores ameaçadores e a interpretação imponente de Healy em uma narrativa sobre redenção mediada por uma figura autoritária e enigmática. Em “40 Winks To Wyoming”, que remete a um encontro entre a grandiosidade do Arcade Fire e a estética sombria de Siouxsie and the Banshees, a banda investe em uma ambientação melancólica e vocais aflitos para retratar memórias fragmentadas, nas quais prazeres se transformam em sofrimento psicológico. Já “It’s The Squeeze” surge como um retrato das angústias contemporâneas e do sufocamento individual, apostando em uma abordagem teatral e perturbadora, com distorções góticas quebradas, eletrônica tensa e vocais inquietantes. Produzido por Ali Chant, conhecido por trabalhos com Dry Cleaning, Sorry e Perfume Genius, Return The Day desenha um universo inquietante onde riffs ásperos, camadas eletrônicas opressivas e forte carga dramática se entrelaçam, consolidando uma estreia intensa, ousada e reveladora da visão artística obscura do Dog Race.

• Coloque para tocar: “It’s The Squeeze””