7 discos para ouvir hoje: Peaches, Moby, Sports, Ally Evenson e mais

Confira alguns dos principais lançamentos da semana para atualizar a sua playlist de discos favoritos. Entre eles estão os novos trabalhos de: Peaches, Moby, Yael Naim, MX LONELY, Apparat, Sports e Ally Evenson.

PeachesNo Lube So Rude
(Kill Rock Stars)

A cantora e produtora canadense Peaches, ícone do electroclash, retorna com No Lube So Rude, seu sétimo álbum de estúdio e o primeiro lançado em uma década. O trabalho apresenta uma fusão direta e sem concessões de música eletrônica, dance, punk, industrial e pop, colocando o corpo no centro de tensões íntimas e políticas, onde prazer, espiritualidade e a luta por direitos básicos se entrelaçam. Com letras explícitas, irônicas e repletas de jogos de palavras, a artista também revela uma vulnerabilidade rara ao refletir sobre envelhecimento, identidade queer e uma sociedade que frequentemente exige silêncio ou apagamento. O disco assume os conflitos do mundo como matéria-prima e os transforma em potência, defendendo autonomia corporal, voz própria e resistência, ao mesmo tempo em que reafirma o legado de uma artista pioneira, ousada e multidisciplinar, capaz de converter frustração em prazer, orgulho e transcendência. Das guitarras pesadas e metais marcantes de “Grip”, passando pelas melodias distorcidas de “Whatcha Gonna Do About It” até a atmosfera sombria de “Take It”, No Lube So Rude se firma como uma obra de resistência e afirmação da independência diante de qualquer tentativa de opressão ou invasão da esfera pessoal.

MobyFuture Quiet
(Little Idiot / BMG)

Future Quiet marca uma nova fase na trajetória de Moby, um dos nomes mais longevos e visionários da música eletrônica. O álbum transita entre o minimalismo do piano contemporâneo, paisagens sonoras ambient e algumas colaborações vocais, enquanto o artista reflete sobre o conflito entre a vida moderna hiperconectada e a necessidade humana de silêncio e recolhimento. Segundo o artista, apesar de apreciar grandiosidade, excesso e volume, o caos e o barulho constantes do mundo atual despertaram nele a busca por quietude, tanto como ouvinte quanto como criador. Assim, Future Quiet surge como um espaço de refúgio, um abrigo diante de um cotidiano cada vez mais exigente e ruidoso. Para o músico, o processo de compor e gravar o disco foi uma forma de proteção e descanso, e a esperança é que a experiência de escutá-lo ofereça ao público essa mesma sensação de pausa e segurança.

Yael NaimSolaire
(Mouselephant / LAB 344)

Com o álbum Solaire, a multiartista francesa com raízes israelenses Yael Naim apresenta um trabalho profundamente pessoal que transita entre o íntimo e o universal. Totalmente produzido por ela e gravado em seu próprio estúdio, o disco reflete uma busca por autonomia e verdade artística, nascida do desejo de ter liberdade total para experimentar e respeitar o próprio tempo criativo. A obra conecta os diferentes universos musicais que marcaram sua trajetória, unindo harmonias da música clássica e do jazz a sonoridades contemporâneas, como em “Wow”, com arranjos orquestrais que se misturam a texturas eletrônicas orgânicas. Reconhecida internacionalmente desde 2008 com o sucesso global “New Soul”, que ganhou projeção em uma campanha da Apple e alcançou milhões de reproduções, a artista reafirma aqui sua identidade criativa. No fim, Solaire se revela como um álbum luminoso, que celebra liberdade, conexão, o espírito humano e as múltiplas formas de vida do mundo árabe, como em “Multicolor”. A obra equilibra introspecção e abertura, delicadeza e potência, sombra e brilho, em uma jornada sensível que convida a reencontrar aquilo que, dentro de nós, deseja irradiar.

MX LONELYALL MONSTERS
(Julia’s War Recordings)

No universo do MX LONELY, os monstros representam medos infantis, figuras abusivas bem reais e também conflitos internos ligados à saúde mental, tema central do álbum de estreia ALL MONSTERS, um trabalho de alt-rock denso e visceral que transforma a introspecção em catarse sonora. Gravado de forma totalmente independente, o disco captura a intensidade crua do show ao vivo da banda e aprofunda questões como autossabotagem em “Kill The Candle”, disforia de gênero em “Big Hips” e vício em “Shape Of An Angel”, além de abordar dependência emocional em “Anesthetic” e ansiedade persistente no encerramento “Whispers In The Fog”. No núcleo do álbum, “Blue Ridge Mtns” revisita uma composição antiga sobre um trajeto rumo à reabilitação, enquanto “All Monsters Go To Heaven” reflete sobre culpa, perdão e a ausência de justiça para muitos monstros do mundo real. Com guitarras cavernosas, vocais intensos e faixas mais longas e expansivas, ALL MONSTERS propõe não eliminar a si mesmo, mas encarar e destruir os próprios monstros ao trazê-los à luz, convidando o público a compartilhar desse processo coletivo de liberação emocional.

ApparatA Hum Of Maybe
(Sascha Ring / Mute)

Seis anos após o LP5, Sascha Ring, conhecido como Apparat, retorna com o sexto álbum de estúdio, A Hum Of Maybe, um trabalho detalhista, refinado e imprevisível que mergulha nas complexidades da vida e do afeto. O disco tem o amor como eixo central, voltado a si mesmo, à esposa e à filha, e reflete o esforço constante de preservar e reajustar esses laços em um cenário de mudanças contínuas, explorando um estado de suspensão entre certezas, como sugere o próprio título. Ring combina com elegância sua abordagem como produtor eletrônico e compositor de formação clássica, trabalhando com colaboradores de longa data como Philipp Johann Thimm, Christoph Mäckie Hamann, Jörg Wähner e Christian Kohlhaas, além de contar com participações da artista armênio-americana KÁRYYN na faixa “Tilth” e do músico Jan-Philipp Lorenz, também conhecido como Bi Disc, em “Pieces, Falling”, resultando em um álbum íntimo, denso e marcante que inaugura um novo e estimulante capítulo na trajetória do Apparat.

SportsSports
(Sports)

A dupla de dream pop Sports lança seu aguardado disco autointitulado, composto por 12 faixas que mesclam singles elogiados ao longo do último ano com canções inéditas que revelam a evolução e o apuro de uma sonoridade vibrante, rítmica e rica em camadas. Guiado por “Jelly”, o álbum percorre caminhos que vão do pop delicado e reluzente a passagens mais densas e experimentais, atravessando indie pop, música eletrônica e psicodelia sem se limitar a rótulos. O projeto também representa um marco na trajetória do duo por ser o primeiro totalmente realizado de forma independente, escrito, produzido, gravado e finalizado em um estúdio erguido por eles mesmos em Tulsa, cidade natal da dupla, evidenciando sintonia criativa e amadurecimento técnico. Entre os destaques, “Drama King” aprofunda a imersão em texturas eletrônicas sem perder o apelo melódico característico, enquanto “Keep Falling In Love” brilha como uma celebração sensível das mudanças do amor ao longo do tempo, com atmosfera etérea e emotiva. Já “Nice 2 Meet Myself (Bang Bang Bang)” aposta em sintetizadores oníricos, vozes manipuladas e uma base sólida de dream pop, atravessada por traços psicodélicos que ampliam sua natureza inesperada. Ao longo do trabalho, o duo dialoga com influências que vão de A. G. Cook e Lady Gaga a U2 e Dr. Dre, além de referências conceituais extraídas do livro ‘Como Funciona a Música’, de David Byrne. Essas inspirações aparecem de maneira sutil na arquitetura das faixas, nas sobreposições sonoras e na construção emocional, resultando em um álbum coeso, autoral e dinâmico.

Ally EvensonSpeed Kills
(Atlantic)

No álbum Speed Kills, a cantora e compositora norte-americana Ally Evenson percorre 14 faixas em que transforma os ecos de um término em um retrato íntimo de ansiedade, tristeza profunda, fortalecimento pessoal e autoconhecimento, assumindo o controle criativo ao lado do colaborador de longa data Nydge. Esse novo momento começou a ser apresentado com a energia intensa de “Phetamines” e ganhou contornos mais introspectivos em “Turning Turning”, faixa que combina sintetizadores borbulhantes, violão e um refrão hipnótico sobre aceitar o fluxo da vida. Já “Strawberry” marca um salto criativo ao abordar, de forma dolorosa e honesta, sua primeira relação gay, misturando melancolia lírica a uma sonoridade surpreendentemente leve e fazendo referência a “Pitseleh”, de Elliott Smith. Capaz de traduzir diferentes emoções em hinos de pop alternativo cheios de distorção e carisma, Evenson molda o caos do amor e da vida cotidiana em canções afiadas e sensíveis, resultado de uma paixão pela música cultivada desde a infância em Detroit.