Cain Culto explora identidade e choque cultura no álbum de estreia ‘CULTO’

Cain Culto / Divulgação

Cain Culto, projeto musical do cantor, compositor, rapper e violinista Andrew Estevan Padilla, transforma sua trajetória no ponto de partida para o álbum de estreia CULTO. Filho de colombianos e nicaraguenses, o artista cresceu entre a Flórida e o Kentucky, absorvendo influências da música latina, do bluegrass e das tradições dos Apalaches. Ex-integrante de um grupo cristão e pastor de adoração, Padilla rompeu com sua formação evangélica e passou a construir uma identidade artística marcada por referências queer, indígenas e afrodiaspóricas, unindo símbolos religiosos, elementos da cultura mexicana e uma estética provocadora.

Em CULTO, essas influências convivem sem a necessidade de se encaixar em um único gênero. Pop, rap, eletrônica repleta de glitches, gospel, bluegrass e ritmos colombianos aparecem em uma produção que transforma o encontro e o choque entre diferentes culturas em parte essencial de sua identidade. Em “a plague, a pestilence”, Cain Culto cria uma atmosfera inquietante que cresce aos poucos até desembocar em um desfecho acelerado e intenso. A faixa aproxima bullerengue e bluesgrass gospel de uma sonoridade marcada pelas tradições religiosas do Kentucky, utilizando imagens bíblicas e símbolos espirituais para construir uma crítica social.

Entre o caráter hipnótico de “colita de rana”, a intensidade de “témeme” e o hillbilly latino rap de “Kali Maa“, o músico cria um universo quase ritualístico, no qual experiências pessoais, questões políticas e referências ao sagrado e ao profano se cruzam. “Shakti Shakti” mergulha no sincretismo religioso e no simbolismo divino, enquanto “Chiquilinda” combina violino inspirado no bluegrass, percussões colombianas, cantos latinos e elementos voltados para a pista.

Já “KFC Santería”, que ganhou um remix com Sudan Archives, transforma sua herança cultural em uma expressão própria, recusando fronteiras rígidas para sua música que mistura humor, sexualidade, cultura queer e referências religiosas para celebrar, de forma provocadora, a própria identidade.

Em “Duelen”, com participação de Lido Pimienta, o artista aborda o luto e a solidariedade diante de crises humanitárias, transformando a dor em um chamado à compaixão e à ação. A dimensão espiritual retorna em “hymn (voice memo)”, registrada como uma nota de voz que resgata sua relação com a música religiosa e seu passado como pastor de adoração.

Em “Born Again”, por sua vez, Padilla sintetiza o processo de autoconhecimento vivido nos últimos seis anos, marcado pelo afastamento de dogmas religiosos e pela busca de uma identidade mais autêntica por meio da arte. Hoje, sua espiritualidade encontra novas raízes no ritmo, no movimento, na vivência queer e na força da comunidade.