
A artista sueca Tove Styrke apresenta seu quinto álbum de estúdio, I thought this story wasn’t about me, acompanhado do videoclipe de “Look at me”. Primeiro trabalho de inéditas em quatro anos e sucessor de HARD, o disco reúne 16 faixas e inaugura uma fase mais experimental e introspectiva em sua trajetória, com influências que transitam entre Kraftwerk, LCD Soundsystem e Adrianne Lenker.
Concebido como um álbum conceitual ambientado em uma festa que atravessa o período entre o anoitecer e as primeiras horas da manhã, I thought this story wasn’t about me foi coproduzido por Styrke ao lado de Magnus Larsson, Joel Kiviaho e Linnéa Martinsson. Com uma abordagem cinematográfica, o projeto funciona como a trilha sonora imaginária de um filme independente, articulando sentimentos de solidão e isolamento à necessidade de encontrar proximidade e identificação em meio à multidão.
Dirigido por Natalie Olenheim Boija, o videoclipe de “Look at me” aborda o conflito entre a vontade de ser percebida e o desejo de permanecer invisível em uma sociedade cada vez mais influenciada pela exposição digital. Inspirada em esculturas clássicas, a coreografia estabelece um contraste entre a permanência da arte e a efemeridade da experiência humana, enquanto Tove questiona a distância entre a imagem projetada e a própria identidade emocional.
Entre as composições, “Prayer” apresenta uma odisseia alternativa que aproxima o pop da música dançante para celebrar o amor-próprio, a liberdade e a autonomia. “Song and dance Man” incorpora referências ao Kraftwerk em uma atmosfera marcada pelo entusiasmo e pela autoconfiança, enquanto “Let’s go camping” remete à sonoridade da era Honey, de Robyn, por meio de uma narrativa inquietante, sustentada por eletrônica experimental, ambient techno e texturas minimalistas.
A vontade de prolongar a noite e reencontrar alguém conduz “Afterparty hymn”, enquanto “Space” parte de uma atmosfera intimista e reflexiva até ganhar intensidade ao abordar o acolhimento e a segurança encontrados no amor. Já “Burial” aprofunda os aspectos mais sombrios e frustrantes da narrativa, abrindo caminho para “04:39”, que expõe a vulnerabilidade e a solidão características das primeiras horas da manhã. Na sequência, “Me and you (always and forever)” mescla paisagens sonoras etéreas e referências à new wave dos anos 1980 para refletir sobre a relação que construímos conosco, em contraste com as experimentações de “Big Exit”. Com sintetizadores abstratos e camadas eletrônicas difusas, a faixa retrata a dificuldade de se desvencilhar de alguém.
O afeto ganha contornos mais calorosos em “Sunflower”, inspirada na ideia de voltar-se para uma pessoa amada com a mesma devoção de um girassol em direção ao sol. A instrumental “Keep this safe” prolonga essa sensação de proximidade, enquanto “Ah ah ah ah (there it is again)” transforma a dificuldade de compreender os próprios sentimentos em uma experiência sonora quase hipnótica. Perto do desfecho, “Sitting by the fire” apresenta um monólogo narrado pelo amigo Paul Adamah, que compartilha um sonho sobre uma viagem pela própria existência e o reencontro com diferentes versões de si mesmo. A passagem prepara o terreno para “Save me”, que parte de um violão acústico para encerrar o percurso com uma sensação de renovação. Ao conectar seu final à introdução do álbum, a composição cria um movimento circular e sugere que essa história permanece em constante continuidade.
Em I thought this story wasn’t about me, Tove transforma uma noite de encontros, desencontros e descobertas em um retrato sensível da experiência humana, encontrando na experimentação pop uma maneira de falar sobre pertencimento, identidade e a constante busca por conexão.



