TOP 50 de discos de 2011 – # 11-20

#11. Foo Fighters
(Wasting Light)

O sétimo registro do Foo Fighters é o melhor disco da banda desde The Colour and the Shape (1997). O peso das composições se deve à produção de Butch Vig, responsável pelo clássico Nevermind do Nirvana. Outra referência é a participação de Krist Novoselic – colega de Grohl no grupo de Kurt Cobain – no baixo em “I Should Have Known”. Da explosiva “White Limo” aos riffs matadores de “Rope”, o trabalho – gravado de forma analógica numa garagem – é a prova de que a aura rock dos rapazes está mais iluminada do que nunca.

Dica de download: “Arlandria” ().

#12. Laura Marling
(A Creature I Don’t Know)

Com apenas 21 anos, A Creature I Don’t Know – o terceiro trabalho de Laura Marling – é mais um trabalho extraordinário e ambicioso no currículo da jovem artista. Levadas pelo folk, as composições são peças extremamente pessoais (como em “Salinas” sobre sua infância e sua mãe) contrapondo delicadeza (“Night After Night”) com momentos turbulentos e relações devastadoras (“The Beast”). Marling é uma menina grande no cenário folk atual.

Dica de download: “Sophia” ()

#13. Anna Calvi
(Anna Calvi)

Os acordes sombrios e virtuosos extraídos da guitarra, o vocal contralto robusto e as letras de amor/morte de Anna Calvi foram peças chave para conquistar os ouvidos de músicos como Nick Cave e Brian Eno – este último, considera-a a artista mais visionária desde Patti Smith. Seja contrastando o flamenco (nos acordes de “The Devil” e “Morning Light”) com o rock, tateando PJ Harvey (“No More Words”) – em texturas nebulosas influências pelo cinema de David Lynch – ou no vocal tumultuoso quase sussurrado, a estreia de Calvi é irrepreensível.

Dica de download: “Blackout” ()

#14. Shelby Lynne
(Revelation Road)

A mais pura essência de Shelby Lynne está nas onze faixas de Revelation Road. Com mais de vinte anos de estrada, a cantora assina, produz e se responsabiliza por todas as notas emitidas no trabalho. O toque pessoal transforma sua infância em poema (“I’ll Hold Your Head”), vasculha fantasmas do passado (“Heaven’s Only Days Down the Road”, sobre a morte da mãe, assassinada pelo pai em sua frente) e relações amorosas fracassadas (“Woebegone”). Composições complexas levadas por uma agradável naturalidade em acordes regados de alt-country.

Dica de download: “Revelation Road” ()

#15. The Kills
(Blood Pressures)

Existe uma mágica intensa no ‘casamento musical’ de Alison Mosshart e Jamie Hince. O blues punk atemporal de guitarras sujas (“Future Starts Slow”) e distorcidas (“Baby Says”), com cara de fundo de quintal e estética analógica, encontra exílio na voz dilacerante e sensual (“DNA”) de Mosshart. Diante de tanta barulheira, melodias claustrofóbicas e sombrias, sobra espaço para momentos de introspecção e calmaria, como em “The Last Goodbye” com Alison abrindo o coração sobre uma relação com o fim marcado. O sangue do The Kills ainda pulsa com força.

Dica de download: “Baby Says” ()

#16. EMA
(Past Life Martyred Saints)

“Fuck California, you made me boring”. O disco de estreia de Erika M. Andersen, ex-integrante do noise folk Gowns, é levado por letras provocativas, densas e que expõe sua fragilidade diante de relacionamentos frustrados, como quando canta em tom delicado “I wish that every time he touched me left a mark” em “Marked”. Os elementos eletrônicos sem exageros encontram fuga no rock revigorante de PJ Harvey e Kim Gordon (Sonic Youth), mas é na falta de otimismo e perspectivas de EMA (“tenho apenas 22 anos e não me importo em morrer”) que ganha seu ouvinte.

Dica de download: “California” ()

#17. James Blake
(James Blake)

A essência dubstep, a sonoridade minimalista (“The Wilhelm Scream”) e as distorções sonoras (“Why Don’t You Call Me?”) são a base do álbum homônimo de James Blake. Mesmo com todos artefatos eletrônicos, o músico ainda cativa seu ouvinte (sem os vocoders) nas composições conduzidas por acordes de piano, como “Limit to Your Love” (originalmente de Feist) e “Give Me My Month”, com a destreza vocal melancólica de Antony and the Johnsons. Um talento promissor.

Dica de download: “The Wilhelm Scream” ()

#18. Girls
(Father, Son, Holy Ghost)

Em Father, Son, Holy Ghost, a dupla Christopher Owens e Chet “JR” White deixa os vícios de lado para falarem de sentimentos e esperanças, como demonstram na faixa que abre o disco, o rockabilly afetuoso de “Honey Bunny”. O contraste de guitarras melódicas (“My Ma”), órgãos / coros gospel (“Vomit”) e a energia do psy-rock (“I Die”) elevam o estado de espírito do duo neste trabalho compassivo.

Dica de download: “Vomit” ()

#19. Real Estate
(Days)

Com ares de nostalgia (“things won’t be like they were before”), Days – o segundo registro do Real Estate – vaga entre o agridoce do indie pop (“It’s Real”) e a despretensão do surf rock (“Three Blocks”), quando não se permite à sessões exclusivamente instrumentais (“Kinder Blumen”). As melodias econômicas, com guitarras melódicas levadas ao estilo Beach Boys, têm efeito imediato.

Dica de download: “It’s Real” ()

#20. Telekinesis
(12 Desperate Straight Lines)

Após ser o único integrante a dar continuidade aos trabalhos do Telekinesis e terminar um relacionamento à distância que deu origem ao seu disco de estreia, Michael Lerner encontrou porto seguro na produção de Chris Walla (guitarrista do Death Cab For Cutie). Em canções de curta duração, Lerner – a banda de um homem só – cria um indie power pop sensível sobre as dores do amor, raiva e esperança em peças musicais prontas para te fazer bater o pé no chão de empolgação.

Dica de download: “Car Crash” ()