
A cantora e compositora nipo-filipina Ena Patricia Mori Villa (a.k.a. ena mori) lança o EP rOe, projeto que abandona a energia explosiva do álbum de estreia, DON’T BLAME THE WILD ONE (2022), para apresentar uma sonoridade mais introspectiva e refinada. Longe de ser uma típica história de amadurecimento, o disco de seis faixas retrata as oscilações emocionais vividas ao entrar na casa dos 20 anos, ainda com um pé na infância. Em essência, trata do paradoxo de sentir que se está avançando, mas, ao mesmo tempo, permanecendo atônita.
“Uma das coisas que tem me inspirado muito ultimamente é a minha infância”, compartilha a artista. “Para este EP, eu queria explorar minhas memórias e como as vejo agora, através dos olhos de uma adulta. Talvez seja uma saudade daquele estado de ser inocente – ou talvez eu seja apenas um pouco viciada no conforto da nostalgia”.
A produção do EP aposta em sonoridades pouco usuais, combinando quartetos de cordas com guitarras lo-fi, batidas acompanhadas por cordas de nylon, harpas, vocais em camadas em tom de sussurro e elementos eletrônicos com sutis efeitos de glitch. Diferentemente do álbum de estreia, que trazia um art-pop mais exuberante, as faixas de rOe apresentam uma atmosfera etérea e ao mesmo tempo intrigante, como memórias distorcidas pela passagem do tempo, porém carregadas de emoção profunda.
“Trust Me” foi criada por ena mori utilizando recursos limitados no violão, provando que as restrições podem estimular a criatividade em sua forma mais pura, originando uma jornada emocional de busca por autoconfiança, superação de dúvidas internas e a busca por uma existência mais verdadeira. “Sink”, com uma produção pop eletrônica minimalista e etérea, transmite uma combinação de angústia, desejo de revanche e sarcasmo diante de um relacionamento tóxico. Enquanto isso, “Portion Control” e “Heartache Generation” exploram atmosferas suaves e levemente encantadoras, fruto de combinações musicais delicadas.
Em “Cub”, faixa que encerra o EP com um desfecho poético, destaca-se um dos versos mais impactantes do trabalho: “eu sei o resultado da vida, quero dizer, o que é uma vida / mas não quero viver em um mundo de mentiras”. rOe é uma criação delicada e original que, ao revisitar o passado com sensibilidade e maturidade, confirma o talento da artista em transformar lembranças em uma arte pop e emocionalmente profunda.



