Urias lança ‘CARRANCA’, álbum que marca uma fase mais madura e autoconfiante

Urias / Divulgação

A cantora e compositora Urias apresenta CARRANCA, terceiro álbum e sucessor de HER MIND e FÚRIA, marcando uma fase mais profunda, simbólica e espiritual em sua trajetória artística. O projeto traz composições que misturam referências religiosas, manifestações de resistência e celebrações da identidade brasileira.

O nome do álbum vem da carranca, escultura de aparência grotesca tradicionalmente esculpida em madeira, que representa figuras humanas ou animais e costuma adornar embarcações, casas e portões. Originalmente criada para afastar maus espíritos, a carranca também carrega forte simbolismo nas religiões de matriz africana, associando-se a Exu, orixá que atua como mensageiro entre o mundo físico e o espiritual, símbolo do movimento, da transformação e da abertura de caminhos.

Com 14 faixas, o disco inclui três interlúdios interpretados por Marcinha do Corintho, que guiam o ouvinte por uma jornada sobre liberdade, resistência e amor. As narrativas percorrem temas como a ilusão de uma liberdade limitada, a fúria como resposta à opressão e o retorno simbólico à Etiópia, metáfora para o reencontro com a ancestralidade, a Mãe Terra e uma liberdade plena e verdadeira.

“Esses interlúdios se conectam diretamente com o tema central do disco. Eles funcionam como pontos de respiração e reflexão, mas também como guias para entender a narrativa maior da obra”, explica Urias.

CARRANCA conta ainda com quatro colaborações marcantes. Criolo participa de “Deus”, faixa que revisita o tema folclórico “Soca Pilão”, de Inezita Barroso, e evoca a intensidade sonora de “Black Skinhead”, de Kanye West. Giovani Cidreira aparece em “Herança”, que questiona o legado deixado ao mundo e contrapõe a riqueza manchada de sangue à força eterna da memória e da resistência. Major RD integra “Voz Do Brasil”, com o sample de “O Guarani” de Antônio Carlos Gomes, reflexão sobre a identidade nacional e a forma ilusória com que o país é retratado dentro e fora de suas fronteiras. Don L se junta em “Paciência”, um desabafo sobre as desigualdades da indústria musical e um pedido por força divina para enfrentá-las. Outro destaque é “Águas De Um Mar Azul”, que resgata uma composição inédita de Hyldon dos anos 1970 – descartada do álbum Deus, A Natureza E A Música -, transformando-a em um elo entre passado e presente.

A produção musical ficou a cargo de Maffalda, Gorky e Nave, que imprimem diferentes atmosferas e texturas sonoras a este trabalho denso e multifacetado.