
Após apresentar o primeiro ato, a artista sueca Jonna Lee, mente criativa por trás do projeto audiovisual ionnalee, revela a segunda parte de MOUTH OF A RIVER, obra conceitual estruturada em três capítulos conectados entre si. Concebido originalmente há cerca de quinze anos, o trabalho permaneceu adormecido por um longo período enquanto Lee concentrava seus esforços em bounty (2010), lançamento assinado como iamamiwhoami que se transformou em um marco de sua trajetória e foi fundamental para consolidar sua identidade criativa.
A abertura fica por conta de “time to let it dry”, uma composição synthpop etérea e cinematográfica na qual os vocais delicados da artista exploram a dor e a dificuldade de lidar com uma despedida irreversível. Em seguida, “the box”, guiada por uma pulsação precisa e camadas eletrônicas hipnotizantes, retrata alguém que gradualmente abandona suas limitações emocionais para abraçar a imaginação e a mudança. Já “black shore” parte de uma atmosfera melancólica e obscura antes de se transformar em uma paisagem pop onírica marcada por ritmos com nuances industrial, abordando sofrimento, solidão e o confronto com conflitos internos.
Em “the new age”, Lee reflete sobre a necessidade de abandonar o peso das lembranças e das perdas para iniciar uma nova etapa da vida. A faixa ganha profundidade através de arpejos cintilantes e texturas eletrônicas expansivas que atravessam a melodia com elegância sonhadora. Na sequência, “inventor” apresenta uma sonoridade inquietante entremeada por passagens luminosas, servindo de base para reflexões sobre amadurecimento, aceitação das dificuldades e renovação interior impulsionada pelas experiências e pelos laços humanos.
“woodman” surge como um exercício de experimentação e improvisação eletrônica, revelando o lado mais livre da compositora. Já “when you were sleeping” recupera o caráter contemplativo do registro em uma balada que aborda o desgaste emocional de amar alguém incapaz de corresponder na mesma intensidade. Encerrando esse conjunto, “cross me” contrapõe sintetizadores sombrios à suavidade da voz de Lee para revisitar uma relação marcante, repleta de ressentimentos, cicatrizes e recordações duradouras.
As já conhecidas “islander” e “harvest”, presentes nos álbuns REMEMBER THE FUTURE e Everyone Afraid To Be Forgotten, respectivamente, reaparecem aqui em versões reformuladas, com novos arranjos e durações ampliadas, integrando-se de maneira orgânica e intimista ao universo sonoro do projeto.
Como um elo entre passado e futuro, a segunda parte de MOUTH OF A RIVER reafirma a capacidade de Jonna Lee de transformar experiências íntimas em paisagens sonoras imersivas, expandindo ainda mais a narrativa singular que define sua trajetória.



