Nicole Atkins percorre territórios clássicos do pop, rock e soul em ‘Drama’

Nicole Atkins / Divulgação

Após seis anos do álbum Italian Ice e do registro ao vivo Memphis Ice, a cantora e compositora norte-americana Nicole Atkins retorna com o álbum Drama. Inspirado pela solidão de um relacionamento à distância, além de dificuldades pessoais e profissionais, o trabalho transforma sentimentos de isolamento e incerteza em canções profundamente emocionais.

Em Drama, Nicole Atkins constrói um refúgio emocional capaz de acolher tanto suas próprias experiências quanto as de quem está ao seu redor. O repertório aborda solidão, conexão e pertencimento em um mundo cada vez mais distante, combinando elementos de pop, soul e rock clássico. As composições são guiadas por melodias marcantes e letras intimistas, enquanto referências de diferentes épocas são incorporadas a uma linguagem própria, potencializada pela intensidade de sua interpretação.

Produzido por Pat Sansone, do Wilco, o disco percorre diferentes territórios musicais sem perder sua identidade. “Trippin’ on Teardrops” recupera o impacto das girl groups à la Phil Spector, enquanto “For No One” mergulha no soul de Memphis. “Danny” combina atmosfera noir com a grandiosidade das trilhas de James Bond, e “Singing in the Mirror” aposta em um pop expansivo e teatral que remete ao ABBA e à sofisticação de Neptune City, estreia da artista.

Já em “When the Night Falls”, resgata, sob uma perspectiva contemporânea, o espírito de “Heroes”, de Bowie, ao retratar lembranças persistentes que continuam a assombrá-la. Quando parece ter explorado todas essas possibilidades, a cantora ainda surpreende no encerramento com “Softly, As You Were”, delicada faixa em ritmo de bossa nova que transforma completamente a atmosfera do projeto ao abordar autossabotagem e julgamentos, mas preservando uma mensagem de afeto, perdão e esperança para seguir em frente.

Criada em Neptune City, Nova Jersey, Atkins começou a desenvolver sua sensibilidade musical ainda na infância. A descoberta de um antigo violão no sótão da casa do tio contribuiu para definir seu caminho artístico. Ao longo da carreira, estabeleceu amizades com nomes importantes da música, entre eles Chris Isaak, que participa de “Cue the Symphony”, uma das passagens mais melancólicas de Drama. O músico também desempenhou um papel importante no retorno da cantora aos estúdios após ouvir algumas de suas novas composições e incentivá-la a voltar a gravar.

Para as sessões, Atkins reuniu sua banda de turnê, formada por John Paul Keith na guitarra e Danny Banks na bateria, além de convidados como Eric Slick, do Dr. Dog, e Dan Creamer, do The Texas Gentlemen. O escocês Davey Horne também integra o projeto, dividindo os vocais em “Curtain Call”.

Ao longo de Drama, Atkins reafirma sua capacidade de reunir referências distintas, reorganizá-las sob uma perspectiva contemporânea e transformá-las em uma expressão musical que permanece essencialmente sua.