10 discos para ouvir hoje: Troye Sivan, Remi Wolf, Rora And The Untamed, TEILZ e mais

Troye Sivan / Divulgação

Confira alguns dos principais lançamentos da semana para atualizar a sua playlist de discos favoritos. Entre eles estão os novos trabalhos de: Troye Sivan, Remi Wolf, Rora And The Untamed, TEILZ, Dawn Richard, HAAi, METTE, Girl Ultra, Cameron Winter e Sheryl Crow.

• Troye Sivan – She’s the Best
(Interscope)

O músico australiano Troye Sivan explora novas possibilidades sonoras em She’s the Best, álbum que se distancia da energia dançante de  Something To Give Each Other para mergulhar em paisagens mais introspectivas, sensuais e experimentais. Entre o pop alternativo, o trip hop e a música eletrônica dos anos 1990, o artista percorre temas como liberdade queer, desejo, solidão e intimidade, transitando entre momentos de euforia e fragilidade emocional.

A faixa-título aposta em melodias envolventes e referências ao hip hop e ao R&B da década de 1990, em uma sonoridade que remete à era I quit, do HAIM, enquanto homenageia as mulheres que marcaram sua vida. Com uma batida house, “Canada Dry” aborda a atração por um homem canadense enigmático, e “Party” mantém o clima festivo das pistas ao incorporar um sample de “Music”, de Madonna. Já “I Do This For You”, que utiliza elementos de uma gravação do projeto de trip hop Forest for the Trees, reflete sobre o isolamento e a repetição dos encontros mediados por aplicativos. Em outra direção, “Cowboy” combina synthpop e folk rock, enquanto “Embarrassingly” resgata a delicadeza do indie pop do fim dos anos 1990 em uma declaração sentimental. “Le Boy” une sutileza melódica e explosões psicodélicas, ao passo que “Sex Star” expõe as inseguranças que acompanham a busca por intimidade.

Em “FF”, guitarras densas acompanham a expectativa de um romance ainda distante. A vertente eletrônica ganha destaque em “Troye Meets World”, marcada por referências ao drum ‘n’ bass, e em “Love So Big It Hurts”, que contrapõe melodias acessíveis a arranjos experimentais e vozes distorcidas. Para encerrar, “Lost Time” assume um tom romântico, com os sussurros em francês da atriz Lily-Rose Depp como principal elemento de destaque.

No conjunto, Troye Sivan amplia os limites de sua identidade pop ao conciliar experimentação eletrônica, desejo e vulnerabilidade em um trabalho que privilegia a atmosfera e a liberdade criativa.

• Remi Wolf – Mud
(Island)

Em Mud, terceiro álbum de estúdio, Remi Wolf deixa parcialmente de lado o humor irreverente e o funk pop dos trabalhos anteriores para explorar uma abordagem mais orgânica e introspectiva, que transita entre indie rock, soft rock, soul e country alternativo. Inspirado pelo término de um relacionamento, por conflitos internos e pelo desejo de transformação, o repertório converte experiências dolorosas em composições que combinam fragilidade emocional, melodias cativantes e performances vocais intensas.

Em “Bottle”, a produção inventiva e o groove cadenciado acompanham uma reflexão sobre a dificuldade de controlar os próprios impulsos, enquanto “Champagne” incorpora nuances country à estrutura pop e a vibrante “Twiggy” aborda as contradições afetivas, evidenciando a frustração diante de alguém emocionalmente indisponível. Já “Burn Me Blue” aposta no country rock para retratar uma paixão atravessada pela dependência, ao passo que “Jamie” conquista pela entrega interpretativa e pelo clima soul envolvente. Entre guitarras distorcidas, sintetizadores dinâmicos e uma performance visceral, “Covered In Mud” funde referências do rock e do country em uma declaração de liberdade, superação de conflitos e ruptura com convenções sociais. Em contraste, “Moon So High”, colaboração com John Mayer, segue uma direção acústica mais sutil. A melancolia ganha intensidade em “I Won’t Cry”, que percorre a saudade após uma separação até alcançar um ápice emocional marcado pela esperança de reconciliação. Em “Wine Drunk”, a cantora recupera parte de sua energia habitual ao misturar country rock e pop em um retrato de desejo impulsivo, embriaguez e instabilidade. Na sequência, “Guess” reduz o ritmo com arranjos intimistas de folk para expor o desgaste provocado por expectativas incompatíveis, enquanto “Yellow Rose” conclui a obra com uma balada melancólica sobre os conflitos e a dependência que persistem em um amor turbulento. Assim, Mud revela uma Remi Wolf mais madura e vulnerável, que transforma turbulências afetivas em um trabalho de sonoridade diversa.

• Rora And The Untamed – Do You Like Me Now?
(Universal)

O álbum de estreia Do You Like Me Now?, do projeto Rora And The Untamed, reúne Aurora Nishevci, integrante do The Last Dinner Party, e o compositor Nathen Durasamy em uma proposta que cruza eletropop, arranjos orquestrais e experimentação. Com referências que passam por SOPHIE, Alice Glass, FKA twigs, Labrinth e Dmitri Shostakovich, o disco investiga a tensão entre o desejo de reconhecimento e a necessidade de permanecer longe dos holofotes, além de refletir sobre identidade artística e vivências pessoais. O prelúdio “High Water” introduz a atmosfera cinematográfica da obra, enquanto “Artisan Lover” evoca a mitologia grega por meio de arranjos dramáticos e “Wash It Out” aprofunda o diálogo entre pop experimental e elementos orquestrais. Em “Savage White Swan”, camadas sombrias e melodias de pop alternativo acompanham conflitos internos e a perda de controle, ao passo que “The Hearse” combina texturas inquietantes e sonoridades pouco convencionais para traduzir a paranoia. Na faixa-título, a dupla confronta a necessidade de aprovação, o preconceito racial e as expectativas impostas às mulheres. Já “Valkyries” aposta no art-pop teatral para abordar a desilusão com figuras idealizadas e vínculos prejudiciais. Em outra direção, “Silicone Sunshine” retrata o anseio por um romance perfeito e correspondido, distante das imperfeições da realidade, enquanto “His Neck Is Fragile, Same as Mine” encerra o repertório com uma narrativa em que afeto e violência se aproximam, revelando a vulnerabilidade compartilhada entre duas pessoas. Ao longo do trabalho, a expressividade pop de Aurora se une ao domínio de composição e orquestração de Nathen, dando forma a uma estreia ambiciosa que transforma inquietações pessoais em uma experiência sonora inventiva e teatral.

• TEILZ – come to mommy
(Many Hats)

A DJ, produtora e artista Allie Teilz direciona sua experiência nas pistas em TEILZ, projeto autoral que estreia em formato de álbum com come to mommy. O trabalho reflete um período de profundas transformações pessoais, atravessado pelo término de um relacionamento de seis anos, desafios inesperados e uma experiência traumática durante o parto. Com o apoio de amigas e artistas como Lily Allen e Kelly Lee Owens, a musicista encontrou forças para reconstruir sua identidade e resgatar a autoconfiança. Ao lado de Nick Sylvester (The Dare) e Jorge Elbrecht (Sky Ferreira, Japanese Breakfast), responsáveis pela produção, ela explora conflitos internos, autodescoberta e recomeços em uma sonoridade que aproxima o hedonismo das pistas do Studio 54 da irreverência do punk feminista. Entre suas principais referências estão Blondie, Madonna, Peaches, CSS, DFA, Soulwax e Sleater-Kinney.

O repertório começa com “pretty please”, que brinca com jogos de poder e sedução sobre uma base inspirada no rocksteady. Em seguida, “potion” transporta para um cenário vibrante e fantasioso, embalado pelo espírito das discotecas dos anos 1970. Já “tiger” aposta em uma atmosfera sombria de dream pop para retratar os riscos e as fragilidades do desejo, enquanto “double” traduz os excessos de um envolvimento intenso e turbulento em sintetizadores luminosos, percussão marcante e nuances disco. Mais adiante, “17” resgata as inquietações da juventude em uma mistura de post-punk, funk e new wave. Em “imagine that!”, a tentativa de eliminar a presença de alguém tóxico se transforma em um processo de autodestruição. Com a participação de Channel Tres, “type of girl pt. 2” investe na disco house para defender a autonomia dentro de um romance, enquanto “divertido” exalta a euforia de aproveitar o presente sem preocupações com o futuro. As guitarras de inspiração em Nile Rodgers e as batidas precisas de “murmurs” acompanham o retrato de um amor vulnerável, atravessado pela distância emocional, enquanto em “angel in the darkness”, as referências ao dance-rock do início dos anos 2000 dão forma a uma paixão de efeito quase entorpecente. O encerramento chega com “back from the dead”, síntese da jornada proposta pelo álbum, que transforma o renascimento emocional em uma oportunidade de enfrentar os medos e reencontrar a beleza da vida. Em come to mommy, TEILZ converte sua intimidade com a cultura clubber em um conjunto de canções irreverentes, sensuais e movidas pelo prazer de dançar.

• Dawn Richard – creole culture
(Merge)

Com o álbum creole culture, a artista de pop experimental Dawn Richard conclui a trilogia iniciada com new breed, de 2019, e continuada por Second Line, lançado em 2021. Enquanto o primeiro trabalho apresenta a história de Nova Orleans sob a perspectiva de seu pai, o segundo explora as memórias e o olhar de sua mãe. Ainda faltava, porém, registrar a própria experiência da cantora. Neste capítulo final, Richard se une ao Katalyst, coletivo fundado pelo baterista e produtor Greg Paul, para expandir os horizontes da obra com uma abordagem mais suave e musicalmente elaborada, articulando diferentes estilos e completando seu retrato pessoal da cidade.

Com a participação de Big Freedia, a faixa de abertura, “a creole culture intro”, estabelece o clima festivo do repertório. Em seguida, “enough” mistura ritmos jamaicanos e metais de jazz em uma reflexão sobre autoestima e valorização pessoal, enquanto “only fans” aposta em uma batida garage e provoca discussões sobre a vigilância constante exercida sobre artistas independentes. Ao lado de Anjelika Jelly Joseph, “chuuuuurch” aproxima gospel, bounce e dance music, evocando a energia de Crystal Waters e La Bouche em uma narrativa de superação e autodescoberta. Já “groove city” homenageia o legado de Frank Richard, pai da cantora e integrante do grupo Chocolate Milk, ao incorporar um sample da música homônima a uma produção dançante de drum ‘n’ bass.

A variedade de referências segue em “l v r”, colaboração com Tarriona “Tank” Ball que entrelaça harmonias fluidas e graves eletrônicos, e “pilates”, que explora uma combinação de bossa nova e soul. Em “baby, can we?”, o dueto com Durand Bernarr articula elementos do soul de Nova Orleans e do R&B progressivo, enquanto “motives” incorpora cadências de afrobeats para contrastar o desejo casual com a procura por compromisso amoroso. Na sequência, “fiesta” combina ritmos afro-latinos e influências caribenhas, ressaltando as conexões culturais que moldam a identidade musical da cidade. “faith in the fire” abandona parte do dinamismo rítmico em favor de uma atmosfera intimista, próxima do folk, na qual a expressividade vocal de Richard conduz um momento de introspecção e conclui a trilogia com um retrato mais pessoal de sua trajetória.

• HAAi – DIGITiSE
(Mute)

A DJ e produtora Teneil Throssell (a.k.a. HAAi), apresenta DIGITiSE, álbum complementar a HUMANiSE que direciona sua abordagem conceitual para as pistas de dança, aprofundando a reflexão sobre a relação entre o humano e o digital. Com batidas intensas, linhas de baixo pulsantes, ritmos motorik hipnóticos e diversas colaborações, o trabalho transforma esse contraste em uma experiência imersiva voltada para os clubes. A abertura com “RE-HUMANiSE”, parceria com Kaiden Ford e ILĀ, conecta a atmosfera coral e introspectiva do disco anterior a uma proposta mais dançante. Na sequência, a vinheta techno experimental “Printerlude” incorpora ruídos de copiadoras e mensagens telefônicas, enquanto “Ignition”, com Echonomist, explora as pulsações do tech house e do techno underground.

A faixa-título celebra a união, o sentimento de pertencimento e a euforia compartilhada na pista de dança. Em “Technology”, texturas distorcidas e ritmos fragmentados evocam a precisão das máquinas, enquanto “HUMANiSE Radio” reafirma a intensidade da pesquisa eletrônica de HAAi. A sequência ganha contornos mais diretos em “THANK U”, marcada por uma construção rítmica consistente, antes de chegar a “I Wanna Feel Like Someone”, com James Massiah, que alterna densidade sonora e momentos de respiro. Encerrando o repertório, “Talking Walls”, colaboração com Skybreak e o coral infantil colombiano Cantoalegre, combina vocais etéreos a elementos eletrônicos inspirados no dubstep, construindo uma composição emotiva sobre a celebração da vida e a importância dos laços humanos diante dos conflitos.

• METTE – COMING OF AGE
(Grand Darling)

Em seu álbum de estreia, COMING OF AGE, a cantora, dançarina e atriz Mette Towley (a.k.a. METTE) mistura disco, dance pop, funk e R&B em um repertório que une energia, sensualidade e questionamentos sobre identidade e amadurecimento. A abertura com “SMALL WORLD” evoca referências como Janet Jackson, Paula Abdul e Prince, enquanto a faixa-título combina batidas dançantes e elementos disco para refletir sobre o crescimento e a afirmação pessoal. “THE MOVEMENT”, com influências do Hi-NRG e ecos de “Maniac”, celebra a liberdade de expressão por meio da dança, seguida por “TANGERINE SKY”, que aborda o amor em uma produção próxima ao Miami Bass. Em “SAUVIGNON” e “HOLLYWOOD FOREVER”, a artista explora caminhos melódicos do funk groove e R&B, enquanto “BOIL THE OCEAN” resgata a estética do pop oitentista com sintetizadores e guitarras para discutir ambição, insegurança e os limites entre poder e controle. Na reta final, “MULTIPLY” e “SELF PORTRAIT” apresentam arranjos mais contidos, sem abandonar o dinamismo que caracteriza o projeto, encerrando uma jornada marcada pela descoberta de si mesma e pela busca de autonomia.

• Girl Ultra – RRRomeo
(Big Dada)

Em RRRomeo, a mexicana Mariana de Miguel (a.k.a. Girl Ultra) aborda o romance como um ato de rebeldia, reunindo histórias sobre desejo, amizade, desilusões e intimidade, inspiradas em pessoas e personagens reais ou fictícios. Em vez de se prender às lembranças, a cantora transforma as próprias experiências em ponto de partida para uma renovação artística pautada pela experimentação e pela liberdade criativa. Coproduzido com a dupla Chromeo, o álbum transita entre synth-funk, pop oitentista, new wave, R&B alternativo e guitarras distorcidas para explorar as contradições das relações afetivas. A breve introdução “¡El groove de Romeo!” funciona como um mantra provocativo que apresenta a atmosfera do disco, enquanto “Te Caigo” aposta em melodias contagiantes e referências à new wave para celebrar a iniciativa de viver o presente. Em “Mentirasmentiras”, a parceria com Buscabulla combina pop e R&B sombrio, com texturas inspiradas nos anos 1980, para retratar os efeitos de uma relação marcada por falsidades. Já a faixa-título aborda a sexualidade feminina com irreverência e atitude, enquanto “Denisse” mescla dub, reggae e elementos pop em uma reflexão sobre o amadurecimento e as lembranças de uma amizade de infância. Com a participação do Chromeo, “Ironía” explora a atração física por meio de uma sonoridade disco setentista que remete a Cerrone e Giorgio Moroder. Em “Ramera”, colaboração com Jean Tonique, o groove dançante e as referências oitentistas acompanham uma ressignificação de termos pejorativos associados à liberdade sexual, transformados em símbolos de autonomia feminina. O encerramento fica por conta de “Tomás”, que reúne Empress Of e um sample de “Artık Sorma Beni”, da cantora turca Gülden Karaböcek, em uma provocação bem-humorada sobre romper com uma relação tóxica e reconquistar a independência.

• Cameron Winter – Live at Carnegie Hall
(Partisan)

O cantor e compositor Cameron Winter, vocalista do Geese, apresenta Live at Carnegie Hall, registro ao vivo que destaca a força de suas composições em versões intimistas conduzidas por voz e piano. Gravado no tradicional Carnegie Hall, em Nova Iorque, o álbum transforma elementos do indie rock e do folk em interpretações de caráter teatral, marcadas por variações vocais, melodias delicadas e momentos de crescente intensidade. Entre as faixas, “It All Fell in the River”, “Try as I May”, “Emperor XIII in Shades”, “The Rolling Stones”, “Love Takes Miles”, “Drinking Age”, “Cancer of the Skull”, “If You Turn Back Now”, “Nina + Field of Cops”, “$0”, “Take It With You” e “Vines” revelam diferentes nuances da escrita do artista, que transita entre angústia, espiritualidade, ironia e vulnerabilidade. Enquanto “If You Turn Back Now” e “$0” se destacam pela carga dramática, “Love Takes Miles” evidencia a força melódica de seu repertório em uma abordagem despojada. Ao dispensar arranjos elaborados, Winter coloca sua interpretação em primeiro plano e reafirma a personalidade singular de seu trabalho solo.

• Sheryl Crow – Pick You Up
(Thirty Tigers)

O álbum Pick You Up, de Sheryl Crow, resgata a essência do country rock, do folk e da americana em sete composições que equilibram arranjos orgânicos, melodias envolventes e temas ligados à esperança, à solidariedade e aos direitos civis. Fiel à personalidade artística que marcou sua trajetória, a cantora aborda questões pessoais e coletivas com franqueza e sensibilidade. Na balada “Freight Train”, reflete sobre a solidão e a necessidade de reconstruir conexões após o isolamento provocado pela pandemia, enquanto a delicada “Perfect” acrescenta uma dimensão intimista ao repertório. Com guitarras elétricas e andamento moderado, a faixa-título, reforça a importância do amparo mútuo diante das incertezas. Já “Flat Earth” aposta em uma atmosfera de blues rock para questionar a desinformação e chamar atenção para a crise ambiental. Em “I’ve Got Your Number” e “Heaven Help Us”, Crow examina os conflitos sociais e políticos, destacando as dificuldades de diálogo e a urgência da compreensão entre diferentes perspectivas. “Freedom Bus”, faixa que encerra o disco, combina rock de raízes com influências de blues, junto a Jesse Welles, artista conhecido por aproximar o folk de protesto da intensidade do rock, com uma mensagem de defesa da liberdade, do respeito às diferenças e da importância da memória histórica. Pick You Up transforma experiências pessoais e questões sociais em reflexões sobre empatia, união e responsabilidade coletiva.