Os 50 melhores discos de 2021

50. Peakes
(Peripheral Figures)

O disco de estreia do trio Peakes é uma viagem pop astral sentimental. Com uma série de influências e gêneros dos anos 80, Peripheral Figures é uma combinação perfeita de sintetizadores cósmicos, batidas eletrônicas eufóricas e o vocal envolvente de Molly Puckering – que se concentra no renascimento eletrônico liderado por mulheres dos anos 90/00, com Portishead, Goldfrapp e Moloko – em uma série de composições sobre relacionamentos (“Day And Age”), isolamento (“Nameless Machines”) e escapismos idealizados durante a pandemia (“Clouds”). Usando as lentes da nostalgia como uma espécie de refúgio, suas paisagens oníricas conduzidas por sintetizadores desafiam qualquer senso de tempo e lugar: seu som é ao mesmo tempo atual, mas transportável como uma memória.

• Coloque para tocar: “Day & Age”

49. Remi Wolf
(Juno)

Remi Wolf entrega um alt-pop funk, influenciado por nomes como Beck e Nile Rodgers, com batidas experimentais e uma colagem de parâmetros para elucidar um universo colorido e disfuncional. No vasto escopo de Juno, discute romances como lutas de MMA com Conor McGregor (“Front Tooth”), uma vida sem amigos (“Anthony Kiedis”), empoderamento feminino, fantasias sexuais (“Sexy Villain”), vulnerabilidades (“Buzz Me”) e irritações (“Grumpy Old Man”) com um ar de deboche e curtição distinta ao jogar tudo na mesa sem papas na língua.

• Coloque para tocar: “Sexy Villain”

48. Sleigh Bells
(Texis)

Em Texis, o duo noise pop Sleigh Bells, de Alexis Krauss e Derek Miller, recupera a fórmula alucinante, incendiária e adocicada que os catapultou há dez anos com o disco de estreia Treats. O álbum soa como um dèja vú impecavelmente exaltado (“Justine Go Genesis”, “Hummingbird Bomb”) em guitarras robustas, beats eletrônicos frenéticos, sintetizadores impactantes e vocais angelicais (“Locust Laced”) – com direito a momentos de pura bonança (“True Seekers”) – para recuperar de fato o nome do grupo ao centro das atenções.

• Coloque para tocar: “SWEET75”

47. Ducks Ltd.
(Mordern Fiction)

O duo canadense do Ducks Ltd. (ex-Ducks Unlimited), de Tom McGreevy e Evan Lewis, desenvolve um som nostálgico, ensolarado e cinematográfico com a fórmula jangle pop de guitarras arpejadas e belas orquestrações em seu trabalho de estreia. Mordern Fiction traz uma coleção de composições cativantes (“18 Cigarettes”), como um harmonioso encontro do Belle and Sebastian com o The Drums, ao sondar a sociedade contemporânea em declínio e desastres humanos em grande escala por meio de turbulência pessoal (“How Lonely Are You?”, “Under The Rolling Moon”)

• Coloque para tocar: “Under the Rolling Moon”

46. Julien Baker
(Little Oblivions)

Little Oblivions, o sucessor de Turn Out the Lights, é o terceiro álbum de estúdio de Julien Baker. Nele, a artista tece uma autobiografia inflexível com experiências assimiladas (“Heatwave”) e observações angustiantes, elevando a capacidade para contar histórias a novos patamares (“Faith Healer”) em letras saturadas de impacto emocional (“Favor”) e brutalmente sinceras. A inclusão de uma banda completa no disco é uma cartada primorosa que permite a Baker adicionar uma nova camada ao trabalho e realçar suas composições de maneira fascinante (“Hardline”).

• Coloque para tocar: “Hardline”

45. St. Vincent
(Daddy’s Home)

Daddy’s Home é um álbum com uma chama de nostalgia, glamour e reinvenção, tanto musical quanto visualmente, no catálogo de Annie Clark (a.k.a. St. Vincent). É repleto de referências à cultura pop, sejam literais (“Melting of the Sun” e suas alusões à dor de mulheres famosas) ou musicais. Inspirado pelo soft rock, funk, soul e psicodelia dos anos 70 – de Bowie (“Pay Your Way In Pain”) passando por Sly and The Family Stone à Pink Floyd -, o trabalho traz uma das narrativas pessoais mais substancias que a artista ofereceu em anos, sendo moderadamente inspirada pela libertação de seu pai da prisão após 10 anos – o quão pessoal ou não o registro é, só se pode especular.

• Coloque para tocar: “Pay Your Way In Pain”

44. Dawn Richard
(Second Line)

Second Line é um álbum conceitual e uma experiência sensorial extravagante. Exibe o domínio da artista pop experimental Dawn Richard (ex-Danity Kane) na produção de gêneros musicais que passam pelo house, footwork, R&B, trap, música clássica (“Le Petit Morte (a lude)” na melodia de “Sonata ao Luar” de Beethoven) e mais. A história do disco é centrada na persona de Dawn, King Creole, uma garota negra do sul em uma encruzilhada na carreira artística (“Jacuzzi”). Para seguir em frente, ela decide olhar para trás, mas onde o álbum anterior (new breed) teve influência do pai, desta vez ela é iluminada pelas palavras da própria mãe.

• Coloque para tocar: “Boomerang”

43. TORRES
(Thistier)

Thirstier marca um regresso em direção a um som maior e impulsivo para Mackenzie Scott (a.k.a. TORRES) nas canções feitas sob medida para um novo capítulo. Produzido ao lado de Rob Ellis (PJ Harvey, Marianne Faithfull), o registro acumula canções de amor sob inúmeras lentes em guitarras angulares e refrões nervosos que enrodilham na linha do art rock. São romances construídos em falsas promessas (“Don’t Go Puttin Wishes in My Head”), intensidade (“Hug From a Dinosaur”) e que não conhecem a escassez (“Thirstier”) sob o olhar singular de Scott.

• Coloque para tocar: “Thistier”

42. Jungle
(Loving In Stereo)

Os produtores Josh Lloyd-Watson e Tom McFarland, responsáveis pelo Jungle, retornam com a trilha sonora da era pós-distanciamento social, com uma celebração de todas as coisas que tornam a música irresistivelmente divertida, animando as pistas de dança e a própria vida. Loving In Stereo aumenta o campo criativo e refinado dos artistas ao incorporar corais (“Keep Moving”), breakbeat (“Talk About It”), hip hop (“Romeo” com o rapper Bas) e motorik (“Truth”) em suas produções eletro funk soul arrebatadoras de vocais comoventes e batidas sedutoras.

• Coloque para tocar: “Truth”

41. Django Django
(Glowing in the Dark)

Glowing in the Dark é mais um ato de maestria pop do quarteto britânico Django Django. Combina pop psicodélico, rock espacial, krautrock, folk e indie dos anos 2000 de forma coesa e apurada. É um disco que tem como tema o escapismo da realidade em números que transparecem serenidade (como a instrumental “The Ark”) e fascinação (“Right the Wrongs”, “Glowing in the Dark”) nas melodias extremamente cativantes e acompanhamentos vigorosos. Destaque para os vocais de Charlotte Gainsbourg na agridoce “Waking Up”, uma viagem romântica de pura nostalgia inspirada em “You Really Got Me” do The Kinks.

• Coloque para tocar: “Glowing in the Dark”

40. IAN SWEET
(Show Me How You Disappear)

Show Me How You Disappear é um exercício de auto perdão e uma percepção final de traumas não resolvidos (“Drink The Lake”). O terceiro registro de Jilian Medford, como IAN SWEET, entende-se em um momento agudo de sua vida, desde uma crise de saúde mental até um processo de cura intensivo e o que vem depois. São melodias atordoantes exploradas num som acústico sinuoso e sintetizado (“Sing Till I Cry”) complementado pelo vocal visceral da artista que soa alguém batalhando consigo (“Sword”) e recompondo-se (“Power”) para lembrar de como viver.

• Coloque para tocar: “Drink The Lake”

39. Pom Pom Squad
(Death of a Cheerleader)

Na estreia Death Of a Cheerleader, o quarteto nova-iorquino Pom Pom Squad, liderado pela vocalista e guitarrista Mia Berrin, traz uma colagem sonora de odes à identidade pessoal, ataques ásperos contra as asneiras da sociedade (“Head Cheerleader”) e retratos de casos de amor desgastantes (“Lux”, inspirada na personagem de ‘As Virgens Suicidas’). Com um indie rock animoso e multifuncional, o grupo explora o universo de girl groups dos anos 1950 / 60, com influência de doo wop (“Crimson + Clover”, cover de Tommy James and the Shondells), e uma energia riot grrrl punk cinematográfica (“Crying”).

• Coloque para tocar: “Crying”

38. Lingua Ignota
(SINNER GET READY)

Kristen Hayter, a multi-instrumentista com formação clássica, artista performática e vocalista conhecida como Lingua Ignota, combina suas afinidades com a investigação espiritual e esotérica com heavy metal, ópera e eletrônica. SINNER GET READY é um retrato catártico de devoção e traição, julgamento e consequência, ambientado na paisagem abandonada da Pensilvânia rural. A habilidade distinta de Hayter de tecer o alegórico com o trauma pessoal é ainda mais refinada, conforme lamentações íntimas sobre abandono e solidão são entrelaçadas com referências ao folclore holandês da Pensilvânia (“PENNSYLVANIA FURNACE”), ressurreição e clemência (“PERPETUAL FLAME OF CENTRALIA”) numa jornada espiritual para administrar as próprias angústias.

• Coloque para tocar: “PENNSYLVANIA FURNACE”

37. CHVRCHES
(Screen Violence)

O CHVRCHES incorpora a experiência digital em um álbum sobre a distopia na era dos celulares e aplicativos (“Lullabies”). Finalizado com seus integrantes separados por continentes, o registro restabelece o tom lírico – com as melhores composições da banda até então e que vão de estado mental a feminismo (“He Said She Said”, “Good Girls”, “Final Girl”) -, a vibrante produção synthpop cinematográfica focada em filmes de horror dos anos 80, o vocal dinâmico de Lauren Mayberry e aventuras por novos territórios (“How Not to Drown”) na companhia de Robert Smith (do The Cure). Em Screen Violence, o trio volta aos trilhos numa amálgama de sentimentos e refrões gloriosos.

• Coloque para tocar: “Good Girls”

36. Mini Trees
(Always In Motion)

A cantora e compositora Lexi Vega (a.k.a. Mini Trees) coloca uma reflexão de memórias pacíficas do passado e olhar receoso para o futuro em seu material de estreia. O resultado é uma coleção pura e introspectiva de canções indie pop rock – que ela define como ‘living room pop’ e com potencial de satisfazer o público de Mitski – para refletir uma ansiedade coletiva sobre as incertezas da vida (“Moments in Between”, “Carrying On”), relacionamentos (“Spring”) e deduzir que as mudanças devem vir de um olhar introspectivo (“Cracks in the Pavement”).

• Coloque para tocar: “Underwater”

35. Lana Del Rey
(Blue Banisters)

O segundo álbum do ano de Lana Del Rey, o sucessor de Chemtrails Over the Country Club, é uma coleção de memórias nebulosas, romances fracassados (“Blue Banisters”), momentos apaixonantes (“Wildflower Wildfire”), solidariedade feminina e união familiar (“Sweet Carolina”). Com a saída do produtor Jack Antonoff de cena, as canções ganham a assinatura de produtores menos conhecidos, como Gabe Simon e Drew Erickson, em montagens orquestrais grandiosas – incluindo uma versão repaginada de um clássico do falecido compositor Ennio Morricone (“Interlude – The Trio”) -, momentos folk íntimos (“Nectar of the Gods”, “Text Book”), uma parceria jazzy rock com Miles Kane (“Dealer”), o resgate da demo “Thunder” (sem o The Last Shadow Puppets), seções atraentes de sopro (“If You Lie Down With Me”) e baladas singelas no piano (“Beautiful”, “Living Legend”) em peças clássicas envolvidos pela aura nostálgica e poética que esplandecem o universo individual de Del Rey.

• Coloque para tocar: “Thunder”

34. Cassandra Jenkins
(An Overview on Phenomenal Nature)

An Overview On Phenomenal Nature é uma meditação sobre o estado do mundo em constante transformação através de sete faixas que estendem a arte de Jenkins ao seu limite. Suas observações capturam a humanidade e a natureza ao seu redor (“Crosshairs”), bem como padrões de pensamento, memórias (“Hard Drive”) e tentativas de estar presente ao lidar com a dor e a perda. Com uma voz singular, a artista canaliza essas ideias numa odisseia chamber pop, folk e jazz em letras que transparecem mundos mágicos e um elenco de personagens distintos.

• Coloque para tocar: “Hard Drive”

33. Adele
(30)

Em 30, o disco de divórcio de Adele como muitos o chamam, a britânica fala abertamente sobre relacionamentos tóxicos, culpa, solidão e amor próprio de forma apropriada (como na conversa com filho em “My Little Love” e que procura palavras para explicar a separação) com a capacidade de ferir os corações mais gelados (“To Be Loved”). O foco é encontrar a identidade fora de um relacionamento romântico e a busca por apaixonar-se por si mesma – solteira ou acompanhada – novamente. A cantora volta com seu pop clássico com piano (“Easy On Me”), mas ao mesmo tempo evita permanecer na zona de conforto ao incorporar elementos da Motown (“Love Is A Game”), reggae (“Cry Your Heart Out”), folk pop (“Can I Get It”), afrobeat e batidas dançantes (“Oh My God”) na produção.

• Coloque para tocar: “Oh My God”

32. Faye Webster
(I Know I’m Funny haha)

Em seu quarto registro de estúdio, a cantora e compositora Faye Webster transparece desejos românticos, decepções, inseguranças (“I Know I’m Funny haha”) e autodescoberta (“In a Good Way”) com fascínio e ironia. Através de sua sonoridade folk americana escoltada por uma atmosfera soul retrô, em precisos arranjos de cordas (“A Stranger”) e saxofones (“A Dream with a Baseball Player”), a artista ganha uma confiança extra para ser honesta em sua escrita e afrontar sua vulnerabilidade.

• Coloque para tocar: “Cheers”

31. PinkPantheress
(to hell with it)

to hell with it é a mixtape de estreia de PinkPantheress, batizada com o nome da conta TikTok que tornou a cantora e produtora britânica famosa meses atrás. O energético material traz batidas de garage (“Break It Off”), drum n bass (“I must apologise”), house clássico (“Gypsy Woman”), essência dos anos 90 (“Pain” com sample de “Flowers” do Sweet Female Attitude) e brasilidade (“Nineteen” com o sample de “Outro Lugar” de Toco) em uma infinidade de samples assertivos conduzidos pela voz doce e inocente da artista. São canções que não têm mais de três minutos de duração, mas revelam uma promessa para os próximos anos.

• Coloque para tocar: “Just for me”

30. Lost Girls
(Menneskekollektivet)

Os noruegueses do Lost Girls, da artista e escritora Jenny Hval e o multi-instrumentista Håvard Volden, lançam seu primeiro álbum após trabalharem juntos por mais de dez anos. São músicas luminosas entre batidas de clubes, texturas de guitarra improvisadas, palavras faladas, vocais melódicos e linhas de sintetizadores que trafegam por terrenos abstratos e harmônicos. Uma obra experimental breve de canções atrativas e sentimentais.

• Coloque para tocar: “Losing Something”

29. Grouper
(Shade)

Em Shade, Liz Harris, também conhecida como Grouper, carrega uma coleção de canções que abrange 15 anos e que soa mais como uma compilação do que como um álbum em si. São músicas de caráter fantasmagórico sobre memórias, perdas (“Followed the Ocean”) e confissões amorosas (“Unclean Mind”) concebidas num clima opressivo através da música ambiente, folk, slowcore e lo-fi. Em todo o registro, Harris desenvolve uma linguagem íntima e radiante na voz e no violão de maneira particular, com aspectos de produções inacabadas em fitas mal preservadas (“Disordered Minds”, “The way her hair falls”), a ponto de se conectar facilmente com o ouvinte para livrar-se do obscurantismo exposto nas letras e encontrar um feixe luminoso de esperança (“Kelso (Blue Sky)”).

• Coloque para tocar: “Unclean Mind”

28. Lotic
(Water)

No segundo disco de estúdio, a artista de música eletrônica experimental J’Kerian Morgan (a.k.a. Lotic) compartilha uma meditação terna sobre as perdas e força vital do amor (“Always You”), linhas do tempo, linhagem (“Come Unto Me”) e resiliência (“Emergency”). São relatos emocionantes de relacionamentos amorosos com os outros e consigo mesma, com a ancestralidade e a identidade marcadas com ênfase no surreal e dramático vocal em falsete da artista. São números atemorizantes e de caráter sobrenatural construídos em sintetizadores, harpas, sinos celestiais e ritmos de 808 desordenados que evocam entidades musicais de Björk, ANOHNI, Burial, Arca, FKA twigs e Joanna Newsom. Water adiciona a qualidade assombrosa do canto de sereia a uma carreira marcada por sua subjetividade envolvente.

• Coloque para tocar: “Come Unto Me”

27. SAULT
(NINE)

NINE, com produção de Inflo e colaborações especiais de Michael Ofo e Little Simz, conta com uma coleção de joias inspiradas pela música soul, funk, jazz, R&B, gospel, afrobeat e pós-punk nos ideais dos primeiros registros (5 e 7) do coletivo. No entanto, assim como os discos Untitled (Black Is) / Untitled (Rise) serviram perfeitamente como trilha sonora para os movimentos Black Lives Matter no ano passado, o SAULT não abandona o tema e volta a tocar em tópicos como racismo, de forma irônica e dolorosa (“You From London”), e esperança (“Light’s In Your Hands”) com o tom certo da sua musicalidade.

• Coloque para tocar: “9”

26. Xenia Rubinos
(Una Rosa)

Xenia Rubinos passeia por gêneros musicais para nutrir canções poderosas e comoventes com uma versatilidade e destemor exemplar. Seus vocais resistentes, que se estendem e distorcem de forma espontânea, atravessam por uma combinação eclética e cinematográfica de eletropop (“Did My Best”), rumba (“Sacude”), hip hop e jazz (“Ay Hombre”), mas com um olhar admirável na cultura hispânica. Una Rosa é completo de cores, desenhando muito do som multi cromático a partir das cores fluorescente do art pop, para ilustrar temas políticos (“Working All The Time”, “Who Shot Ya?”), místicos e pessoais (“Don’t Put Me In Red” em que aborda o racismo e “latina lighting” que sofria em apresentações).

• Coloque para tocar: “Who Shot Ya?”

25. Helado Negro
(Far In)

Quando Roberto Carlos Lange (a.k.a. Helado Negro) começou a escrever Far In, imediatamente após o lançamento de seu aclamado This is How You Smile, ele não poderia ter previsto que logo precisaríamos aprender a ficar em casa e ser as estrelas de nossas pistas de dança domésticas com pessoas íntimas e comunidades online. As canções remetem a infância (“La Naranja”) e juventude (“Gemini e Leo” e “Outside the Outside”) de Lange crescendo no sul da Flórida, ouvindo canções dos clubes dos anos 80, um retorno ao hip hop dos anos 90 e algumas de suas raízes musicais. São visões do passado e do futuro que se deparam numa euforia de beats eletrônicos simétricos, linhas de baixo funky, sintetizadores cósmicos, o universo melancólico do folk e vocais de apoio brilhantes (como Kacy Hill, Buscabulla e Benamin) numa criação de um universo de constelações.

• Coloque para tocar: “Outside the Outside”

24. Tirzah
(Colourgrade)

Após três anos do álbum de estreia, Devotion, a cantora e compositora de art pop eletrônica Tirzah, em parceria com os colaboradores de longa data Mica Levi e Coby Sey, vai além com seu R&B artisticamente desmantelado com uma sonoridade mais ofensiva, alienada e estranhamente familiar. As canções cristalinas e mínimas da artista têm uma capacidade fantástica de evocar um universo misterioso enfatizando a voz sobre beats e sintetizadores hipnóticos. Sõ números que demonstram confiança e vulnerabilidade em temas como amor (“Sink In”), maternidade (“Tectonic”), relações pessoais (“Hive Mind”) e novos começos (“Send Me”) através de sonâncias e texturas extravagantes sobrecarregadas de interpretação.

• Coloque para tocar: “Sink In”

23. The Weather Station
(Ignorance)

O The Weather Station, projeto da cantora e compositora canadense Tamara Lindeman, apresenta o quinto registro da carreira. No trabalho, produzido pela artista e Marcus Paquin (Arcade FireThe National), o folk dos disco anteriores é denegado para a artista aventurar-se por paisagens sonoras do art rock dos anos 1980. É um registro profundamente rítmico e doloroso em letras sobre conflitos (“Parking Lot”), crises climáticas (“Atlantic”) e um narrador que confronta personagens que se apartam do amor (“Tried to Tell You”).

• Coloque para tocar: “Tried to Tell You”

22. Arlo Parks
(Collapsed In Sunbeams)

No disco de estreia, a jovem cantora, compositora, produtora e poeta Arlo Parks reexamina a desafortunada adolescência inspirada em nomes como Allen Ginsberg, Sylvia Plath, Jim Morrison e Fela Kuti. Suas canções são como fotografias íntimas que manifestam amores platônicos (“Eugene”), romances desgastados (“Caroline”), inseguranças (“Green Eyes” com os vocais de Clairo), saúde mental (“Black Dog”) e mensagens de esperanças (“Hope”) protegidas por um soul pop R&B acolhedor e sofisticado.

• Coloque para tocar: “Hope”

21. Arca
(KicK iii)

O terceiro álbum da antologia da série KICK da venezuelana Alejandra Ghersi (a.k.a. Arca) é uma exploração no universo eletrônico experimental e desconstruído da artista em números caóticos com versos urgentes sobre sexualidade, batidas pulsantes e um cenário eletrônico obscuro para criar um enredo extremamente ameaçador (“Morbo”, “Bruja”) e sensível (“Joya”). “Um portal direto para as paletas sonoras mais maníacas, violentamente eufóricas e agressivamente psicodélicas da série e a entrada mais incendiária no universo KICK”, segundo a própria.

• Coloque para tocar: “Incendio”

20. Lucy Dacus
(Home Video)

O terceiro registro de Lucy Dacus é um olhar nostálgico (“Hot & Heavy”) com a compaixão, o humor e a honestidade na escrita autobiográfica da artista. Retrata histórias de amadurecimento com memórias de infância e de como a religião foi ensinada a ser respeitada (“VBS”), a relação entre famílias atribuladas (“Thumbs”), a descoberta da sexualidade ser algo caótico e os relacionamentos amorosos juvenis idealizados para sempre (Brando”, “Christine”, “Going Going Gone” com Phoebe Bridgers e Julien Baker). Home Video transforma o diário de uma adolescência em contos musicados e certifica a capacidade da compositora de usar o pessoal como portal para o universal.

• Coloque para tocar: “Hot & Heavy”

19. Hana Vu
(Public Storage)

O bedroom pop dos EPs (How Many Times Have You Driven By e Nicole Kidman / Anne Hathaway) da musicista Hana Vu ganham uma atmosfera rock bombástica (“Heaven”) no disco de estreia, mas sem perder a sensibilidade própria. A artista varia de sintetizadores delirantes (“Keeper”), arranjos folk à la Sufjan Stevens, riffs de guitarra inspirados no grunge (“Gutter”) e indie rock ao explorar temas existenciais, fracassos, miséria coletiva (“Everybody’s Birthday”), medo de envelhecer, solidão e inseguranças (“World’s Worst”). Chega ao ponto de implorar por uma intervenção divina em sua vida (“Maker”) numa coleção de notas pessoais que sentiu ao longo dos anos. Public Storage transmite as desilusões de uma jovem encarando a vida adulta e expondo cada descoberta de maneira visceral nas composições.

• Coloque para tocar: “Maker”

18. Porter Robinson
(Nurture)

Após um hiato de sete anos, o compositor e produtor Porter Robinson volta com o aguardado segundo álbum de estúdio. Nurture é um disco sobre nostalgia, esperança, ansiedade, superação e renovação (“Look at the Sky”). Na euforia e esplendor de suas produções eletrônicas (“Something Comforting”), que parecem desabrolhar de um universo sci-fi e dos videogames (“do-re-mi-fa-so-la-ti-do”) – com influências de música clássica, j-pop, folk, eurodance -, há um retrato melancólico a ser abstraído em vocais que emanam otimismo numa celebração à vida (“Musician”).

• Coloque para tocar: “Look at the Sky”

17. Magdalena Bay
(Mercurial World)

O disco de estreia do duo indie eletropop Magdalena Bay chega depois deles tornarem-se conhecidos em plataformas como Tik Tok e Twitch. Mercurial World concilia pop psicodélico, funk (“Hysterial Us”), groove, sintetizadores pulsantes, batidas dançantes (“Chaeri”, “Secrets (Your Fire)”), samples distorcidos de videogame (“You Lose!”), riffs fartos de guitarra (“Domino”) e referências do universo de Grimes, CHVRCHES e Charli XCX. São canções charmosas e sedutoras sobre ansiedades, paranoias e crises existenciais acompanhadas do vocal inocente de Mica Tenenbaum e apropriadamente destinadas para a atual geração ativa nas redes sociais.

• Coloque para tocar: “You Lose!”

16. Dry Cleaning
(New Long Leg)

O disco de estreia da banda post-punk Dry Cleaning é a trilha sonora dos dias de isolamento e um lembrete para o “novo normal”. As músicas carregam um sentimento de alienação, escapismo (“Scratchcard Lanyard”), memórias (“Leafy”), paranoia, complicação amorosa (“Strong Feelings”) e preocupação. Mas, também há um humor irônico e perspicaz que converte o cotiado em algo intrigante no vocal em prosa e inexpressivo de Florence Shaw. A produção inspirada e entusiasta é de John Parish, parceiro de artistas como PJ Harvey e Aldous Harding.

• Coloque para tocar: “Strong Feelings”

15. Wet
(Letter Blue)

Letter Blue, o terceiro álbum de estúdio do Wet, marca o retorno do guitarrista Marty Sulkow ao projeto. Com uma lista fabulosa de colaboradores como Buddy Ross – produtor de Frank Ocean – (em “Larabar”, que evoca Jame Blake e Ocean), Toro Y Moi (“Far Cry”) e Blood Orange (“Bound”, levando-os à era Cupid Deluxe), o registro é um reordenamento na carreira do trio que volta a oferecer um R&B eletrônico mágico e sentimental. São composições impecáveis e sofisticadas em sintetizadores reverberantes, guitarras dedilhadas, arranjos esmerados e o vocal esculpido de delicadeza de Kelly Zutrau contornadas de emoções e conflitos (“Clementine”) que revertem num trabalho coeso com variadas dimensões (“Only One”).

• Coloque para tocar: “Larabar”


14. BABii
(MiiRROR)

A cantora e produtora de future pop Daisy Emily Warne (a.k.a. BABii) apresenta o álbum MiiRROR, o sucessor do excelente HiiDE, uma aventura eletrônica experimental e hipnótica através de batidas apreensivas, sintetizadores fragmentados, sonoridades etéreas e vocal frágil da artista. O disco, que traz à memória nomes como SOPHIE e Kelly Lee Owens, explora demônios pessoais (“SHADOW”) e anseios num conto onírico e real em sua duplicidade de emoções, relatos de abandono materno e infância caótica num experimento de fazer as pazes com o passado (“BRUiiSE”).

• Coloque para tocar: “Shadow”

13. Snail Mail
(Valentine)

Valentine foi escrito e produzido por Lindsey Jordan (a.k.a. Snail Mail) e coproduzido por Brad Cook (Bon Iver, Waxahatchee). O indie rock disciplinado da artista aborda estágios do amor (“Valentine”, “Madonna”), tratamentos em clínicas de reabilitação (“Ben Franklin”), crises existenciais (“c. et. al”) e sensação de vulnerabilidade diante de uma série de acontecimentos de forma reflexiva como se estivessem sido extraídas de diários. São números guiados por sintetizadores, guitarras, percussão e o vocal cru de Jordan que evoca uma nostalgia dos anos 90 com sonoridade prestigiada. Snail Mail pode até sentir-se insignificante no mundo, mas suas composições manifestam uma garota com uma obra triunfante nas mãos.

• Coloque para tocar: “Valentine”

12. Erika de Casier
(Sensational)

Sensational expande o universo do álbum de estreia da dinamarquesa Erika de Casier. Enquanto Essentials lidou mais com as etapas do amor e da paixão, Sensational garante mais atitude, com o objetivo de desarmar o estereótipo de mulheres solteiras em busca de afeto, lidando com relacionamentos dramáticos (“Busy”) e tóxicos (“Polite”). O registro é um respiro de ar fresco em números sedutores em todos os seus gêneros, tanto influenciados por Aaliyah e Janet Jackson quanto por house, garage e techno.

• Coloque para tocar: “Polite”

11. Sufjan Stevens & Angelo De Augustine
(A Beginner’s Mind)

Para gravar A Beginner’s Mind, Sufjan Stevens e Angelo De Augustine passaram um mês juntos em uma cabana no interior do estado de Nova Iorque, assistindo a filmes compulsivamente à noite e escrevendo canções na manhã seguinte. O projeto colaborativo é o que Simon & Garfunkel ou Elliott Smith poderiam entregar em tempos de pandemia em uma coleção de músicas conectadas aos clássicos do cinema – como ‘O Silêncio dos Inocentes’ (“Cimmerian Shade”), ‘O Mundo Fantástico de Oz’ (“Back to Oz”), ‘A Malvada’ (“Lady Macbeth in Chains”) e ‘Asas Do Desejo’ (“Reach Out”), por exemplo. Pegando um gancho com as tramas das telas, o duo manifesta de maneira abrangente memórias afetivas (“You Give Death A Bad Name”), fé, sexualidade, solidão e morte num indie folk gracioso e melancólico ao propor uma nova maneira de ver o mundo.

• Coloque para tocar: “(This Is) The Thing”

10. Indigo de Souza
(Any Shape You Take)

Any Shape You Take, coproduzido com Brad Cook (Bon Iver, The War on Drugs e Waxahatchee), é uma exploração lírica da mudança e do papel melancólico que a artista desempenha na experiência humana. O registro batalha com separações (“17”, “Kill Me”), tentativas frustradas de se apaixonar (“Hold U”), depressão, luxúria com porções de fúria (“Real Pain” é pura catarse nos gritos finais) e vulnerabilidade no repertório indie grunge pop de Souza que comanda o próprio caos existencial com prontidão.

• Coloque para tocar: “Hold U”

09. Art d’Ecco
(In Standard Definition)

O andrógino neo-glam art-rocker Art d’Ecco apresenta In Standard Definition, um álbum conceitual sobre entretenimento e a maneira como isso afeta nosso dia a dia (“TV God”, “Head Rush”). Unindo forças com o produtor Colin Stewart (The New Pornographers, Destroyer), o trabalho carrega uma estética vintage no recorte de sons autênticos, formando um reflexo musical de eras, que conjuram nomes como David Bowie, Brian Eno e David Byrne. Liricamente confunde fato e ficção, oscilando desde os dias de glória da era de ouro de ‘La La Land’ até a obsessão de hoje por celebridades e seu domínio sobre nós. Pura diversão com críticas excessivas.

• Coloque para tocar: “Head Rush”

08. L’Rain
(Fatigue)

A cantora, compositora e multi-instrumentista Taja Cheek (a.k.a. de L’Rain) exige introspecção de ouvidos atentos com uma variedade de teclados, sintetizadores e vocais assustadoramente delicados cercados por uma mistura de gêneros em texturas exuberantes que soam como colagens de obras de Erykah Badu, Animal Collective, Moses Sumney, Solange e Lianne La Havas. A artista explora perdas pessoais, relações tóxicas e lida com as mudanças em sua própria vida em números shoegaze pop que se transformam em hinos gospel (“Find It”), grooves que desmoronam para batidas dançantes delirantes e perturbadoras (“Kill Self”) ou experimentalismo jazz que flerta com uma natureza pop pura (“Blame Me”, “Two Face”).

• Coloque para tocar: “Kill Self”

07. Little Simz
(Sometimes I Might Be Introvert)

A cantora e rapper Little Simz oferece um clássico moderno em rimas autoconfiantes e suscetíveis sobre família (“I Love You, I Hate You”, “Miss Understood”), traumas (“Little Q, Pt. 2”), a indústria da música (“Standing Ovation”), empoderamento feminino, violência e despertar político (“Introvert”) em Sometimes I Might Be Introvert. A produção magistral de Inflo (conhecido por trabalhos com o SAULT e Michael Kiwanuka) e parcerias assertivas – com Cleo Sol (“Woman”), Obongjayar (“Point And Kill”) e a atriz Emma Corrin (a princesa Diana em ‘The Crown’) – constroem uma narrativa extraordinária na combinação de hip hop, jazz, blues, afrobeat, soul, funk, rock e gospel para potencializar a importância da artista.

• Coloque para tocar: “Rollin Stone”

06. Billie Eilish
(Happier Than Ever)

Billie Eilish atravessa com tranquilidade a prova do temido segundo disco de estúdio. Depois do sucesso estrondoso da estreia, When We All Fall Asleep, Where Do We Go?, a artista mergulha numa série de influências musicais, sem necessariamente repetir a fórmula anterior, para trazer temas como fama, desilusões e misoginia. Com uma produção imprevisível que distorce narrativas em torno de melodias R&B, batidas techno geradas de medo (“Oxytocin”), vocais de jazz (“my future”), rock (na metade da faixa-título), folk acústico (“Your Power”), pop minimalista (“Lost Cause”) e até bossa nova (“Billie Bossa Nova”), a garota cria um universo sufocante sobre ser uma celebridade e, ainda assim, uma adolescente em direção à vida adulta (“NDA”).

• Coloque para tocar: “Happier Than Ever”

05. Japanese Breakfast
(Jubilee)

Se nos discos anteriores, o Japanese Breakfast, projeto indie rock de Michelle Zauner, lidava com angústias e luto em sua sonoridade shoegaze, Jubille é uma tentativa incessante para encontrar a felicidade e superar traumas através de um alt-pop brilhante. O disco exala novos níveis de confiança e determinação, com arranjos triunfantes (“Paprika”) e alegres que servem para aumentar os vocais únicos de Zauner.

• Coloque para tocar: “Be Sweet”

04. Tyler, the Creator
(CALL ME IF YOU GET LOST)

Em seu primeiro lançamento desde o elogiado IGOR, Tyler, the Creator reúne amigos, incluindo Lil Wayne, Domo Genesis, Brent Faiyaz, Frank Ocean, Jamie xx (na co-produção de “RISE”) e muito mais. NBA YoungBoy e Ty Dolla $ign juntam-se ao rapper em “WUSYANAME”, enquanto Lil Uzi Vert e Pharrell Williams são convidados em “JUGGERNAUT”. Ele continua mostrando-se um produtor inventivo, recheando o álbum com arranjos maximalistas de trompas, passagens psicodélicas e samples bem selecionados. Aqui, assume o personagem do gangsta devaneador Baudelaire para ser o guia de uma viagem pelos pensamentos do artista sobre a busca por um relacionamento ideal (“WILSHIRE”), críticas sociais (“MASSA”) e a influência das pessoas que o cercam (“CORSO”).

• Coloque para tocar: “JUGGERNAUT”

03. Jazmine Sullivan
(Heaux Tales)

Jazmine Sullivan sempre cantou as dores do amor e nunca perdoou suas falhas. Em Heaux Tales (algo como “relatos de vadias”), a artista dá voz para as mulheres de hoje: o seu poder, sexualidade, valor e quem são. Mulheres multifacetadas, que não devem ser rotuladas (como canta em “Pricetags” com Anderson. Paak), e com uma jornada trilhada pelas próprias verdades. Seja quando são abandonadas por um homem e até que ponto vale a pena serem garotas bem-intencionadas (“Girl Like Me” com H.E.R.), tomam as rédeas de uma relação e sabem a hora de mandar o amante embora de casa (“Pick Up Your Feelings”) ou atestam um relacionamento desastroso por conta própria (“Lost One”). O disco, que parece uma irmã mais nova e imperativa de Lemonade e The Miseducation of Lauryn Hill, ganha força nos relatos de seis mulheres – confissões e observações arduamente obtidas – seguidas das canções que concretizam o projeto.

• Coloque para tocar: “Pick Up Your Feelings”

02. Wolf Alice
(Blue Weekend)

Com Blue Weekend, o quarteto indie britânico Wolf Alice apresenta uma obra-prima e digna para suceder o trabalho anterior (Visions of a Life). O terceiro registro de estúdio do grupo orbita por gêneros – que vai do pop rock dos anos 80 (How Can I Make It OK?) ao punk (“Play The Greatest Hits”) – de forma coesa e libertadora sob o olhar do produtor Markus Dravs (Florence and the Machine, Arcade Fire). As canções entregam em suas narrativa pessoais e honestas de Ellie Rowsell (“Smile”) cenários para cada uma das experiências relatadas. O trabalho joga com pontos fortes do trabalhos anteriores, com a nostalgia do indie rock dos anos 90, com novas qualidades e desafios (“The Last Man On Earth”) e uma narrativa cinematográfica.

• Coloque para tocar: “How Can I Make It Ok?”.

01. Self Esteem
(Prioritise Pleasure)

O segundo disco do Self Esteem, projeto de Rebecca Lucy Taylor (ex-integrante do Slow Club), é tudo o que a música pop deve ser: um grito de liberdade poderoso, honesto e empoderador. Os vocais da artista são ousados em temas como misoginia, objetificação sexual (“How Can I Help You” inspirada em “Black Skinhead” de Kanye West), relacionamentos conturbados (“John Elton”), estados de espírito (“Moody”), confiança (“You Forever” com sua atmosfera de HAIM) e posicionamento (“Prioritise Pleasure”). São canções que mantém um dinamismo pop, funk, gospel e rock ao desafiar uma sociedade que rebaixa as mulheres e um convite para embarcar na exaltada jornada de auto aceitação, amor próprio e fúria calculada por Taylor.

• Coloque para tocar: “You Forever”, “Moody” e “Prioritise Pleasure”

Playlist com as faixas dos melhores discos de 2021: