8 discos para ouvir hoje: Blood Orange, Tei Shi, Jehnny Beth, Nova Twins e mais

Blood Orange / Divulgação

Confira alguns dos principais lançamentos da semana para atualizar a sua playlist de discos favoritos. Entre eles estão os novos trabalhos de: Blood Orange, Tei Shi, CMAT, Jehnny Beth, The Beaches, Nova Twins, The Hives e Flyte.

Blood OrangeEssex Honey
(RCA Records)

Essex Honey marca o retorno de Blood Orange após sete anos desde Negro Swan. Nesse intervalo, Devonté Hynes permaneceu ativo como compositor, produtor e colaborador de nomes como, Lorde, Blondie, The Avalanches e Paul McCartney. O título faz alusão a Essex, condado próximo a Londres, evocando a juventude, a intimidade vivida fora do centro do mundo e a perda da mãe. Musicalmente, o álbum revela um artista em busca de conforto na música que sempre o acompanhou e na comunidade que construiu ao longo da carreira.

“Look At You” abre o disco com vocais suaves sobre camadas delicadas de sintetizador e violão dedilhado, conduzindo a uma reflexão melancólica sobre amor, ausência e a inevitabilidade da partida. Já “Thinking Clean”, guiada por piano virtuoso, cordas sutis e hi-hats que crescem até se fundirem em uma batida dançante, resgata memórias da juventude marcadas por perdas, isolamento e a vontade de escapar da própria realidade. Em “Somewhere in Between”, Hynes mescla uma produção de inspiração oitentista com toques de jazz, refletindo sobre as incertezas da maturidade e o contraste entre sonhos e as limitações da vida real.

“The Field”, com participações especiais de Caroline Polachek, Eva Tolkin, Tariq Al-Sabir e Daniel Caesar, utiliza o sample de “Sing to Me” do Durutti Column, entrelaçado a batidas eletrônicas moderadas, sintetizadores atmosféricos e arranjos de piano e violoncelo, para tratar da saudade e da dificuldade de superar a melancolia, encontrando refúgio apenas nas lembranças.

Em “Mind Loaded”, delicada e etérea, Lorde empresta sua voz em uma interpolação de Elliott Smith (“Everything Means Nothing to Me”), ao lado de Caroline Polachek e Mustafa. A faixa mergulha no isolamento e na turbulência emocional, evocando imagens de dias cinzentos e recordações fragmentadas. “Vivid Light” expressa frustração e desilusão frente à solidão, mas contrasta esses sentimentos com arranjos de flauta e piano, sustentados por uma batida de inspiração hip hop. Já “Countryside”, com Eva Tolkin, Liam Benzvi (com quem Hynes já havia colaborado em “Other Guys”) e Ian Isiah, desponta como uma balada aérea e contemplativa, permeada pela dor da distância.

“The Last of England”, com uma gravação de seu último Natal ao lado da mãe, une piano suave, sintetizadores enevoados, violinos e uma batida de drum ’n’ bass para retratar memórias irreversíveis. Em “Life”, acompanhado pela brasileira-norueguesa Charlotte Dos Santos e Tirzah, a narrativa se volta para a autossuperação e a busca por coragem para caminhar de forma independente.

“The Train (King’s Cross)”, com os vocais de apoio de Polachek, traz guitarras e bateria acelerada em clima de rock urgente, abordando vulnerabilidade e a apreensão diante do desconhecido. “Scared of It”, com Brendan Yates e Ben Watt, mantém esse pulso para refletir sobre a solidão e a necessidade de encontrar força interior.

“I Listened (Every Night)” soa despretensiosa, construída a partir de uma base de violoncelo, guitarra, sons urbanos e leves batidas de bongôs, funcionando como uma meditação sobre conflitos internos e o efeito inevitável do tempo. Por fim, “I Can Go”, com Mabbe Fratti e Mustafa, surge como uma balada etérea em sintetizadores, piano e violão, onde Hynes expressa a capacidade de seguir adiante, mesmo em meio às adversidades.

Essex Honey é um álbum permeado pela sensação de perda, como se fosse um diário de Hynes acompanhado por sua própria trilha sonora, mas também marcado pela busca por aceitação. Um reflexo íntimo que dialoga com o espírito de uma época em que a cultura coletiva também se vê dominada pela tristeza e pela melancolia e pela urgência de buscar formas de cura e de aceitação.

Tei ShiMake believe I make believe
(Tei Shi LLC)

A cantora e compositora canadense-colombiana Valerie Teicher Barbosa (a.k.a. Tei Shi) apresenta seu quarto álbum de estúdio, Make believe I make believe. Conhecida por traduzir vulnerabilidade em paisagens sonoras ricas e cheias de experimentação, a artista transita com naturalidade entre dream pop, dembow, folk acústico, shoegaze, eletrônica experimental e referências latinas, sempre acompanhadas por uma narrativa intensa e por letras bilíngues. Essa mistura reforça sua identidade como uma das vozes mais originais e intrigantes da cena atual.

O disco abre com a suave “Anything (best friend)”, em que sintetizadores delicados se entrelaçam a um violão dedilhado para embalar versos que expressam o desejo de ser indispensável na vida de alguém. Em seguida, “Best be leaving” carrega uma atmosfera introspectiva e pessoal, retratando o doloroso ato de se afastar de quem se ama. A faixa evoca melodias etéreas que remetem ao Cocteau Twins, com vocais sussurrados e emocionados, letras diretas e uma produção envolvente. Já “Drop dead” se apoia em um pop vibrante que mistura batidas cruas e distorções densas ao brilho cristalino de sintetizadores oitentistas, transmitindo ironia e desdém a uma figura dominada pela inveja e pela obsessão. Por outro lado, a bilíngue “Montón” ressoa como um hino romântico que celebra o desejo e a entrega amorosa, envolta na sensualidade do reggaeton.

Na apaixonada “Iris”, a entrega a um amor transformador ganha forma em arranjos inspirados no pop dos anos 80, marcados por batidas firmes e por uma guitarra que remete à sonoridade do The Police. Já “222”, que conta com a participação da colombiana Loyal Lobos e é um dos momentos mais deliciosos do disco, exalta a amizade em uma fusão de dream pop eletrônico e ritmos latinos, dialogando com a pulsação de “Don’t Cry”, sustentada por sintetizadores vibrantes. Por fim, “Aphrodite” se rende ao clima intenso de um bolero, exaltando a força avassaladora de uma paixão.

Com Make believe I make believe, Tei Shi reafirma sua capacidade única de unir vulnerabilidade e ousadia em um trabalho que é ao mesmo tempo íntimo, diverso e irresistivelmente cativante.

CMATEURO-COUNTRY
(AWAL)

A cantora e compositora irlandesa Ciara Mary-Alice Thompson (a.k.a. CMAT), conhecida por unir alt-country, pop e humor em letras afiadas, lança seu terceiro álbum de estúdio, EURO-COUNTRY. Gravado em Nova Iorque e produzido em parceria com Oli Deakin, o disco mergulha em temas como ansiedade econômica, melancolia, identidade e os dilemas da fama.

A faixa-título mistura country pop com versos em inglês e irlandês, abordando perda, identidade e crítica social, equilibrando confissão íntima e reflexão sobre a Irlanda contemporânea. “When A Good Man Cries” combina violinos e bases country com ares de rock à la Stevie Nicks, destacando harmonias intensas e o refrão litúrgico “Kyrie Eleison”, numa catarse de mágoas, frustrações e desilusões amorosas. Já “The Jamie Oliver Petrol Station” une indie rock e pop em uma performance vibrante, com letras irônicas que satirizam o chef britânico ao mesmo tempo em que exploram frustração, autocrítica e reflexão pessoal.

O animado baile country de “Tree Six Foive” dá voz ao ressentimento e à raiva contra alguém que causou dor emocional, enquanto a existencial “Ready” se revela uma balada imponente marcada por harmonias nostálgicas. “Take A Sexy Picture Of Me” traz um pop vibrante com pitadas de soul e country, no qual CMAT reflete sobre a necessidade de ser desejada desde a infância e as inquietações com o envelhecer.

Em “Iceberg”, a artista constrói uma metáfora com o Titanic para narrar o lento naufrágio de um relacionamento. Já a acústica “Coronation St.” expõe o desalento de uma jovem deslocada, e a melancólica “Lord, Let That Tesla Crash” presta homenagem a um ex-companheiro de casa, traduzindo em versos sentimentos confusos de perda, luto e arrependimento.

“Running/Planning” surge como um country pop moderado que denuncia as pressões impostas às mulheres para desempenharem inúmeros papéis, enquanto o encerramento fica por conta de “Janis Joplining”, uma faixa intimista guiada pelo piano, com influências de Fiona Apple, que fala da busca por afeto e proximidade emocional.

Assim, EURO-COUNTRY se afirma como um trabalho ousado e multifacetado, onde CMAT transforma vulnerabilidade, ironia e crítica social em canções que equilibram confissão pessoal e comentário cultural.

Jehnny BethYou Heartbreaker, You
(Fiction Records)

Cinco anos após o lançamento de seu álbum de estreia, To Love Is to LiveJehnny Beth, líder da extinta banda Savages, retorna com o segundo trabalho solo, You Heartbreaker, You. Com nove faixas, o disco é um mergulho em visceralidade, sonoridade abrasiva e catarse emocional. A produção, novamente assinada por Johnny Hostile (parceiro artístico e responsável também pelo primeiro disco), reforça a identidade crua, intensa e sem concessões da artista.

“Broken Rib” explode com energia punk avassaladora, marcada por instrumentação brutal e vocais angustiantes que, aos gritos, retratam um amor dilacerado, onde dor e afeto coexistem. Já “No Good For People”, permeada por sintetizadores cortantes e uma atmosfera opressiva que remete ao Nine Inch Nails, aborda intimidade, violência e fragilidade. Em “Obsession”, Beth apresenta uma mistura agressiva de trip hop, a crueza do nu-metal e as camadas densas do rock alternativo, criando um caos controlado que reflete a letra sobre uma obsessão visceral que beira o colapso.

“Out Of My Reach” inicia sombria, com versos que narram paixão intensa e entrega absoluta, até ser conduzida para uma sonoridade roqueira de forte influência dos anos 90. Já “I Still Believe” resgata o espírito do post-punk, impulsionada por um refrão explosivo em que a artista reafirma sua fé inabalável no amor e na parceria.

A crua e caótica “Reality”, com pegada de punk industrial, mergulha em desejos complexos e não correspondidos, explorando atração sexual e poliamor. “High Resolution Sadness” expõe a carga emocional de Beth ao misturar fúria e vulnerabilidade, refletindo sobre desconexão e exaustão em um mundo digital saturado. Por fim, “I See You Pain” assume um tom mais sombrio e dramático, sustentado por instrumentação poderosa, denunciando falsidade e interesses disfarçados de cuidado, ao mesmo tempo em que ressalta a complexidade e a sensibilidade humana.

The BeachesNo Hard Feelings
(AWAL)

No terceiro álbum de estúdio, No Hard Feelings, a banda canadense de alt-rock The Beaches – formada pelas irmãs Jordan Miller (voz/baixo) e Kylie Miller (guitarra/backing vocal), junto de Leandra Earl e Eliza Enman-McDaniel – apresenta um trabalho que combina letras diretas com uma sonoridade confiante, permeada por influências do rock das décadas de 1980 e 1990. O disco percorre temas como franqueza, amor-próprio, empoderamento e as dores das desilusões amorosas.

Can I Call You in the Morning” se destaca pela urgência punk somada a nuances de new wave, conduzida por riffs de guitarra cativantes. A faixa traduz uma energia inquieta e uma postura confessional carregada de irreverência, revelando um retrato intenso de amor e frustração, onde explosões de fúria e críticas se entrelaçam ao peso do arrependimento e ao desejo de reconciliação. Já “Did I Say Too Much” mergulha nos altos e baixos de um relacionamento turbulento, enquanto “Sorry For Your Loss” oferece uma nova abordagem à clássica canção de despedida. Em “Touch Myself”, os riffs ousados e vibrantes transformam a faixa em uma poderosa celebração da libertação pós-término.

“Fine, Let’s Get Married” e “Takes One To Know One” exploram relações instáveis e cheias de contradições, retratando de maneira irônica e divertida a combinação de frustração e desejo entre casais. Já “Dirty Laundry” fala sobre encarar alguém por seus erros e atitudes irresponsáveis, deixando claro que quem causou o problema deve lidar com as consequências sem esperar perdão ou esquecimento. Em tom mais pessoal, “Lesbian Of The Year” surge como uma balada synth-rock emotiva, em que Leandra Earl compartilha a experiência de abraçar sua sexualidade em uma fase mais madura da vida.

Com riffs envolventes e uma batida marcante, “Jocelyn” traz a banda refletindo sobre a vulnerabilidade diante da fama e questionando se realmente merecem a devoção de seus fãs. O encerramento vem com “Last Girls At The Party”, que une um refrão contagiante a guitarras vibrantes, bateria firme e os vocais potentes de Jordan, descrevendo a energia e a determinação de um grupo de amigas que decide viver a festa até o último momento, sem se preocupar com julgamentos externos.

Nova TwinsParasites & Butterflies
(Marshall Amplification)

A dupla inglesa Nova Twins, formada por Amy Love (guitarra e voz) e Georgia South (baixo), lança seu terceiro álbum de estúdio, sucessor de Supernova. Intitulado Parasites & Butterflies e gravado em Vermont, nos Estados Unidos, com produção de Rich Costey (Muse, Deftones), o trabalho é uma verdadeira viagem sonora que atravessa fronteiras estilísticas, fundindo hip hop, punk, rock, pop e nuances eletrônicas. O disco aborda temas como empoderamento, identidade e saúde mental, equilibrando energia caótica e clareza, força e vulnerabilidade.

Entre os destaques, “Glory” explora o contraste entre fragilidade e firmeza, trazendo uma sonoridade pop à la Britney Spears entrelaçada a elementos caóticos de nu-metal. Já “Piranha” aposta em instrumentação agressiva e metáforas afiadas para transmitir resistência e enfrentamento ao sistema opressor, enquanto “Monsters” combina riffs potentes e energia dançante para embalar a reflexão de Amy Love sobre saúde mental e autoconhecimento. Em “Soprano”, o duo mescla R&B, riffs sujos e vocais intensos para reafirmar mensagens de empoderamento feminino, confiança e determinação. “Drip”, por sua vez, mergulha em temas de desejo e ambição material, apoiada em influências de hip hop e drum ’n’ bass – estilo também retomado em “Sandman”. Já “N.O.V.A” explode em uma mistura de rock, punk e eletrônica, afirmando identidade, orgulho e poder.

A faixa “Parallel Universe” surpreende ao inserir uma pitada de funk brasileiro antes de desembocar na sonoridade robusta da dupla, servindo como alerta para os riscos do bullying virtual e da toxicidade online. Em tom oposto, “Hummingbird” se apresenta como uma balada delicada e hipnótica – com vocais que remetem a FKA twigs – refletindo sobre saudade e dor. “Hide & Seek” retrata um relacionamento marcado por intensidade e feridas mútuas, colocando em xeque o futuro do casal, enquanto “Black Roses” assume uma estética de pop punk sintetizado, comparando amor e vingança a rosas negras: belas, porém venenosas e fatais.

The HivesThe Hives Forever Forever The Hives
(Play It Again Sam)

Menos de dois anos após o lançamento de The Death Of Randy Fitzsimmons, os suecos do The Hives retornam com seu sétimo álbum de estúdio, The Hives Forever Forever The Hives. O disco foi produzido pelo colaborador de longa data Pelle Gunnerfeldt (Viagra Boys, Yung Lean) e conta ainda com colaboração de Mike D (Beastie Boys) e Josh Homme (Queens of the Stone Age).

A faixa de abertura, “Enough Is Enough”, traz de imediato a energia explosiva que se tornou marca registrada da banda, funcionando como um hino de protesto contra a conformidade e a hipocrisia social. Em seguida, a glam rock “Ball Call” reflete sobre escolhas equivocadas que se repetem e acabam trazendo perdas, revelando frustração diante de quem insiste em não aprender com os próprios erros. Já “Paint A Picture”, inspirada no espírito acelerado dos Ramones, fala sobre a tentativa de convencer os outros (e a si mesmo) de que viver à margem da sociedade pode ser uma boa ideia. Por sua vez, a hardcore “O.C.D.O.D.” retrata a luta com pensamentos obsessivos e padrões repetitivos que levam à ansiedade e ao isolamento.

Na sequência, “Legalize Living” surge como um verdadeiro manifesto de insubmissão às regras sociais e convenções repressoras, apoiada em uma sonoridade intensa e vibrante. “Roll Out The Red Carpet” aparece como um rock caótico e contagiante que celebra a autoconfiança, enquanto “Born A Rebel”, marcada por riffs cortantes e pelo uso constante do cowbell, sintetiza o espírito de independência e rebeldia que acompanha a banda desde o início. Em “Path Of Most Resistance”, sintetizadores e guitarras vibrantes adicionam uma atmosfera new wave à narrativa de recusa ao caminho fácil, exaltando a escolha de enfrentar os desafios de frente.

O álbum se encerra com a faixa-título, “The Hives Forever Forever The Hives”, uma poderosa declaração de amor à música e à própria trajetória da banda. Com energia de garage rock e flertes com a sonoridade dos The Strokes, a canção celebra os 30 anos de carreira do grupo, transformando os músicos em sua plateia mais fervorosa e reafirmando seu compromisso inabalável com a cena artística.

FlyteBetween You and Me
(Nettwerk Music)

No quarto álbum de estúdio, Between You and Me, a dupla britânica de indie Flyte, formada por Will Taylor e Nick Hill, aposta em uma sonoridade mais despojada e verdadeira, explorando o amor, as imperfeições e a vulnerabilidade que acompanham a condição humana. O objetivo dos dois foi resgatar a espontaneidade e a honestidade no processo criativo. A gravação, conduzida pelo produtor Ethan Johns (Paul McCartney, Laura Marling) em seu estúdio no interior, seguiu essa filosofia: tudo registrado em uma única tomada, sem overdubs, priorizando a reação imediata e a interação musical em tempo real, preservando a essência do momento.

A serena “Hurt People” celebra a cura coletiva, guiada por guitarras expansivas que remetem ao clima de encontros de recuperação em 12 passos. Já “Alabaster”, parceria entre Flyte e Aimee Mann, é uma balada indie folk rock, que no início evoca “6th Avenue Heartache”, do The Wallflowers. A faixa contrapõe guitarras distorcidas e vocais harmoniosos a uma narrativa sombria sobre um relacionamento caótico e autodestrutivo.

Enquanto “Emily and Me” soa como uma carta de amor nostálgica a Los Angeles, conduzida por violão acústico e atmosfera acolhedora, “I’m So Down” presta homenagem a alguém com forte inclinação em agradar os outros, muitas vezes em detrimento das próprias vontades. “Hello Sunshine”, por sua vez, evoca o clima intimista das produções de Sufjan Stevens.

A melancólica “I’m Not There” transmite emoções cruas e introspectivas, refletindo sobre a ausência de amor-próprio e os traumas familiares, em uma sonoridade que remete a Nick Drake. Já “If You Can’t Be Happy” surge vibrante, como um incentivo carinhoso a um parceiro em crise de autoestima, enquanto “Cold Side of the Pillow” traz ecos das produções de Jon Brion e do legado dos Beatles.

Por fim, a delicada “Everybody Says I Love You” reflete sobre como, muitas vezes, o amor é definido mais pelo que se repete socialmente do que pelo que realmente sentimos.

Between You and Me se apresenta como um diário musical, registrando o amadurecimento da dupla tanto como artistas quanto como amigos e indivíduos.