DSCVR ON: Basciville, Beezkat, RIVER, Weird Roach e mais

Basciville / Divulgação

O TECO APPLE faz parte do time de influenciadores da plataforma SubmitHub, provavelmente o melhor lugar para garantir escuta, feedback e atenção da maioria dos curadores online de música. Lá, podemos descobrir uma série de novos artistas e músicas enviadas pelos próprios. Nessa curadoria, selecionamos nomes que nos chamam a atenção e merecem um reconhecimento pelo trabalho enviado. Esta é a seção DSCVR ON.

Basciville“Nothing Surprises (Me Anymore)”

A dupla irlandesa Basciville anuncia o aguardado segundo álbum, Love In The Time Of The State, com lançamento marcado para 13 de março pelo selo Faction Records, acompanhado do single “Nothing Surprises (Me Anymore)”. A faixa reflete sobre apatia, resistência e a força silenciosa de seguir em frente, destacando a busca por beleza e sentido no cotidiano, mesmo diante do abandono e das dificuldades impostas pelo mundo ao redor.

No disco, os irmãos Cillian e Lorcan Byrne apresentam seu trabalho mais direto e intenso, explorando a desilusão, o cansaço existencial e um amor que persiste apesar do desgaste social e político. Com referências que passam por Radiohead, Jeff Buckley e Nirvana Unplugged, o álbum combina texturas folk, crescendos emocionais e um olhar crítico sobre a vida contemporânea, oferecendo empatia, lucidez e conexão em tempos de incerteza.

Beezkat“Living Your Life”

“Living Your Life” é o novo single do trio londrino de synth alt-pop Beezkat, formado por Keri Arrindell, Antoine Ollivier e Finlay Crowther. Combinando sintetizadores cintilantes com uma pulsação pop intensa, a faixa retrata o instante de libertação após o fim de um relacionamento desgastado. Embora nasça da frustração e do coração partido, “Living Your Life” avança em direção ao alívio e à esperança, equilibrando sinceridade emocional com uma energia positiva e voltada para o futuro.

Monotronic“Photograph”

O Monotronic retorna com seu trabalho mais sombrio e ousado até agora, apresentando o single “Photograph”, uma faixa densa e carregada de sintetizadores que antecipa o álbum Waiting for You. Sustentada por vocais intensamente processados e camadas espessas de texturas atmosféricas, a canção leva o coletivo de Los Angeles a territórios ainda mais experimentais, sem abrir mão do pulso melódico que marcou sua trajetória recente em faixas como “Close Enough”, “Everything Moves” e “Looking Away”. Nos instantes finais, a faixa ganha um clima cinematográfico inquietante graças à participação do violinista Jonathan Dinklage.

aboynamedblu“grew a few”

O cantor, compositor e produtor sul-africano Desmond Orrill Legg (a.k.a. aboynamedblu) retorna com o single “grew a few”. Segundo o próprio artista, a balada de tom intimista foi escrita no fim do ano passado, pouco antes de ele voltar para Cidade do Cabo após viver em Joanesburgo. Naquele momento, ele estava em uma fase bastante reflexiva e se sentia decepcionado com a falta de progresso em diversas áreas da própria vida. Esse sentimento foi associado à imagem de uma flor no jardim que não foi regada nem cuidada da forma adequada. A partir dessa comparação, o artista percebeu a semelhança entre a maneira como nos tratamos e como isso se reflete diretamente na forma como experimentamos o mundo.

Spyndycyt“The Shadows Come Steal My Plans”

Spyndycyt se diferencia ao unir diversos gêneros em uma proposta experimental e fora do comum, o que se reflete no single “The Shadows Come Steal My Plans”. A faixa é imprevisível e pode causar estranhamento no primeiro contato, mas aos poucos revela uma experiência envolvente. Com uma estrutura fragmentada e intencional, a música transita por diferentes climas e épocas, começando com a gaita em um tom quase tradicional e evoluindo para uma atmosfera dançante e nostálgica, inspirada no dance pop dos anos 80. A canção aborda a consciência da finitude, a passagem inevitável do tempo e uma reflexão sobre a vida vista a partir de seu fim.

Ocean Eyes“Winter Healing (444Hz)”

Ocean Eyes é um projeto envolvente que une o artista de vapor soul Corey Hunter à impressionante voz de Alia, formando um duo que transforma histórias de amores agridoce em uma delicada experiência de indie folk com nuances de ASMR. A conexão criativa entre eles remete ao encontro da sensibilidade de Ocie Elliot com a suavidade sonora de Rhye, resultando em uma proposta etérea e cativante, criada para alcançar grande reconhecimento. O aguardado álbum de estreia, Tides, nasceu como uma homenagem à jornada inicial do Bon Iver e foi concebido em total isolamento, em um estúdio fora da rede tradicional, situado na costa rochosa do deserto chileno, enquanto ambos atravessavam profundos processos de luto e reflexão.

Weird Roach“Beginner’s Mind”

Weird Roach tem mais de duas décadas de carreira na música, passando por diversas bandas como baterista e explorando instrumentos como guitarra, baixo, saxofone e teclados. “Beginner’s Mind”, faixa extraída do álbum Hello Are You There?, nasce da influência de Fela Kuti e James Brown, perceptível nos metais e nas congas. A faixa marca uma nova abordagem criativa e tem letras inspiradas no livro ‘Mente Zen, Mente de Principiante’, de Shunryū Suzuki, que valoriza a simplicidade, o aprendizado constante e a redução do ego

Chris Holly“S Q G”

Chris Holly é guitarrista, cantor e compositor com uma trajetória diversa que vai do thrash metal ao rock alternativo, tendo dividido palcos com grandes nomes da música, lançado álbuns marcantes, atuado como produtor e colaborador em diferentes projetos e se envolvido em iniciativas sociais e beneficentes. “S Q G”, sigla para Straight Queer Girl, é uma canção intensa e visceral que aborda identidade, conflito interno e superação, conduzida por uma escrita crua e poética que transforma o desconforto em força vital, funcionando como um chamado direto e urgente à autoaceitação e à sobrevivência emocional.

RIVER“Infected mind”

Após a forte repercussão do single “I AM CANCER”, a artista sueca de alt-pop RIVER retorna com “Infected mind”, uma faixa densa e emocional que encara o passado com honestidade crua. Com ecos etéreos de dream pop e soul experimental, a canção constrói um diálogo íntimo entre quem ela foi e quem está se tornando, envolvendo vocais marcantes em guitarras fluidas e sintetizadores sombrios. A música funciona como um rito de passagem, no qual a artista revisita traumas, reconhece autoenganos e busca a cura por meio da compreensão e do perdão. Criada em Gotemburgo e radicada em Estocolmo, RIVER é conhecida por ultrapassar limites no alt-pop, misturando influências cinematográficas e lirismo introspectivo para explorar identidade, dor e reconstrução pessoal, aprofundando esses temas em sua nova fase artística.

Annie Elise“ardmore”

“ardmore” é o segundo single do próximo EP de Annie Elise e apresenta um retrato sensível e cinematográfico do primeiro amor e do despertar artístico da cantora, nascida na Pensilvânia e radicada em Nova Iorque. Batizada com o nome da rua onde morava seu namorado do ensino médio, a canção revisita a relação que a incentivou a fazer música e, ao mesmo tempo, marcou uma decepção emocional. Com imagens suburbanas difusas e uma melancolia contida, a faixa explora o delicado equilíbrio entre inocência e ambição, revelando o momento em que a artista percebe que criação e coração partido muitas vezes nascem do mesmo sentimento.

Tulegon“La meraviglia”

“La meraviglia” é um manifesto poético que traduz em música a filosofia de Alberto Caeiro, um dos heterônimos mais marcantes de Fernando Pessoa, celebrando a capacidade de enxergar o mundo com a pureza e o espanto de uma criança. Situada entre o indie pop, synthpop, alternative e indie R&B, a canção rejeita o excesso de racionalização e valoriza a experiência direta da vida, o presente como um constante renascimento, a natureza sentida pelos sentidos e uma inocência eterna, simples e sem necessidade de respostas. Ao encerrar com versos em português, a faixa cria uma ponte entre a sonoridade contemporânea de Tulegon e a essência do poeta, reforçando a ideia de que a verdadeira sabedoria está na aceitação intuitiva e sensível da existência.

Riatto & The Dog“Best Friends I’ve Ever Had”

O projeto francês Riatto & The Dog surge a partir da vivência pessoal, da introspecção e de uma sensibilidade muito própria. À frente está Riatto, músico francês veterano do grunge e multi-instrumentista, que hoje desenvolve seu trabalho em um ambiente mais íntimo e analógico, à beira-mar, na Normandia. É nesse cenário que ele apresenta “Best Friends I’ve Ever Had”. A produção aposta em uma estrutura synthpop sólida e, ao mesmo tempo, dinâmica, que se desenvolve com frescor e sensibilidade, despertando um forte sentimento nostálgico sustentado tanto pela melodia quanto pelos vocais.

RUHUR“Lopov”

RUHUR é um projeto musical independente iniciado em 2024 que rapidamente chamou atenção na região dos Bálcãs com o lançamento de quatro singles. Sua sonoridade mistura referências retrô dos anos 1990 do antigo espaço iugoslavo com produção eletrônica contemporânea, resultando em uma estética atmosférica e introspectiva. Baseado em uma abordagem conceitual, o projeto explora conflitos internos, autorreflexão e os limites do crescimento pessoal, com vocais em uma língua balcânica que privilegiam clima, textura e carga emocional em vez de narrativas diretas. Transitando entre o alternativo, o eletrônico e o artístico, RUHUR aposta em faixas sombrias e hipnóticas, marcadas por contenção e profundidade, nas quais o sentimento conduz a história.