
Confira alguns dos principais lançamentos da semana para atualizar a sua playlist de discos favoritos. Entre eles estão os novos trabalhos de: Genesis Owusu, Lady Gaga, Rostam, Porches, Dua Saleh, New Constellations e Active Child.
• Genesis Owusu – REDSTAR WU & THE WORLDWIDE SCOURGE
(OURNESS)
Em REDSTAR WU & THE WORLDWIDE SCOURGE, o cantor e rapper ganiano-australiano Genesis Owusu apresenta um trabalho intenso e profundamente conectado ao cenário atual, transformando emoções humanas cruas em composições que refletem um mundo instável e dividido. O álbum, sucessor de STRUGGLER, mistura contrastes de forma constante, alternando entre momentos sombrios e explosivos, vulneráveis e libertadores, enquanto o artista explora tanto conflitos globais quanto reflexões pessoais sobre pertencimento e identidade. Desenvolvido ao lado do produtor executivo Dann Hume a partir de sessões livres e experimentais, o disco combina neo soul, alt-pop, synth-punk, funk e brit rock em uma sonoridade diversa e coesa.
Owusu explica que começou a escrever o álbum observando os acontecimentos do mundo e inspirado pela ideia de Nina Simone de que o papel do artista é refletir o seu tempo. “PIRATE RADIO” combina uma produção eletrônica pulsante com a energia crua do punk e a intensidade vocal característica de Owusu, que expressa sua indignação diante do cenário mundial atual. “STAMPEDE” com sua sonoridade synth-punk urgente de sintetizadores estridentes, baixo marcante e percussão implacável, é um manifesto de revolta coletiva contra a injustiça e o poder corrupto, defendendo união, ação e luta em favor da empatia e dos oprimidos. “DEATH CULT ZOMBIE” combina indie rock e punk em uma sonoridade intensa, usando guitarras marcantes, batidas envolventes e letras irônicas para refletir sobre debates globais e a alienação da sociedade. “BIG DOG” surge com uma energia eletropop e rap vibrante, trazendo críticas às estruturas de poder e, ao mesmo tempo, celebrando a liberdade e a alegria de viver. Já “THE WORLDWIDE SCOURGE” assume um tom mais sombrio e político, enquanto “BLESSED ARE THE MEEK” aposta em uma atmosfera neo soul delicada e desafiadora. “MOST NORMAL AMERICAN VOTER:” mergulha em um rock caótico e sarcástico, ao passo que “HELLSTAR”, com Duckwrth, leva o álbum para um lado mais íntimo em uma espécie de canção romântica pós-apocalíptica. Em “FALLING BOTH WAYS”, ao lado de Ladyhawke, o artista explora uma psicodelia melancólica, enquanto “SITUATIONS” reforça mensagens de unidade apesar das diferenças. O disco também abre espaço para momentos mais suaves e nostálgicos em “4LIFE”, reflexões sobre resistência emocional em “RUNNIN OUTTA TIME” e um olhar melancólico sobre as mudanças do mundo em “ONE4ALL”.
• Lady Gaga – MAYHEM Requiem
(Interscope Records)
Após encerrar a turnê ‘Mayhem Ball, Lady Gaga expandiu o universo do álbum MAYHEM com MAYHEM Requiem, um espetáculo mais intimista apresentado em Los Angeles, e despede-se da era. Diferente da grandiosidade explosiva da turnê, o novo show apostou em uma atmosfera sombria e minimalista, focando principalmente na força das músicas e na versatilidade de seus arranjos. Com elementos inspirados no new wave e no goth pop dos anos 80, Gaga reinterpreta faixas do álbum de maneira mais melancólica e experimental (e confirmando seu amor pela sonoridade industrial do Nine Inch Nails), explorando temas de transformação, encerramento e reinvenção artística. A performance destacou sua presença de palco e sua capacidade de reconstruir suas canções em formatos inesperados, reforçando o lado criativo e teatral que marca sua carreira.
• Rostam – American Stories
(BMG)
Rostam, músico e produtor conhecido por sua passagem pelo Vampire Weekend e por colaborações com artistas como HAIM e Carly Rae Jepsen, apresenta o terceiro álbum solo, American Stories. O artista explica que buscou criar um trabalho que unisse suas origens iranianas à sua experiência de vida nos Estados Unidos, encontrando inspiração no encontro entre elementos musicais dos dois universos. Segundo o próprio, a combinação das melodias microtonais do saz com acordes de guitarra ocidentais causou estranhamento no início, mas essa tensão sonora acabou se tornando um dos aspectos mais fascinantes do disco. Faixas como “Like a Spark” misturam influências orientais e folk psicodélico para celebrar um amor baseado na liberdade, enquanto “Back of a Truck” mescla influências da música tradicional americana e persa para retratar a saudade e a aceitação após o fim de um relacionamento. Já “Different Light” flerta com a música country, e “Hardy”, parceria com Clairo e guiado pelo sample da trilha sonora criada por Georges Delerue para o clássico ‘A Noite Americana’, combina cordas clássicas com batidas vibrantes. Apesar da produção elaborada, o disco também abre espaço para reflexões íntimas sobre mortalidade, solidão e amadurecimento em canções mais contidas como “The Road to Death”, “To Feel No Way” e “Forgive Is To Know”. O contexto político atual também ecoa no trabalho em faixas como “Come Apart”, enquanto “The Weight” assume um tom entre hino de protesto e relato de amadurecimento na trajetória de Rostam.
• Porches – MASK
(BMG)
Porches, projeto do nova-iorquino Aaron Maine, apresenta a mixtape MASK, um trabalho com nove faixas gravadas de forma caseira que marca um retorno às origens mais DIY do artista. Primeiro projeto completo desde o álbum Shirt, de 2024, o trabalho aposta em uma estética despojada e sem retoques, trazendo composições diretas e emocionais conduzidas apenas pela voz do artista e um microfone. Sobre o processo criativo, ele revelou que gravou o material na primavera de 2025 em um porão na Wooster Street, em Nova Iorque, utilizando um gravador de quatro canais e mixando tudo diretamente da fita, buscando preservar as imperfeições e a energia espontânea capturada nas gravações de canções sobre relações destrutivas marcadas por excessos, dependência e noites turbulentas.
• Dua Saleh – Of Earth & Wires
( Ghostly International)
Of Earth & Wires, de Dua Saleh, apresenta uma sonoridade intensa, espiritual e emocional ao abordar temas como pertencimento, humanidade e reconstrução em meio ao caos. Produzido por Billy Lemos, o trabalho reúne participações de nomes como Bon Iver, aja monet e Gaidaa, enquanto mistura indie, R&B e pop eletrônico com influências da música sudanesa, dance britânico e baile funk. Ao longo das faixas, Saleh explora sentimentos de perda, deslocamento e transformação diante de conflitos, mudanças tecnológicas e crises globais, criando um universo onde a natureza retoma seu espaço e o amor surge como resistência. O disco também reflete experiências pessoais relacionadas às raízes sudanesas e à sensação de distância de casa, trazendo composições que alternam momentos delicados e orgânicos com passagens eletrônicas agressivas e experimentais. Faixas como “Flood”, “Glow”, “Cállate”, “Anemic” e “Firestorm” revelam diferentes facetas desse universo sonoro futurista e melancólico, encerrado pela presença poética de aja monet em “ALL IS LOVE”, reforçando a esperança e a conexão humana como elementos centrais da obra.
• New Constellations – It Comes in Waves
(Nettwerk Music)
O duo de indie pop New Constellations, formado pelos amigos de longa data Harlee Case e Josh Smith, lança o álbum de estreia It Comes in Waves. Com 13 faixas, o projeto mistura indie pop e produção alternativa atmosférica para explorar temas como desilusões amorosas, cura emocional, incertezas e recomeços, refletindo a ideia de que tudo acontece em ciclos. Amigos desde a infância, os artistas transformam o disco em um retrato de crescimento pessoal e criativo, revisitando desde os tempos em que gravavam músicas no quarto de casa até se consolidarem como uma das colaborações mais emotivas do indie pop. Canções como “I Disappear”, “Believe Again”, uma delicada carta de agradecimento ao eu mais jovem de Case, e “Secret Safe”, um hino guiado por sintetizadores sobre amizades que resistem ao tempo e à distância, ajudam a construir a base emocional que sustenta o álbum. “Say That You Will” combina teclados nostálgicos e uma atmosfera retrô para retratar o desejo por um amor correspondido, enquanto “Dandelion” e “Waterslides” ampliam a atmosfera nostálgica e sonhadora do álbum ao abordar a dor dos finais e a esperança de novos começos.
• Active Child – Active Child
(Masterworks)
Após quase seis anos sem lançar um álbum desde “In Another Life”, trabalho que marcou sua estreia em uma grande gravadora, Patrick James Grossi (a.k.a. Active Child) retorna com um disco homônimo coproduzido por Alex Goose. O projeto aprofunda a transformação artística e pessoal do músico, refletindo sobre os desafios da paternidade, o conflito entre a criatividade e as responsabilidades familiares e a busca por equilíbrio em meio ao caos da vida adulta. Ao longo de doze faixas, o artista entrega composições intimistas e melancólicas, unindo eletrônica, pop, R&B e elementos folk em arranjos sofisticados e humanos. Canções como “Roll the Dice”, “Needed You” e “Fault of God” destacam sua voz em falsete e a produção delicada, enquanto músicas como “Happiness is a Game” e “Beams” exploram uma sonoridade acolhedora entre sintetizadores, baixos, guitarras e sopros. O álbum ainda evidencia o lado mais vulnerável e reflexivo de Grossi em faixas como “Witness”, ao retrata a busca intensa por amor e pela sensação de ser amado em trocam, culminando em momentos emocionantes como “Big Skies”, ao retratar a saudade de um amor que terminou.



