
A cantora e compositora Tiê lança o álbum Esgotada, seu mais novo trabalho autoral e a primeira parte de um projeto dividido em dois discos complementares. O registro nasce de um processo criativo intenso e emocionalmente profundo, desenvolvido ao longo dos últimos anos e expandido em duas direções distintas, sendo a segunda delas Amorosa, prevista para chegar no segundo semestre.
Segundo a artista, Esgotada funciona como um mergulho interno e ao mesmo tempo um transbordamento de sentimentos, organizando emoções acumuladas enquanto abre espaço para novas reflexões e caminhos. Ela explica que, em determinado momento, percebeu que o material criado não poderia existir dentro de um único formato, levando naturalmente à divisão em dois álbuns que representam lados diferentes de uma mesma experiência.
Antes do lançamento completo, Tiê apresentou os singles “Ainda” e “Contato”, que anteciparam diferentes atmosferas do projeto. Enquanto a primeira faixa aposta em um tom mais íntimo e delicado, a segunda revela uma sonoridade mais vibrante, equilibrando leveza e intensidade emocional. Juntas, as músicas introduzem a dualidade que guia o universo de Esgotada. Com oito faixas, o disco apresenta uma faceta mais quente, tensa e atravessada por questões pessoais. Grande parte das composições é assinada pela própria artista, que também divide criações com André Whoong e conta com participações de Vinícius Calderoni e Adriana Calcanhotto, presente na faixa Atitude. A produção ficou a cargo de Tó Brandileone, André Whoong e Marcus Preto, que colaborou especialmente na etapa final, incluindo gravações vocais e a construção narrativa do álbum.
Entre os momentos mais íntimos do registro está “Altar”, música em que Tiê retoma o hábito de escrever diretamente para si mesma, refletindo sobre amizade, saúde emocional e os vínculos que escolhemos preservar ao longo da vida. Já “Tempo Pra Mim”, faixa que encerra o disco, estabelece uma conexão afetiva com a trajetória da cantora em parceria com Thomas Roth, figura importante em sua formação artística. O álbum também se destaca pela riqueza sonora de seus arranjos, alternando momentos minimalistas guiados por voz e piano com construções mais elaboradas.
A identidade visual de Esgotada também traduz o caráter sensível e artesanal da obra. A capa foi criada a partir de uma fotografia analógica assinada por Indira Dominici, posteriormente transformada em pintura a óleo pela artista plástica Marina Quintanilha, amiga de infância de Tiê. O processo manual, desenvolvido ao longo de semanas, reforça visualmente a profundidade emocional e o aspecto íntimo do álbum.



