
O músico e produtor neozelandês mascarado Jonathan Bree apresenta seu sexto álbum de estúdio, Don’t Call It Love. Com 17 faixas, o trabalho mergulha em uma atmosfera densa, sombria e sensual, construindo uma narrativa conceitual voltada à sexualidade e às suas diferentes dimensões. O disco também se destaca pela participação de mulheres ligadas à música, ao cinema, à fotografia e à dança, ampliando o caráter colaborativo do projeto.
Na faixa-título, “Don’t Call It Love”, Jonathan Bree divide os vocais com a cantora e atriz parisiense Adah Dylan, ex-integrante do Bruises. Com uma interpretação que remete à presença enigmática de Nico, Adah acrescenta à composição uma sensualidade espontânea e provocadora. O resultado transita por referências que evocam tanto o pós-punk de The Cure quanto a personalidade artística de Grace Jones, reforçando a atmosfera misteriosa que percorre o álbum.
A proposta sensual do disco já havia sido apresentada em “Live To Dance”, primeiro single do projeto, que conta com a participação de Princess Chelsea. Musicalmente, o álbum combina elementos de New Order e Siouxsie & The Banshees com arranjos orquestrais, guitarras mais presentes, texturas cinematográficas, estética noir e o característico barítono profundo de Bree, criando uma sonoridade ao mesmo tempo melancólica, sedutora e inquietante.
Don’t Call It Love também representa o trabalho mais colaborativo da carreira de Bree. Além de Princess Chelsea, que retorna em “Part-Time Lover” e “Slow”, o álbum reúne Rachel Clarke em “Savour My Love”, faixa de art-pop marcada por uma crescente intensidade, e a fotógrafa e artista francesa Eloïse Labarbe-Lafon em “Chameleon”, cuja interpretação carrega ecos do legado de Jane Birkin. O projeto ainda marca a estreia de Bree em um álbum duplo e apresenta seu trabalho mais voltado às guitarras e sua abordagem conceitual mais ousada. Longe de buscar agradar a todos, o artista abraça integralmente a proposta provocadora do disco, sem qualquer intenção de suavizar sua visão.



