TOP 15 – Filmes de 2006

domingo, dezembro 31st, 2006

#01. Pequena Miss Sunshine

Pequena Miss Sunshine é o tipo de filme que você tem que assistir para se envolver e se identificar com as peças inseridas no roteiro. Ou simplemente se encantar com o sorriso e olhar da jovem atriz Abigail Breslin, o silêncio de Paul Dano, a superproteção de Toni Collette, a fragilidade de Steve Carell, a filosofia de vida de Alan Arkin e o ser ou não ser um ganhador de Greg Kinnear. Após esses detalhes, basta deixar com que a música de Sufjan Stevens e do DeVotchka tomem o caminho da estrada a seguir.

#02. O Tempo Que Resta

O cineasta François Ozon expõe na história do fotógrafo homossexual, que descobre um câncer em fase terminal, os anseios e mudanças que a notícia provoca na vida de seu protagonista. A alteração de comportamento, a forma encontrada por ele para não interferir na vida alheia e a busca de paz consigo dão toques delicados a esse projeto sobre morte marcada.

#03. Vôo United 93

Além da veracidade – na questão do tempo, o diretor utiliza câmera digitais e atores desconhecidos (o que não causa grande identificação entre espectador e personagens), deixando com que a história dos passageiros fique acima das atuações. A sensação é de fraqueza durante a projeção. É evidente que a intenção de Paul Greengrass (direitor) não é criar uma estória gratuita com o objetivo de tocar na ferida. Questões sobre o que teria acontecido são levantadas, dramas pessoais abordados de forma breve e decisões a serem tomadas com aqueles passageiros estão na tela de forma convincente.

#04. O Segredo de Brokeback Mountain

Do início ao seu desfecho, Brokeback Mountain não poderia ter uma mão mais humana que a do diretor Ang Lee. É sensível ao extremo quando apresenta a luta travada entre os seus protagonistas em relação ao sentimento. Se hoje o amor homossexual é melhor aceito pela sociedade, o filme que se passa nos anos 60 com figuras “fortes e brutas” como a dos caubóis, torna-se atual e envolvente. Aqui, não se distingue mais sexo, apenas se presencia o afeto e o sofrimento das personagens centrais.

#05. O Labirinto do Fauno

A fábula cujo pano de fundo é o regime ditatorial na Espanha dos anos 40, apresenta-nos a dois mundos distintos: o da realidade e o da fantasia. O universo sombrio e melancólico de Guillermo Del Toro, nestes dois espaços, contrasta perfeitamente seus personagens humanos e imaginários. A atuação enigmática da menina Ivana Banquero sustenta a qualidade deste conto de fadas negro e assustador.

#06. Volver

Somente um cineasta do calão de Pedro Almodóvar para deixar Penélope Cruz adorável (e suportável) na tela grande. Com um filme denso sobre mulheres, universo dominado por Almodóvar, ele nos entrega novamente um trabalho pessoal em um roteiro que mescla o exagerado e o dramático simultaneamente. Cruz tem o papel da vida, enquanto Carmen Maura brilha de coadjuvante novamente trabalhando com o diretor espanhol.

#07. Os Infiltrados

150 minutos – que passam voando – foram o suficiente para Martin Scorsese mostrar que continua em ótima forma. Os Infiltrados retoma elementos dos primeiros trabalhos do diretor neste drama de corrupção e violência com atuações excepcionais – inclusive de um Leonardo DiCaprio que consegue se sobressair diante de um monstro como Jack Nicholson.

#08. Caché

Georges (Daniel Auteuil) e sua esposa Anne (Juliette Binoche) recebem uma fita de vídeo com imagens de sua casa, filmadas por uma câmera na rua. Isso é apenas o mote para uma seqüência de acontecimentos que começam a assustar o casal, na medida que revelações perturbadoras e pessoais são expostas através do conteúdo dos vídeos. Caché é um thriller que caminha lentamente, surpreendendo nas seqüências e desfecho memorável que apresenta.

#09. Obrigado por Fumar

Nick Naylor (Aaron Eckhart, em interpretação válida para indicação ao Oscar) é o principal porta-voz de uma grande empresa de cigarros. Obrigado por Fumar é uma sátira policamente incorreta sobre a indústria do tabaco e de como este lobista ganha a vida defendo os males do cigarro, ao mesmo tempo que precisa ser o modelo ideal ao seu filho adolescente. Um dos roteiros mais inteligentes que Hollywood poderia ter apresentado.

#10. O Céu de Suely

A história da jovem Hermila, que volta de São Paulo com seu filho recém-nascido para a casa da família – no interior do Ceará, ganha força (e fraqueza) através da interpretação de sua atriz Hermila Guedes. Ela espera a chegada do marido, mas esse não volta. Sem deixar que seus sonhos morram ali, naquela pequena cidade, encontra uma forma de ganhar dinheiro: uma noite de amor com ela através de uma rifa.

#11. Eu, Você e Todos Nós

A artista multimídia Miranda July apresenta, neste seu primeiro longa metragem, um retrato do cotidiano com pequenas doses de humor e melancolia através de suas personagens. A história de uma artista que faz vídeos que se sente atraída por um vendedor de sapatos, com dois filhos para criar e recém separado, transforma situações cômicas em peças adoráveis. Destaque para um dos garotos que consegue ganhar o filme apenas usando o chat em seu computador. ))<>((

#12. Boa Noite e Boa Sorte

George Clooney apresenta esse Boa Noite e Boa Sorte de forma sucinta e elegante. A rivalidade entre o apresentador Edward R. Morrow (David Strathairn) versus o senador Joseph McCarthy, em plena era do macarthismo, é tratado agilmente pelo olhar cuidadoso de Clooney atrás das câmeras. Além da excepcional fotografia em P&B, dando um ar noir ao projeto, as cenas reais dos “julgamentos” constroem credibilidade ao material.

#13. C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor

C.R.A.Z.Y. funcionando como uma espécie de Anos Incríveis, sem o conservadorismo norte-americano. O longa aborda temas como homossexualidade, drogas, música e religião de forma natural e imaginativa. Conquista o público, porque conversa com pessoas comuns como as representadas na tela, causando empatia pelos personagens. A trilha sonora impecável com clássicos dos Rolling Stones, David Bowie e Pink Floyd ganham seqüências extraordinárias.

#14. A Marcha dos Pingüins

Não é um documentário do Discovery Channel, porque é demasiado poético. A Marcha dos Pingüins ganha pontos ao tratar esses pequenos seres de forma humana. O diretor Luc Jacquet parece ter o poder de ler o que se passa emocionalmente na cabeça de cada um deles, mostrando como a natureza encontra força onde nós, seres humanos, nem podemos imaginar.

#15. O Plano Perfeito

O Plano Perfeito apresenta um estória banal: assalto a banco. A diferença está na direção, o elenco e, principalmente, roteiro que estão em sintonia tirando o projeto da vala comum. Há momentos de tensão e o que parecia apenas chavões expostos nos minutos iniciais acabam dando uma dimensão maior ao desfecho da trama. Vale destacar como Spike Lee trabalha com a diversidade étnica em um ambiente como Nova Iorque.

TOP 50 de discos de 2006 – # 01-10

segunda-feira, dezembro 25th, 2006

# 01. Joanna Newsom
(Ys)

Em seu primeiro álbum (The Milk Eyed Mender), Joanna Newsom era o típico caso de ame ou odeie. A cantora/harpista apresentava acordes raríssimos e delicados auxiliados da voz incomum de tom infantil. Agora, sua habilidade instrumental ganha orquestrações luxuosas de Van Dyke Parks (responsável por Smile de Brian Wilson) nas cinco faixas que compõem Ys. Gravado por Steve Albini (Pixies e PJ Harvey) as canções variam entre 7 a 17 minutos e são acariciadas por uma aura medieval. A sensação é de que o ouvinte passa a ser conduzido pela mão a um mundo imaginário.

As fábulas criadas por Newsom apresentam estranheza e intimidade – como em “Emily” dedicada à irmã da cantora -, recriando-se melodicamente e poeticamente em seus longos minutos. Há uma densidade nas composições, nos violinos contrastados a harpa (“Cosmia”), banjos salientes (“Emily”) e orquestrações crescentes (“Only Skin”). A artista continua sendo o típico caso do ame ou odeie. Porém, Ys é mágico em suas mlodias eficientes e imagens visualmente formadas a partir do vocal renascentista da cantora.

Dica de download: “Only Skin”, “Cosmia” e “Emily”

# 02. Casey Dienel
(Wind-Up Canary)

O álbum de estréia de Casey Dienel foi gravado em uma casa abandonada, numa fazenda, com a ajuda de alguns amigos do conservatório. Ela canta, escreve suas composições e toca o piano de forma encantadora. A garota, que diz ter crescido escrevendo canções no seu quarto “de portas fechadas para que ninguém as pudessem ouvir”, traz influências de Joni Mitchell, David Bowie e Cole Porter. Suas músicas tratam de “loucura, bêbados, homens velhos, gatos e cachorros, cowboys (…) e love affairs que deram errados”. São canções de uma descrição rara e harmonias de texturas pegajosas. Não há excessos, tudo é muito bem estruturado e as gravações soam naturais – sem evidentes pressões de gravadoras.

Dica de download: “Frankie And Annette”, “Fat Old Man” e “Doctor Monroe”

# 03. Regina Spektor
(Begin to Hope)

A virtude de Regina Spektor é o estilo mutável que combina jazz, rock, R&B e música clássica. É criativa em suas composições e revela domínio ao piano que executa no pop barroco combinado a ritmos populares com audácia, sensibilidade (“Samson”) ou efervescência (“Après Moi”). Esta descendente de russos, mostra-se uma das artistas mais bem resolvidas no atual cenário musical com seu estilo próprio – seja na forma de cantar, na execução dos instrumentos que passeiam por diversos tempos na melodia ou quando volta as raízes e canta versos em russo, como acontece na faixa “Après Moi”, recitando frases do poeta Boris Pasternak, o autor do clássico Doutor Jivago.

Dica de download: “On the Radio”, “Summer in the City” e “Apres Moi”

# 04. The Raconteurs
(Broken Boy Soldiers)

O toque de Midas de Jack White está neste Broken Boy Soldier. Depois de encatar o público com o The White Stripes e renascer uma estrela apagada (Loretta Lynn), aposta num blues/rock com o amigo (e também talentoso) Brendan Benson. Os dois são a essência do The Raconteurs. Buscam referências no rock dos anos 70, eformulam a época de artistas como Led Zeppelin para contar suas histórias. Benson brilha na balada “Together”, enquanto White absorve originalidade em “Blue Veins” com seus vocais em reprodução invertida.

Dica de download: “Together”, “Hands” e “Steady as She Goes”

# 05. Cat Power
(The Greatest)

The Greatest é um dos melhores trabalhos de Power. A cantora lança seu sétimo disco de estúdio e mostra estar na grande fase de sua carreira. Carreira sólida de melodias e letras bem estruturadas. O disco, gravado em uma semana com músicos lendários de Memphis, começa com a tristeza da estrutura folk blues da faixa título. Tudo está em sintonia: o emprego de violinos de textura finíssima e crescente de “Love and Communication”, a delicadeza na voz e piano modesto de “Where is my Love?” e a levada country com influência jazz de “Empty Shell”. Obra-prima na discografia de Chan Marshall.

Dica de download: “Love and Communication”, “Willie” e “Could We”

# 06. TV on the Radio
(Return to Cookie Mountain)

De acordo com David Sytek, responsável pelos elementos eletrônicos, Return to Cookie Mountain tem por inspiração os acontecimentos apocalípticos e a sensação de fim do mundo pós-11 de Setembro. O segundo álbum do grupo mescla jazz, trip hop e rock de forma experimental. É um trabalho ousado e mais acessível que o anterior (Desperate Youth, Bloody Thirsty Babes). Há a sensação de ser uma jornada por lugares escuros (“Playhouses”), com momentos de fuga em melodias compactas (“Wolf Like Me” e “A Method”) e salvação nos vocais de David Bowie (“Province”).

Dica de download: “Province”, “I Was A Lover” e “Wolf Like Me”

# 07. Hot Chip
(The Warning)

O quinteto do Hot Chip trilha seu segundo disco à base de eletro rock, sintetizadores e letras bem humoradas. Os garotos confessam que adoram a música pop, mas não as pessoas que a fazem. E é assim que The Warning seduz: pelo pop alegre e despretensioso nas melodias dançantes com referências do anos 80 nas tecnologias e ritmos atuais. “Colours” soa uma composição de Simon & Garfunkel do século XXI, enquanto o groove pulsante de “Over and Over” indica o clima do trabalho. Um encontro entre o Beach Boys e o Kraftwerk é uma boa forma de defini-los.

Dica de download: “Over And Over”, “And I Was A Boy From School” e “(Just Like We) Breakdown”

#08. Juana Molina
(Son)

Com um estilo folk eletrônico próprio, Juana Molina encanta com seu quarto álbum. Os pequenos elementos sonoros caracterizam as composições introspectivas da cantora argentina – como o canto de pássaros inserido junto aos arranjos do violão em “La Verdad”. A artista nos transporta a um universo lúdico, no qual o experimentalismo causa sensações de conforto. O vocal suave chega a ser confundido com os sons mais minuciosos, enquanto a percussão dá vigor às melodias, como acontece na brilhante “Malherido”. Poderíamos dizer que ela é uma espécie de Björk da América do Sul.

Dica de download: “La Verdad”, “Un Beso Llega” e “No Seas Antipatica”

# 09. Amy Winehouse
(Back to Black)

Back to Black é um álbum moderno com old school da Motown. Amy Winehouse aborda temas como drogas e amores perdidos em suas composições sem soar adolescente demais. O funky soul de “Rehab” garante qualidade no vocal climático e letra sobre não ser levada a uma clínica de reabilitação. Os elementos pop são desafiados ao domínio e postura clássica da artista. A qualidade gospel de “Me And Mr Jones” e as orquestrações de “You Know I´m no Good” evocam divãs como Etta James e Shirley Bassey, respectivamente. O jazz de “Love is a Losing Game”, o blues de “Wake Up Alone” e o R&B de “Some Unhole War” são peças que sustentam este clássico moderno.

Dica de download: “Wake Up Alone”, “Rehab” e “Tears Dry On Their Own”

# 10. Junior Boys
(So This is Goodbye)

A eletrônica oitentista e os beat influenciados pelo R&B do Junior Boys remete artistas como o Depeche Mode e o Eurythmics. Tendo estas referências, o grupo mostra-se preocupado com a sensibilidade na percussão e sintentizadores. O vocal de Jeremy Greenspan expressa melancolia, agilidade quando necessário e sem soar exagerado nas lamentações – até mesmo em composições que soam animadas. Vale destacar a releitura moderna de “When No One Cares” de Frank Sinatra.

Dica de download: “FM”, “Like a Child” e “In the Morning”

TOP 50 de discos de 2006 – # 11-20

sexta-feira, dezembro 22nd, 2006

#11. Nellie McKay
(Pretty Little Head)

Após divergências em sua gravadora, Nellie Mckay tomou coragem, botou seu disco na mochila e despediu-se dos executivos da Columbia Records. Lança Pretty Little Head por um selo menor, mas de sua maneira. O tom jazzístico e satírico da cantora está presente aqui. O contraste de suavidade e agressão nas melodias sustentam suas letras “inspiradas”. Vale destacar as participações de K.D. Lang (“We Had It Right”) e, em especial, Cyndi Lauper (“Bee Charmer”).

Dica de download: “There You Are in Me” (MP3)

#12. The Fiery Furnaces
(Bitter Tea)

Bitter Tea é um dos melhores discos confusos do ano. Os irmãos Matthew e Eleanor Friedberger passeiam e variam loucamente dentro de suas canções. As faixas transitam dentro de si, como se fossem composições diferentes. Com vocais arrastados de trás para frente (“Black-Hearted Boy”), sintetizadores aos prantos e pianos sufocantes, o clima obtido aqui é de puro pop psicodélico.

Dica de download: “Teach me Sweetheart” ()

#13. Jolie Holland
(Springtime Can Kill You)

Soando como uma diva dos anos 40/50, a ambientação deste Springtime Can Kill You é a de mais pura elegância num bar sujo. Com um timbre vocal de Billie Holiday, o folk-jazz de Holland é poético junto aos arranjos cuidadosos de suas composições.

Dica de download: “Mexican Blue” ()

#14. Cerys Matthews
(Never Said Goodbye)

Seguindo carreira solo, Cerys Matthews (ex-Catatonia) volta com este Never Said Goodbye. Com o fim do grupo, a cantora mudou-se para os Estados Unidos – mais especificamente Nashville, onde encontrou referências da verdadeira música folk para adicionar ao seu estilo e adequá-lo em suas canções. A voz inconfundível de Matthews encontrou-se musicalmente em letras que retratam o cotidiano e pessoas comuns.

Dica de download: “Morning Sunshine”

#15. Jenny Lewis with The Watson Twins
(Rabbit Fur Coat)

Jenny Lewis, longe do Rilo Kiley, aventurou-se em um disco eclético. Na companhia das gêmeas Chandra e Leigh Watson, elas excursionam pelo country (“Big Guns”), o folk (“Rise Up With Fists”) e o pop intimista de “Melt Your Heart” e “Handle With Care”.

Dica de download: “Melt Your Heart” ()

#16. The Flaming Lips
(At War With the Mystics)

Há quem chame as melodias do Flaming Lips de freak-pop (“The W.A.N.D.). No entanto, a mente do líder do grupo, Wayne Coyne, funciona de diversas maneiras. Seja em suas viagens sonoras ou composições que misturam Devendra Banhardt e homens-bomba (“Free Radicals”) ou mensagens para Britney Spears e Gwen Stefani na sugestiva “The Sound of Failure / It’s Dark… Is It Always This Dark?”.

Dica de download: “The W.A.N.D.” ()

#17. Carina Round
(Slow Motion Addict)

Ela conquistou um grande público com sua explosão sonora a la PJ Harvey. Agora a jovem conta com a rigorosa produção de Glen Ballard neste Slow Motion Addict. Os riffs flertam com o vocal de Round extraindo a essência necessária para o disco suceder, como acontece nas faixas “Stolen Car” e “How Many Times”. As melodias mais serenas (“Gravity Lies”) surpreendem nos momentos de intensidade sem aviso prévio dos instrumentos, na voz e gritos singulares da cantora.

Dica de download: “Take the Money” ()

#18. Thom Yorke
(The Eraser)

Thom Yorke desafia os fãs em seu primeiro lançamento solo fora do Radiohead. Além de ser a cabeça pensante do grupo, chamou a pessoa certa para produzir seu trabalho: Nigel Godrich – responsável por OK Computer. Nessa jornada eletrônica constrói momentos instigantes – no hipnótico riff em loop de “The Clock, e eletronicamente sutis – a junção dos acordes de piano aos samples da faixa título. Sem o uso de guitarras marcadas, Yorke encontra refúgio antes de voltar a gravar com os seus parceiros de banda.

Dica de download: “Analyse”

#19. Gnarls Barkley
(St. Elsewhere)

O DJ Danger Mouse, conhecido por misturar o White Album dos Beatles com o Black Album de Jay-Z, após produzir o último do Gorillaz, uniu-se ao rapper Cee-Lo formando um dos grupos mais tocados do ano: o Gnarls Barkley. Apresentando uma mistura de hip hop com linhas de baixo funkeadas, soul psicodélico e samples preciosos, o resultado deste encontro não poderia ser outro.

Dica de download: “Smiley Faces” ()

#20. Arctic Monkeys
(Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not)

O Arctic Monkeys parece aquele grupo que saiu da Internet rotulado a fazer sucesso – o que não é mentira. O rock eficiente aliado à rebeldia juvenil são as respostas para o sucesso dessa macacada. Os riffs pesados, a bateria marcada, as quebras de melodias (como na minha favorita “When the Sun Goes Down”) e voz desleixada de Alex Turner são características da autenticidade destes garotos.

Dica de download: “When the Sun Goes Down” ()

TOP 50 de discos de 2006 – # 21-30

quinta-feira, dezembro 21st, 2006

#21. The Knife
(Silent Shout)

O pop esquizofrênico dos irmãos Karin e Olof Dreijer é uma mistura de gêneros e artistas eletrônicos repleto de estranhezas sonoras. Momentos de espanto não faltam nas onze faixas de Silent Shout. Os vocais robóticos e distorcidos somados aos sintetizadores permitem que a parte mais humana, deste trabalho sombrio, apareça na participação de Jay Jay Johansson (“Marble House”).

Dica de download: “We Share Our Mother’s Health” ()

#22. Danielson
(Ships)

Dica de download: “Did I Step On Your Trumpet” ()

#23. The Decemberists
(The Crane Wife)

Conhecidos pelo seu “pop de câmara” e um folk com base na voz e violão, os companheiros de Colin Meloy conduzem esse quarto álbum – e o primeiro lançado em uma grande gravadora – com muito fôlego e pretensão em faixas épicas (exemplo de “The Island: Come and See/The Landlord’s Daughter/You’ll Not Feel the Drowning”). Destaque na participação de Laura Veirs na bela e melódica “Yankee Bayonet (I Will be Home Then)”.

Dica de download: “O Valencia!” ()

#24. Beck
(The Information)

Dica de download: “Cell Phone’s Dead” ()

#25. Yeah Yeah Yeahs
(Show Your Bones)

A expectativa neste segundo trabalho do Yeah Yeah Yeahs era grande. Em Show Your Bones, o grupo investe num som mais limpo do que na estréia (Fever to Tell), mantendo as composições em excelente forma. A bateria de Brian Chase acompanha de forma ágil as variações de tempo, enquanto a guitarra de Nick Zinners enfeitiça com o ingrediente principal: o vocal de Karen O.

Dica de download: “Cheated Hearts” ()

#26. Cold War Kids
(Robbers & Cowards)

Dica de download: “Hang Me Up to Dry” ()

#27. Pete Yorn
(Nightcrawler)

O pop rock de Pete Yorn ainda não arrecadou grandes fãs. Neste terceiro álbum está mais maduro do que nos discos anteriores. Encontra-se musicalmente na parceira de Dave Grohl – do Foo Fighters, tocando bateria na faixa “For Us”, e na companhia das garotas do Dixie Chicks no pop-folk de “The Man”.

Dica de download: “For Us” ()

#28. Sonic Youth
(Rather Ripped)

Dica de download: “Incinerate” ()

#29. Zero 7
(The Garden)

Com dois ótimos trabalhos no currículo, o duo formado por Sam Hardaker and Henry Binns entrega mais um material de pura leveza sonora. A faixa de abertura “Futures”, com a participação de José González, a atmosfera eletrônica de “Throw It All Away” e o soul urbano de “The Pageant of the Bizarre” apresentam particularidades do universo do Zero 7.

Dica de download: “Throw It All Away” ()

#30. The Strokes
(First Impressions of Earth)

Dica de download: “You Only Live Once” ()

TOP 50 de discos de 2006 – # 31-40

terça-feira, dezembro 19th, 2006

#31. Scissor Sisters
(Ta-Dah)

Em seu segundo disco, o Scissor Sisters surpreende com melodias cativantes repletas de elementos do glam rock, funky e o melhor dos anos 70 (incluindo vocais a la Bee Gees). O single “I Don’t Feel Like Dancin'” contagia nos sons de laser e palminhas, enquanto que os falsetes são destaques em “Land of a Thousand Words”. Sem esquecer de Ana Matronic fazendo um verdadeiro tributo a melhor fase de Debbie Harry (Blondie) na faixa “Kiss You Off”.

Dica de download: “I Can´t Decide” ()

#32. The Pipettes
(We Are The Pipettes)

Dica de download: “ABC”

#33. Gotan Project
(Lunático)

Fundir o tango com elementos da música eletrônica (“La Vigüela”), jazz (“Celos”), lounge (“Notas”) ou hip-hop é trabalho fácil para este trio argentino. As referências contemporâneas, auxiliadas de acordes envolvidos de sensualidade, mantêm viva a tradição de artistas consagrados como Gardel e Piazzolla.

Dica de download: “Mi Confesión” ()

#34. Muse
(Black Holes and Revelations)

Dica de download: “Take a Bow” ()

#35. Bob Dylan
(Modern Times)

Mesmo você não sendo fã de Dylan, não pode negar sua importância cultural. O cantor é também o produtor de Modern Times, assinando com o pseudônimo de Jack Frost. E ninguém melhor do que ele para saber como conduzir o seu próprio trabalho. São composições estruturadas pelo folk (“When the Deal Goes Down”), jazz (“Spirit on the Water”) e rock clássico (“Thunder On The Mountain”) guiadas pela voz áspera deste ícone musical.

Dica de download: “Beyond the Horizon” ()

#36. The Killers
(Sam´s Town)

Dica de download: “Read My Mind” ()

#37. Dani Siciliano
(Slappers)

Parceira de longa de Matthew Hebert, Dani Siciliano está mais madura neste segundo trabalho solo. Mescla pop experimental com elementos eletrônicos acompanhados de sua encantadora voz – há momentos em que o vocal remete Róisín Murphy (do Moloko). Trata-se de um álbum de equilíbrio perfeito entre o instropectivo (“Frozen”) e o extrovertido (“Didn’t Anybody Tell You”).

Dica de download: “Didn’t Anyone Tell You” ()

#38. The Album Leaf
(Into the Blue Again)

Dica de download: “Always for You” ()

#39. Islands
(Return to the Sea)

Os canadenses do Islands não tiveram a mesmo sorte que algumas bandas de seu país. Fizeram uma estréia morna com este belo álbum. Nick Diamonds é autor de letras irônicas (“Don´t Call me Whitney, Bobby”), enquanto que a percussão fica sob a responsabilidade de Jaime Thompson. O pop psicodélico do duo oferece melodias grudentas (“Rough Gem”), teatrais (“Humans”) e estranhezas sonoras (“Ones”).

Dica de download: “Rough Gem” ()

#40. Beth Orton
(Comfort of Strangers)

Dica de download: “Worms” ()

TOP 50 de discos de 2006 – # 41-50

segunda-feira, dezembro 18th, 2006

#41. TeddyBears
(Soft Machine)

Os suecos do TeddyBears têm o hábito de se apresentarem com cabeças de ursinhos. Em Soft Machine, são as participações especiais que ganham peso com os nomes de Iggy Pop (“Punkrocker”), Neneh Cherry (“Yours to Keep”), Elephant Man (“Are You Feelin’ It”), entre outros. O álbum tem um apelo comercial em seu pop eletrônico de melodias fáceis, tornando-o um trabalho simples e bem estruturado.

Dica de download: “Yours to Keep”

#42. Lily Allen
(Alright Still)

Dica de download: “LDN”

#43. Wolfmother
(Wolfmother)

Não é Black Sabbath. Nem Led Zeppelin ou Deep Purple. O trio australiano do Wolfmother surpreende nas referências que carrega tanto na temática de suas composições como no som alternativo que apresenta.

Dica de download: “Witchraft” ()

#44. Johnny Cash
(American V: A Hundred Highways)

Dica de download: “Like the 309” ()

#45. Belle & Sebastian
(The Life Pursuit)

Com a saída de Isobel Campbell, o grupo parecia não ter futuro certo. Puro engano. Estão inovados por uma energia cativante, saindo da mesmice dos discos anteriores e com novas referências em suas melodias. “White Collar Boy”, faixa pop de tom colegial, é algo que parece não ter saído da cabeça dos integrantes do B&S.

Dica de download: “White Collar Boy” ()

#46. Band of Horses
(Everything All the Time)

Dica de download: “The Funeral” ()

#47. John Mayer
(Continuum)

O projeto Try!, com Steve Jordan e Pino Palladino, influenciou o último disco de John Mayer, Continuum. Trata-se de um projeto mais direcionado ao soul, com influências de jazz e blues. Vale destacar a canção “Bold as Love”, de Jimi Hendrix.

Dica de download: “I’m Gonna Find Another You” ()

#48. Be Your Own Pet
(Be Your Own Pet)

Dica de download: “Bunk Trunk Skunk” ()

#49. Tap Tap
(Lanzafame)

Pode soar uma reinvenção de Arcade Fire, mas os ingleses do Tap Tap têm qualificações de sobra para sobreviver às comparações. Suas melodias carregam uma qualidade pop nos instrumentos presentes, reinventando-se dentro do próprio trabalho. O grupo aparenta ter um futuro sólido pela frente.

Dica de download: “100,000 Thoughts” (MP3)

#50. Sparklehorse
(Dreamt for Light Years in the Belly of a Mountain)

Dica de download: “Mountains” ()