
BUHR, novo nome artístico adotado por Karina Buhr, apresenta o aguardado álbum Feixe de Fogo, sete anos após Desmanche, pelo selo paulista Sound Department. O trabalho percorre diferentes sonoridades, reunindo influências de rock, reggae e outros estilos, com samples marcantes, guitarras e sintetizadores que se alternam em destaque ao longo das faixas. As percussões, tanto orgânicas quanto eletrônicas, se combinam de forma fluida, enquanto o disco se inspira no movimento, nas viagens e nas experiências vividas em várias cidades do Brasil. A proposta evoca um percurso guiado por um tempo que foge da lógica dos calendários, com deslocamentos constantes e fronteiras que se dissolvem.
Produzido e gravado de forma independente ao longo de quase dois anos, o álbum foi construído gradualmente em cidades como Fortaleza, Sobral, Salvador, São Paulo e Recife. O projeto reúne colaborações de artistas dessas regiões e também de outros lugares, como Olinda, Juazeiro, Feira de Santana e Rio de Janeiro.
O disco reflete um momento de trânsito e transformação, abordando relações entre pessoas e espaços urbanos. Marca ainda uma nova fase na carreira, sendo o primeiro trabalho assinado apenas como BUHR, deixando de lado o nome Karina Buhr. Nesse contexto, a obra também dialoga com debates políticos ligados ao feminismo e à arte, a partir de sua vivência como pessoa não binária.
BUHR divide a direção artística e a produção musical com Rami Freitas, além de participar na percussão em algumas faixas. O tambor continua sendo elemento central em seu processo criativo, junto à voz, mesmo quando não aparece diretamente nos arranjos finais. As composições se destacam pela métrica pouco convencional, influenciada pela oralidade, criando uma identidade singular que se conecta ao universo pop. Outra característica marcante é o contraste entre letras intensas e melodias suaves.
As músicas exploram conflitos urbanos, dores cotidianas e pequenas histórias que refletem experiências coletivas. O álbum reúne onze faixas autorais, incluindo “Desmotivacional”, parceria com Russo Passapusso, que também participa nos vocais e na coprodução. Outras colaborações incluem Josyara e Negadeza em “Oxê”, além de Moon Kenzo em “70 Cigarros”.
O disco também conta com contribuições instrumentais de diversos artistas. Ubiratan Marques assina arranjos de metais e sintetizadores em algumas faixas, enquanto Janice Brandão participa com violoncelo em “Seilasse”. Arto Lindsay, Fernando Catatau e Edgard Scandurra aparecem em diferentes momentos com guitarras, e Dadi contribui no baixo em “Motor de Agonia”. Rami Freitas, além da coprodução, é responsável pelas baterias e programações eletrônicas, além de outros instrumentos. Entre os demais colaboradores estão Susannah Quetzal, Rosa Denise, Izma Xavier, Nilton Azevedo, João Teoria, Regis Damasceno, Briar Aguarrás, MAU e Plínio Câmara.


