
O projeto musical Planningtorock, comandado por Jam Rostron, está de volta com “Told Me Mum I’m Trans”, seu primeiro single solo inédito em mais de dois anos, lançado pelo selo Human Level.
A faixa parte de uma experiência vivida por Rostron em 2023, quando revelou à mãe, Janet, que era trans. A reação acolhedora recebida naquele momento acabou incorporada à composição, transformando uma memória pessoal em um relato sobre afeto, compreensão e suporte familiar.
O trabalho combina spoken word, sintetizadores expansivos e loops suaves de bateria em uma produção delicada, mas também afirmativa. Os versos acompanham a longa trajetória de uma pessoa trans até compartilhar sua identidade com a mãe, que surpreendentemente revela já ter percebido o que estava acontecendo. Ao transformar essa conversa íntima em música, Planningtorock reforça a importância do acolhimento e do respeito às diferenças. Sobre o single, Jam compartilha:
“Esta é uma história importante para mim e que eu queria compartilhar porque existe muito ódio contra pessoas trans atualmente e precisamos nos lembrar de todas as pessoas maravilhosas que nos amam e ajudam nossa comunidade. Minha mãe sempre foi uma aliada e já ia à Parada do Orgulho LGBTQIA+ nos anos 90 com Beulah. Ela sempre esteve presente para mim e para meus amigos ao longo dos anos, quando seus pais os rejeitavam por se assumirem.
Levei muito tempo para chegar até aqui e só aos 51 anos consegui contar para Janet que sou trans. Ela tinha 80 anos e sua resposta foi tão doce, tão precisa, que eu quis de alguma forma preservá-la, então a gravei em uma música. Crescendo em um conjunto habitacional popular em Bolton, Janet saiu da escola aos 14 anos e foi direto trabalhar. Quando eu e Beulah éramos crianças, ela foi diagnosticada com câncer terminal e recebeu apenas 6 meses de vida. Ela passou por um tratamento excessivo com rádio e ficou doente por um tempo, mas logo voltou a trabalhar em vários empregos.
Há um milhão de histórias que eu poderia contar sobre as vezes em que Janet desafiou tudo o que a vida parecia lhe impor e todas as vezes em que lutou por mim e por Beulah sem recursos ou apoio. Mas a história que quero contar com esta música é de quando contei a Janet que sou trans e como ela imediatamente entendeu que isso era sobre mim e nunca fez disso uma questão pessoal. Ela disse que pressentia algo quando eu era mais jovem, mas não tinha palavras e ficou muito feliz em me ver feliz. Foi um lindo momento de amor incondicional que nos aproximou ainda mais.
É muito importante dar visibilidade aos pais e famílias que apoiam crianças trans. Não apenas para mostrar que eles existem, mas para mostrar a eles que não estão sozinhos. Porque há aqueles que querem que o mundo pense o contrário. Espero que, ao compartilhar essa história, mesmo que de forma modesta, eu possa ajudar outros pais a aprenderem a amar seus filhos trans e a saberem que até mesmo pais da geração mais velha entendem.
Essa música é um registro da jornada de uma pessoa trans mais velha com sua mãe, uma mulher forte e igualmente experiente.”



